quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tá, futebol simboliza a nossa cultura. Mas ninguém me obriga a gostar de samba!

Por Marcelo Pereira, publicado no Alto da Laranjeira

Muita gente diz que o futebol deve ser respeitado senão como símbolo cívico, pelo menos como símbolo da nossa cultura. Algo que nos faça ser conhecido no exterior como uma marca nossa.

Mas precisa obrigar todo mundo a gostar de futebol para que ele continue sendo uma marca dos brasileiros? Temos muitas outras coisas tipicamente brasileiras que não possuem a mesma - suposta - unanimidade. Conheço muita gente que detesta feijoada e sabe-se muito bem que é a comida que mais nos representa. Símbolo ou não, eu adoro feijoada, uma de minhas comidas favoritas.

Mais curioso ainda é saber que o tipo de música que mais nos caracteriza está mais do que longe de ser unânime. O samba, música que nos faz conhecidos lá fora, está cada vez mais impopular. De sucesso, somente aqueles Frankesteins sonoros que se apresentam como "pagode" (Alexandre Pires, Belo, Molejo, Tchan e os novatos Dilsinho e Ferrugem), mesmo assim sem estrondo.

Conheço um número ainda maior de pessoas que não se sentem obrigadas a gostar de samba para se considerarem brasileiras. Ninguém nunca me obrigou a gostar de samba. Quando eu digo que não curto a maior parte de sambas (há os que gosto, mas são poucos e bem antiquados), ninguém se chateia. Mas quando eu digo que passo longe do futebol, aí a polêmica se instala.

Porque sou obrigado a gostar de futebol se não sou obrigado a gostar de samba, de caipirinha, de papagaio? Adoro feijoada porque agrada a meu paladar e mesmo assim ninguém me obriga a gostar de feijoada. Se eu não gostasse, não haveria problema. Porque com futebol há este problema?

Futebol pode ter a importância cultural para o raio que te carregue! Eu não sou obrigado a gostar de futebol seja qual for a nação que ele representa! Se não sou obrigado a gostar de samba, feijoada e caipirinha, também não sou obrigado a gostar de futebol!

Para quem gosta de futebol, desejo que tenha um bom proveito. Mas não me venha com este papo de que tenho que gostar de futebol. As coisas lá nos gramados estão bem longe de dar algum tipo de alegria a minha vida.

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