quarta-feira, 5 de junho de 2019

Um "herói" em apuros

O fato do futebol ser tratado como uma obrigação voluntária (??!!) de todos os brasileiros faz com que qualquer assunto envolvendo a citada modalidade esportiva (ou religião, pois o fanatismo é gigante e intenso) seja sobreposto acima de outros assuntos. Na temporada atual, a acusação de um suposto estupro cometido por Neymar, o homem mais amado do país, inclusive pelos homens.

Os homens que adoram futebol estão muito tristes, se sentindo traídos pelo ser humano que mais amavam (mais até que suas esposas e até de si mesmos). 

Resumindo o episódio, pois não estou muito a fim de escrever muito sobre ele, e sim sobre a sua repercussão: uma fã que foi visitar Neymar o acusou publicamente de tê-la estuprado. Neymar negou e na tentativa ingenua de comprovar, divulgou as fotos íntimas supostamente da mesma fã. Depois um festival de indícios sugiram para confirmar o estupro e outros para negar.

Agora, vamos às repercussões, já que Neymar, por ser o homem mais amado do país se torna um objeto de preocupação política dos brasileiros, pouco ou nada interessados em saber como está a população pobre do país. Um jogador milionário, feio, burro, farrista e mulherengo, metido em encrencas, desperta mais compaixão dos brasileiros.

Vários homens, obviamente torcedores de futebol, se apressaram em defender o Neymar. Uns a favor do estupro, defendendo o direito de Neymar transar. Outros contra o estupro alegando que um rapa tão bom e "família", ídolo de brasileiros de diversas ideologias, não seria capaz de uma atitude tão violenta. Nos dois casos, uma explícita demonstração de solidariedade machista.

Praticamente apenas as mulheres e alguns homens sensatos - eu incluído - preferiram jogar Neymar contra a parede. Estupro é algo que deve ser condenado incondicionalmente e tratado inquestionavelmente como forma de violência. E não é porque um homem é amado por quase toda a população de um país que deve fazer o que quiser.

Não estou afirmando nada sobre Neymar, até porque nem sei como está o andamento das investigações. Mas o caso é muito estranho, pois envolve contradições. Além disso, outros jogadores já foram acusados de estupro. 

O fato de muitos jogadores terem sido jovens que subiram rápido na vida, de miseráveis a milionários ultra-famosos, dificulta a educação do caráter, tornando-os seres humanos de personalidade confusa e questionável. 

Os jogadores não passaram por processos de formação de personalidade que os fizessem serem homens mais racionais e humildes. Para piorar, a idolatria por quase uma população inteira de um país gigantesco aumenta de forma monstruosa a auto-estima, favorecendo a arrogância, a ganância e a irresponsabilidade de passar por cima de tudo e de todos sem medir consequências.

Independente de ter feito ou não estupro - há sim, muitas mulheres que se aproveitam de riquinhos ingênuos para obter benefícios não apenas sexuais e por isso inventam supostos casos de violência para isso - Neymar sujou a sua imagem. 

Mas não será difícil reverter a sua maculada imagem em um país onde futebol é prioridade e jogadores são considerados deuses mais-que-perfeitos. Patrocinadores arrumarão um jeito para Neymar se sair bem dessa.

Na próxima copa, prioridade máxima de nosso país, Neymar estará com a reputação recuperada, uma atriz da Globo (parece que a Bruna Marketing não quer mais saber dele, mas não falta quem o queira) será paga para ser a sua "Primeira Dama" e suas atuações no campo voltarão a ser mais importantes que escândalos. Até encerrar a tal copa e a carruagem virar abóbora e o "príncipe encantado" voltar a ser um reles farrista irresponsável, preparado para aprontar mais uma. É ciclo que se repete.

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