domingo, 30 de julho de 2017

A mesma sociedade que deseja "força Abel" é a mesma sociedade egoísta que temos hoje

Abel, um técnico de futebol, acaba de perder seu filho. Claro que é um momento triste de dor que somente um pai pode compreender. Aqui dou a minha sincera e comovente solidariedade a ele. Mas não dou solidariedade aos que supostamente prestam solidariedade a ele.

Por que não é uma solidariedade a um ser humano que perde o seu filho. É uma solidariedade a um técnico de futebol, representante da maior zona de conforto do povo brasileiro. Provavelmente se Abel não tivesse envolvido com o futebol, sua dor seria fatalmente ignorada.

Porque a mesma sociedade do "força, Abel" é a sociedade que sorriu com a morte de Dona Marisa, esposa de Lula.

A mesma sociedade do "força, Abel" vive ameaçando de morte esquerdistas e altruístas em geral.

Os mesmos que desejam "força, Abel" ignoram que muitos pais perdem seus filhos nas periferias, mortos por policiais e militares contratados para fazer "higiene social" para que a sociedade pudesse ser cada vez mais rica e branca.

Os que desejam "força, Abel" ignoram que aumentam a cada dia moradores de rua sem a mínima expectativa de entrar no mercado de trabalho para ganhar uma salário digno.

Os que desejam "força, Abel" agem com a maior passividade diante de um governo que destrói direitos e pretende transformar o Brasil em algo pior que os mais miseráveis países da África.

Aliás, os que desejam "força, Abel" são os mesmos que apoiaram a queda de uma presidente honesta de um país relativamente equilibrado para por no lugar um bando de corruptos que começa a estragar a vida da maior parte dos brasileiros. Isso em nome do combate à corrupção.

Os de que desejam "força, Abel" são os mesmo gananciosos mais interessados em acumular bens sem se importar em distribuir renda para melhorar a vida de todos.

Os que desejam "força, Abel" é essa sociedade ignorante e egoísta que não consegue enxergar a humanidade como um todo e se recusam alutar para que o maior número de pessoas tenha uma vida com dignidade e todas as necessidades satisfeitas.

Eu desejo força ao ser humano Abel. Não importa se ele é ou não técnico de futebol. Mas compreendo que a dor de um pai é só uma das inúmeras dores que o Brasil, um país cronicamente sofrido tem que aguentar por causa de muita ganância que insiste em permanecer no coração das pessoas.

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