domingo, 19 de janeiro de 2020

Falta de opções de lazer e caos organizado podem ter estimulado o fanatismo do futebol no Rio de Janeiro

Brasileiros são fanáticos por futebol, num hábito passado de geração a geração. Para quem vive no Brasil, futebol é dever cívico e social e quem é contra merece o isolamento e quando muito prejuízos e até morte. O medo da solidão faz com que brasileiros em massa se tornem reféns do futebol. Até quem não curte de fato tem que fingir para não ficar sozinho. 

Cariocas são ainda mais fanáticos que os brasileiros. No estado onde sedia os times mais bem sucedidos do país, o futebol não é somente dever como também uma regra de etiqueta. Nossa equipe não cansou de ver cariocas se sentindo ofendidas diante de alguém que assume seu desprezo pelo futebol, mesmo de forma simpática e respeitosa.

Mas a origem disto tudo, sem descartar o mito do dever cívico e social, pode estar escondido na decadência que sofre o Rio de Janeiro há décadas, com uma espécie de caos organizado e falta de lazer impostas por um neo-coronelismo de direita e uma esquerda inerte que só sabe defender a liberação das drogas e a profissionalização da prostituição, se conformando com as injustiças cônicas vistas nas causas trabalhistas.

Estigmatizado como capital cultural e estado mais moderno do Brasil, o Rio de Janeiro vive em uma estagnação resultante desta fama de modernidade consolidada, o que faz com que o estado não progrida e obrigue as pessoas a se virarem para obter lazer e formas de sociabilização. E é aí que entra o futebol para tapar o buraco visto nas outras áreas de lazer mais democráticas.

Sem estímulos para se divertir e sociabilizar, os cariocas - com ajuda da mídia e das regras sociais - se aproveitaram da popularidade do futebol para transformá-lo em algo absoluto a facilitar a sociabilização e tirar os cariocas da ameaça de tédio crônico, mesmo que de forma forçada e artificial.

Para se virarem diante de tanto desestímulo, os cariocas elegeram o futebol como um perfeito agregador social. Numa sociedade que costuma ser insensível (como costuma ser o sul e sudeste brasileiro) e meio acomodada, o futebol tem o poder, mesmo artificial, de unir pessoas com gostos e ideias diferentes, que não se conhecem. Quem não se descontrai diante de uma conversa sobre futebol com desconhecidos? Somente quem não surte futebol, óbvio.

O futebol deu a oportunidade para cariocas obterem amizades e diversão diante da falta de estimulo, já que governos e empresários locais não se esforçam em oferecer aos cariocas meios que favoreçam um lazer mais diversificado e constante. Mesmo as poucas iniciativas que aparecem soam como coisa de sectários (grupos específicos e isolados), sem a capacidade de unir pessoas com pensamentos diferentes ou que simplesmente não se conhecem.

Com isso, o futebol acaba se consagrando o perfeito agregador social e mais opção de lazer para cariocas de todas as classes sociais e mais variados pensamentos. As coisas continuarão assim até que apareça algum gestor no estado do Rio de Janeiro disposto a democratizar o lazer e criar formas mais variadas de diversão e sociabilização.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Jogador Roberto Carlos vai na contramão de colegas e do xará famoso e se põe no lado dos progressistas

Eu sempre fico feliz quando alguém se assume progressista. os progressistas são, além de altruístas, portadores de uma mentalidade mais aberta e desejosos de ver o seu país em constante processo de desenvolvimento, gerando benefícios a um maior número de pessoas, quiçá todos.

Jogadores de futebol não costumam ser progressistas. Com maioria de pouca escolaridade e subindo rapidamente de classe sócio-econômica, muitos acabem perdendo sua consciência de classe, abandonando velhos amigos e os lugares de onde vieram.

Mas há exceções realmente admiráveis como o saudoso jogador Sócrates e o hoje comentarista Juninho Pernambucano, que decidiram se intelectualizar por conta própria, acabando por se revelar homens conscientes preocupados com o mundo real. Mas outro acaba de se juntar a estes: Roberto Carlos, o jogador.

Em entrevista recente, Roberto surpreendeu pela conscientização política, inteligência, franqueza e por ideais que se encaixam ao perfil progressista, raro em sua classe profissional. Houve espaço até para elogios ao de fato melhor presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva, preso sem motivos por quem está interessado em ver o Brasil falido. Roberto sabiamente reconheceu a boa fase em que o ex-sindicalista comandava o país.

Fica aqui meus parabéns a Roberto Carlos e sempre esclarecendo que não sou contra o futebol nem contra os jogadores. Futebol é sadio como forma de lazer e os jogadores, tendo a iniciativa de se evoluírem como pessoas, podem se tornar homens admiráveis fora do campo. Admiro quem se esforça para sair da zona de conforto e do lugar comum. O jogador Roberto Carlos deu aula de cidadania que deve ser observada atentamente pelos seus colegas de profissão.

Ah! Roberto Carlos ainda teve a ousadia de ir contra o seu xara mais famoso, que infelizmente apoiou o golpe, mesmo de forma discreta, com elogios ao um juiz especialista em desempregar trabalhadores de promissoras indústrias nacionais. Roberto Carlos, o jogador, este sim é brasa, mora?

domingo, 24 de junho de 2018

CBF paga mídia alternativa para exaltar futebol?

Apesar de ser um esquerdista, tenho evitado os portais de esquerda em tempos de copa. Infelizmente as esquerdas tem aderido a onda midiática e fazendo coro com a mídia corporativa em prol da histeria coletiva que predomina durante um mês em épocas de copa. Isso com o Brasil na UTI após o golpe de 2016 feito financiado pelos patrocinadores da copa.

Sinceramente acho estranha esta adesão maciça das esquerdas ao futebol em copas. Isso cria um festival de contradições se lembrarmos que o futebol é uma modalidade de esporte capitalista, patrocinada e administrada por capitalistas, usada pela mídia corporativa e cuja magia é resultante de muito dinheiro investido. Ou alguém enxergaria magia em garotos feios sujos de lama, correndo atrás de uma meia enrolada em cima de uma grama mal cortada?

Que as esquerdas brasileiras nunca foram realmente contra o Capitalismo isso é fato comprovado. A queixa das esquerdas brasileiras não é contra o Capitalismo e sim contra o fato de serem excluídos dos benefícios que este sistema pode oferecer. E entre estes benefícios, obviamente está o de assistir a um jogo de futebol em um luxuoso estádio de futebol diante de jogadores transformados às custas de muito banho de loja e algumas plásticas e alterações estéticas.

Mas mesmo assim, continuo a perguntar: o que faz com que as esquerdas se unam aos direitistas no coro em prol da histeria futebolística? Será para atrair os torcedores para as plataformas alternativas? um será que a CBF está injetando dinheiro nas esquerdas para que elas sobrevivam? Não há motivos para discordar se estas duas hipóteses sejam verdadeiras, desde que as esquerdas assumam. Até porque os meios alternativos carecem de apoio e todo recurso extra que entrar será bem vindo.

É sabido que há forças estranhas patrocinando as esquerdas, para que elas não ousem mais do que já fazem. George Soros, muito criticado pelas esquerdas, patrocina tanto entidades progressistas como conservadores. Ele não é o único, mas é um bom exemplo.

Há interesses ocultos em manter o sistema como está, mesmo abrindo mais o leque para as classes oprimidas. Mas é preciso que essas classes sejam incluídas em um sistema existente, com valores e estruturas tradicionais, para que mesmo com a esquerda no poder, os poderosos não deixem de comandar o sistema. Por isso que muito dinheiro é investido, para que as esquerdas respeitem o sistema como está, mesmo exigindo mudanças significativas, mas nunca totais.

De qualquer forma, é nítido o empenho das mídias alternativas em prol do futebol, abandonando da mesma forma que faz a mídia corporativa, aqueles que preferem estar longe da algazarra futebolística, sem oferecer opções para que os avessos ao futebol possam se divertir e se sociabilizar. Ou seja, quem não curte futebol bom sujeito não é e que se vire se não quiser seguir a manada.

Crescemos acreditando no fanatismo futebolístico estimulado pela mídia corporativa. Pelo jeito até a mídia alternativa resolveu cair feito trouxa no papo furado da mídia corporativa.

sábado, 23 de junho de 2018

Mídia ignora existência de brasileiros que não curtem futebol. E não é só a mídia corporativa


Ligue a televisão, de preferência nos canais abertos. Tente achar algum brasileiro que assume não curtir futebol. Não achou? E nem vai achar! Rejeitar o futebol é uma heresia que nenhuma mídia corporativa está disposta a estimular.

E na mídia alternativa? Bom, apesar de ser um pouquinho mais compreensiva com os que preferem ficar longe da onda futebolística, ainda continua dando um "chega pra lá" nos não-torcedores, preferindo jogá-los no limbo, apesar de admitir a sua existência.

Estranho que a mídia alternativa, não tão gananciosa quanto a corporativa, prefira esconder os avessos ao futebol. Sempre mais democrática que a mídia corporativa, a mídia alternativa deveria se lembrar dos que não curtem futebol e defender os direitos destes de se divertir e de sociabilizar.

Desconheço o motivo que faz com que a mídia alternativa se una ao coro pró-futebol da corporativa. Se não é financeiro - a alternativa aparentemente não ganha dinheiro com o futebol - o motivo deve ser uma isca a pescar torcedores em massa para aumentar a audiência da mídia alternativa, já que no Brasil, o numero de torcedores é drasticamente bem maior que o de não-torcedores por uma questão de senso comum.

Todos percebem que quem gosta de futebol sonha em ver o seu hobby se tornar uma unanimidade. Essa unanimidade serviria para confirmar a lenda sem sentido de que o gosto do brasileiro pelo futebol é biológico. Serviria também para tirar a ridiculosidade de priorizar uma forma inócua de lazer tradicionalmente transformada em urgente e inadiável dever cívico.

Eu mesmo confirmei inúmeras vezes este desejo dos torcedores em ver o gosto pelo futebol convertido em unanimidade nacional. Só o conhecimento da existência de uma pessoa que se recusa a agostar de futebol lhes dá calafrios. É similar ao que acontece com os evangélicos quando conhecem um ateu. "Quem é esse herege a desafiar a sabedoria coletiva?" diria algum torcedor.

Quem controla a mídia sabe muito bem que a divulgação de algum brasileiro que não curta futebol pode ser um risco para a hegemonia futebolística pelo país. Por isso que a mídia se desespera quando vê a falta de empolgação causada pela tristeza com a perda de direitos. Por isso que ela se empanha de forma hipnótica a manter a histeria futebolística de pé.

Isso acontece a ponto da plutocracia que controla a mídia e a CBF lançarem mão de recursos para impedir o desinteresse pelo futebol, que traz muito lucro aos golpistas. Apelam inclusive para o golpista Michel Temer - que segundo dizem, detesta futebol - a pedir para a população a manter seu vício no futebol. Plutocratas sabem que desinteresse pelo futebol significa menos grana entrando em suas polpudas contas nos paraísos fiscais.

Este é o motivo que faz com que os não-torcedores permaneçam invisíveis para o senso comum. A mídia, metida a democrática, nunca irá dar voz a que, não curte futebol. Sabe muito bem que quem despreza o futebol representa uma séria ameaça aos interesses financeiros de quem lucra muito com o futebol.

Melhor forjar uma unanimidade, mesmo falsa, para que a verdadeira unanimidade possa se estabelecer um dia. Fazendo muito dinheiro entrar às custas de cada entrada da bola em um gol.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Futebol é Cavalo de Troia para os brasileiros

Recentemente uma mensagem no perfil oficial do Twitter do golpista Michel Temer pedia, lançando mão de vários clichês, para que os brasileiros esquecessem momentaneamente a crise e torcessem pela "seleção". Só que duas coisas estranhas notam-se na mensagem, além dos clichês: Temer parece não gostar de futebol e o fato de uma autoridade exigir que a população curta futebol. estava na cara que tinha caroço nesse angu.

A revelação do motivo que fez um, ilegítimo, verdade, "presidente" pedir para a população aderir em massa ao futebol, foi revelado depois: Temer pretende usar a copa para acelerar as maldades, como eliminar mais direitos e tentar vender as empresas estratégicas a estrangeiros. É bom lembrar que os patrocinadores da copa são os mesmos do golpe e todos interessados em impedir que o Brasil se desenvolva, ameaçando a hegemonia dos países desenvolvidos no comando mundial.

A mídia corporativa passou muitas décadas enfiando na cabeça do brasileiro que o futebol seria a sua razão de ser. Se tornar o melhor no futebol seria a meta. O resto seria supérfluo. Incluindo q melhoria da qualidade de vida em aspectos necessários à sobrevivência humana. Tudo, mas tudo seria supérfluo diante do prioritário futebol.

A plutocracia descobriu um excelente modo de manobrar as massas no Brasil, fazendo as desviar do mundo real e colocar um supérfluo como uma prioridade nacional. Até mesmo a normalmente esclarecida esquerda caiu como patinho diante do maravilhoso Cavalo de Troia do futebol. nada como transformar um lazer em dever cívico para que o verdadeiro civismo nunca se manifeste.

Ainda mais o brasileiro, acostumado a colocar o lazer como prioridade. Imagine uma professora na escola primária dizendo que seus alunos são obrigados a sair para o recreio para ir brincar. Todo mundo foi automaticamente acatar a ordem da professora para correr pra lá e pra cá no pátio da escola.

Nem é preciso dizer que , mesmo com quase 100% de rejeição, Temer foi imediatamente obedecido. Os ladrões que vem saquear nossos bens e direitos já podem praticar o assalto com a mais absoluta tranquilidade. ninguém estará vendo. Estão todos de olho no Neymar, o arroz de festa.

Foi para isso que Temer pediu para os brasileiros torcerem para a copa. Foi para isso que patrocinadores do golpe patrocinam a copa. Foi para isso que a plutocracia deseja que os brasileiros priorizem o futebol. nada melhor que o futebol para anestesia uma população com problemas que nunca se resolvem. 

O resultado e o mesmo: ganhamos no futebol, perdemos no resto. E a perda é total.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Porque os brasileiros gostam de futebol? Essa ninguém responde

No Brasil, o fato de gostar de futebol está não naturalizado que ninguém se preocupa em entender os motivos que fazem um esporte tão rudimentar ser extremamente popular a ponto de parar um país inteiro e de se tornar uma regra rígida de etiqueta social. 

Tente perguntar a qualquer brasileiro porque as pessoas gostam de futebol? Ou melhor: tente perguntar a um torcedor brasileiro porque ele gosta de futebol. Você vai ouvir todo o tipo de resposta, várias bem surreais. Mas nenhuma com a explicação real: medo da solidão.

A mídia, com valiosa ajuda das regras sociais, consagrou a ideia de que brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Quem não gosta é condenado a solidão, ao tédio e perde muitos benefícios apenas adquiridos com bom prestígio social, como emprego e namoro. 

Na verdade, todos sabem disso mas evitam comentar. Assumir esta razão é tornar a admiração pelo futebol como algo não-natural. Não é interesse da maioria desnaturalizar o fanatismo pelo futebol. 

Tanto é que os torcedores fazem mil loucuras, são surreais, enlouquecidos, berram alto, fazem as mil loucuras, mas quem recebe rótulo de "louco" são os pacatos que preferem passar longe da insanidade futebolística. Torcedores chateiam, mas chato é quem não curte futebol.

Essa falta de explicação ajuda bastante a manter o fanatismo futebolístico que chega ao ponto de confundir país com 11 analfabetos enriquecidos vestidos de amarelo. Os coxinhas anti-Dilma (e anti-Brasil) souberam muito bem por em prática esta confusão usando o uniforme da CBF em protestos políticos contra o próprio direito. O golpe agradece muito a esta confusão entre futebol e pátria. E nunca pede explicações para isso.

Até porque, sendo coxinha ou não, tudo que os brasileiros querem é um título no futebol. O resto é supérfluo. Se a coisa não funcionar, jeitinho brasileiro dá um jeito.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

As Gincanas do Colégio Brasil

Havia na cidade um colégio chamado Brasil. Era um colégio grande, mas simples e um tanto precário. Faltava até giz para escrever no quadro negro. Ás vezes dias ficavam sem aulas, seja por falta de condições, seja por protesto de professores quanto a situação do colégio. 

Professores eram ruins e mal remunerados. As carteiras, sempre com algum rachadura ou parte quebrada. O espaço destinado a colocar os livros nas carteiras eram habitados por insetos nem sempre agradáveis. Havia presença de aranhas venenosas. Felizmente ninguém foi picado por estas até o momento. Mas o incômodo com a presença dos insetos era real e atrapalhava o aprendizado.

Faltava água e luz com frequência. Uma vez a porta de uma sala emperrou no final de uma aula e para os alunos saírem, tiveram que quebrar a porta. Havia muitas carteiras abandonadas por falta de uso, por estarem danificadas pela má conservação.

O diretor, desanimado com a falta de recursos, demonstrava um comportamento que foi entendido pelos outros como "malandragem" e foi demitido do cargo de forma injusta. Em seu lugar, entrou outro claramente interessado em destruir ainda mais a escola.

Mas a escola não era de todo ruim. Ela tinha algo de bom para se orgulhar. Apesar da péssima qualidade de ensino e da falta de condições para o seu funcionamento, o Colégio Brasil tinha a melhor gincana de todas as escolas na cidade. E sempre vencia as gincanas, que sempre eram memoráveis, melhorando a cada ano. 

Pais matriculavam seus filhos apenas para poderem participar das gincanas. Vários dos alunos do Colégio Brasil se consagravam após vencer as gincanas. Venciam as gincanas em outros municípios. A fama do colégio de fazer as melhores gincanas e gerar os melhores atletas das gincanas se tornou mundial. 

Nas paradas da cidade, estudantes do Colégio Brasil se destacavam enquanto desfilavam. Todos queriam ver os alunos do colégio nas festividades da cidade. A alegria se instalava só em ver o colégio sendo mencionado nas festividades. Em suas gincanas, o Colégio Brasil era definitivamente imbatível. E não dá sinais de que vai deixar de ser. Certamente ainda ganhará muitas gincanas no futuro.

Enfim, mesmo em falência total, o Colégio Brasil tinha um motivo para se orgulhar.

Falta de opções de lazer e caos organizado podem ter estimulado o fanatismo do futebol no Rio de Janeiro

Brasileiros são fanáticos por futebol, num hábito passado de geração a geração. Para quem vive no Brasil, futebol é dever cívico e social...