quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

É contradição uma pessoa detestar Carnaval e adorar copa de futebol

É nítido o ato de que a maioria esmagadora das pessoas gosta de futebol não pelo esporte em si, mas pelo clima festivo agregado a modalidade e ao fato de que facilita a vida social em nossa sociedade. No Brasil, futebol é obrigação social e todos, mesmo sem comentar, sabem que não curtir futebol significa em muitos casos se isolar e recusar o convívio social, principalmente em épocas de copa.

Estamos em ano de copa. Todos os meses em que ocorrem as copas multidões de brasileiros largam tudo para colocar suas camisetas amarelas pensando estar cumprindo um dever cívico que ajudará a desenvolver o Brasil, mesmo de mentirinha. Futebol, em épocas de copas passa a ser prioridade inadiável e quem se recusa a seguir a manada fica só aguentando o ensurdecedor grito da alienada torcida.

Obviamente o clima de festa agregado ao futebol contribui muito para esta adesão maciça. Todos os que gostam de futebol gostam de festa - ainda não encontrei exceção para esta regra - mas há alguns que não curtem o Carnaval, mesmo amando a copa de futebol. 

Mas o que é a copa de futebol senão um Carnaval no meio do ano? Todos os elementos de uma festa de Carnaval estão presentes na copa de futebol. A unica diferença é o acréscimo do próprio futebol. Poderemos considerar uma espécie de Carnaval esportivo. Ou melhor, um Carnaval futebolístico.

Vejo como uma hipocrisia sem tamanho uma pessoa adorar copa de futebol e detestar Carnaval. Mesmo que não haja mulheres peladas no futebol - até alguém ter a ideia de colocar, o que não seria impossível - vejo muito de Carnaval nas comemorações da copa.

Acho melhor as pessoas que adoram copa de futebol passarem a gostar de Carnaval, seguindo o primeiro bloco que sair diante delas. Com bola ou sem bola, o clima é o mesmo: cores, gritaria, agitação e uma vitoria inócua que nunca ajudou a desenvolver o país e trazer dignidade aos brasileiros, servindo de mera diversão e nada mais. Mesmo que todos a tratem como prioridade.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ditadura do Golpe de 2016 usará futebol para compensar maldades

Brasileiros ainda são um povo ainda imaturo. Como crianças, priorizam brincadeiras em detrimento de assuntos sérios. A seriedade ainda é confundida com "mau humor". Esta priorização da brincadeira é que faz com que o futebol seja transformado em dever cívico. 

Se não somos o único povo a ser fanático por futebol, pelo menos somos o único que confunde futebol com patriotismo. Os coxinhas com a camiseta da CBF não me deixam mentir. E o desejo quase paranoico das esquerdas pela vitória da "seleção" na copa, somado ao cacoete de usar o futebol para explicar tudo completam a comprovação da infantil confusão entre futebol e pátria.

Ingenuamente todos preferem ignorar que o fanatismo pelo futebol é uma hipnose midiática. O futebol em si não possui atrativos capazes de o transformar em uma histérica unanimidade. A popularidade do futebol é garantida pelos enxertos que lhe são embutidos, pelas próteses que dão magia a algo que nasceu para ser uma mera brincadeira de final de semana.

Mas o estrago foi feito e o senso comum elegeu o futebol a única - pasme, a ÚNICA - forma de patriotismo entendida por grande parte da população. Para muitos, a vitória do futebol brasileiro em copas é muito mais importante que a melhoria de qualidade de vida. Mesmo para quem quer qualidade de vida, como os esquerdistas, a vitória do futebol não é considerada supérflua. Não é coincidência o aumento de suicídios de brasileiros quando a "seleção canarinho" perde em copas.

A alegria de um povo triste

Este apego doentio ao futebol será bem útil para os golpistas. Instituições apoiadas por aqueles que, cientes do mito da 'pátria de chuteiras", usaram a camiseta da CBF nos protestos contra a democracia, te uma verdadeira carta na manga para compensar as maldades que mataram os direitos da população e arrasaram com a soberania nacional: o fanatismo pelo futebol.

Como aconteceu em 1970, o futebol será um excelente instrumento anestésico contra  imensa dor que se instalou no Brasil desde 2016. E bem provável que comprem adversários para perder, favorecendo a vitória da "seleção" na copa da Rússia. Se compraram em 2002 - mito nada comentado sequer pelos esquerdistas brasileiros, ainda grudados no falso mito do "melhor futebol do mundo" - porque não comprar agora?

O futebol será um bom instrumento de consolo para os brasileiros que perderam direitos porque a população brasileira foi "educada" (leia-se manipulada, programada) a desejar que a vitória do futebol traz dignidade ao povo. Ser o melhor no futebol passou a ser meta de quase todo, inclusive para as esquerdas, que frequentemente ignoram  fato do futebol não passar de mera forma de lazer.

Imagine só: somos piores em tudo, mas tem uma coisa que "sabemos fazer melhor que os outros" que é correr atras de uma bola. Que lindo! Enquanto outras nações são melhores em resolver problemas e desenvolver sociedades inteiras, somos os melhores em correr atrás de uma bola. É preciso ser ingênuo como uma criança de 3 anos de idade para aceitar isso como vantagem dos brasileiros diante dos outros povos. É baixar drasticamente a autoestima.

O futebol será a grande compensação para os brasileiros descontentes com os rumos da economia brasileira, hoje funcionando exclusivamente para preservar a vida nababesca de magnatas estrangeiros que pagaram o golpe para impedir que o Brasil se desenvolva e ameace as poderosas corporações estrangeiras que ditam os rumos da política em todo o mundo.

Mas a população não se importa. O que importa mesmo é ser o melhor no futebol. Mesmo que seja de mentirinha. Enquanto a sociedade brasileira, um bebê de pouco mais de 500 anos, não amadurecer, uma mera brincadeira de criança será seu maior orgulho e prioridade máxima. O Brasil pode até explodir, mas se trouxer mais um "caneco" para casa, tudo estará na santa paz. Comemoremos alegremente o título nem que tenha que ser sobre escombros.

E para quem pensa que é coincidência copas ocorrerem em anos de eleição presidencial alerto que o resultado do desempenho da "seleção" em copas influencia o modo como os brasileiros escolhem quem governará o país. Daqui a pouco a confusão vai às últimas consequências e estaremos elegendo Neymar para presidente da república. E não pense que não existe quem goste dessa ideia...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Ano de copa e ainda não se falou de futebol?

Todo ano de copa geralmente começa a mesma coisa. Desde o primeiro dia, a mídia corporativa solta uma enxurrada de propagandas indutoras do patriotismo de copa, obrigando os telespectadores a largarem tudo em prol de uma brincadeira praticada por 11 moleques analfabetos. brincadeira travestida de dever cívico irrecusável e inadiável.

Este ano está sendo diferentes. Talvez porque a internet tem tirado o glamour do fanatismo futebolístico ou porque a torcida pela política tenha substituído a do futebol, a hipnose futebolística ainda não começou, salvo poucas e ignoradas exceções (como a campanha da telefônica Vivo). E graças ao evento da farsa jurídica contra Lula, as atenções da população se voltaram a ela, ignorando o tradicional ópio pseudo-patriótico que sempre representou o futebol.

Mas os brasileiros não ficarão muito tempo sem falar sobre futebol. Brasileiros nunca largam as suas zonas de conforto. Parece que o futebol será usado como reação ao que acontecer hoje. Caso seja absolvido.o que é menos provável, visto o comprometimento classista dos juízes do TRF4, o futebol será usado como forma de comemoração. Caso Lula seja condenado, o futebol será usado como compensação. 

O que se sabe que, para quem não curte futebol, ano de copa é ano sem sossego, com muita gritaria, barulhos e conversas monotemáticas com amigos e colegas de trabalho. E em 2018 isso não vai mudar. Durma-se com um barulho desses. Até porque seria bom demais ver os brasileiros se amadurecendo e deixando de priorizar uma reles brincadeira de correr atrás de uma bola.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Porque Bruna Marquezine e não outra mulher?

Ano de copa e Neymar, o "herói" não pode estar solteiro. A sociedade não gosta de heróis solitários e garantir que o "guerreiro benfeitor da pátria brasileira" tenha a sua donzela apaixonada completa o conto de fadas do futebol brasileiro, aumentando a já excessiva popularidade que transforma a modalidade esportiva numa obrigação cívico-social e maior fonte de renda da plutocracia brasileira.

Mas porque impor a Neymar uma atriz como Bruna Marquezine se o jogador atrai um monte de mulheres - pelo dinheiro e fama obviamente, pois ele é burro, feio e cafona - podendo escolher quem ele quiser levar para a cama. Como eu disse, Neymar é o herói do pseudo-civismo brasileiro e a imagem de gladiador da nação deve agradar a todos os brasileiros, independente de que ideologia for.

É mais do que óbvio que o casal "Brumar" é uma bem sucedida peça publicitária. É infantil acreditar que Bruna e Neymar estão juntos por amor e cumplicidade. Já foi comprovado que cada um, em sua carreira, lucra muito mais se o nome estiver vinculado ao outro. E Bruna Marquezine sonha com a carreira internacional facilitada pela associação de seu nome ao jogador do Paris Saint German.

Mas porque justamente Bruna Marquezine? Porque não a apresentadora Nicole Bahls, que já se declarou apaixonada pelo jogador? Acontece que Bruna Marquezine possui as características perfeitas desejadas pelos publicitários que controlam a carreira do jogador.

EQUILÍBRIO ENTRE SENSUALIDADE E MEIGUICE

Para ser a "mulher de Neymar" deve ser uma garota de família, mas não tão carola. Deve ter um pouco de sensualidade controlada e um corpão que possa causar cobiça dos fãs masculinos do jogador. Neymar deve ser invejado pelos torcedores. Mas não pode se unir a uma musa vulgar pois pode espantar torcedores mais recatados, sobretudo os seguidores de religiões evangélicas, que podem se horrorizar a ver o nome do jogador associado a uma musa "pornô".

Bruna Marquezine representa com perfeição o equilíbrio entre  carolice e a sensualidade. É ao mesmo tempo uma garota-família e uma musa fatal. Tem corpo de mulherão que agrada aos mais afoitos, mas mantem o jeito meigo de menina que agrada aos mais reservados. 

Enfim, Bruna é uma musa que agrada gregos e troianos, perfeita para um ídolo que pretende ser jogado como uma unanimidade para os brasileiros dos mais diversos perfis. Um esporte que pretende ser unânime em uma sociedade diversificada deve fazer de tudo para agradar a mentes díspares.

O equilíbrio é uma boa forma de tentar agradar a todos, fazer com que a cada quatro anos, durante um único mês, inimigos se deem as mãos em prol da única afinidade que possuem: a de torcer por um esporte imposto pelas regras sociais e que quase toda a população foi programada para aceitar como nosso principal gerador de dignidade. Mesmo que um ultra-cobiçado troféu seja incapaz de melhorar as condições de vida em nosso país.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O direitismo do futebol e a ingenuidade dos esquerdistas


Recentemente, o excelente programa Expresso da Manhã, apresentado pelo jornalista Wellington Callazans e pelo advogado Romulus Maya, fez uma longa defesa do futebol como "patrimônio cultural". O líder do PCO, Rui Costa Pimenta, havia feito a mesma coisa em várias de suas palestras.

Nos dois casos, curiosamente são esquerdistas defendendo o mais capitalista dos esportes e que depende não somente de muito dinheiro como também da difusão da grande mídia, esta grande responsável pela construção do mito do futebol-civismo e da colocação das próteses que transformaram um esporte sem graça em algo extremamente magico e sedutor.

Vários fatores comprovam a estranheza do apego quase doentio dos esquerdistas com o futebol, como uma criança que insiste em se agarrar a um urso de pelúcia encardido. Tudo no futebol tem a ver com a direita:

- Instrumento mais bem sucedido de manipulação das massas;
- Dependência da grande mídia para se tornar hegemônico e popular;
- Envolve muito dinheiro de patrocinadores capitalistas e de cartolas;
- A corrupção no futebol é maior que na política;
- Vários jogadores e ex-jogadores aderindo a ideais de direita;
- Usado frequentemente como "comprovação de validade" da Meritocracia.

A dependência narcótica das esquerdas com o futebol, o que tem muito a ver com o Espiral do Silêncio (se alguém não aderir ao futebol, supostamente curtido por ampla maioria dos brasileiros, se sentirá sozinho) entra em choque com muitas características do futebol, mostrando uma grave contradição que pode tirar a razão de esquerdistas em momentos de séria reivindicação.

Sabe-se que quando o assunto é lazer e cultura, os esquerdistas dão um show de ingenuidade. Fica a impressão de que os esquerdistas não querem um mundo melhor, mas uma inclusão no mesmo mundinho apodrecido pelo Capitalismo que insiste em se manter. 

Jogadores de futebol: Direita, Volver!

Para piorar ainda mais a ingenuidade de esquerdistas, que estranhamente escreveram livros denunciando a corrupção no futebol, revelando que as maiores vitórias do futebol brasileiro coincidiram com o êxito dos mesmo cartolas que as esquerdas costumam criticar, várias celebridades ligadas ao futebol resolveram assumir seu direitismo, para decepção dos esquerdistas que os admiram.

Veteranos, como Zico e Pelé, já declararam seu direitismo. Ronaldo Nazário virou garoto propaganda de Aécio Neves. Ronaldo gaúcho vai se lançar como político em partido fascista. Até Neymar, um dos homens mais ricos do mundo, já assumiu com muito orgulho seu direitismo. Então porque ficar neste cabo de guerra com esquerdistas tentando tomar para si o que é dos capitalistas?

Seria melhor que os esquerdistas escolhessem outro esporte. O apego ao futebol, justificado pelo ingênuo argumento de que é nosso maior símbolo de civismo (?!) é uma prova de que as nossas esquerdas são conservadoras e não estão muito interessadas em quebrar os paradigmas.

Ao se apegar ao futebol as esquerdas mandam um recado ao povo de que, pelo menos no futebol, estão do lado dos direitistas. A esquerda perde uma valiosa oportunidade de construir um Brasil totalmente diferente do construído pelos direitistas o que mostra que as esquerdas não se importam em viver num mundo com regras impostas pelo conservadorismo, desde que seus direitos sejam mantidos.

Sem mudar o sistema, mantendo importantes paradigmas, a esquerda se submete aos direitistas que transformarão as forças progressistas em seus lacaios, tendo que realizar golpes periódicos para limitar os interesses das esquerdas, que ingenuamente se recusam a peitar os donos do poder de forma decidia. E este ciclo se repetiu e repete pois a esquerda brasileira é formada por bundas moles mantedoras de velhos costumes e aprisionadas em zonas de conforto.

Ainda estamos esperando uma esquerda mais ousada, que ofereça mudanças reais ao sistema. Até isso acontecer, a esquerda continuará fazendo gols contra si mesma, com a ajuda do mais capitalista dos esportes.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tá, futebol simboliza a nossa cultura. Mas ninguém me obriga a gostar de samba!

Por Marcelo Pereira, publicado no Alto da Laranjeira

Muita gente diz que o futebol deve ser respeitado senão como símbolo cívico, pelo menos como símbolo da nossa cultura. Algo que nos faça ser conhecido no exterior como uma marca nossa.

Mas precisa obrigar todo mundo a gostar de futebol para que ele continue sendo uma marca dos brasileiros? Temos muitas outras coisas tipicamente brasileiras que não possuem a mesma - suposta - unanimidade. Conheço muita gente que detesta feijoada e sabe-se muito bem que é a comida que mais nos representa. Símbolo ou não, eu adoro feijoada, uma de minhas comidas favoritas.

Mais curioso ainda é saber que o tipo de música que mais nos caracteriza está mais do que longe de ser unânime. O samba, música que nos faz conhecidos lá fora, está cada vez mais impopular. De sucesso, somente aqueles Frankesteins sonoros que se apresentam como "pagode" (Alexandre Pires, Belo, Molejo, Tchan e os novatos Dilsinho e Ferrugem), mesmo assim sem estrondo.

Conheço um número ainda maior de pessoas que não se sentem obrigadas a gostar de samba para se considerarem brasileiras. Ninguém nunca me obrigou a gostar de samba. Quando eu digo que não curto a maior parte de sambas (há os que gosto, mas são poucos e bem antiquados), ninguém se chateia. Mas quando eu digo que passo longe do futebol, aí a polêmica se instala.

Porque sou obrigado a gostar de futebol se não sou obrigado a gostar de samba, de caipirinha, de papagaio? Adoro feijoada porque agrada a meu paladar e mesmo assim ninguém me obriga a gostar de feijoada. Se eu não gostasse, não haveria problema. Porque com futebol há este problema?

Futebol pode ter a importância cultural para o raio que te carregue! Eu não sou obrigado a gostar de futebol seja qual for a nação que ele representa! Se não sou obrigado a gostar de samba, feijoada e caipirinha, também não sou obrigado a gostar de futebol!

Para quem gosta de futebol, desejo que tenha um bom proveito. Mas não me venha com este papo de que tenho que gostar de futebol. As coisas lá nos gramados estão bem longe de dar algum tipo de alegria a minha vida.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Exclusivo: Medo da solidão faz brasileiros gostarem de futebol

Se você perguntar para um brasileiro porque ele gosta de futebol, certamente ele não vai saber responder. Ele dirá algumas suposições e argumentos vagos. Mas para quem é mais atento vai perceber que existe sim um motivo que faz com que uma imensa maioria de brasileiros resolva gostar de futebol: o medo da solidão.

Um traço, digamos cultural, do brasileiro é que o futebol não é visto como um esporte ou simples forma de diversão. Para os brasileiros, o futebol é um agregador social e única manifestação de civismo. Isso acaba por transformar o futebol em obrigação social. Alguém que assuma desprezo ou aversão ao futebol é deixado de lado e perde os benefícios que só podem ser conquistados com a sociabilização.

Desde crianças, as pessoas são "educadas" a gostar de futebol, pois sabem que é o principal agregador social do Brasil junto com a cerveja e a fé cristã. Sabe-se que o Brasil nunca foi de fato democrático, nem mesmo nos governos de esquerda pois a natureza do brasileiro sempre foi o de sempre seguir o que faz a "manada" ser conduzida.

Brasileiros são muito mais sociais que os outros povos. Isso já está sendo famoso lá fora. Aqui modismos pegam com facilidade e ideias defendidas por grandes grupos de pessoas caem no senso comum e são consagradas como "verdades inquestionáveis". 

Estranhamente brasileiros são individualistas em matéria de conquista de direitos, mas coletivistas quanto a maneira de pensar. Trocando em miúdos, para grande parte dos brasileiros, pessoas devem ter um mesmo pensamento e diferentes direitos, quando deveria ser o oposto, o que seria bem mais democrático.

Vocação à diversidade cancelada pelo falso consenso do gosto pelo futebol

O futebol surge como uma espécie de falso consenso onde pessoas de diferentes ideias em outros setores encontram um motivo para "chegar a um acordo". Mesmo que torçam para times diferentes, o fato de gostarem de algo considerado uma obrigação social força este consenso. Mesmo que no caso dos hooligans a diferença de times leve a atritos violentos, mas não na perda da vida social.

Seres humanos, por serem animais sociais como formigas e anchovas, tem muito medo da solidão. Vários dos benefícios que temos a nossa disposição exigem algum nível de sociabilização para serem conquistados. O emprego depende de quem pague e mesmo o autônomo tem que entrar em contato com outras pessoas para que a freguesia pague por produtos ou serviços oferecidos.

O gosto pelo futebol foi uma maneira de domar uma sociedade que tem natural vocação para a diversidade. O Brasil, por sua grandiosidade territorial e pela variedade étnica, tem tudo para ser uma espécie de Torre de Babel. Algo precisava ser feito para que o Brasil não se tornasse um monte de relacionamentos conflitantes. 

A mídia achou bom que um esporte caracterizado por profissionais que enriquecem facilmente, subindo da classe E para a A sem escalas, podendo circular tanto entre os mais sisudos magnatas como entre os menos escolarizados favelados, fosse um bom meio de consenso entre diferentes brasileiros. Nessa que o futebol foi estipulado, através de uma invisível lei social (que não está escrita na Constituição) como um agregador social oficial. 

Mas pode crer: se não fosse o medo da solidão, outros esportes seriam muito mais curtidos e gostos diferentes seriam respeitados, fazendo com que o gosto pelo esporte fosse mais espontâneo. Por causa da obrigação em gostar de futebol (sim, brasileiros são obrigados a gostar de futebol, mas ninguém quer posar de ditador e inventa que "ninguém é obrigado", obrigando), muitos fingem gostar de futebol e assistem o jogo sem prestar atenção, apenas gritando a cada vez que a bola entra na trave.

"Quem não gosta de futebol, bom sujeito não é, e os incomodados que se mudem!": poderia ser este o lema do Brasil, um país que teria a vocação para ser o mais democrático do mundo e que encontrou um modo de atra a população em prol de um falso interesse em comum que logo se dissipa após o apito do juiz no final de jogo. E após o futebol, voltamos a ser a Torre de Babel santa de todos os dias. Até que se inicie o próximo jogo de futebol, quando fingiremos que somos um só coração.