quinta-feira, 2 de março de 2017

Ex-primeiro ministro português mostra a verdadeira importância do futebol

Quando eu critico o futebol não é a modalidade em si que critico e sim a importância dada a modalidade esportiva, que no Brasil é mais do que frequentemente confundida com dever cívico e obrigação social. 

No Rio de Janeiro, a coisa é ainda mais radical, pois o gosto pelo futebol é tratado como uma etiqueta social, obrigando todo carioca a escolher um time para torcer (de preferência um dos quatro principais), sob pena de ser excluído do convivo social. Falam que o gosto pelo futebol não é obrigatório, mas assumir desprezo pelo futebol causa desconforto nos cariocas, que quase sempre reagem mal.

Tenho absoluta certeza do fato de que Charles Miller não estava com intenções de criar um símbolo cívico quando trouxe o futebol - sim, ele é esporte gringo: nosso "maior símbolo" é importado! - para o país. E pelo que se observa neste vídeo, o ex-primeiro ministro português, do contrário que imensas multidões no Brasil, também não enxerga no futebol um dever cívico.

Santana Lopes foi convidado por um telejornal português para dar uma entrevista importante sobre a crise mundial e os efeitos dela sobre a economia portuguesa. Durante a entrevista, ele é interrompido para uma espécie de "plantão" onde mostrava a chegada no aeroporto de um técnico de futebol, uma informação banal e que poderia ter sido facilmente ignorada ou no máximo, mostrada mais tarde, sem necessidade de plantão e de interromper uma entrevista.

Santana Lopes, sensatamente, se sentiu ofendido com a interrupção e reconheceu a futilidade do futebol, que na verdade nunca passou de mera forma de diversão, sendo totalmente supérfluo para a melhoria do bem estar da sociedade. Lopes se recusou a continuar a entrevista, falando de forma firme, mas gentil e agradeceu a participação. A jornalista insistiu com a continuação da entrevista e Lopes, alegando desrespeito, insistiu em encerrar a entrevista.

Concordo plenamente com Danta Lopes e aplaudo de pé. Eu mesmo já falei a amigos, que não gostaram muito do que eu disse: se uma namorada minha se recusar a sair comigo para um passeio romântico, por causa de um "importante" jogo de futebol, encerro o namoro na hora, pois mesmo que ela ame tanto o time quanto eu, não gosto de ser igualado a algo ao mesmo tempo abstrato e fútil e que nunca conseguiu melhorar a sociedade como um todo.

É como eu digo, o Brasil só vai se evoluir quando tratar o futebol como mero lazer. Enquanto ele for confundido com dever cívico, coxinhas vão continuar saindo para as ruas para combater a corrupção usando a camiseta da CBF e esquerdistas vão continuar insistindo na conversa fiada de que o futebol vai mudar o mundo e conscientizar as pessoas.

O povinho infantil este, o brasileiro, que coloca uma mera brincadeira acima de tudo. Estamos nessa desgraça de sub-desenvolvimento porque ainda continuamos muito imaturos. Cresçam, brasileiros, cresçam!

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