quarta-feira, 15 de maio de 2019

Jogador é ofendido com premiação irônica após derrota

A Rede Globo dá sinais claros de decadência. Mesmo liderando entre as emissoras de televisão, a emissora não consegue repercutir positivamente seus programas, que amargam quedas bruscas de audiência. Suas novelas já não geram costumes e seu noticiário já não desperta mais confiança, a não ser de alguns homens acima dos 60 anos, ainda confiantes em noticiários tradicionais. 

Enfim, a Globo, assim como toda a mídia tradicional, amarga perdas que levarão a sua inevitável extinção a longo prazo. É preciso levar em conta que a ídia tradicional é obsoleta e não tem mais a dizer, a não ser o que interessa exclusivamente a seus donos. 

A internet traz liberdade de pensamento e depois do golpe ficou bem claro de que a mídia mente, age em prol de interesses ocultos e merece pagar por ter enganado multidões durante muitas décadas. A sua decadência é este preço e coisas começam a acontecer para evidenciar este fato.

Prêmio irônico a jogador perdedor

Na tentativa de atrair audiência através da interatividade, a Globo criou um quadro no Fantástico que premia o melhor jogador dum determinado jogo da semana. No último domingo, ganhou o goleiro Sidão, do Vasco, em um jogo onde o time perdeu feio contra o Santos.

Quem soube do prêmio custou a entender a ironia. Na verdade foi uma sacanagem dos votantes que resolveram trollar a Globo por meio do ato irônico de votar em um jogador em atuação ruim como o melhor da partida. Claro que a intenção era sacanear a Globo, mas o jogador foi claramente ofendido.

O jogador, que aceitou o prêmio, tentou, diante de uma repórter visivelmente constrangida, justificar sua atuação ruim fazendo uma pequena biografia sobre si mesmo. Foi um momento realmente triste, quase tétrico, pois o que o jogador merecia não era de um prêmio, mas de palavras de conforto. 

Mesmo os melhores jogadores passam por momentos de atuações ruins. Fica aqui o nosso respeito a Sidão e o fato de termos entendido a atuação ruim. Liga não, Sidão. No próximo jogo, você atua melhor. Os que te ofenderam são um bando de imbecis que não sabem que todos n´soe temos altos e baixos na vida, todos um meio de aprendizado. 

Para os que votaram ironicamente (provavelmente não-vascaínos, felizes com a humilhante derrota do time, como se uma vitória e uma derrota no futebol pudessem melhorar o mundo, um pensamento claramente infantil), ofendendo o jogador, aprendam a respeitar as pessoas, não usando a derrota dos outros para se divertir. 

Sei que a Globo não merece respeito, mas foi um erro grave usar o momento difícil de um jogador para trollar a emissora. Tomara que isso não se repita.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Homens cariocas gostam mais de futebol do que de mulher. Mas não conte para ninguém!

Em umas sociedade conservadora, casamentos são obrigações sociais. Todo adulto é obrigado a se casar e construir uma família, para agradar aos outros e para gerar descendentes que herdarão o patrimônio para que os bens não possam ir para as mãos dos mais carentes. 

Homem sem mulher é humilhado e desprezado e mesmo que não seja verdade, é consagrada a ideia de que homens solitários são fracassados, não possuindo valor social, mesmo que tenham qualidades, com o fracasso gerado pela falta de oportunidades e n.ao por incompetência.

Homens devem ter esposas para apresentá-las como troféus de um suposto sucesso social gerado pela suposta luta viril pela sobrevivência e pelo sucesso profissional e financeiro. Todos os fatores, incluindo a inexplicável honra masculina, obrigam os homens, instintivamente afeitos a uma vida de liberdades, sem as rédeas de um matrimônio, a se casarem com a primeira bonitona que encontrarem.

Se pudessem desobedecer as regras de convívio social, homens não se casariam. A vida de solteiro é mais compatível com os interesses de um machista. Homens são educados para viverem livres e se divertirem com outros homens. Casamentos tem a finalidade apenas social e sexual. Esposas são troféus pelo "sucesso da masculinidade" (??!!) e brinquedos sexuais nas horas livres.

O verdadeiro prazer de um homem brasileiro está na cerveja (exceto para portadores de doenças crônicas e alguns religiosos) e no futebol. Vamos nos ater neste segundo, que é o prazer obrigatório dos machos brasileiros e mais ainda para os machos cariocas, a ponto de ser ofensivo assumir o desprezo pelo esporte mais popular do país.

Homem carioca gosta de futebol, não de mulher

Fiz esta introdução para facilitar o entendimento do fato do homem carioca se empolgar muito mais com futebol do que com mulher. Você não vê homens pulando e gritando histericamente orque conseguiram conquistar a mulher mais linda de seu meio social. Mas percebe que a histeria é total, quando os times favoritos de muitos homens entram em campo.

É mais do que nítido o fato de homens cariocas gostarem mais de futebol do que de mulher. Mas não experimente afirmar isso na frete de algum homem carioca. A sociedade carioca é tradicionalmente conservadora (embora muitos vivam negando isso, confundindo conservadorismo com sisudez) e isso obriga os homens a pelo menos fingirem que gostam de mulher, para não serem tratados como "bichas" e perderem importantes direitos sociais por causa disto.

Não raramente, homens respondem "as duas coisas" quando preguntados sobre o se preferem mulheres ou futebol. Mas é nítida a falta de empolgação em relação as mulheres, reduzidas a troféus e brinquedos sexuais. 

Mulher não faz homem urrar de felicidade. Mas futebol faz

O que realmente fazem os machos urrarem é a entrada de uma reles bola em uma reles trave com rede. Isso quando os machos não se empolgam com as camisas suadas dos artilheiros e as pernas grossas dos mesmos. Uuuuiii! Aí, sai de baixo!

Isso é ruim porque o casamento torçado de homens que preferem futebol acaba tirando as mulheres do mercado afetivo, deixando os homes que realmente gostam de mulheres sem opção para namorar. É aquele caso clássico de "não fode nem sai de cima": não gosta, mas não libera para quem gosta. 

Bem que os homens cariocas pudessem assumir a sus preferência pelo futebol e largarem as suas mulheres. Talvez seja melhor que os homens cariocas se casassem com os jogadores de seus times. Além de se unirem a quem eles realmente amam, ainda tem uma gorda quantia de dinheiro entrando em suas contas, ao se casarem com jogadores muito bem remunerados.

Que oportunidade de felicidade os homens cariocas estão perdendo...

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Futebol não foi criado para nos dar orgulho. Foi criado para nos divertir. E só!

Estamos acostumados a tratar o futebol não como lazer, mas como nosso maior dever. No Brasil, o futebol virou nosso maior motivo de confraternização das pessoas. Povo diverso, imenso, possivelmente contraditório: as regras sociais tinham que encontrar um meio de fazer com que as pessoas tivessem um ponto de concordância. 

A mídia bateu o martelo: escolhemos o futebol como o ponto de concordância entre os brasileiros. Brasileiros de diversas raças, credos, gostos, orientação sexual, política ou o que quer que fosse: todos teriam que gostar de futebol. Seja lá como você for, sendo brasileiro, teria que gostar de futebol.

Crianças são educadas desta forma: brasileiros têm que gostar de futebol. Futebol é o nosso orgulho, a nossa identidade. Recusar o futebol é recusar o Brasil. Recusar o futebol é declarar um ódio enrustido à humanidade brasileira. Crescemos ajoelhados diante do futebol. Assim aprendemos a ser. Assim morreremos, com a bandeira de um time em cima de nossas tumbas.

Estranho algo criado pra ser simplesmente uma forma de diversão - e uma forma medíocre, com regras fáceis e cujo auge está na entrada de uma reles bola em uma reles rede de cordas de nylon entrelaçadas - seja motivo de nosso maior orgulho. 

Para que algo medíocre seja nosso maior motivo de orgulho, é porque somos um povo medíocre. É o nosso maior orgulho sermos medíocres. Por isso nunca avançamos. Por isso que nunca vencemos. O complexo de vira-lata que nos faz a "Pátria de Chuteiras" (em ambos, copyright de Nelson Rodrigues) não só nos impede de crescer como nos dá o orgulho de não crescer. Peter Pan? Não, vira-lata mesmo!

Nada contra o futebol se ele fosse tratado como reles forma de diversão. Mas para brasileiros, não se trata de uma reles forma de diversão. É a nossa honra posta em jogo. Berramos, matamos e morremos por causa de um reles time de futebol, algo que nunca nos trouxe a verdadeira dignidade, se mostrando na prática o que insistimos em ignorar: uma reles forma de diversão. Nada mais, nada menos.

Por ser o nosso maior motivo de orgulho e de honra, exigimos que todos os brasileiros sejam torcedores de futebol. Se um se levanta contra, logo tratamos de recriminá-lo. Condenamos o não-torcedor a exclusão social, como um herege a recusar a santa obrigação cívico-social. Quem se assume o desprezo pelo futebol é automaticamente punido pela desobediência a uma regra social tão honrosa e rígida.

Poucos brasileiros se assumem não-torcedores. Ainda temos o orgulho de ver uma reles bolinha a balançar um monte de cordas entrelaçadas. Muitos se calam ou fingem apreço com medo de reprovação social. É obrigatório - embora muitos digam que não - gostar de futebol. 

Como crianças de apenas 518 aninhos de idade, colocamos o lazer acima de tudo. "Vamos ao estádio, depois arrumemos a casa." E nunca arrumamos. Graças a este "orgulho nacional", nada temos que nos orgulhar de nosso país sempre atrasado, que coloca a diversão acima de tudo. 

Como trouxas, comemoramos taças de ouro que nunca nos chegam às mãos, trancadas em armários de clubes controlados por corruptos que desejam ver o Brasil se afundar ainda mais.

Se querem gostar de futebol, continuem gostando. Mas respeitem os que não curtem. Mas não é só. Além do respeito a quem tem o direito de passar longe de estádios e gramados, respeitem a si mesmos, assumindo que o futebol é um mero lazer e que não há motivo dele ser o nosso maior orgulho.

O nosso orgulho deveria ser de nossa dignidade. O nosso orgulho deveria ser de nosso desenvolvimento, interrompido por interesses mesquinhos que causaram a nossa má informação, nos fazendo colocar um sádico maluco no poder. 

Aliás, deveríamos ter vergonha de nós mesmos, pois não pensem que o bom êxito no futebol irá compensar as atrocidades causadas por este fascista que invadiu o Planalto.

Vamos aprender a ser brasileiros. Reconhecer a nossa diversidade, aprendendo que cultuar o futebol não é a única coisa a se fazer. E o mais importante: colocar a diversão em um plano inferior ao da dignidade, lutando por melhores condições e escolhendo lideranças mais responsáveis, não com um moralismo ficcional e sim com o bem estar de um maior número de pessoas, quiçá de todos.

O futebol nunca melhorou a vida da população brasileira. E não insistam, não melhorara nunca. Até porque o futebol não foi criado para nos trazer dignidade, orgulho e honra. Futebol foi criado para nos divertir. E nada mais do que isso. Entendam!

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Porque cariocas obrigam os outros a gostar de futebol

Cada lugar tem a sua cultura, com hábitos, ideias e leis próprias. Para garantir um convívio pacífico entre as pessoas, regras sociais são criadas para tentar criar um consenso entre mentes que podem ser tão díspares, evitando assim conflitos.

No caso do Rio de Janeiro, estipulou-se que o futebol seria essa espécie de "consenso" coletivo. Mesmo sendo apenas uma forma de lazer, o futebol seria transformado, na sociedade carioca, como um meio de fazer com que cariocas de diferentes mentalidades encontrassem um ponto em comum, sendo uma forma de criar e manter, senão uma amizade, pelo menos uma certa cordialidade.

Isso explica o fato do futebol ser tratado como uma regra de etiqueta. É ofensivo, para o carioca assumir o desprezo pelo futebol. Há uma espiral do silêncio que isola os que não curtem futebol, que só tem duas alternativas: fingir que gosta de futebol ou simplesmente se isolar do convívio social. Eu mesmo conheço muita gente que vive fingindo que gosta de futebol para não viver sozinho. No Rio de Janeiro, não há espaço para quem não curte futebol. Ou gosta, ou cai fora.

Claro que se você questionar um carioca, reclamando da obrigação de gostar de futebol, vai ouvir coisas do tipo "ninguém é obrigado a gostar de futebol, mas seria bom que você gostasse". Claro que ninguém gosta de se assumir autoritário. Mas sempre dá um jeitinho para obrigar os outros a cumprir a obrigação imposta.

Ser humano depende do convívio social e isso exige o cumprimento de uma série de regras. Por isso que o país - e mais ainda o Rio de Janeiro - para durante copas do mundo. Por mais chato e medíocre que seja o futebol, é muito bom estar no meio de pessoas e usufruir dos benefícios que somente o convívio com outras pessoas pode oferecer. E este convívio possui regras para serem obedecidas.

Isso explica o fato de um esporte sem graça, de regras tão medíocres, praticado por analfabetos funcionais, seja tão popular. A magia do futebol não está no futebol. Está no poder de sociabilização que esta modalidade esportiva é capaz de fazer. 

Mesmo que este poder seja imposto por pequenos ditadores espalhados pela sociedade, que só darão benefícios sociais em troca de um suposto amor declarado por um time, tendo que ficar 90 minutos vendo um bando de bonecos correndo para lá e para cá em uma tela verde. E aí de quem se recusar a fazer isso...

Diz a sabedoria popular que não existe almoço grátis. A vida social exige cada preço...

quarta-feira, 17 de abril de 2019

O modismo fitness - a classe média alta e o mito da perfeição física

Quem se acha rico mas não tem o poder econômico de banqueiros e grandes empresários está adotando uma moda que pode parecer um trato com a saúde, mas não é. A classe média alta em massa resolveu lotar "academias" de ginástica em busca da utopia de um corpo perfeito. 

Insatisfeitos em se diferenciar dos pobres mortais pela renda, integrantes da classe média alta - incluindo varias celebridades brasileiras e estrangeiras - tem recorrido a chamada "cultura fitness" para se tornarem fisicamente perfeitas e ainda mais diferentes dos pobres que não tem direito a uma alimentação saudável e sem tempo livre para exercícios.

Mas não pense que a classe média alta faz isso para cuidar da saúde. As ginásticas são feitas para moldar os corpos e a alimentação predominantemente vegetariana é por peninha dos pobres animais, "muito superiores aos seres humanos que se perpetua na pobreza porque não sabem lutar para sair dela". Com as regras do ganancioso capitalismo, não dá mesmo.

Vários dos que fazem ginástica são adeptos do consumo de drogas, lícitas ou não. Acreditam eles que uma alimentação com carne é muito menos saudável que consumir drogas e mais drogas, mesmo uma "inocente" cervejinha. Talvez seja verdade pois quem mais se cuida (mesmo comendo quilos de carne) adoece mais. Castigo para quem se recusa a seguir a manada no consumo das drogas sociais.

Quanto ao veganismo ou vegetarianismo, é pura hipocrisia. Interessante que os mesmos que se revoltam quando veem alguém chutando um cãozinho na rua, são os mesmos que reclamam de políticas que tirem os pobres de sua condição miserável. 

Muitos árduos e dedicados defensores dos animais se revoltaram em ver pobres nos aeroportos e negros recebendo diplomas de nível superior. Aí eu pergunto: animais são "mais humanos" que humanos desfavorecidos? Pergunta complicada de responder!

Saúde nunca foi meta de praticantes de fitness, adeptos do consumo de drogas

Voltando ao modismo fitness que lota "academias" (entre aspas: para mim, academia é para ensinar e estimular a pensar), está mais do que na cara que a intenção é impor um padrão físico para quem "merece se da bem na vida", enfatizando no corpo a diferença de classe já explícita nas profissões, na qualidade dos bens e no estilo de vida.

Saúde nunca foi a meta de quem quer se dar bem. Qualquer probleminha, sempre há um hospital particular à disposição para tratar quem paga bem. Prudência nunca foi uma qualidade dos brasileiros e a classe média alta brasileira nunca seria diferente. 

Vários dos adeptos do modismo fitness são claramente consumidores de drogas. A adesão a drogas tem motivos sociais, pois os mesmos vivem ostentando o seu consumo, sobretudo de bebidas alcoólicas, que comprovadamente alteram o funcionamento cerebral e estragam o fígado. 

Nem sei porque dizem "saúde" quando brindam com álcool. Na língua inglesa, a palavra é substituída por "cheers" (alegria), o que é menos hipócrita. Mas não se preocupem: quando aparecer a primeira cirrose hepática, sempre há um hospital disposto a ajudar em troca de uma gorda parte do salário da classe média alta metida a rica. Pagou, se curou.

Fitness não é para ter saúde. Fitness é para ficar "bonito", para fabricar Apolos e Ninfas artificiais que os colocarão no Olimpo social, distante do resto, habitante do limbo das classes inferiores. Lindos e perfeitos, integrantes da classe média alta se assemelham aos ricaços (que também estão na onda, embora não precisam disto - mesmo gordos, feios e velhos, grandes empresários continuam a mandar na humanidade).

"Academias" apoiaram bolsonarismo e podem estar treinando agressores

Não por acaso, muitas "academias" estiveram do lado do golpe de 2016 e várias delas apoiaram Bolsonaro. Várias destas andaram treinando homens raivosos para sair dando porrada em pobres nas ruas, sobretudo nas madrugadas. 

Há indícios de vários frequentadores de "academias" não somente entre os que agridem pobres, mas também entre criminosos passionais, que agridem e matam companheiras por causa da possessividade machista qua transforma as mulheres, vistas como meros objetos, em integrantes do patrimônio de homens machistas. O bolsonarismo serviu como autorização para quaisquer atrocidades cometidas por apoiadores.

Sabe o que eu acho disso tudo? Cada um deve ficar feliz com o corpo que tem, alterando-o somente quando a saúde exigir. Padrões estéticos são tristes e obrigam que benefícios sejam concedidos apenas a quem se enquadra naquilo que as pessoas classificam como "bonito". 

O modismo fitness é uma farsa destinada a separar ainda mais as pessoas "bem sucedidas" do "resto". Prefiro não cair nessa e continuar sonhando com a diversidade humana. Padrões são sempre chatos. A variedade é mais divertida. E mais solidária.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Seria ótimo se esse negócio de "Pátria de Chuteiras" acabasse de uma vez por todas!

Durante muitas e muitas décadas, o brasileiro, imerso numa infantilidade sonhadora, teve como hábito confundir futebol com dever cívico, achando que a "seleção" era o melhor (ou a única coisa boa) que o país poderia oferecer ao mundo. 

Essa ideia irracional de transformar uma forma de lazer em seu maior motivo de orgulho acabou transformando o futebol em uma obrigação cívica-social e acabou criando um preconceito contra quem não curte futebol, além de fazer com que muitas pessoas, sobretudo as mulheres, fingissem gostar de futebol para não ficarem socialmente excluídas.

Mas protestos que aconteceram nas horas dos jogos da Copa das Confederações de 2013, sugeriram uma momentânea transformação ideológica que poderia dar maturidade coletiva à população. Pensando bem, seria agradavelmente surpreendente se víssemos pessoas que preferem ser patriotas de verdade, não esperando que a solução para seus problemas venha da entrada da bola em uma rede. Mas foi apenas algo provisório.

Patriotismo e obrigação tornam o futebol uma coisa muito chata

O futebol é apenas uma forma de diversão. Nada tem de ruim nisso. Aliás, a graça do futebol é justamente não estar preso a obrigações. Aliá-lo a "patriotismo", "orgulho nacional", "dever cívico" e similares, tem feito do futebol um esporte chato, com direito a reportagens e publicidades do tipo "martelada na cabeça", tudo aquilo que nunca fez parte de fato ao futebol. 

A alienação não está no futebol em si, mas no costume doentio de transformá-lo em dever cívico e colocá-lo acima de qualquer coisa da realidade. É achar que a dignidade do país depende das vitórias no futebol, algo que a lógica demonstra ser impossível, por ser o futebol uma mera forma de diversão.

Eu nunca curti futebol, não curto e nem vou curtir, mas nunca odiei. Passei a odiar quando a mídia encaixotou que deveria virar "dever cívico", transformando o futebol em "compromisso irrecusável" e criando todo um aparato publicitário maçante e com altíssima dose de proselitismo.  E é aí que o futebol passou a ser uma coisa muito chata.

Mas isso acabou criando preconceito dos dois lados. Os que gostavam, tinham medo de ser criticados por colocarem uma diversão como obrigação, acima de qualquer coisa. Mesmo sabendo do fato disso ser ridículo, não mudavam de opinião por causa da adesão maciça a mesma ideia, o que favorecia a inclusão na sociedade. Por isso, quem gosta de futebol age de forma defensiva quando conhece alguém que não gosta.

Os que não gostam, por sua vez, reclamam do desprezo quase que total que sofrem pela mídia, por autoridades e por boa parte da sociedade. Como gostar de futebol virou obrigação, quem não gosta virou persona non grata, como se não gostar de futebol fosse um ato de antipatia e de aversão social.

Gostar de futebol é correto. Errado é transformá-lo em dever cívico-social

Mas isso poderá mudar. Redes sociais têm dado, através d grupos de discussão, a oportunidade do envio de mensagens desfazendo esse mito de que futebol é patriotismo, já há muitas décadas arraigado em nossa sociedade. Ainda há quem defenda esta tese, mas quem defende está cada vez mais ridicularizado e sem razão.

Quero deixar claro que é corretíssimo gostar de futebol. É uma diversão sadia, alegre, mas desde que seja despida dessa patriotada que tirou o foco do verdadeiro esporte. Torço para que o futebol retome a sua vocação de puro entretenimento, bem longe dessa mania de transformar em dever cívico, algo que estragou e muito o esporte mais popular do país.

Como males que vem para o bem, toda a priorização do governo para essa copa pelo menos serviu para mostrar a população o que é realmente o verdadeiro patriotismo. E que o verdadeiro orgulho nacional não é demonstrado por meros chutes em uma bola em cima de gramados situados dentro de caríssimos estádios.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A Disputa pela Bola

Fora dos gramados, uma verdadeira disputa quase sangrenta, tem envolvido o futebol brasileiro: quem quer ser o dono da bola futebolística: a direita conservadora ou a esquerda progressista? Pois ambas querem porque querem ser os donos do futebol brasileiro.

Na minha opinião, baseada em fatos, penso que o futebol pertence à direita. Há motivos de sobra para que o futebol seja naturalmente um esporte de direita:
- É um esporte que rende muito dinheiro, enriquecendo sobretudo cartolas, patrocinadores e mídia; 
- Faz parte do repertório dogmático do conservadorismo machista;
- É instrumento de manipulação mental da população; 
- Converte pobretões em magnatas gananciosos e portanto, direitistas.

Mas por motivos estranhos, as esquerdas se acham donas do futebol, mesmo sabendo que a direita é que garante o glamour do esporte por meio de patrocínios e da divulgação midiática que transformou uma forma de lazer em dever cívico.

Para esquerdistas, futebol é dever cívico

A esquerda quer ser a dona do futebol usando a enorme popularidade e a origem miserável dos jogadores, muitos filhos da classe trabalhadora, como justificativas. São aspectos superficiais, que não se relacionam de fato com a essência socialista.

Já li em muitos sites de esquerda o futebol ser tratado como se fosse mais do que uma forma de lazer. Futebol é um orgulho nacional e representa patriotismo para um povo que nunca foi de fato patriota. Nas copas, brasileiros adoram brincar de serem patriotas para no final do mesmo ano viajar para o exterior, não raramente para se mudar para lá. Pasmem, mas até esquerdistas agem assim.

Durante a última copa, ficou nojento visitar os sites de esquerda. Parece que fama de trouxa que a esquerda brasileira tem, o que facilita e muito os ataques feitos pela direita, é real. Os esquerdistas não estão dispostos a recusar a lavagem oferecida pela direita. Pois então, comam.

A esquerda é tão trouxa que apela para fake news para defender a exclusividade esquerdista no futebol inventaram que a direita não gosta de futebol. Estão sonhando? Foi a direita que impôs o gosto pelo futebol, como forma de compensar as injustiças sócio-econômicas que as forças conservadoras se recusam a eliminar, na ânsia de manter a ganância que as faz ricas e deixam multidões na pobreza.

Direita ama futebol. Mais do que a esquerda

É uma idiotice achar que a direita não gosta de futebol. Ela adora e muito. As camisetas dos protestos de 2016 já estavam nas gavetas após a última copa. Elas foram usadas nas manifestações principalmente por causa da confusão futebol/pátria, afinidade compartilhada pelos esquerdistas brasileiros, tão sedentos por futebol quanto a direita.

Conheço inúmeros direitistas que adoram futebol. Vários inclusive so vivem para o futebol. Não existe para eles lazer melhor. Muitos torcedores direitistas voltaram no Bolsonaro, que adora futebol. Futebol faz parte do pensamento machista conservador. Eu mesmo já ouvi várias vezes: "no Brasil, homem que não gosta de futebol é viado". Como achar que direitistas não gostam de futebol se machistas de direita adoram?

Até porque o gosto pelo futebol não é uma questão de direita ou esquerda (embora a direita se dê muito bem com este fanatismo) e sim uma questão de ser brasileiro. Gostar de futebol é uma obrigação do brasileiro e quem não curte é socialmente marginalizado. Isso se não for criminalizado injustamente.

Mas como eu falei, o futebol é de direita. E sendo um esquerdista que não curte futebol, acho que o futebol fica melhor sendo um esporte de direita. Até porque nas mãos da esquerda, o futebol perderá glamour, voltado para as lamacentas várzeas, com jogadores-deuses convertidos em moleques indigentes, sujos e raquíticos. Como transformar algo assim em "paixão nacional"?