quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O "herói" da Meritocracia

Foi anunciada recentemente a transferência do hiper-estimado jogador Neymar para o Paris Saint Germain, um dos mais conhecidos times do futebol francês. O salário que o jogador, sem o ensino básico completo, vai ganhar é gigantesco. Só para se ter ideia, vai dar para comprar um apartamento com o que ele vai ganhar por dia. (eu disse: POR DIA).

Mas ninguém liga. Neymar não é político e muito menos "comunista" (ele é direitista assumido e amigo de Aécio Neves). Além disso, é o principal craque do maior narcótico e maior instrumento midiático de manipulação do povo brasileiro, o futebol. 

Em tempos de crise, Neymar serpa muito importante para os brasileiros pensarem na possibilidade de "prosperidade" para o Brasil. Uma prosperidade de mentirinha, mas que habitará as mentes dos brasileiros durante a copa, ao som do hino cantado a plenos pulmões. Enquanto soa o hino, nosso país aos poucos vai sendo desmontado para ser entregue aos gringos. Futebol sim, soberania sifu.

E nem adianta Neymar assumir seu direitismo. A esquerda o ama de paixão. Não interessa se Neymar, o analfabeto mais amado do país, apoia o desmonte de nossa soberania. O alto salário que ele vai ganhar o torna imune a crises de qualquer tipo e intensidade. 

E como ele não e nem um pouco altruísta - o falso altruísmo dele é puro marketing (sem trocadilho com a "namorada" que arrumaram para ele desfilar em prol de sua própria publicidade), dane-se o resto. O importante é comemorar os gols e o inútil título. Afinal a "seleção" é penta-campeã e isso não adiantou em nada a melhoria do país. Claro, futebol é só diversão. Só e somente só. Apenas otários e burros acham que futebol é dever cívico e patriotismo.

Mas o que aumenta ainda mais a admiração de todos, incluindo os esquerdistas que amam futebol (e o Neymar também) ao jogador é que ele é o campeão da competitividade que os direitistas pensam ser a vida. Ou seja, Neymar é o suposto herói da chamada Meritocracia. 

Meritocracia: a vida é uma competição; ricos são os vencedores

Meritocracia é aquela ideia imbecil que trata a vida cotidiana como uma competição e as relações humanas como um jogo. Para quem acredita nesta utopia fascista - que nem mesmo os capitalistas mais sérios acreditam - os ricos são os vencedores deste jogo e sua ganância (que não recebe este nome, substituído por outros mais "bonitos") deve ser respeitada. O resto que continue lutando que um dia ficará rico. Como se existisse bens o bastante na face da terra para todo mundo ficar bilionário.

Os direitistas que adoram futebol - pensou que só a esquerda gostava de futebol, hein? O uniforme de CBF nos protestos comprova que a direita é boleira, sim -  já elegeram Neymar, que veio das periferias o maior garoto propaganda da Meritocracia. 

Certamente a direita usará o jogador-hipérbole como exemplo de que os pobres podem virar magnatas se "lutarem um pouquinho" fazendo profissionalmente o que os pobres mortais fazem como lazer. Com isso, aumentam as inscrições de jovens pobres em times juniores de grandes clubes. Ser "doutor" não garante mais futuro. Ainda mais após a medonha reforma trabalhista que ressuscitará a escravidão. reforma apoiada pelo próprio Neymar, que não está em aí com o que irá acontecer.

A esquerda deve abrir os olhos e procurar outro esporte para curtir. Se ela continuar defendendo o mais capitalista dos esportes, achando que se tirar "cartolas" (os empresários do esporte) a magia sera mantida, vai fazer gols contra. Existem muitos outros esportes menos corrompidos e largar o futebol nunca matou ninguém.

Ou a esquerda que assuma mesmo a sua hipocrisia e aceite toda a manipulação capitalista do futebol - que é o que garante a magia que faz a modalidade ser quase unânime entre os brasileiros - aplaudindo a Meritocracia de Neymar, um "herói" que dará através do futebol o prestígio que o Brasil não consegue em outros setores. E infelizmente, é isso que o povo, mesmo o "mais letrado", quer.

Afinal, antes de sermos a República das Bananas, somos a Pátria de Chuteiras. Sempre levando chutes no traseiro vindos dos outras nações que odeiam ver um Brasil soberano.

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