quarta-feira, 20 de março de 2019

Por motivos de doença, não teremos postagem

Hoje eu não estou muito bem. Estou sem condições de fazer nova postagem hoje. Vamos aguardar a minha melhora e a volta das postagens regulares. Agradeço a compreensão e desculpe o transtorno.


quarta-feira, 13 de março de 2019

Futebol inspira polarização política no Brasil

Nos últimos anos, vivemos uma polarização política há muito tempo não vista no Brasil. O povo brasileiro, que não é politizado, embora pense que é, resolveu incorporar nas convicções sobre política o fanatismo já visto quando torce por futebol.

Na verdade, ninguém está muito interessado no desenvolvimento do país e no bem estar da população. O papo de patriotismo e amor ao povo é só um discursos para ganhar simpatia e admiração. Os brasileiros querem mesmo é que cada um cuide da sua vida e que a política beneficie apenas "quem merece ser beneficiado".

Isso significa que a polarização política surgida nos últimos anos nada tem a ver com o desejo de ver o Brasil soberano e gerando bem estar para a população. Tudo é uma questão ideológica. tem mais a ver em defesa a convicções (crenças) do que com amor ao país.

Vejo semelhanças claras com o futebol. A polarização se caracteriza pela escolha de um lado e pela torcida para que este lado se dê bem e o outro lado se ferre. No lado progressista há quem queira ver o país soberano e com bem estar. Mas do lado conservador, são raros os que pesam desta maneira.

O lado conservador parece mais agressivo e vive apenas de xingar o outro lado. Não vi jogadas bem feitas do lado conservador, que joga mal e só ganha na trapaça. Faz o tipo que paga o juiz para acusar faltas ao adversário progressista, que raramente erra, mas é punido o tempo todo. 

Dá para perceber que não somente o futebol inspirou a polarização política como serve como metáfora para explicar a política brasileira para quem não a entende. Excelente forma para tentar mudar a cabeça dos conservadores, que parecem viver fora do mundo real.

Bom lembrar que embora popular entre os pobres e com vários jogadores vindos das classes operárias, o futebol é de direita, capitalista e a maioria dos jogadores vira conservador após enriquecerem com relativa facilidade. Mesmo assim, a esquerda quer o copyright pelo futebol, apelando para o wishful thinking para justificar o falso progressivismo do futebol.

De qualquer forma, a briga entre progressistas e conservadores tem muito do fanatismo pelo futebol. A não-politização do povo brasileiro não ensinou ao povo como ele deve agir diante da política. Mas como brasileiros sabem muito sobre futebol, resolveram usar a experiência de torcedor para usar na política, escolhendo seu lado e torcendo para que o adversário se dê mal.

Isso é ruim, pois a não-politização dos brasileiros tem feito com que o país e própria população perdessem um importante jogo em prol do estado de bem estar social. Desta forma, continuaremos sendo os melhores do mundo no futebol e os piores em política, economia e bem estar social. Na luta pelos nossos direitos, continuamos a perder feio.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Festas, festas e mais festas: o objetivo final do povo brasileiro

Brasileiro adora festas. Adora, não, prioriza festas. Trata como artigo de primeira necessidade ou objetivo final. Brasileiro vive para as festas. Boa parte do seu salário é gasta em festas. E compromissos sérios são adiados em prol de festas, sua prioridade máxima.

Todas as coisas típicas que o brasileiro gosta estão relacionadas diretamente ou indiretamente com festas. Gírias que são relacionadas com festas. A bebida mais popular do país, a intragável cerveja - interessante como uma bebida de gosto tão ruim possa ser tããão popular - é uma bebida para festas. 

Até mesmo o esporte mais popular do país, o futebol, sempre acaba em festa. E isso é instintivo. Se você perguntar o porque de uma pessoa gostar de futebol, ela não saberá responder. Mas com absoluta certeza é o clima de festa que o futebol proporciona. O jogo serve como uma preliminar para o momento esperado do gol, onde uma microfesta é feita para comemorar, através de um grito, as vezes acompanhado de abraços e pulos. Esportes que não tem clima de festa, normalmente são ignorados pelos brasileiros.

Os brasileiros já são "educados" desde pequenos a gostar de festas. Quando chegam a adolescência, as festas passam a ser a única coisa que fazem. Na vida adulta, as festas perdem a exclusividade que tinha na adolescência, mas ainda se mantém prioritária. Até mesmo na velhice, há o esforço de tentar manter o clima de festa nas vidas dos idosos brasileiros.

Por isso mesmo que eventos que envolvam festas sejam tão prioritários. Tudo é adiado ou cancelado em nome das festas. Se tiver alguém morrendo durante uma festa, se deixa morrer e volta depois para a curtição. Ao menos que esta pessoa que tenha mal estar físico seja importante para os que festejam, nunca é bom para um brasileiro ver uma festa sendo cancelada.

Carnaval e Copa de Futebol são sempre prioritários para os brasileiros típicos, nunca adiados ou cancelados. A novidade dos rolezinhos tem o seu caráter festivo. Até mesmo eventos religiosos tem que manter climas de festas. Tanto a Marcha para Jesus, como as Marchas para defender o consumo de drogas ou para celebrar o orgulho dos homossexuais, apesar de não se gostarem, se parecem muito a primeira vista: são todas festas, sempre com aquelas concentradas multidões empolgadas pulando e cantando dentro de um mesmo espaço.

Sei que isso parece bem cultural do brasileiro o fato de priorizar festas. Mas festejos são na verdade formas de ilusões. Apesar de úteis para a sociabilização, é impossível que um grande número de pessoas reunidas esteja de fato afim de interagir socialmente, já que muitas vezes vai a festas pela festa em si, não pelo desejo de trocar afetos com outras pessoas. A festa sempre foi um objetivo por si só para o brasileiro e enquanto o povo não amadurecer, as festas sempre serão a sua prioridade maior. A prioridade de um país que deveria se chamar de "Festa". Uma festa chamada Brasil.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Uma frase e o muito que temos a pensar sobre ela

Todos conhecem a famosa frase atribuída ao então presidente da França em 1962, Charles De Gaulle, em que ele falava a um jornalista, debatendo sobre a Guerra da Lagosta. Ao encerrar o debate, ele cita a famosa frase que diz que "o Brasil não é um país sério".

Muitos brasileiros podem até não gostar dessa frase, mas que ela é verdadeira é. A verdade costuma machucar quem a ouve. É apenas uma frase , mas muita coisa há de se pensar sobre ela.

Como um país enorme, rico em matéria-prima, com belíssimas paisagens, um imenso litoral, com alimentação de tudo quanto é tipo, vive numa miséria sem tamanho e com problemas que as autoridades nunca conseguem resolver há décadas?

Como um povo consegue viver feliz na pobreza, cheio de problemas, esperando que estes sejam resolvidos por uma mísera copa de futebol que acontecerá novamente em 2022?

Uma população que dá prioridade a diversão. Que veste sua camisetinha amarela de quatro em quatro anos, sofrendo e esperneando por causa do resultado de um mero campeonato de futebol! Chegam até a orar para Deus para pedir a vitória da "seleção" numa copa!!! Absurdo!

Um país que despreza seus excelentes cientistas, trata intelectuais como chatos, mas endeusa celebridades de ideias nulas e que vivem de enganar a população com promessas bestas e diversão de péssima qualidade.

O povo brasileiro é muito iludido, idiota até. Acreditam que o futebol é a verdadeira alegria do povo e que a copa de 2014 traria a salvação financeira que o país (ainda) tanto precisa. De quem? De meros turistinhas de classe média? E se o dinheiro viesse (e não veio), vai ser aplicado no bem estar da população? Nananinaninha!

O povo brasileiro nunca sofreu uma tragédia de verdade, de grandes proporções. As tragédias que estão vindo não estão sendo suficientes para amadurecer a população, ainda hipnotizada com cada grande evento que aconteça. Daqui a pouco teremos carnaval, aí vem festa junina, Rock in Rio e o povo todo embasbacado, enquanto sua casa cai e seus parentes morrem.

Mas num país que não é sério (ainda mais com a eleição de um imbecil como Bolsonaro), analfabetos podem ficar muito ricos correndo atrás de uma bolinha enquanto doutores podem viver o resto da vida varrendo ruas com um "salário" de fome. Isso quando conseguem esse emprego.

De Gaulle estava muito certo quando disse a frase. Mas o que ele não sabia era a amplitude do significado da frase que estava dizendo. Nem um território gigantesco como o do Brasil é suficiente para medir o tamanho da importância da frase do então político francês.

Lembram daqueles países de contos de fada, como a Terra de OZ e o País das Maravilhas, onde acontecem muitos absurdos? Pois é ele existe e se chama Brasil.

Só quero ver a cara da população quando perceber que colocou no poder o pior ser humano da face da Terra, totalmente incapaz de ser um reles síndico de prédio pequeno, que dirá de ser presidente de uma grade nação?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A função do futebol na agregação social em um povo sem afeto

Os meus mais de 10 anos de Rio de Janeiro tem servido para comprovar o fato de que o povo carioca não é nada emotivo. Sudestino, conservador, elitista e desconfiado, os cariocas são insensíveis e por isso são pessoas difíceis de se conquistar e de se conviver. Quem consegue conquistar e conviver é porque tem uma capacidade muito grande de convencimento. Ou apela para alguns recursos.

O futebol é um desses recursos. Claro que brasileiros em geral gostam de futebol, pois são educados para isso. Futebol facilita a vida social. Mas para os cariocas, a coisa é levada ao extremo, transformando o gosto pela modalidade esportiva em uma regra de etiqueta exigida com um certo rigor. Futebol não somente facilita a vida social como se torna uma condição sine-qua-non para fazer amizades no Rio de Janeiro.

Para maioria dos cariocas, é estranho demonstrar afeto por uma pessoa. Nenhum homem sai berrando porque conquistou a mulher de seus sonhos. Isso é considerado uma gafe. A conquista de uma mulher é considerado algo corriqueiro que raramente é comemorando, e quando isso acontece, é de forma exageradamente discreta.Quase secreta, oculta, escondida. Como um crime.

Já o amor por um time de futebol é demonstrado de forma histérica. A impressão que eu tenho é que cariocas, sobretudo os homens, só gostam de futebol. É a única coisa para qual demonstram um certo afeto. É a única demonstração de afeto permitida no Rio de Janeiro.

Ninguém assume, mas  no Rio de Janeiro, quem gosta de futebol, gosta muito mais do que de seres humanos. Torcedores que tem namorados/namoradas sempre gostam mais dos times do que de seus cônjuges. E se os companheiros não curtem futebol, são imediatamente jogados para escanteio.

Até acho que as pessoas usam o futebol como agregador porque não conseguem conquistar as outras pessoas de outra forma. para quem gosta de futebol, conhecer outro torcedor, mesmo de time adversário, é muito prazeroso. Passa impressão de afinidade, de companheirismo.

Por isso que o futebol é tão útil como agregador para uma população educada para ser insensível, desconfiada, exigente e gananciosa. Não dá para tocar corações duros sem um baita chute de bola.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Exclusivo: Leitor carioca do blogue finge gostar de futebol para agradar a sociedade.


Durante as férias deste blogue, recebi um e-mail de um leitor que aforma fingir gostar de futebol para agradar a sociedade, obter amigos e os benefícios da vida em grupo. Ele pediu para não revelarmos o nome - vamos chamá-lo de "Pedro", que é o nome que me veio agora - mas fez questão de que eu divulgasse seu relato. Bom, vamos lá.

----------------------------------------------
Caro Marcelo.

Tenho lido bastante o seu blog e fico feliz em saber que existe gente que respeita o fato de alguém não gostar de futebol. O Brasil deveria ser o país da diversidade, mas insiste em recusar esta vocação. A onda conservadora iniciada em 2016 piorou esta aversão a diversidade, exigindo que as pessoas sigam normas de adequação social, agindo como clones umas das outras, com mesmas ideias e costumes.

Nunca gostei de futebol. Acho um saco ficar quase duas horas diante de uma tela verde cheia de "bonecos" correndo para lá e para cá. A gritaria surgida após a entrada de uma reles bola em uma rede me incomoda. Preferia estar fazendo outra coisa nessas horas.

Mas tenho que ter vida social. E aqui no Rio de Janeiro, vida social é sinônimo de futebol. Há outros poucos corajosos que conseguem assumir o desprezo pelo futebol. mas eu não consigo. Todas as pessoas que eu conheço, incluindo minha esposa e meu filho, gostam de futebol. Não tive a sorte de conhecer outro que não gostasse.

Para manter amigos e os benefícios de uma vida em grupo, desde a minha adolescência tive a iniciativa de fingir gostar de futebol. Assisto a alguns jogos, meio sem gosto e até grito junto com os outros, embora isso fosse da boca para fora, pois futebol não me traz prazer.

Até escolhi um time, o América, pois é mais fácil fingir sendo "torcedor" de um time menos popular. Se eu tivesse escolhido um dos quatro populares, seria desmascarado com o tempo, pois ficaria mais fácil dos outros perceberem que eu não me dedicava tanto ao futebol como devia.

Comprei camisas do América e apesar de não assistir integralmente jogos do citado time, procuro saber notícias e a escalação para quando se tornar assunto nas conversas. Coloquei uma flâmula e uma foto antiga do time no meu quarto para que as visitas vejam.

Nas épocas de copa, eu tenho que fingir para manter a vida social, já que durante o maior campeonato mundial, o país praticamente para as suas atividades para se dedicar ao viciante hábito. E lá estou eu, junto com várias pessoas, fingindo alegria quando na verdade torcia dentro de mim para aquele jogo acabar e a "seleção" perder. A derrota acabaria mais rápido com o enchimento de saco.

Mas é duro e é difícil. Muitas vezes tenho a vontade de largar tudo e ir para uma ilha deserta para fazer o que eu realmente gosto, pescar e ouvir rock setentista, sem ter que fingir para agradar aos outros.

Vai desculpando pelo desabafo, Marcelo. Você é um cara muito legal e merece compreensão. Continue com este excelente blog e um conselho: nunca mude para agradar aos outros. Faça apenas o que gosta. É muito triste ter que fingir para obter amizade, afeto e emprego.

De seu fã e amigo, "Pedro".

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Pausa para estudos e reciclagem de ideias

Hoje, os blogues do Consórcio Laranjeira entram em uma pausa para que eu possa reorganizar a minha vida, dedicar aos estudos e reciclar as ideias, possivelmente pensando sobre as características e a função destes blogues. Agradeço a paciência e aguardem a volta em tempo relativamente breve. Um abraço!