domingo, 20 de agosto de 2017

Patriotismo de Copa: uma doença de um povo nada patriota

O brasileiro nunca foi patriota de fato. Gosta de assumir como tal porque lutar pelo próprio país é um valor considerado socialmente positivo. Mas é uma luta sem luta. na verdade este papo de "patriota" é mais para agradar aos outros e garantir os benefícios que só podem ser conquistados por decisão alheia ou quando dependem de uma sociabilização intensa para serem obtidos.

Na boa, se você estiver ouvindo de um brasileiro algo como "eu sou patriota", ignore: ele está mentindo. O verdadeiro patriota sai as ruas e só sai delas quando bens, riquezas do país e os direitos do povo brasileiro forem preservados e melhorados. Nem mesmo a esquerda que em seu discurso sensato fala em preservar bens e direitos é tão patriota, pois percebe-se que nem ela está nas ruas.

Éramos para expulsar as empresas estrangeiras e fortalecer as nossas. Éramos para escolher políticos altruístas ao invés de votar, em troca de interesses pessoais, corruptos para que nos divirtamos falando mal deles. Éramos para, ao invés de ficarmos parados cantando hino olhando diante de um pedaço de pano, tomarmos alguma atitude para que o país se desenvolvesse.

O mais interessante é que as manifestações que foram responsáveis por esta silenciosa destruição do país - a ponto de se tornar em futuro próximo um novo Bangladesh, com multidões de indigentes - exaltavam patriotismo e símbolos cívicos, mas com um detalhe: as famigeradas camisetas da CBF.

Sim, porque na verdade, o que os brasileiros entendem como "patriotismo" é esta atitude infantil de priorizar uma simples brincadeira, no caso, o futebol, como se ele fosse "importante para a dignidade do povo brasileiro". Pior que existem brasileiros, e não são poucos, que acreditam que a "vitória da 'seleção' em copas melhora a economia do país porque brasileiros trabalham mais felizes". E pasmem: EU OUVI ISSO!

Não é de se estranhar que em manifestações supostamente cívicas apareçam pessoas usando a camiseta da CBF. Sim, para gigantesca parte dos brasileiros - incluindo a esquerda que se recusa a usar tal camiseta em manifestações políticas - o futebol é nosso maior símbolo de civismo e isso está arraigado na sociedade brasileira.

Isso acontece de tal forma que a título de comparação, Pelé é o nosso maior herói cívico (algo como o que Simon Bolívar representa para o resto da América Latina). Neymar é o herói atual e mesmo quem o critica, logo após a copa vai se orgulhar dele e colocar a sua foto no melhor lugar de sua casa.

A priorização do futebol para o pueril povo brasileiro é tanta que a derrota sofrida na copa de 2014, na própria casa, quando os amarelos levaram de 7x1 da seleção alemã, rendeu um trauma para os brasileiros, que falam no assunto até hoje. Enquanto isso, vemos direitos essenciais serem cancelados e estamos felizes e tranquilos , preocupados apenas com o próximo jogo do Flamengo ou com a copa de 2018. Como se a vitória no futebol pudesse resolver algum problema.

É um patriotismo estranho. na verdade nunca fomos patriotas e damos sinais de que não seremos tão cedo. Afinal, estamos perdendo o nosso país, embora a "seleção" esteja intacta e vai muito bem, obrigado. Mas o fato de ainda termos futebol - graças ao empenho dos mesmos patrocinadores do golpe militar e do de 2016, que patrocinam a "seleção" - nos traz tranquilidade mesmo nos piores momentos.

Na verdade, brincamos de sermos patriotas por acreditarmos que isso melhorará a nossa imagem diante das outras pessoas, favorecendo ainda mais o "jeitinho" que compensará a dificuldade que só aumentará no país graças a nossa incapacidade de lutar por nossos direitos. Afinal, para um povo pueril de apenas 500 anos, ainda na infância coletiva, a brincadeira sempre vem antes da obrigação. Mesmo que esta brincadeira seja tratada como "obrigação". 

Enfim, será mais doce, suave e agradável sofrer as imensas dificuldades que virão tendo mais um caneco de ouro na estante da CBF. E assim, continuarmos a pensar que somos patriotas, mesmo chorando com a camiseta da gringa Nike, espremida em nossas mãos.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Exclusivo: Classificação da Seleção Brasileira para a copa de 2018 faz parte do Golpe

Normalmente as pessoas costumam dissociar o lazer do processo de manipulação ideológica das massas. Mas o que é fato é que o lazer é sim um instrumento de manipulação, pois o tempo livre é o único em que uma pessoa não está sob influência de outra e é preciso manter o seu controle para evitar o surgimento de subversivos que possam mudar o sistema, impedindo a ganância dos privilegiados e dos donos do poder.

Até hoje muita gente não acredita que o futebol é o melhor instrumento de manipulação, junto com a religiosidade. Como seu estereótipo está ligado a valores positivos, muita gente cai na armadilha de acreditar que o futebol nada tem de manipulador ideológico, sendo uma forma sadia de lazer a ser curtida por pessoas de todos os tipos, incluindo as mais conscientizadas. 

Nos primórdios do futebol brasileiro, há mais de 100 anos atrás, isso poderia ser verdade. Mas a capacidade hipnótica do futebol, hoje consagrado como maior agregador social do povo brasileiro, o que faz com que muita gente se sinta obrigada a gostar (ou fingir gostar) da modalidade e também com que a mesma seja altamente lucrativa, além de desviar a atenção de um povo que vê na modalidade o civismo que não consegue ver em setores menos supérfluos.

O fato de ser o maior agregador social e de ser estigmatizado como "dever cívico" fazem com que o futebol, depois dos commodities, seja o nosso único produto de exportação. O golpe impediu que o Brasil pudesse se evoluir em outros setores. 

Mas golpistas sabem que o futebol é extremamente importante para anestesiar a população e impedi-la de manifestações mais corajosas. Por isso que foi importante manter o Brasil como pátria de chuteiras e manter o mito de que "somos bons somente no futebol", para que a adoração pela modalidade substitua o verdadeiro civismo.

"Seleção" na deveria ir a copa de 2018, segundo especialistas

Apesar de críticas sensatas serem feitas às atuações cada vez mais medíocres da "seleção", sem um time realmente bom desde 1986 e que  desde então só ganhou campeonatos através de trapaças, graças a "jogadas" secretas, mas eficientes, comandadas por cartolas e patrocinadores, muitos insistem em priorizar o futebol. A "seleção" teria que ir a copa de qualquer maneira.

Desde o final dos anos 80, a "seleção" se tornou um fenômeno midiático, com jogadores estrelas e com objetivos mercenários. Surgiu a era dos jogadores-magnatas muito mais preocupados em aparecer do que em jogar. Mesmo jogando mal e vencendo de forma desonesta, a publicidade se tratava de manter uma aura de "perfeição" na atuação esportiva dos jogadores. 

Isso ocorre porque a publicidade acaba se aproveitando que pouquíssimos torcedores entendiam da parte técnica da modalidade, preferindo assistir aos jogos como quem assiste a uma missa, com sacerdotes messiânicos em campo. mesmo jogando ruim, se conseguir vencer o jogo e trazer o "caneco" já bastaria para que a população infantilizada que prioriza o que não passa de mera brincadeira, ficasse satisfeita e considerasse como cumprido o suposto dever cívico.

Mas a escassez de qualidade profissional dos jogadores brasileiros poderia impedir a "seleção" de ir a esta copa, aproveitando a ausência para se aperfeiçoar e jogar em próximas copas com qualidade profissional, sem apelar para a mitologia e sem cometer atos desonestos como pagar adversários para perder como aconteceu em 2002 com uma estranha invencibilidade com atuações, na melhor das hipóteses, nada além de medíocres.

Mas a campanha pela mitologia do "futebol-civismo" ainda se mantém de forma insistente, mesmo com atuações medíocres. O mito segue como se a dignidade do povo brasileiro dependesse da vitória da "seleção" em um campeonato. Fato comprovado como impossível, pois a "seleção" é pentacampeã e isso não influiu em nada na melhoria em outros setores. É como se uma escola pudesse ser considerada a melhor em qualidade de ensino por causa da vitória em varias gincanas.

Analisei cuidadosamente alguns aspectos, ligando alguns fatos e concluí que o golpe não teria sentido se a "seleção" não fosse a copa em 2018. Lembrando que estamos em uma ditadura e que em 1970, o ditador Emílio Garrastazu Médici se autopromoveu às custas da vitória na copa de então, percebe que o futebol é essencial para que tiranos possam ser facilmente aceitos e obedecidos pela população brasileira sedenta por bola na trave.

Sabemos muito bem que em anos de copa, os seis primeiros meses são ocupados pela expectativa da participação da "seleção" na copa vigente. O Brasil tem apenas um pouco mais de 500 anos e nosso povo é confirmadamente infantilizado, o que o faz priorizar o lazer e detrimento de coisas sérias. A não ida do futebol brasileiro a uma copa seria desastroso em tempos difíceis como o do golpe atual.

Patrocinadores da "seleção" patrocinaram o Golpe de 2016

Um detalhe que a população não percebeu, muito menos a esquerda deslumbrada pelo futebol, é que os patrocinadores oficiais da "seleção" são os mesmos patrocinadores do golpe. Este detalhe é extremamente importante para entender que a entrada da "seleção"na copa da Rússia é importante complemento para reforçar a estabilização do golpe.

É ingenuidade achar que o futebol poderia manter a sua magia sem patrocinadores e cartolas. O futebol é claramente de direita e se os esquerdistas ainda acreditam no patriotismo de copa, estão fugindo da realidade e desviando o seu foco de assuntos mais sérios. Sem cartolas e patrocinadores, o futebol brasileiro retorna às várzeas e Neymar volta a ser aquele garoto feioso de outrora.

Para não dizer que isso é uma invenção minha, basta uma boa pesquisada em vários fatos que relacionam política e futebol para percebermos que a modalidade é importante peça para o golpe. Senão os coxinhas não teriam usado camisetas da "seleção" em seus protestos, o que mostra que os brasileiros ainda consideram o futebol em copas como dever cívico, como se a "seleção se confundisse como a própria nação.

Imaginem uma copa sem a "seleção" e pensem muito bem se a entrada do "Brasil" na copa de 2018 será bem útil para que as pessoas pudessem abraçar os golpistas e perdoá-los, pois se destroem a nação e preservam a "seleção" significa que nem tudo parece perdido. Pelo menos é o que se passa na mente dos alienados que acham que o futebol é tudo. 

Para os mais conscientizados, essa acomodação futebolística disfarçada de dever cívico é uma tragédia a mais para destruir o nosso país. É possível que o país todo se exploda, sobrando apenas a taça conquistada pela "seleção" na copa. Se o Maracanã ficar de pé, "tudo estará tranquilo" para Temer, sua equipe e o povo que finge odiá-lo.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O "herói" da Meritocracia

Foi anunciada recentemente a transferência do hiper-estimado jogador Neymar para o Paris Saint Germain, um dos mais conhecidos times do futebol francês. O salário que o jogador, sem o ensino básico completo, vai ganhar é gigantesco. Só para se ter ideia, vai dar para comprar um apartamento com o que ele vai ganhar por dia. (eu disse: POR DIA).

Mas ninguém liga. Neymar não é político e muito menos "comunista" (ele é direitista assumido e amigo de Aécio Neves). Além disso, é o principal craque do maior narcótico e maior instrumento midiático de manipulação do povo brasileiro, o futebol. 

Em tempos de crise, Neymar serpa muito importante para os brasileiros pensarem na possibilidade de "prosperidade" para o Brasil. Uma prosperidade de mentirinha, mas que habitará as mentes dos brasileiros durante a copa, ao som do hino cantado a plenos pulmões. Enquanto soa o hino, nosso país aos poucos vai sendo desmontado para ser entregue aos gringos. Futebol sim, soberania sifu.

E nem adianta Neymar assumir seu direitismo. A esquerda o ama de paixão. Não interessa se Neymar, o analfabeto mais amado do país, apoia o desmonte de nossa soberania. O alto salário que ele vai ganhar o torna imune a crises de qualquer tipo e intensidade. 

E como ele não e nem um pouco altruísta - o falso altruísmo dele é puro marketing (sem trocadilho com a "namorada" que arrumaram para ele desfilar em prol de sua própria publicidade), dane-se o resto. O importante é comemorar os gols e o inútil título. Afinal a "seleção" é penta-campeã e isso não adiantou em nada a melhoria do país. Claro, futebol é só diversão. Só e somente só. Apenas otários e burros acham que futebol é dever cívico e patriotismo.

Mas o que aumenta ainda mais a admiração de todos, incluindo os esquerdistas que amam futebol (e o Neymar também) ao jogador é que ele é o campeão da competitividade que os direitistas pensam ser a vida. Ou seja, Neymar é o suposto herói da chamada Meritocracia. 

Meritocracia: a vida é uma competição; ricos são os vencedores

Meritocracia é aquela ideia imbecil que trata a vida cotidiana como uma competição e as relações humanas como um jogo. Para quem acredita nesta utopia fascista - que nem mesmo os capitalistas mais sérios acreditam - os ricos são os vencedores deste jogo e sua ganância (que não recebe este nome, substituído por outros mais "bonitos") deve ser respeitada. O resto que continue lutando que um dia ficará rico. Como se existisse bens o bastante na face da terra para todo mundo ficar bilionário.

Os direitistas que adoram futebol - pensou que só a esquerda gostava de futebol, hein? O uniforme de CBF nos protestos comprova que a direita é boleira, sim -  já elegeram Neymar, que veio das periferias o maior garoto propaganda da Meritocracia. 

Certamente a direita usará o jogador-hipérbole como exemplo de que os pobres podem virar magnatas se "lutarem um pouquinho" fazendo profissionalmente o que os pobres mortais fazem como lazer. Com isso, aumentam as inscrições de jovens pobres em times juniores de grandes clubes. Ser "doutor" não garante mais futuro. Ainda mais após a medonha reforma trabalhista que ressuscitará a escravidão. reforma apoiada pelo próprio Neymar, que não está em aí com o que irá acontecer.

A esquerda deve abrir os olhos e procurar outro esporte para curtir. Se ela continuar defendendo o mais capitalista dos esportes, achando que se tirar "cartolas" (os empresários do esporte) a magia sera mantida, vai fazer gols contra. Existem muitos outros esportes menos corrompidos e largar o futebol nunca matou ninguém.

Ou a esquerda que assuma mesmo a sua hipocrisia e aceite toda a manipulação capitalista do futebol - que é o que garante a magia que faz a modalidade ser quase unânime entre os brasileiros - aplaudindo a Meritocracia de Neymar, um "herói" que dará através do futebol o prestígio que o Brasil não consegue em outros setores. E infelizmente, é isso que o povo, mesmo o "mais letrado", quer.

Afinal, antes de sermos a República das Bananas, somos a Pátria de Chuteiras. Sempre levando chutes no traseiro vindos dos outras nações que odeiam ver um Brasil soberano.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sabrina Carpenter lamentou acidente com a equipe do Chapecoense

O fato de eu não curtir futebol não significa que eu odeie a modalidade ou o que for relacionado a ele. O futebol em si é válido, diverte e para quem gosta é bem movimentado. O que reprovo não é a modalidade em si, mas o fanatismo que superestima o futebol, transformando algo que deveria ser uma mera forma de diversão em obrigação cívico-social e prioridade máxima de um país, criando muitos incômodos e preconceitos nas relações sociais. 

Aliás, como um não-torcedor, sempre tive simpatia por times pequenos. Os grandes não me interessam, pois estão praticamente corrompidos. Times pequenos como a Chapecoense é que deveriam começar a se destacar e crescer em suas carreiras, tomando o lugar dos grandes, cujas vitórias acabam chatas de tão repetitivas.

O Chapecoense estava prestes a dar um grande salto em sua história participando de um campeonato internacional. E por causa da desobediência a uma não-recomendação de especialistas para um voo em um avião suspeito de más condições, houve um triste acidente com vítimas, que sensibilizou a opinião pública não somente do Brasil, mas também do mundo.

É claro que os hipócritas de plantão, daqueles que gostam de escrever mensagens pseudo-solidárias em tempos de comoções coletivas, entram em ação nestas horas para se promoverem como falsos benfeitores. Infelizmente há muitos assim, mas felizmente não são todos. Junto a eles, muita gente realmente boa, muitos com responsabilidade social, se manifesta de forma sincera, demonstrando real solidariedade. Sabrina Carpenter, atriz e cantora de quem sou fã, é uma delas.

Sabrina tem se envolvido em muitas atividades de cunho social e por isso tem-se a certeza que as manifestações de afeto e solidariedade por parte dela são verdadeiras. E ciente com o que acontece com o mundo, Sabrina se manifestou de forma surpreendente - por ser estrangeira e de um país que não cultua o futebol brasileiro, seria normal que ela ignorasse o fato - sobre o acidente, tratado como uma tragédia envolvendo seres humanos, sem enfatizar o futebol, como aconteceu nas mensagens brasileiras.

Muita tragédia #equipedefutebolbrasileira. Estou mandando todo o meu amor mais condolências a todos vocês e familiares.

Valeu, Sabrina, só aumentam os motivos para te amar. E fica aqui também nossa manifestação de pesar pelas mortes e pelos danos físicos, materiais e psicológicos de quem sobreviveu.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Para líder do PCO, quem torce contra a "seleção" é "fascista"

Eu sou esquerdista, mas tenho que reconhecer que a esquerda comete muitos erros. Um dos erros é tratar o entretenimento de forma capitalista. Para esquerdistas, se o Capitalismo é nocivo à política e a economia, ele é benéfico para o lazer e atividades mais supérfluas. Por isso que música comercial e esportes corrompidos como o futebol são tão valorizados pelos esquerdistas.

Rui Pimenta, principal liderança do Partido da Causa Operária PCO), tem feito excelentes análises sobre os bastidores da política. Fala coisas que outros esquerdistas não te a coragem de dizer. Há momentos que demonstra autocrítica. Mas num momento, deu uma pequena escorregada que soa como um preconceito contra quem não curte futebol.

Na hora de descrever os fascistas brasileiros, chegou a enfatizar que este torcem contra a "seleção" em épocas de copa, dando a entender que torcer contra o Brasil no futebol é coisa de fascista. Quanto a isso, é preciso esclarecer algumas coisas.

Primeiro, futebol é só lazer, embora tratado pela opinião pública como dever cívico (o comentário de Pimenta deixou isso subentendido). Eu sou anti-fascista e tenho o direito de torcer contra a "seleção" por que detesto essa mania de transformar o futebol em dever cívico. 

Não conheço lei oficial que me obrigue a gostar de futebol. Nem mesmo a transformação do gosto pelo futebol em regra de etiqueta social me faz sentir obrigado. Considerar fascismo não gostar de futebol foi uma declaração mais do que equivocada e até preconceituosa e autoritária. 

Segundo, Pimenta se esqueceu que os fascistas adoram futebol, torcem para a "seleção" e a confundem com o próprio país a ponto de usarem camisetas da CBF em seus protestos, várias com o nome de Neymar, direitista convicto e fã de Aécio Neves. Pimenta deveria saber que, pelo contrário, fascistas adoram futebol e torcem para que o Brasil seja o melhor na bola para que se ferre em outros setores.

Pimenta, você normalmente é sensato. mas por poucos segundos sua sensatez foi por água abaixo na tentativa de defender como "civismo" um mero hobby, uma brincadeira que você tem o direito de gostar, mas não tem o direito de impor aos outros. 

Isso lembra o que foi publicado meses atrás quando um esquerdista, que não me lembro qual é, acusou de fascistas quem exige a melhoria da qualidade cultural. Outra declaração insensata e preconceituosa que contribui para a mesmice no lazer do povo brasileiro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A mesma mídia que deu o golpe político exige que você curta futebol

Ou as esquerdas não sabem disso ou fingem não saber. Defensoras do fanatismo futebolístico e praticantes do proselitismo do futebol, esquerdistas tratam a modalidade como se nada tivesse a ver com Capitalismo e alienação, como se não fosse utilizada para manobrar as massas. Os esquerdistas são ingênuos, pois defendem o mais capitalista dos esportes: o futebol.

São muitas as oportunidades que tenho de ver esquerdistas fazendo proselitismo futebolístico. Nada contra o hobby, mas o problema e que para eles o futebol não é tratado como um hobby e sim como motivo de orgulho, como se fosse fonte de dignidade, algo muito acima de uma mera opção de lazer.

Há textos surreais em sites de esquerda tratando a corrupta politicagem que os cartolas fazem como se nada tivesse a ver com os clubes geridos. Fica aquela impressão alucinada de que os clubes pertencem ao povo (os torcedores) e que toda a magia do futebol aconteceria se os mesmos não fossem controlados pelos cartolas que lhes enchem de dinheiro.

Imagine se os clubes de futebol largassem mídia e cartolas e fossem controlados exclusivamente pelos torcedores. Obviamente a magia do futebol iria desaparecer. O chamado futebol profissional iria se reduzir a joguinhos de várzea, eliminando o glamour postiço que consegue convencer os brasileiros mais ricos a se interessarem pela modalidade esportiva mais popular do país.

Sem a cartolagem, o futebol voltaria a ser uma modalidade sem graça. Os jogadores de futebol, hoje altamente hiper-estimados como pseudo-heróis, muitos de origem humilde, voltariam a ser feios e desprezados - burros já são, mesmo com riqueza -  e aos poucos os brasileiros perderiam o interesse pela modalidade. Embora ninguém admita, a magia do futebol não está no esporte em si, mas no festival de enxertos que a mídia e o senso comum embutiu no mesmo.

A mídia é grande responsável pelo monopólio do futebol. Como ganha muito dinheiro com a modalidade (dizem que é a única forma garantida de lucrar grandes quantias de dinheiro para a mídia) os meios de comunicação fazem uma propaganda quase autoritária em prol do futebol, a ponto de forjar uma unanimidade que não existe, transformando os torcedores em cães de guarda para impor o gosto aos outros, dando origem a uma rede de preconceitos.

Os políticos, sobretudo os de direita, adoram o futebol. Não apenas como forma de diversão, mas como instrumento garantido de manipulação. Brasileiros costumam tratar futebol como prioridade, largando qualquer coisa em prol da modalidade. Tem o hábito de colocar futebol até em assuntos alheios, mesmo que seja como metáfora. Muitas das gírias (galera, show de bola, na trave, etc.) usadas em várias situações veem no futebol. 

Como vê, futebol imobiliza e não adianta inventar que futebol não aliena. Aliena sim, ao não ser que haja o limite que impeça que o futebol seja visto como algo além de uma reles forma de diversão. Para que não haja alienação futebolística é preciso que o futebol não seja levado a sério. O Brasil, vitorioso em muitos campeonatos de futebol, nunca se beneficiou com este fato, que serve mais para nos isolar da realidade. 

A esquerda, que tem cometido muitos erros, que favoreceram este golpe sujo que vai eliminar direitos importantes da sociedade, comete mais este ao de tratar ingenuamente o futebol como parte de seu ativismo social. Os cartolas corruptos, que também são direitistas, agradecem a este grande favor prestado pelos esquerdistas. Resultado no Brasil: Futebol 10 x Humanidade 0.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A demissão de José Trajano e o que isso significa

Eu não sou muito ligado em ver esporte (praticar é sempre muito melhor do que ver). Gosto apenas de ver alguns, mas sem fanatismo. Não interrompo atividades importantes para assistir a partidas esportivas. 

Não colocar esporte acima de outras coisas é uma heresia em uma sociedade como a brasileira que diviniza o esporte e não consegue enxergar o lado ruim por trás dela (que infelizmente é real). Mas como entretenimento, o esporte consegue cumprir a sua função e para quem curte é um ótimo meio de passar as horas que não se tem algo importante a fazer.

Às vezes assistia ao ESPN mais pela qualidade de seus programas do que pelo esporte em si. Boa parte da qualidade do canal é de responsabilidade de José Trajano, um dos melhores jornalistas esportivos que existiram no país (esqueçam o Galvão: ele não é jornalista, é um torcedor fantasiado; um cheerleader! Só a Globo gosta dele). 

Trajano foi fundador da filial brasileira do ESPN e executivo do canal. O ESPN era, pelo menos na era Trajano, o único canal esportivo brasileiro que não era ligado a cartolagem ("cartola" é gíria para empresário esportivo no Brasil) e também o único a não tratar o futebol como "dever cívico".

O futebol como "dever cívico" é um estereótipo ainda bastante arraigado em nosso país e que transforma o futebol em uma obrigação social, marginalizando as pessoas que como eu , não curtem a modalidade esportiva mais popular do país. Ah, até o respeito ao não-torcedores o ESPN tinha, por reconhecer a diversidade esportiva e reconhecer também que o futebol não passa de uma mera forma de diversão, sadia, válida, mas não obrigatória.

A demissão de José Trajano

Mas de qualquer modo sempre admirei a figura de Trajano, com seus comentários sensatos e seu talento de apresentador de programas. Mas com o tempo pude admirá-lo ainda mais por causa de seu humanismo e de sua responsabilidade social de se assumir ideologicamente progressista, algo que em dias temerosos não é algo muito bem visto.

Pois infelizmente, José Trajano foi demitido do canal que ajudou a fundar. Mal comparando, seria como se o anfitrião fosse expulso da própria festa e ela continuasse depois. o canal perde não somente um dos melhores jornalistas esportivos do país como também o grande responsável pela qualidade do ESPN, que poderá cair sem a influência do jornalista recém demitido.

Mas porque estou falando disso em um blog sobre Administração? É porque a demissão foi justificada de duas formas: uma publicamente, outra nos bastidores.

- A  justificativa pública: "contensão de despesas". Visando a crise e a redução de funções por causa da evolução tecnológica, acharam melhor cortar profissionais do quadro. Curioso que empresários só sabem resolver crises com demissões - ao meu ver, uma atitude típica de administrador incompetente e/ou ganancioso. Mais curioso ainda é ver Trajano, experiente e talentoso sendo colocado na lista de demissões.

- A justificativa dada nos bastidores: "Trajano não deveria assumir sua postura política pois ele estaria representando a ESPN diante do público". A empresa, ao dizer isso, demonstra incapacidade de separar o profissional Jose Trajano do cidadão José Trajano. 

O profissional José Trajano fala de esporte e sobre coisas relacionadas sobre esporte. Quando falava sobre política, já não era mais o jornalista e sim o cidadão, pagador de impostos e ser humanista, preocupado com as causas sociais, que tinha o direito de assumir sua postura e utilizar a sua fama para estimular o surgimento de um mundo mais justo. 

Responsabilidade Social

A empresa ESPN não deveria ficar se preocupando com a postura política de Trajano, pois ela nunca prejudicou o canal. Pelo contrário, atraia a audiência de torcedores de posição política esquerdista, já que os outros canais esportivos assumem uma postura bem conservadora, de orientação política direitista. 

A ESPN poderia se beneficiar com isso e oferecer um diferencial para um público que é carente de uma mídia esportiva mais objetiva e menos sectária. Assumindo uma liberdade ideológica ao permitir esquerdistas em seu quadro de jornalistas, transmite simpatia e humanidade, além de aumentar a credibilidade, pois sabemos que faz parte da mentalidade direitista querer trapacear. O golpe instaurado no Brasil não me deixa mentir sobre isso.

Mas Trajano foi demitido, e agora é olhar para a frente. Não considero isso como uma derrota. pelo contrário. Trajano é um profissional consagrado, de qualidade comprovada e com grande número de admiradores. Seu senso de humanismo só aumentou ainda mais a quantidade de admiradores (eu sou um).  

Com a mais absoluta certeza, não faltarão instituições jornalisticas dispostas a contratar Trajano para seus quadros. Afinal é de um jornalista como Trajano que o esporte precisa e a sua responsabilidade social é um exemplo para todos nós. 

Afinal responsabilidade social não é dar uma bolinha para um pobre jogar. É criar meios para que a pobreza nunca exista, para que a renda seja melhor distribuída e que todos os seres humanos possam caminhar dignamente com os próprios pés. Trajano sabe disso, mas pelo jeito os empresários da ESPN não sabem. Se sabem, gostariam de não saber.

(A ser publicado amanhã no meu site Reflexões Administrativas)

Vini Jr, Racismo e a hipocrisia da Classe Média brasileira

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