segunda-feira, 10 de julho de 2017

Futebol e a noção brasileira de civismo

Brasileiro nunca foi um povo patriota. Adora tudo que vem dos países desenvolvidos (mesmo o que é ruim) e não se importa em ver bens e direitos arrancados em nome da exploração feita por esses mesmos países.

A única noção de patriotismo que o brasileiro tem é no esporte, sobretudo no futebol. Criando para ser apenas uma opção de lazer, o futebol se tornou hegemônico graças a uma intensa e repetitiva campanha publicitária que conseguiu transformar a modalidade em falso consenso de um país que deveria ser diversificado.

O resultado disso é o futebol transformado em obrigação cívica e social. Quem assume publicamente não curtir futebol é rapidamente isolado da sociedade. Por isso, muita gente, sobretudo mulheres, sem praticamente gostar do que observam na tela esverdeada, se apressam a escolher o seu time "do coração" sem praticamente saber qual o nome do artilheiro do alegado time, em geral um daqueles nomes ridículos que pessoas de baixa escolaridade adoram colocar em seus filhos.

A decepção com o resultado da última copa - com a realista derrota de 7 a 1 que foi desabafada pela onda de ódio conservadora que tomou o país - mostrou que para os brasileiros, o importante é ser bom no futebol. Até penso que se o Brasil todo for destruído e somente o Maracanã ficar de pé, os brasileiros respirarão aliviados, mesmo sem ter onde morar e sem ter o que comer.

Com a proximidade da Copa, os brasileiros já começam a agir para que o Brasil volte a ser a pátria de chuteiras. Esquerdistas e direitistas, brancos e pretos, ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças, nerds e pit-boys, todos trabalham para que sua única - e equivocada - noção de civismo seja preservada. 

A meta em ganhar mais uma copa irá se sobrepor ao desejo de melhorar a qualidade de vida e lá estaremos todos nós berrando feito alces no cio diante de um aparelho de televisão ligado na GLOBO (quem odeia a Globo? Parem de me enganar: TODOS AMAM A GLOBO).

E como tem sido desde que um brasileiro sentou no comando da FIFA: mais uma vitória no futebol, temperada com derrotas incessantes na vida cotidiana. Brasileiro, povo infantil, sempre priorizou a brincadeira acima da seriedade. Por isso, golpes ocorrem e  nunca deixamos de ser uma República das Bananas.

Então, paremos de hipocrisia e elegemos Neymar presidente o mais rápido possível. Se o Brasil é uma pátria de chuteiras, não há nada que o "melhor jogador do país" não saiba fazer para governá-lo.

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