quinta-feira, 2 de março de 2017

Ex-primeiro ministro português mostra a verdadeira importância do futebol

Quando eu critico o futebol não é a modalidade em si que critico e sim a importância dada a modalidade esportiva, que no Brasil é mais do que frequentemente confundida com dever cívico e obrigação social. 

No Rio de Janeiro, a coisa é ainda mais radical, pois o gosto pelo futebol é tratado como uma etiqueta social, obrigando todo carioca a escolher um time para torcer (de preferência um dos quatro principais), sob pena de ser excluído do convivo social. Falam que o gosto pelo futebol não é obrigatório, mas assumir desprezo pelo futebol causa desconforto nos cariocas, que quase sempre reagem mal.

Tenho absoluta certeza do fato de que Charles Miller não estava com intenções de criar um símbolo cívico quando trouxe o futebol - sim, ele é esporte gringo: nosso "maior símbolo" é importado! - para o país. E pelo que se observa neste vídeo, o ex-primeiro ministro português, do contrário que imensas multidões no Brasil, também não enxerga no futebol um dever cívico.

Santana Lopes foi convidado por um telejornal português para dar uma entrevista importante sobre a crise mundial e os efeitos dela sobre a economia portuguesa. Durante a entrevista, ele é interrompido para uma espécie de "plantão" onde mostrava a chegada no aeroporto de um técnico de futebol, uma informação banal e que poderia ter sido facilmente ignorada ou no máximo, mostrada mais tarde, sem necessidade de plantão e de interromper uma entrevista.

Santana Lopes, sensatamente, se sentiu ofendido com a interrupção e reconheceu a futilidade do futebol, que na verdade nunca passou de mera forma de diversão, sendo totalmente supérfluo para a melhoria do bem estar da sociedade. Lopes se recusou a continuar a entrevista, falando de forma firme, mas gentil e agradeceu a participação. A jornalista insistiu com a continuação da entrevista e Lopes, alegando desrespeito, insistiu em encerrar a entrevista.

Concordo plenamente com Danta Lopes e aplaudo de pé. Eu mesmo já falei a amigos, que não gostaram muito do que eu disse: se uma namorada minha se recusar a sair comigo para um passeio romântico, por causa de um "importante" jogo de futebol, encerro o namoro na hora, pois mesmo que ela ame tanto o time quanto eu, não gosto de ser igualado a algo ao mesmo tempo abstrato e fútil e que nunca conseguiu melhorar a sociedade como um todo.

É como eu digo, o Brasil só vai se evoluir quando tratar o futebol como mero lazer. Enquanto ele for confundido com dever cívico, coxinhas vão continuar saindo para as ruas para combater a corrupção usando a camiseta da CBF e esquerdistas vão continuar insistindo na conversa fiada de que o futebol vai mudar o mundo e conscientizar as pessoas.

O povinho infantil este, o brasileiro, que coloca uma mera brincadeira acima de tudo. Estamos nessa desgraça de sub-desenvolvimento porque ainda continuamos muito imaturos. Cresçam, brasileiros, cresçam!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Atlético PR e Coritiba vão sim transmitir seu jogo pela internet

Não curto futebol mas respeito como forma de diversão (embora não respeite como dever cívico). Eu fiquei muito feliz com a decisão, ao mesmo tempo inédita e histórica de transmitir um jogo ao vivo pelas redes sociais usando o YouTube como plataforma. 

Será um ótimo meio de se assistir a um jogo e ao mesmo tempo dar um soco na gananciosa e manipuladora Globo, que a cada dia que passa, se mostra alinhada com as forças estranhas do poder. 

Para quem gosta de futebol, eu recomendo prestigiar, para que este tipo de transmissão se torne rotina, criando outra forma de curtir futebol sem a narração e comentários de pseudo-jornalistas parciais que parecem mais cheerleaders, contratados por uma rede acostumada a impor gostos, ideias e costumes para a população brasileira.

Será hoje, a partir das 20h, no YouTube, com transmissão ao vivo, no exato momento do jogo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Principais times curitibanos de futebol protestam contra a Globo

O assunto do dia foi o fato de dois times de futebol do Paraná (logo do Paraná, Sérgio Moro e Dallagnol!), O Atlético Paranaense e o Coritiba terem enfrentado a Globo, que ofereceu aos dirigentes uma quantia inferior a merecida na hora de negociar a transmissão pela televisão.

Numa atitude inédita, os times, que não conseguiram entrar em acordo com a Globo, acertaram com o YouTube a transmissão do jogo. A justiça, sempre do lado da Globo (não é, Sérgio Moro e Dallagnol!) decidiu proibir a transmissão da partida, que acabou não acontecendo por decisão dos próprios jogadores. Mais informações sobre o ocorrido, neste link.

Jogadores de ambos os times, que na ocasião ignoraram a rivalidade se unindo contra o abuso da Globo, junto com a torcida, se deram as mãos, torcida e jogadores se aplaudiram mutuamente uns aos outros e vaiaram juntos as Organizações Globo. Uma atitude inédita que já é considerado um marco.

Atitude louvável que pode tirar a "magia" do futebol

Apesar da atitude ser louvável, sabe se que a mitologia do futebol como dever cívico e social foi criado e consagrado pela mídia, com apoio das convenções sociais. O rompimento dos times de futebol com a mídia e a diminuição do poder de cartolas pode tornar o futebol um esporte apenas para torcedores.

Com isso, o futebol passaria a ser curtido apenas por quem realmente gosta e acompanha a trajetória dos times, fazendo desaparecer a sua condição de obrigação social, que tem feito muitos leigos a se unirem a multidões para berrar junto a cada entrada da bola na rede, só para se sentirem incluídos na sociedade e se beneficiar das prerrogativas oferecidas pelas regras de etiqueta social.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Esquerdas ignoram que gosto pelo futebol é manipulação da mídia

Os esquerdistas criticam, com sensatez e sabedoria, a capacidade da mídia de manipular mentes para que a sociedade passe a pensar e agir de acordo com as convicções e interesses dos empresários que mandam na política brasileira e mundial. Que a mídia oficial é manipuladora, sobretudo a televisão, isto é um fato.

Mas as esquerdas inocentemente ignoram que o fanatismo futebolístico, acreditado que a suposta unanimidade - esquerdistas passam longe do debate sobre o direito de gostar ou não de futebol - que caracteriza a "Pátria de Chuteiras" é natural, sendo programada no cérebro "sadio" de qualquer cidadão brasileiro. 

Mas como diz o mesmo criador do termo citado entre aspas, o dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues, toda a unanimidade e burra. Na verdade unanimidade não combina com um país diversificado como o Brasil. Alguém haveria de não gostar de futebol.

Estranho os intelectuais de esquerda ignorarem este fato. Quando falam em política, economia e Direito, os esquerdistas são bem sensatos, mas quando falam em cultura e esportes, costumam pisar em cocô. Ignoram que justamente na cultura e nos esportes que está o sucesso da manipulação ideológica que prepara as mentes humanas para serem hipnotizadas diante de outros assuntos. 

Através da novelização dos fatos e de metafóricas comparações futebolísticas, as pessoas passam a entender de firma errada como funciona a política, a economia e as forças que as controlam. Travar as mentes humanas através do lazer, que é o tempo que qualquer pessoa se encontra livre para decidir, já que no emprego, ela está submetida a vontade alheia, é o principal ponto de partida para a alienação mental que irá fazer com que as pessoas tenham dificuldade de entender a realidade.

Futebol como instrumento de manipulação mental

O futebol é um excelente meio de manipulação mental. Insosso por suas características próprias, sua magia que fascina a quase todos não está na modalidade em si, mas na mitologia que é construída ao redor. Uma prova disso pode ser adquirida se proibirmos os torcedores de berrar durante os gols. Rapidinho, o futebol passará a perder a graça, pois é a única situação onde a pessoa pode agir de forma histérica sem que isto possa ser considerado uma gafe.

A magia do futebol está na sua capacidade de sociabilização. Sua suposta (e mitológica) unanimidade dá a ilusão de que o futebol é um elemento que favorece a união entre as pessoas. Um falso consenso que consegue unir pessoas de pensamentos bem diferentes, muitas vezes opostos. Não por acaso, esquerdistas e direitistas tem opiniões muito parecidas sobre o fanatismo pelo futebol, apesar de tratarem a modalidade, sobretudo quanto a aspectos administrativos, de formas diferentes.

Como eu falei, o debate sobre o direito ou não de gostar de futebol é solenemente ignorado pelas esquerdas. A direita estranhamente já tocou no assunto, mas de uma forma elitista - futebol é esporte "de pobre" - o que além de preconceituoso, desvia o foco da verdadeira discussão que é o direito de não gostar de uma forma de lazer excessivamente popular. Para direitistas, fica a impressão de que o problema do futebol é ter jogadores e torcedores das classes pobres e não a sua capacidade de manipular mentes e de estimular a alienação.

Três coisas que as esquerdas creem sobre o futebol é que 1) é um dever cívico que deve ser tratado e preservado como tal; 2) de que não é instrumento de manipulação; 3) deve se separar o futebol em si da influência de cartolas corruptos, como se o futebol pudesse manter a sua magia sem a gestão econômica dos donos e patrocinadores dos times de futebol.

É preciso estar atento pois a influência do futebol na manipulação mental das pessoas é explícita e inegável. Ignorar isto é contribuir para que o futebol continue sendo um instrumento de manipulação ideológica, quando deveria nunca passar de mera forma supérflua de diversão para quem nada tem de importante para fazer.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sabrina Carpenter lamentou acidente com a equipe do Chapecoense

O fato de eu não curtir futebol não significa que eu odeie a modalidade ou o que for relacionado a ele. O futebol em si é válido, diverte e para quem gosta é bem movimentado. O que reprovo não é a modalidade em si, mas o fanatismo que superestima o futebol, transformando algo que deveria ser uma mera forma de diversão em obrigação cívico-social e prioridade máxima de um país, criando muitos incômodos e preconceitos nas relações sociais. 

Aliás, como um não-torcedor, sempre tive simpatia por times pequenos. Os grandes não me interessam, pois estão praticamente corrompidos. Times pequenos como a Chapecoense é que deveriam começar a se destacar e crescer em suas carreiras, tomando o lugar dos grandes, cujas vitórias acabam chatas de tão repetitivas.

O Chapecoense estava prestes a dar um grande salto em sua história participando de um campeonato internacional. E por causa da desobediência a uma não-recomendação de especialistas para um voo em um avião suspeito de más condições, houve um triste acidente com vítimas, que sensibilizou a opinião pública não somente do Brasil, mas também do mundo.

É claro que os hipócritas de plantão, daqueles que gostam de escrever mensagens pseudo-solidárias em tempos de comoções coletivas, entram em ação nestas horas para se promoverem como falsos benfeitores. Infelizmente há muitos assim, mas felizmente não são todos. Junto a eles, muita gente realmente boa, muitos com responsabilidade social, se manifesta de forma sincera, demonstrando real solidariedade. Sabrina Carpenter, atriz e cantora de quem sou fã, é uma delas.

Sabrina tem se envolvido em muitas atividades de cunho social e por isso tem-se a certeza que as manifestações de afeto e solidariedade por parte dela são verdadeiras. E ciente com o que acontece com o mundo, Sabrina se manifestou de forma surpreendente - por ser estrangeira e de um país que não cultua o futebol brasileiro, seria normal que ela ignorasse o fato - sobre o acidente, tratado como uma tragédia envolvendo seres humanos, sem enfatizar o futebol, como aconteceu nas mensagens brasileiras.

Muita tragédia #equipedefutebolbrasileira. Estou mandando todo o meu amor mais condolências a todos vocês e familiares.

Valeu, Sabrina, só aumentam os motivos para te amar. E fica aqui também nossa manifestação de pesar pelas mortes e pelos danos físicos, materiais e psicológicos de quem sobreviveu.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Para líder do PCO, quem torce contra a "seleção" é "fascista"

Eu sou esquerdista, mas tenho que reconhecer que a esquerda comete muitos erros. Um dos erros é tratar o entretenimento de forma capitalista. Para esquerdistas, se o Capitalismo é nocivo à política e a economia, ele é benéfico para o lazer e atividades mais supérfluas. Por isso que música comercial e esportes corrompidos como o futebol são tão valorizados pelos esquerdistas.

Rui Pimenta, principal liderança do Partido da Causa Operária PCO), tem feito excelentes análises sobre os bastidores da política. Fala coisas que outros esquerdistas não te a coragem de dizer. Há momentos que demonstra autocrítica. Mas num momento, deu uma pequena escorregada que soa como um preconceito contra quem não curte futebol.

Na hora de descrever os fascistas brasileiros, chegou a enfatizar que este torcem contra a "seleção" em épocas de copa, dando a entender que torcer contra o Brasil no futebol é coisa de fascista. Quanto a isso, é preciso esclarecer algumas coisas.

Primeiro, futebol é só lazer, embora tratado pela opinião pública como dever cívico (o comentário de Pimenta deixou isso subentendido). Eu sou anti-fascista e tenho o direito de torcer contra a "seleção" por que detesto essa mania de transformar o futebol em dever cívico. 

Não conheço lei oficial que me obrigue a gostar de futebol. Nem mesmo a transformação do gosto pelo futebol em regra de etiqueta social me faz sentir obrigado. Considerar fascismo não gostar de futebol foi uma declaração mais do que equivocada e até preconceituosa e autoritária. 

Segundo, Pimenta se esqueceu que os fascistas adoram futebol, torcem para a "seleção" e a confundem com o próprio país a ponto de usarem camisetas da CBF em seus protestos, várias com o nome de Neymar, direitista convicto e fã de Aécio Neves. Pimenta deveria saber que, pelo contrário, fascistas adoram futebol e torcem para que o Brasil seja o melhor na bola para que se ferre em outros setores.

Pimenta, você normalmente é sensato. mas por poucos segundos sua sensatez foi por água abaixo na tentativa de defender como "civismo" um mero hobby, uma brincadeira que você tem o direito de gostar, mas não tem o direito de impor aos outros. 

Isso lembra o que foi publicado meses atrás quando um esquerdista, que não me lembro qual é, acusou de fascistas quem exige a melhoria da qualidade cultural. Outra declaração insensata e preconceituosa que contribui para a mesmice no lazer do povo brasileiro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A mesma mídia que deu o golpe político exige que você curta futebol

Ou as esquerdas não sabem disso ou fingem não saber. Defensoras do fanatismo futebolístico e praticantes do proselitismo do futebol, esquerdistas tratam a modalidade como se nada tivesse a ver com Capitalismo e alienação, como se não fosse utilizada para manobrar as massas. Os esquerdistas são ingênuos, pois defendem o mais capitalista dos esportes: o futebol.

São muitas as oportunidades que tenho de ver esquerdistas fazendo proselitismo futebolístico. Nada contra o hobby, mas o problema e que para eles o futebol não é tratado como um hobby e sim como motivo de orgulho, como se fosse fonte de dignidade, algo muito acima de uma mera opção de lazer.

Há textos surreais em sites de esquerda tratando a corrupta politicagem que os cartolas fazem como se nada tivesse a ver com os clubes geridos. Fica aquela impressão alucinada de que os clubes pertencem ao povo (os torcedores) e que toda a magia do futebol aconteceria se os mesmos não fossem controlados pelos cartolas que lhes enchem de dinheiro.

Imagine se os clubes de futebol largassem mídia e cartolas e fossem controlados exclusivamente pelos torcedores. Obviamente a magia do futebol iria desaparecer. O chamado futebol profissional iria se reduzir a joguinhos de várzea, eliminando o glamour postiço que consegue convencer os brasileiros mais ricos a se interessarem pela modalidade esportiva mais popular do país.

Sem a cartolagem, o futebol voltaria a ser uma modalidade sem graça. Os jogadores de futebol, hoje altamente hiper-estimados como pseudo-heróis, muitos de origem humilde, voltariam a ser feios e desprezados - burros já são, mesmo com riqueza -  e aos poucos os brasileiros perderiam o interesse pela modalidade. Embora ninguém admita, a magia do futebol não está no esporte em si, mas no festival de enxertos que a mídia e o senso comum embutiu no mesmo.

A mídia é grande responsável pelo monopólio do futebol. Como ganha muito dinheiro com a modalidade (dizem que é a única forma garantida de lucrar grandes quantias de dinheiro para a mídia) os meios de comunicação fazem uma propaganda quase autoritária em prol do futebol, a ponto de forjar uma unanimidade que não existe, transformando os torcedores em cães de guarda para impor o gosto aos outros, dando origem a uma rede de preconceitos.

Os políticos, sobretudo os de direita, adoram o futebol. Não apenas como forma de diversão, mas como instrumento garantido de manipulação. Brasileiros costumam tratar futebol como prioridade, largando qualquer coisa em prol da modalidade. Tem o hábito de colocar futebol até em assuntos alheios, mesmo que seja como metáfora. Muitas das gírias (galera, show de bola, na trave, etc.) usadas em várias situações veem no futebol. 

Como vê, futebol imobiliza e não adianta inventar que futebol não aliena. Aliena sim, ao não ser que haja o limite que impeça que o futebol seja visto como algo além de uma reles forma de diversão. Para que não haja alienação futebolística é preciso que o futebol não seja levado a sério. O Brasil, vitorioso em muitos campeonatos de futebol, nunca se beneficiou com este fato, que serve mais para nos isolar da realidade. 

A esquerda, que tem cometido muitos erros, que favoreceram este golpe sujo que vai eliminar direitos importantes da sociedade, comete mais este ao de tratar ingenuamente o futebol como parte de seu ativismo social. Os cartolas corruptos, que também são direitistas, agradecem a este grande favor prestado pelos esquerdistas. Resultado no Brasil: Futebol 10 x Humanidade 0.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A demissão de José Trajano e o que isso significa

Eu não sou muito ligado em ver esporte (praticar é sempre muito melhor do que ver). Gosto apenas de ver alguns, mas sem fanatismo. Não interrompo atividades importantes para assistir a partidas esportivas. 

Não colocar esporte acima de outras coisas é uma heresia em uma sociedade como a brasileira que diviniza o esporte e não consegue enxergar o lado ruim por trás dela (que infelizmente é real). Mas como entretenimento, o esporte consegue cumprir a sua função e para quem curte é um ótimo meio de passar as horas que não se tem algo importante a fazer.

Às vezes assistia ao ESPN mais pela qualidade de seus programas do que pelo esporte em si. Boa parte da qualidade do canal é de responsabilidade de José Trajano, um dos melhores jornalistas esportivos que existiram no país (esqueçam o Galvão: ele não é jornalista, é um torcedor fantasiado; um cheerleader! Só a Globo gosta dele). 

Trajano foi fundador da filial brasileira do ESPN e executivo do canal. O ESPN era, pelo menos na era Trajano, o único canal esportivo brasileiro que não era ligado a cartolagem ("cartola" é gíria para empresário esportivo no Brasil) e também o único a não tratar o futebol como "dever cívico".

O futebol como "dever cívico" é um estereótipo ainda bastante arraigado em nosso país e que transforma o futebol em uma obrigação social, marginalizando as pessoas que como eu , não curtem a modalidade esportiva mais popular do país. Ah, até o respeito ao não-torcedores o ESPN tinha, por reconhecer a diversidade esportiva e reconhecer também que o futebol não passa de uma mera forma de diversão, sadia, válida, mas não obrigatória.

A demissão de José Trajano

Mas de qualquer modo sempre admirei a figura de Trajano, com seus comentários sensatos e seu talento de apresentador de programas. Mas com o tempo pude admirá-lo ainda mais por causa de seu humanismo e de sua responsabilidade social de se assumir ideologicamente progressista, algo que em dias temerosos não é algo muito bem visto.

Pois infelizmente, José Trajano foi demitido do canal que ajudou a fundar. Mal comparando, seria como se o anfitrião fosse expulso da própria festa e ela continuasse depois. o canal perde não somente um dos melhores jornalistas esportivos do país como também o grande responsável pela qualidade do ESPN, que poderá cair sem a influência do jornalista recém demitido.

Mas porque estou falando disso em um blog sobre Administração? É porque a demissão foi justificada de duas formas: uma publicamente, outra nos bastidores.

- A  justificativa pública: "contensão de despesas". Visando a crise e a redução de funções por causa da evolução tecnológica, acharam melhor cortar profissionais do quadro. Curioso que empresários só sabem resolver crises com demissões - ao meu ver, uma atitude típica de administrador incompetente e/ou ganancioso. Mais curioso ainda é ver Trajano, experiente e talentoso sendo colocado na lista de demissões.

- A justificativa dada nos bastidores: "Trajano não deveria assumir sua postura política pois ele estaria representando a ESPN diante do público". A empresa, ao dizer isso, demonstra incapacidade de separar o profissional Jose Trajano do cidadão José Trajano. 

O profissional José Trajano fala de esporte e sobre coisas relacionadas sobre esporte. Quando falava sobre política, já não era mais o jornalista e sim o cidadão, pagador de impostos e ser humanista, preocupado com as causas sociais, que tinha o direito de assumir sua postura e utilizar a sua fama para estimular o surgimento de um mundo mais justo. 

Responsabilidade Social

A empresa ESPN não deveria ficar se preocupando com a postura política de Trajano, pois ela nunca prejudicou o canal. Pelo contrário, atraia a audiência de torcedores de posição política esquerdista, já que os outros canais esportivos assumem uma postura bem conservadora, de orientação política direitista. 

A ESPN poderia se beneficiar com isso e oferecer um diferencial para um público que é carente de uma mídia esportiva mais objetiva e menos sectária. Assumindo uma liberdade ideológica ao permitir esquerdistas em seu quadro de jornalistas, transmite simpatia e humanidade, além de aumentar a credibilidade, pois sabemos que faz parte da mentalidade direitista querer trapacear. O golpe instaurado no Brasil não me deixa mentir sobre isso.

Mas Trajano foi demitido, e agora é olhar para a frente. Não considero isso como uma derrota. pelo contrário. Trajano é um profissional consagrado, de qualidade comprovada e com grande número de admiradores. Seu senso de humanismo só aumentou ainda mais a quantidade de admiradores (eu sou um).  

Com a mais absoluta certeza, não faltarão instituições jornalisticas dispostas a contratar Trajano para seus quadros. Afinal é de um jornalista como Trajano que o esporte precisa e a sua responsabilidade social é um exemplo para todos nós. 

Afinal responsabilidade social não é dar uma bolinha para um pobre jogar. É criar meios para que a pobreza nunca exista, para que a renda seja melhor distribuída e que todos os seres humanos possam caminhar dignamente com os próprios pés. Trajano sabe disso, mas pelo jeito os empresários da ESPN não sabem. Se sabem, gostariam de não saber.

(A ser publicado amanhã no meu site Reflexões Administrativas)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A flexibilização da Educação Física e a divinização do esporte

O governo Temer anunciou mudanças drásticas no ensino médio, com o objetivo de dificultar o desenvolvimento do senso crítico, favorecendo a transformação de jovens em adultos obedientes e alienados em relação a realidade em que vivem. Dentre as medidas foi a transformação das disciplinas Artes e Educação Física em facultativas.

Obviamente que setores especializados em Educação rejeitaram a medida, por entender que as disciplinas são essenciais para o desenvolvimento pessoal dos alunos. Mas a preocupação maior foi com a Educação Física. Como é assunto temático deste blogue, vamos nos concentrar na Educação Física.

É meio controverso falar da importância da Educação Física. Primeiro, que ela raramente é lecionada, se limitando a uma chamada seguida de uma divisão dos alunos em equipe, que são dispensados para jogar (futebol para homens e vôlei/handebol para meninas), enquanto o professor ou vai embora ou fica assistindo sem avaliar. É na verdade uma recreação.

Outra coisa é que a Educação Física, na verdade nada educa. Esquerdistas de mente atrofiada costumam dizer que esporte é uma forma completa de educação, ignorando seus verdadeiros aspectos. 

Para começar, o esporte é uma atividade física que envolve competição. Basicamente é só isso. Os valores ligados a inteligência e altruísmo embutidos no esporte são postiços, não fazem parte da atividade esportiva. O esporte consegue cumprir a sua função sem a existência de inteligência e de senso de altruísmo. Uma grande prova disso é a grande quantidade de atletas alienados e egoístas existentes no Brasil.

Na verdade, há um dogma não-religioso que diviniza o esporte. Quase nunca se fala do lado negativo do esporte (autoritarismo de treinadores, estimulo ao egoísmo através da competitividade, imposição de padrões estéticos, a ocupação esportiva para desviar atletas da conscientização sócio-política, etc.), como se somente coisas boas existissem no esporte. 

A divinização do esporte é bem arraigada na sociedade brasileira a ponto dela enxergar na atividade esportiva algo que poderia ser utilizado como substituto da educação. É um perigo, pois mesmo na melhor das hipóteses, há muitos aspectos indispensáveis para a formação da personalidade humana que estão ausentes no esporte. Fora os problemas que eu citei, frequentemente ignorados em tese, mas muito observados na prática.

Por isso que a flexibilização (a desobrigação) da Educação Física incomodou muita gente. Para mim, isso não seria problema, pois a disciplina em sua prática já é uma enganação, salvo exceções. É onde a máxima "professores que fingem que ensinam e alunos que fingem que aprendem" é frequentemente mais praticada. 

Liberar alunos para ficarem competindo entre si por conta própria não me parece a melhor forma de educar mentes jovens, que entrarão no mercado de trabalho achando justo esticar a perna para outros caírem. Instintivamente, todos acham que concorrentes foram feitos para perder. Este pensamento precisava ser urgentemente contestado.

Se a Educação Física fosse encarada a sério, teríamos nela uma parte teórica com noções de biologia humana, saúde, prontos socorros e por incrível que pareça, noções de Física (que ajudariam a calcular as distâncias necessárias para arremessos bem sucedidos), coisas que fazem parte da atividade esportiva, mas frequentemente ignorados por quem endeusa a atividade esportiva. 

Se o esporte não desenvolve o intelecto,pelo menos deveria nos ensinar como funciona o corpo humano e como faríamos para obter o melhor desempenho nestas atividades. Perda de tempo querer usar o esporte para formar cidadãos. Isso é missão entregue a Filosofia, a Sociologia e a História, que tem mais condições de trabalhar a consciência humana de forma mais eficaz.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A partir de agora, somente postagens esporádicas

Estamos dando uma pausa por motivos pessoais. Dia 25, retornaremos apenas com postagens esporádicas, por tempo indeterminado.