segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pausa para estudos e reciclagem de ideias

Hoje, os blogues do Consórcio Laranjeira entram em uma pausa para que eu possa reorganizar a minha vida, dedicar aos estudos e reciclar as ideias, possivelmente pensando sobre as características e a função destes blogues. Agradeço a paciência e aguardem a volta em tempo relativamente breve. Um abraço!


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Para brasileiros, ser feliz é fazer barulho

No começo deste ano, na madrugada de um sábado para domingo, tive uma das piores noites que já vivi. Um vizinho recém instalado passou literalmente toda a madrugada numa barulheira alta, com conversas em voz elevada e músicas tocadas a mil decibéis. Foi um horror. Eu, com o organismo sonolento, não conseguia "entrar no mundo dos sonhos" por causa da barulheira.

Porque será que os brasileiros cismaram que para ser feliz tem que ser barulhento? Claro que não é o único povo a pensar assim, mas é o que mais trata isso como tradição imutável.

Ás vezes fico pensando se não é melhor que as pessoas fiquem tristinhas, pois assim poderiam ficar mais quietas, sei lá. A alegria exagerada de muitos acaba destruindo o sossego de outros que não precisam soltar fogos ou berrar feito doidos para se sentirem bem.

É estranho, mas a população não consegue definir como felicidade, por exemplo, uma ida a um campo florido, longe da cidade. É encarado como momento de tranquilidade, mas não como sinônimo de alegria. Não ouço falar de gente que vai comemorar um feito bem sucedido em uma viagem para ficar calado diante da natureza.

Até mesmo a vida afetiva vem associado a barulho, a caos. Com o fim - ainda não oficializado em tese, mas totalmente na prática - do romantismo, as paqueras agora  só podem ocorrer em boates barulhentas e com as mentes completamente alucinadas pelos efeitos das bebidas alcoólicas, sejam de qual tipo for. Acreditam muitos que isso que ele chamam de "adrenalina" (stress positivo), representa a "verdadeira" alegria e usar isso no início dos relacionamentos "garante o sucesso" dos relacionamentos, algo que na prática se mostrou exatamente o contrário.

Mas voltando a questão: porque não ser feliz com tranquilidade? Porque não ouvir sua música favorita no seu fone de ouvido, prestando atenção mais no que está sendo ouvido? Não seria melhor se pudéssemos exteriorizar a nossa alegria de maneira mais tranquila e respeitosa, sem berros, fogos e qualquer coisa que combinaria muito mais em tempos bárbaros ou em campos de guerra?

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Torcidas de futebol declaram repúdio ao fascismo de Jair Bolsonaro

Uma sucessão de manifestações feitas pelas torcidas brasileiras de futebol tem declarado seu repúdio a possibilidade de Bolsonaro tomar o poder. 

Quem conhece o candidato, sabe muito bem que o projeto dele é a continuação das maldades de Michel Temer, feitas com rapidez e temperadas com muita violência. Quem ama seres humanos não pode estar a favor de Bolsonaro, uma espécie de  "Hitler tropicalizado", adaptado às características brasileiras.

Apesar de não gostar de futebol, eu apoio estas iniciativas e até me empolgo com elas. Futebol é o esporte mais popular do país e para a opinião pública, estas manifestações atraem uma gigantesca massa de pessoas. A visibilidade que o futebol tem atrai muitos apoios. 

Portanto, o que estas torcidas fazem é tentar aumentar a rejeição a um político que demonstra sinais de sadismo e de irresponsabilidade. Bolsonaro nada fez de significativo em sua experiência política e demonstra ser um líder ignorante, despejando asneiras toda vez que tem oportunidade de falar. Algo muito ruim para uma liderança. Não há coisa pior que um ignorante colocado no poder. Os riscos de uma gestão que se torne catastrófica são gigantescos.

Estas campanhas, com altíssima capacidade de adesão popular, tem a capacidade de impedir que pessoas apertem o medonho número 17 (este sim, o número de azar para o Brasil. O 13 é o da sorte) e leve o Brasil para a estabilização e legitimação do caos iniciado em 2016.

Das torcidas manifestantes entre vários times, apenas (parte d) a torcida do Atlético Mineiro declarou apoio ao "Coiso", numa manifestação homofóbica. Tomara que seja apenas parte dela e que os manifestantes se arrependam de sua declaração. 

Felizmente, a maior torcida do país, a do Flamengo (estranhamente, o time de Bolsonaro. Bolsonaro,  como todo habitante do RJ, é obrigado a gostar de futebol por motivo sociais. Isso explica a inexistência de algum famoso carioca que assuma publicamente o desprezo pelo futebol), se declarou anti-Bolsonaro e isto pode significar uma adesão monstruosa de grandes multidões. 

Se depender de grande parte das torcidas de futebol, Bolsonaro já recebeu seu cartão vermelho e não terá direto sequer de se sentar no banco dos reservas ou de entrar em um vestiário. O destino dele é o lamaçal dos piores políticos brasileiros.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Coisas que as esquerdas deveriam saber sobre esportes e frequentemente ignoram

As esquerdas demonstram um entusiasmo com os esportes, como se estes só tivessem seu lado bom. Não é verdade. O esporte traz desvantagens, sobretudo por ser algo que exalta a competitividade, a força e a obediência cega. Não raramente, atletas contam estórias bem desagradáveis dos bastidores e que quase nunca vão ao conhecimento do senso comum.

O pior lado do esporte é a sua competitividade. O esporte em geral existe para legitimar o "direito" de prejudicar os outros em prol de benefício próprio. Não é por acaso que entidades capitalistas fazem questão de investir e patrocinar o esporte. É uma forma de dar um caráter positivo e humanista à competitividade, que inclui egoísmo, ganância e um pouco de sadismo.

Mas como o esporte, assim como a religiosidade, são valores arraigados como "positivos" no senso comum, tudo é feito para esconder este lado sombrio. Para muitos, os esportes são um meio de sociabilização e de aprendizado, quando a prática mostra justamente o contrário.

Por ser altamente competitivo, há o estímulo à ganância e ao egoísmo. Não é coincidência que são raros os esportistas ativistas sociais e que há muitos atletas de direita. O esporte ensina que cada um tem que se virar, sem ajuda e se possível, fazer o outro se ferrar para abrir caminho para uma vitória que só deverá ser da própria pessoa e nunca do outro. É a meritocracia legitimada.

Claro que não devemos ser contra o esporte, pois ele tem seu lado positivo. O que se deve fazer é não ignorar o lado ruim dos esportes, sobretudo a sua competitividade, que deve ser controlada e limitada às partidas. Nunca devemos levar o lado da competição esportiva para outros setores da sociedade para não gerar danos a pessoas com maior dificuldade de vencer na vida.

Temos que estar mais do que atentos para o lado ruim dos esportes que, além da competitividade, servem para exaltar a agressividade, os padrões estéticos e a submissão aos mais fortes. É mais de que urgente denunciar o lado ruim dos esportes e tentar transformá-los em um entretenimento sadio e democrático, coisas que os esportes são consagrados na teoria mas exatamente o oposto na prática.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Niteroienses odeiam sossego e desobedecem a lei do silêncio

Péssima decisão voltar a Niterói. Sei que o brasileiro é um povo que adora barulho. Mas tenho a impressão que os niteroienses gostam ainda mais de atazanar com a a paciência alheia, impedindo o sossego sobretudo de vizinhos.

Parece que o niteroiense tem um grande prazer em tirar os outros de seu sossego, se esquecendo que existe muita gente que não está no mínimo interessada em participar da farra ensurdecedora que boa parte dos súditos de Arariboia.

Festas que duram madrugadas inteiras, torcidas inteiras berrando durante as transmissões de jogos de futebol, tiroteios de criminosos e vizinhos brigando por motivos banais, não faltam motivos para os amantes do bom sossego ficarem irritados por não poderem estudar, dormir ou apenas curtir a tranquilidade de um tempo livre.

Fico imaginando se o prefeito tivesse a coragem e a iniciativa para cobrar com mais rigor o cumprimento da lei do silêncio. Certamente a turma do barulho não gostaria, se sentindo lesada no seu direito de "manifestar a sua alegria". Alegria deles é acabar com o sossego alheio? Eu não sabia!!! Será que é o meu silêncio que os incomoda?

Não sei. O que posso dizer é que tenho que ceder, mudar meu horário de sono para mais tarde, estudar longe de minha casa e comprar fones de ouvido para ouvir coisas muito mais edificantes que as asneiras ensurdecedoras que os panacas que vivem ao meu lado se acham "no direito" de fazer, arruinando a tranquilidade dos pobres homens de bem que não querem incomodar os outros, mas não são retribuídos na mesma moeda.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O futebol e o conservadorismo das esquerdas brasileiras

Brasileiros são um povo conservador. Por este motivo, a esquerda brasileira tinha que ser também conservadora. Os esquerdistas não se acham conservadores, mas são de fato. Não possuem espírito de ruptura e aceitam todas as instituições e regras criadas impostas pela direita, exigindo destas apenas a sua inclusão. O mundo e bom do jeito que está, desde que incluam os esquerdistas e as classes que estes defendem.

Fiz uma análise profunda sobre a personalidade e o comportamento de vários personagens famosos das esquerdas brasileiras e cheguei a uma surpreendente conclusão de que as nossas esquerdas nada tem de rebeldes. São na verdade o outro lado da moeda direitista, seguindo durante a vida todos os mesmos rituais seguidos pela direita mais conservadora. 

O comportamento dos esquerdistas durante a copa pode parecer algo meio bobo, mas foi sintomático e serve como uma boa comprovação do conservadorismo das esquerdas brasileiras, que querem apenas a inclusão em um mundo jágovernado e regulado pela direita, sem quaisquer tipos de mudança.

Vamos usar o futebol como exemplo do conservadorismo das esquerdas, já que boa parte do estudo que eu fiz usou o comportamento das esquerdas durante a copa como fator de comprovação da minha tese.

Futebol como meio de confraternização humanitária

De fato, o futebol é apenas uma forma de diversão e ninguém deveria ser obrigado a gostar. Deveria haver um respeito à diversidade também no esporte e no lazer. Mas não é desta forma que as coisas acontecem.

Brasileiros foram educados a ver o futebol não como uma diversão, mas como uma espécie de agregador social. É uma forma de confraternização social, uma espécie de consenso fabricado que serve para unir pessoas que pensam e age de forma diferente. 

No fundo, o futebol é um regulador a impedir que a diversidade natural do brasileiro se transforme em uma violenta discórdia. Brancos e pretos, punks e bregas, capitalistas e operários, veganos e carnívoros, carolas e junkies, crentes e ateus, alpinistas e sedentários, o futebol foi escolhido como meio de amarrar quaisquer dessas séries de oposições, através de uma regra social que imponha o gosto pelo esporte.

Impor é o termo certo, apesar de grotesco. A mídia sempre arruou um jeito para que o futebol se tornasse esta falsa unanimidade. Mesmo a esquerda anti-midiática foi "educada" por esta mídia, reguladora do pensamento que vigora no senso comum. Ela pode não gostar do professor, mas soube muito bem aprender a lição.

O senso comum poderia muito bem ter escolhido outro fator de união entre as pessoas. Mas escolheu o futebol, lembra ele seja uma forma de lazer que pode despertar desinteresse de muitas pessoas. Desinteresse nunca respeitado, tratado como violenta heresia pelo senso comum.

Embutir um caráter de falso civismo ao futebol ajudou muito para que a popularidade do esporte se solidificasse, pois muitos aderem não apenas pela necessidade de convívio social, mas por acreditarem estar beneficiando o país como um todo. Poucos são os lúcidos que se abstêm da ideia  nonsense de que a vitória no futebol é indispensável para a dignidade do povo brasileiro.

As esquerdas brasileiras não querem mudar o mundo

O comportamento assumido diante do futebol é coerente com o mostrado em outras ocasiões, sobretudo quando envolvem lazer e convívio social. Esquerdistas brasileiros não estão interessados em mudar as regras de convívio social, preservando vários dos rituais e instituições impostos pela direita. É como eu disse: as esquerdas querem apenas a inclusão em um mundo governado pelas regras da direita.

O futebol é com certeza uma dessas instituições e tenho certeza que seguir a maioria a caminho da obediência cega a uma regra criada pela direita nada tem de rebelde. O comportamento das esquerdas comprova que mudar o mundo é o que menos interessa a elas. 

Mas as esquerdas pagam um preço caro para isso, pois acomodados em um sistema onde as regras sã feitas pelas forças opostas, o risco de esquerdistas serem vítimas de golpes ou de simplesmente terem a desejada inclusão recusada é alto, constante e repetitivo.

Mudar o mundo tiraria a direita do poder

A recusa em mudar o sistema é a aceitação das regras do oponente que pode excluir as esquerdas e as classes oprimidas da grande festa burguesa. Os esquerdistas desta vez tiveram direito a festejar com o rei tucano Neymar I. Mas pode ser que não tenha em algum futuro, nem que seja por falta de grana.

Criar um mundo diferente, com regras próprias, novos costumes e instituições diferenciadas, seria uma boa forma de tirar o poder das forças direitistas. Mas isso significa fazer as esquerdas saírem da zona de conforto e ficar fora do banquete burguês não parece bom para as esquerdas.

Por isso que as esquerdas preferem que as coisas continuem como estão, que as regras sociais sejam criadas e impostas pelas direitas. Deixem o direitista no comando - mesmo que secretamente, com um esquerdista assumindo "o poder" - e inclua todos os excluídos. No fundo as esquerdas querem de fato é o mesmo caviar que come a direita. 

Mudar o mundo é um risco que as esquerdas brasileiras desejam evitar. Tá tudo muito bom como está.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Cariocas e Baianos


Uma pessoa de uma localidade qualquer encontra um carioca:
- Olá, amigo.
- Olá! Você gosta de futebol? - diz o carioca.
- Não, eu não curto muito. Prefiro me divertir de outra forma.
- Ah, você não gosta de nada! Suma da minha frente! - grita o carioca, irritado.

A mesma pessoa de uma localidade qualquer encontra com um baiano:
- Olá amigo.
- Olá! Você gosta de futebol? - diz o baiano.
- Não, eu não curto muito. Prefiro me divertir de outra forma.
- Tudo bem. Mas do que você gosta? Você me parece uma pessoa legal. Quero ser seu amigo.

Qual destas representa realmente a verdadeira amizade?