quarta-feira, 22 de maio de 2019

Se o Vitor Belfort usasse computador mais de 4 horas por dia, ele se tornaria um "nerd"?

O conceito de nerd no Brasil é totalmente diferente do conceito ianque, embora os próprios brasileiros não percebam isto. Nerd, para os brasileiros, é qualquer um que seja viciado em informática, ciência e histórias em quadrinhos. As outras características típicas dos nerds não são consideradas pelos brasileiros.

As dificuldades de sociabilização que tanto marcam os nerds ianques, sendo inspiração para muitos filmes e seriados sobre a estranha tribo, são consideradas pelos brasileiros como uma "estereotipamento". O rótulo nem é considerado pejorativo, embora tenha surgido como tal nos EUA.

Nerd, originalmente era uma forma de dizer que o cara era ridículo, estranho e era um passaporte para inúmeras oportunidades de bullying. Sinceramente, se alguém se considera nerd e nunca foi vítima de bullying (quando uma ofensa gera danos graves - colocar apelidos e rir da cara são insuficientes para qualificar uma atitude como tal, se ela não gera dano grave), com certeza está mentindo e quer tomar o rótulo para si.

O rótulo de nerd ganhou um sentido positivo no Brasil por estar diretamente ligado à tecnologia. Isso cria uma espécie de status social. É como se dissesse que alguém é um "especialista em tecnologia" ou algo parecido. Em tempos de desenvolvimento - apenas - tecnológico, ter esse rótulo dá prestígio.

O que os brasileiros fizeram foi eliminar a parte ruim do fato de ser nerd, o que na verdade não adianta nada. É como tirar a violência do traficante de drogas: ele vai parecer melhor por causa disso? Claro que não.

Soa uma hipocrisia ver muitos caras bastante alheios apo perfil de nerd assumirem o rótulo com estranha teimosia, como se isso fosse um título de doutorado que abre as portas para a vida profissional. Como se o próprio rótulo de nerd fosse tão valioso quanto uma barra de ouro.

Já imaginaram se alguém como Vitor Belfort, um lutador, ídolo daqueles que praticam o bullying (atitude reprovada pelo próprio lutador, hoje evangélico e boa pessoa na vida real), ficasse no computador por mais de 4 noras por dia? Para os brasileiros, ele facilmente receberia o rótulo de nerd, mesmo que seu estilo de vida fosse totalmente diferente.

Os brasileiros pegaram a mania de interpretarem tendencias mundiais de maneira errada. Não entenderam o rock, não entendem o Espiritismo, acham que mobilidade urbana é encher as ruas de ônibus articulados, acham que futebol é obrigação social e pensam que nerd é qualquer um que seja viciado em tecnologia. 

Eu é que nunca conseguirei entender os brasileiros.

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