segunda-feira, 2 de julho de 2018

Se orgulhar de ser melhor no futebol é se contentar com pouco

Os brasileiros são membros de um povo com baixíssima auto-estima, que aceita facilmente a exploração e os abusos dos mais fortes e nada faz para sair de situações humilhantes. Como é mais fácil fugir dos prolemas do que resolvê-los, os brasileiros encontraram no futebol o abrigo provisório das intempéries do mundo real que quase todos se recusam a eliminar.

Para muitos, ganhar no futebol se tornou uma honra inquestionável, embora se prestarmos atenção ao fato, temos uma baita gafe: aquilo que mais nos orgulha é sermos os melhores em uma forma de brincadeira, enquanto nações mais amadurecidas tem como orgulho a capacidade de solucionar problemas complexos com relativa facilidade.

Pensem junto comigo: somos os melhores no futebol. Pensem novamente: somos os melhores no futebol. No futebol e em mais nada. Somos os melhores no futebol e é a única coisa que sabemos fazer melhor. Sim, a única coisa que sabemos melhor é correr atrás de uma bola para chutá-la para uma rede. Isso mesmo. É a unica coisa que sabemos fazer. É isso mesmo?

Reparem no ridículo de sermos os melhores em algo supérfluo e bobo como correr atrás de uma bolinha para chutá-la a uma rede. Para completar ainda mais a ridiculosidade, o futebol é um dos mais rudimentares esportes, com regras fáceis que permitem vitória de medíocres. Em várias oportunidades, os brasileiros conseguiram vencer partidas jogando muito mal. 

Além do mais, o futebol é tão fácil que boa parte de seus praticantes mais famosos sequer completou o ensino básico, mal sabendo assinar o nome. Mas graças a fama de praticar o lazer mais popular do país, os jogadores têm um poder de influência muito maior do que qualquer intelectual com pós-doutorado. Se Neymar fosse militante contra o golpe, o povo sairia as ruas e o golpe teria acabado.

O futebol deveria ser visto como uma reles diversão. Mas no Brasil ele é tratado como um dever cívico, é uma obrigação social - quem não gosta, fica sozinho - e frequentemente confundido com o próprio país, como se vivêssemos não em um território, mas dentro d um estádio de futebol.

Gostaria que os brasileiros percebessem o ridículo de ter que ser o melhor em algo tão supérfluo e banal. O que há de tão nobre em ser o melhor em uma brincadeirinha? Porque não desenvolvermos o nosso orgulho em assuntos mais sérios? 

Ter como maior orgulho em algo tão fútil é um sintoma claro de nossa baixa auto-estima. Somos vira-latas e nosso maior orgulho deve ser o de virar latas. Isso é claramente ridículo, mas somos acostumados a não só aceitar como a os orgulharmos disso. 

Melhores no futebol...  Grande coisa. Por isso que as outras nações vivem rindo de nós e financiando golpes de estado que destroem nossa dignidade. Mas a dignidade "está no futebol". Então tudo bem! Continuemos a virar latas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.