quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A dignidade nunca veio do chute de uma bola

O brasileiro é um povo jovem, com apenas 518 anos de idade, diante de povos com mais de 5000 anos. Por estar na infância de sua existência, mesmo o mais adulto dos brasileiros coloca uma simples brincadeira como o futebol como prioridade nacional, tratando-o com rígida seriedade.

Os brasileiros sempre se esquecem da futilidade do futebol. Incapazes de resolver problemas simples e de recorrer a autoridades para que elas ajam com maior responsabilidade, o povo do Brasil prefere fugir de vez em quando da realidade e se esconder no futebol. Dentro do futebol, cria um país de faz-de-conta cujo maior orgulho é dar mais chutes que fazem a bola sacudir uma rede.

Esse patriotismo de mentirinha cria uma estagnação na sociedade brasileira, perpetuando problemas que são "resolvidos" através do jeitinho, que é mais fácil, exigindo menos esforço e dispensando o empenho de autoridades. O futebol traz a principal felicidade. As outras alegrias, mais realistas, se consegue de forma precária.

O Brasil é o país cuja seleção - não confunda com o próprio país, bom lembrar - é a que ganhou mais títulos em mundiais e nem por isso melhorou sua economia ou gerou qualidade de vida a sue população. O golpe político de 2016 mostrou que nem mesmo a democracia estava consolidada. Era um país com muita coisa a fazer. Mas preferimos primeiro festejar para depois arrumar a casa. Sempre.

O empenho que os brasileiros demonstram no futebol faz crer que para a maioria dos brasileiros, o futebol, se não garante qualidade de vida à população, pelo menos serve de grande compensação. Mas nem isso compensa. Se lembrarmos que o futebol nunca passou de uma mera forma de lazer e que toda a sua importância e magia são artificiais e postiças, somos obrigados a aceitar o futebol ou como fuga, ou como forma de sociabilização ou como ilusão de gente doida mesmo.

O patriotismo de mentirinha mostrado durante a copa não seria nada demais se não fosse tão sério. mas é tratado como se fizesse parte da política. O hino cantado na abertura e os comentários sobre futebol feitos por autoridades completam a brincadeira. No Brasil, o futebol é tão político que sites de política criaram programas só para falar da copa. Como se a segurança do Brasil dependesse de um título no futebol.

Vai demorar muito para o brasileiro entender que o futebol é somente um lazer. Até creio que está começando a entender. Cinco títulos no futebol não conseguiram ser convertidos em qualidade de vida para a população. Mas vai ser necessário derrotas constantes no futebol para a magia desaparecer e o fanatismo futebolístico que o confunde com patriotismo despareça. Nosso país é muito maior do que um simples estádio de futebol.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.