domingo, 21 de maio de 2017

Maioria dos brasileiros se sente obrigada a gostar de futebol

Interessante. Duas das frases consagradas pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que gostava (mesmo!) de futebol e por isso foi também cronista esportivo, podem servir de comentários sobre o fanatismo do brasileiro pelo futebol:

"O Brasil é uma pátria de chuteiras".
"Toda unanimidade é burra".

O Brasil é conhecido pelo intenso e maciço fanatismo pelo futebol. Mas é estranho para um país conhecido pela sua diversidade, com um imensidão territorial e uma gigantesca quantidade de pessoas de várias etnias, origens e personalidades, ter apenas um, eu disse UM único hobby esportivo. Isso só é possível se o futebol for considerado uma obrigação social. Uma situação onde as pessoas são obrigadas a gostar de futebol para serem aceitas socialmente.

Na verdade, o futebol é o que se pode conhecer como falso consenso. É quando o senso comum combina com grande maioria das pessoas, através da mídia e de regras sociais, o que todos devem fazer. Pega-se uma atitude, agrega-se a ele valores positivos ou até mesmo nobres e estimula quase toda a sociedade a tomá-la, como se fosse a sua "honra".

Somente uma minoria de brasileiros gosta de fato de futebol

Cerca de 80% (pensavam que o numero era maior?) das pessoas, segundo uma pesquisa que eu vi em redes sociais, poucos anos atrás, admitem publicamente que gostam de futebol. Desses 80%, somente 40/80 gostam de fato e 20/80 demonstram algum conhecimento técnico sobre o esporte.

Se pararmos para pensar, somente uma reduzidíssima quantidade de pessoas gosta de fato de futebol. Grande maioria finge gostar por motivos sociais. O futebol é o maior agregador social para o brasileiro, seguido das religiões e das drogas (lícitas e ilícitas) em geral. 

Para a grande maioria, ficar diante da TV berrando a cada entrada de bola em uma rede, é o suficiente para admitir o gosto e assim obter a aceitação social de quem pensa que gostar de futebol é sinônimo de "simpatia".

O futebol em si não possui características que estimulem a sua imensa popularidade. Boa parte da magia atribuída ao futebol é postiça. Pergunte a quem se assume gostar de futebol: os argumentos de defesa mais comuns que você ouvirá sã os seguintes:

"É prazeroso ver a torcida unida em torno de um ideal".
"Gritar quando acontece um gol é a oportunidade para extravasar"
"Ver o nome do país se destacando diante do mundo através do esporte é o máximo".

Reparou que nenhum dos argumentos de defesa fala do futebol em si mas dos valores que são agregados artificialmente à modalidade? Uma prova que o que atrai as pessoas ao futebol é, além dos motivos sociais, das próteses enobrecedoras colocadas em torno de um esporte sem graça, praticado por atletas de baixíssimo nível intelectual e que envolve muito dinheiro sujo e compras de resultados para favorecer dirigentes e alguns jogadores.

Futebol como falso consenso para uma sociedade diversificada

Outra coisa: foi comprovado através de estudos que seguir a maioria é instinto de sobrevivência. Pessoas sabem que obedecer regras sociais traz vários benefícios, principalmente nas relações amorosas e profissionais, que dependem de decisão de outras pessoas para serem adquiridos. 

Por isso que mesmo com vocação à diversidade, os brasileiros tentam desesperadamente criar um falso consenso para forjar harmonia e concordância. E para isso que existe o futebol, supostamente cultuado por pessoas de todos os tipos, raças, crenças, tribos: ricos e pobres, capitalistas e socialistas, homens e mulheres, negros e brancos, gordos e magros, nerds e atletas, bregas e alternativos, cristãos e ateus, bandidos e benfeitores, etc. Juntar pessoas totalmente diferentes e até mesmo em pé de guerra entre si é objetivo do  falso consenso.

O futebol é a nossa maior regra social e enquanto ele for considerado como tal, as pessoas irão colocar as suas camisetas de times e berrar muito. Mesmo que o resultado de um jogo nada signifique para as suas vidas.

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