quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sabrina Carpenter lamentou acidente com a equipe do Chapecoense

O fato de eu não curtir futebol não significa que eu odeie a modalidade ou o que for relacionado a ele. O futebol em si é válido, diverte e para quem gosta é bem movimentado. O que reprovo não é a modalidade em si, mas o fanatismo que superestima o futebol, transformando algo que deveria ser uma mera forma de diversão em obrigação cívico-social e prioridade máxima de um país, criando muitos incômodos e preconceitos nas relações sociais. 

Aliás, como um não-torcedor, sempre tive simpatia por times pequenos. Os grandes não me interessam, pois estão praticamente corrompidos. Times pequenos como a Chapecoense é que deveriam começar a se destacar e crescer em suas carreiras, tomando o lugar dos grandes, cujas vitórias acabam chatas de tão repetitivas.

O Chapecoense estava prestes a dar um grande salto em sua história participando de um campeonato internacional. E por causa da desobediência a uma não-recomendação de especialistas para um voo em um avião suspeito de más condições, houve um triste acidente com vítimas, que sensibilizou a opinião pública não somente do Brasil, mas também do mundo.

É claro que os hipócritas de plantão, daqueles que gostam de escrever mensagens pseudo-solidárias em tempos de comoções coletivas, entram em ação nestas horas para se promoverem como falsos benfeitores. Infelizmente há muitos assim, mas felizmente não são todos. Junto a eles, muita gente realmente boa, muitos com responsabilidade social, se manifesta de forma sincera, demonstrando real solidariedade. Sabrina Carpenter, atriz e cantora de quem sou fã, é uma delas.

Sabrina tem se envolvido em muitas atividades de cunho social e por isso tem-se a certeza que as manifestações de afeto e solidariedade por parte dela são verdadeiras. E ciente com o que acontece com o mundo, Sabrina se manifestou de forma surpreendente - por ser estrangeira e de um país que não cultua o futebol brasileiro, seria normal que ela ignorasse o fato - sobre o acidente, tratado como uma tragédia envolvendo seres humanos, sem enfatizar o futebol, como aconteceu nas mensagens brasileiras.

Muita tragédia #equipedefutebolbrasileira. Estou mandando todo o meu amor mais condolências a todos vocês e familiares.

Valeu, Sabrina, só aumentam os motivos para te amar. E fica aqui também nossa manifestação de pesar pelas mortes e pelos danos físicos, materiais e psicológicos de quem sobreviveu.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Para líder do PCO, quem torce contra a "seleção" é "fascista"

Eu sou esquerdista, mas tenho que reconhecer que a esquerda comete muitos erros. Um dos erros é tratar o entretenimento de forma capitalista. Para esquerdistas, se o Capitalismo é nocivo à política e a economia, ele é benéfico para o lazer e atividades mais supérfluas. Por isso que música comercial e esportes corrompidos como o futebol são tão valorizados pelos esquerdistas.

Rui Pimenta, principal liderança do Partido da Causa Operária PCO), tem feito excelentes análises sobre os bastidores da política. Fala coisas que outros esquerdistas não te a coragem de dizer. Há momentos que demonstra autocrítica. Mas num momento, deu uma pequena escorregada que soa como um preconceito contra quem não curte futebol.

Na hora de descrever os fascistas brasileiros, chegou a enfatizar que este torcem contra a "seleção" em épocas de copa, dando a entender que torcer contra o Brasil no futebol é coisa de fascista. Quanto a isso, é preciso esclarecer algumas coisas.

Primeiro, futebol é só lazer, embora tratado pela opinião pública como dever cívico (o comentário de Pimenta deixou isso subentendido). Eu sou anti-fascista e tenho o direito de torcer contra a "seleção" por que detesto essa mania de transformar o futebol em dever cívico. 

Não conheço lei oficial que me obrigue a gostar de futebol. Nem mesmo a transformação do gosto pelo futebol em regra de etiqueta social me faz sentir obrigado. Considerar fascismo não gostar de futebol foi uma declaração mais do que equivocada e até preconceituosa e autoritária. 

Segundo, Pimenta se esqueceu que os fascistas adoram futebol, torcem para a "seleção" e a confundem com o próprio país a ponto de usarem camisetas da CBF em seus protestos, várias com o nome de Neymar, direitista convicto e fã de Aécio Neves. Pimenta deveria saber que, pelo contrário, fascistas adoram futebol e torcem para que o Brasil seja o melhor na bola para que se ferre em outros setores.

Pimenta, você normalmente é sensato. mas por poucos segundos sua sensatez foi por água abaixo na tentativa de defender como "civismo" um mero hobby, uma brincadeira que você tem o direito de gostar, mas não tem o direito de impor aos outros. 

Isso lembra o que foi publicado meses atrás quando um esquerdista, que não me lembro qual é, acusou de fascistas quem exige a melhoria da qualidade cultural. Outra declaração insensata e preconceituosa que contribui para a mesmice no lazer do povo brasileiro.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A mesma mídia que deu o golpe político exige que você curta futebol

Ou as esquerdas não sabem disso ou fingem não saber. Defensoras do fanatismo futebolístico e praticantes do proselitismo do futebol, esquerdistas tratam a modalidade como se nada tivesse a ver com Capitalismo e alienação, como se não fosse utilizada para manobrar as massas. Os esquerdistas são ingênuos, pois defendem o mais capitalista dos esportes: o futebol.

São muitas as oportunidades que tenho de ver esquerdistas fazendo proselitismo futebolístico. Nada contra o hobby, mas o problema e que para eles o futebol não é tratado como um hobby e sim como motivo de orgulho, como se fosse fonte de dignidade, algo muito acima de uma mera opção de lazer.

Há textos surreais em sites de esquerda tratando a corrupta politicagem que os cartolas fazem como se nada tivesse a ver com os clubes geridos. Fica aquela impressão alucinada de que os clubes pertencem ao povo (os torcedores) e que toda a magia do futebol aconteceria se os mesmos não fossem controlados pelos cartolas que lhes enchem de dinheiro.

Imagine se os clubes de futebol largassem mídia e cartolas e fossem controlados exclusivamente pelos torcedores. Obviamente a magia do futebol iria desaparecer. O chamado futebol profissional iria se reduzir a joguinhos de várzea, eliminando o glamour postiço que consegue convencer os brasileiros mais ricos a se interessarem pela modalidade esportiva mais popular do país.

Sem a cartolagem, o futebol voltaria a ser uma modalidade sem graça. Os jogadores de futebol, hoje altamente hiper-estimados como pseudo-heróis, muitos de origem humilde, voltariam a ser feios e desprezados - burros já são, mesmo com riqueza -  e aos poucos os brasileiros perderiam o interesse pela modalidade. Embora ninguém admita, a magia do futebol não está no esporte em si, mas no festival de enxertos que a mídia e o senso comum embutiu no mesmo.

A mídia é grande responsável pelo monopólio do futebol. Como ganha muito dinheiro com a modalidade (dizem que é a única forma garantida de lucrar grandes quantias de dinheiro para a mídia) os meios de comunicação fazem uma propaganda quase autoritária em prol do futebol, a ponto de forjar uma unanimidade que não existe, transformando os torcedores em cães de guarda para impor o gosto aos outros, dando origem a uma rede de preconceitos.

Os políticos, sobretudo os de direita, adoram o futebol. Não apenas como forma de diversão, mas como instrumento garantido de manipulação. Brasileiros costumam tratar futebol como prioridade, largando qualquer coisa em prol da modalidade. Tem o hábito de colocar futebol até em assuntos alheios, mesmo que seja como metáfora. Muitas das gírias (galera, show de bola, na trave, etc.) usadas em várias situações veem no futebol. 

Como vê, futebol imobiliza e não adianta inventar que futebol não aliena. Aliena sim, ao não ser que haja o limite que impeça que o futebol seja visto como algo além de uma reles forma de diversão. Para que não haja alienação futebolística é preciso que o futebol não seja levado a sério. O Brasil, vitorioso em muitos campeonatos de futebol, nunca se beneficiou com este fato, que serve mais para nos isolar da realidade. 

A esquerda, que tem cometido muitos erros, que favoreceram este golpe sujo que vai eliminar direitos importantes da sociedade, comete mais este ao de tratar ingenuamente o futebol como parte de seu ativismo social. Os cartolas corruptos, que também são direitistas, agradecem a este grande favor prestado pelos esquerdistas. Resultado no Brasil: Futebol 10 x Humanidade 0.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A demissão de José Trajano e o que isso significa

Eu não sou muito ligado em ver esporte (praticar é sempre muito melhor do que ver). Gosto apenas de ver alguns, mas sem fanatismo. Não interrompo atividades importantes para assistir a partidas esportivas. 

Não colocar esporte acima de outras coisas é uma heresia em uma sociedade como a brasileira que diviniza o esporte e não consegue enxergar o lado ruim por trás dela (que infelizmente é real). Mas como entretenimento, o esporte consegue cumprir a sua função e para quem curte é um ótimo meio de passar as horas que não se tem algo importante a fazer.

Às vezes assistia ao ESPN mais pela qualidade de seus programas do que pelo esporte em si. Boa parte da qualidade do canal é de responsabilidade de José Trajano, um dos melhores jornalistas esportivos que existiram no país (esqueçam o Galvão: ele não é jornalista, é um torcedor fantasiado; um cheerleader! Só a Globo gosta dele). 

Trajano foi fundador da filial brasileira do ESPN e executivo do canal. O ESPN era, pelo menos na era Trajano, o único canal esportivo brasileiro que não era ligado a cartolagem ("cartola" é gíria para empresário esportivo no Brasil) e também o único a não tratar o futebol como "dever cívico".

O futebol como "dever cívico" é um estereótipo ainda bastante arraigado em nosso país e que transforma o futebol em uma obrigação social, marginalizando as pessoas que como eu , não curtem a modalidade esportiva mais popular do país. Ah, até o respeito ao não-torcedores o ESPN tinha, por reconhecer a diversidade esportiva e reconhecer também que o futebol não passa de uma mera forma de diversão, sadia, válida, mas não obrigatória.

A demissão de José Trajano

Mas de qualquer modo sempre admirei a figura de Trajano, com seus comentários sensatos e seu talento de apresentador de programas. Mas com o tempo pude admirá-lo ainda mais por causa de seu humanismo e de sua responsabilidade social de se assumir ideologicamente progressista, algo que em dias temerosos não é algo muito bem visto.

Pois infelizmente, José Trajano foi demitido do canal que ajudou a fundar. Mal comparando, seria como se o anfitrião fosse expulso da própria festa e ela continuasse depois. o canal perde não somente um dos melhores jornalistas esportivos do país como também o grande responsável pela qualidade do ESPN, que poderá cair sem a influência do jornalista recém demitido.

Mas porque estou falando disso em um blog sobre Administração? É porque a demissão foi justificada de duas formas: uma publicamente, outra nos bastidores.

- A  justificativa pública: "contensão de despesas". Visando a crise e a redução de funções por causa da evolução tecnológica, acharam melhor cortar profissionais do quadro. Curioso que empresários só sabem resolver crises com demissões - ao meu ver, uma atitude típica de administrador incompetente e/ou ganancioso. Mais curioso ainda é ver Trajano, experiente e talentoso sendo colocado na lista de demissões.

- A justificativa dada nos bastidores: "Trajano não deveria assumir sua postura política pois ele estaria representando a ESPN diante do público". A empresa, ao dizer isso, demonstra incapacidade de separar o profissional Jose Trajano do cidadão José Trajano. 

O profissional José Trajano fala de esporte e sobre coisas relacionadas sobre esporte. Quando falava sobre política, já não era mais o jornalista e sim o cidadão, pagador de impostos e ser humanista, preocupado com as causas sociais, que tinha o direito de assumir sua postura e utilizar a sua fama para estimular o surgimento de um mundo mais justo. 

Responsabilidade Social

A empresa ESPN não deveria ficar se preocupando com a postura política de Trajano, pois ela nunca prejudicou o canal. Pelo contrário, atraia a audiência de torcedores de posição política esquerdista, já que os outros canais esportivos assumem uma postura bem conservadora, de orientação política direitista. 

A ESPN poderia se beneficiar com isso e oferecer um diferencial para um público que é carente de uma mídia esportiva mais objetiva e menos sectária. Assumindo uma liberdade ideológica ao permitir esquerdistas em seu quadro de jornalistas, transmite simpatia e humanidade, além de aumentar a credibilidade, pois sabemos que faz parte da mentalidade direitista querer trapacear. O golpe instaurado no Brasil não me deixa mentir sobre isso.

Mas Trajano foi demitido, e agora é olhar para a frente. Não considero isso como uma derrota. pelo contrário. Trajano é um profissional consagrado, de qualidade comprovada e com grande número de admiradores. Seu senso de humanismo só aumentou ainda mais a quantidade de admiradores (eu sou um).  

Com a mais absoluta certeza, não faltarão instituições jornalisticas dispostas a contratar Trajano para seus quadros. Afinal é de um jornalista como Trajano que o esporte precisa e a sua responsabilidade social é um exemplo para todos nós. 

Afinal responsabilidade social não é dar uma bolinha para um pobre jogar. É criar meios para que a pobreza nunca exista, para que a renda seja melhor distribuída e que todos os seres humanos possam caminhar dignamente com os próprios pés. Trajano sabe disso, mas pelo jeito os empresários da ESPN não sabem. Se sabem, gostariam de não saber.

(A ser publicado amanhã no meu site Reflexões Administrativas)

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A flexibilização da Educação Física e a divinização do esporte

O governo Temer anunciou mudanças drásticas no ensino médio, com o objetivo de dificultar o desenvolvimento do senso crítico, favorecendo a transformação de jovens em adultos obedientes e alienados em relação a realidade em que vivem. Dentre as medidas foi a transformação das disciplinas Artes e Educação Física em facultativas.

Obviamente que setores especializados em Educação rejeitaram a medida, por entender que as disciplinas são essenciais para o desenvolvimento pessoal dos alunos. Mas a preocupação maior foi com a Educação Física. Como é assunto temático deste blogue, vamos nos concentrar na Educação Física.

É meio controverso falar da importância da Educação Física. Primeiro, que ela raramente é lecionada, se limitando a uma chamada seguida de uma divisão dos alunos em equipe, que são dispensados para jogar (futebol para homens e vôlei/handebol para meninas), enquanto o professor ou vai embora ou fica assistindo sem avaliar. É na verdade uma recreação.

Outra coisa é que a Educação Física, na verdade nada educa. Esquerdistas de mente atrofiada costumam dizer que esporte é uma forma completa de educação, ignorando seus verdadeiros aspectos. 

Para começar, o esporte é uma atividade física que envolve competição. Basicamente é só isso. Os valores ligados a inteligência e altruísmo embutidos no esporte são postiços, não fazem parte da atividade esportiva. O esporte consegue cumprir a sua função sem a existência de inteligência e de senso de altruísmo. Uma grande prova disso é a grande quantidade de atletas alienados e egoístas existentes no Brasil.

Na verdade, há um dogma não-religioso que diviniza o esporte. Quase nunca se fala do lado negativo do esporte (autoritarismo de treinadores, estimulo ao egoísmo através da competitividade, imposição de padrões estéticos, a ocupação esportiva para desviar atletas da conscientização sócio-política, etc.), como se somente coisas boas existissem no esporte. 

A divinização do esporte é bem arraigada na sociedade brasileira a ponto dela enxergar na atividade esportiva algo que poderia ser utilizado como substituto da educação. É um perigo, pois mesmo na melhor das hipóteses, há muitos aspectos indispensáveis para a formação da personalidade humana que estão ausentes no esporte. Fora os problemas que eu citei, frequentemente ignorados em tese, mas muito observados na prática.

Por isso que a flexibilização (a desobrigação) da Educação Física incomodou muita gente. Para mim, isso não seria problema, pois a disciplina em sua prática já é uma enganação, salvo exceções. É onde a máxima "professores que fingem que ensinam e alunos que fingem que aprendem" é frequentemente mais praticada. 

Liberar alunos para ficarem competindo entre si por conta própria não me parece a melhor forma de educar mentes jovens, que entrarão no mercado de trabalho achando justo esticar a perna para outros caírem. Instintivamente, todos acham que concorrentes foram feitos para perder. Este pensamento precisava ser urgentemente contestado.

Se a Educação Física fosse encarada a sério, teríamos nela uma parte teórica com noções de biologia humana, saúde, prontos socorros e por incrível que pareça, noções de Física (que ajudariam a calcular as distâncias necessárias para arremessos bem sucedidos), coisas que fazem parte da atividade esportiva, mas frequentemente ignorados por quem endeusa a atividade esportiva. 

Se o esporte não desenvolve o intelecto,pelo menos deveria nos ensinar como funciona o corpo humano e como faríamos para obter o melhor desempenho nestas atividades. Perda de tempo querer usar o esporte para formar cidadãos. Isso é missão entregue a Filosofia, a Sociologia e a História, que tem mais condições de trabalhar a consciência humana de forma mais eficaz.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A partir de agora, somente postagens esporádicas

Estamos dando uma pausa por motivos pessoais. Dia 25, retornaremos apenas com postagens esporádicas, por tempo indeterminado.



quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Juca Kfoury usa metáfora do futebol para explicar reforma trabalhista de Temer


Os coxinhas que usaram a camiseta da CBF que não são ricos não sabem o que lhes esperam. Com esta insanidade chamada "anti-comunismo", desejaram trocar uma gestão que governava para o povo por outro que só governa para empresários. É isso que o povo quer?

Como nos dois lados, muitos gostam de futebol, esquerdistas e direitistas, o locutor Juca Kfoury lançou mão da modalidade esportiva para explicar o que acontecerá com o trabalhador após as reformas trabalhistas feitas para favorecer a ganância capitalistas. Pelo menos através do futebol ficou fácil entender que quem não for rico, vai se dar muito mal.

Com Lula e Dilma, éramos felizes, e não sabiamos. Com o Temeroso e sua equipe de corruptos a serviço de capitalistas gananciosos, será empresariado 1000 X Trabalhador ZERO.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Brasil não é um país. É um estadio de futebol. Ame o futebol, ou deixe-o


Triste é o povo que confunde nação com uma brincadeira. Uma brincadeira tão útil para a dignidade humana quanto um reles jogo de Amarelinha. Mas para muitos o jogo da camisa amarela é superior à Amarelinha. Para uma grande fatia da população, futebol traz dignidade sim.

Não sei de onde tiraram essa ideia de que futebol traz dignidade. O futebol, além de ser mera forma de lazer, é das mais simplórias. É até sensato que algo tão simplório seja a diversão favorita de um povo tradicionalmente simplório. Não há nada de genial, brilhante e mágico no futebol em si. Boa parte da "magia" é prótese embutida pela mídia e consagrada pelo senso comum.

Vejam só: 11 caras vestidos com a mesma camisa correndo atrás de uma bola para chutá-la a uma rede. Ao chutá-la, uma multidão sentada em cardeiras começa a berrar histericamente. O que há de mágico nisso? Berrar traz dignidade? Se me dissessem que o futebol seria uma forma de desabafo, eu acreditaria.

Mas o futebol não somente é sinônimo de dignidade para muitos como é considerado símbolo pátrio, um dever cívico-social inadiável e irrefutável. Não raramente considerado como substituto da qualidade de vida. Falta comida, casa, dignidade, mas se "meu time" ou a "seleção" vencerem, eu sou feliz, eu vivo bem. É este o pensamento dos que confundem futebol com pátria.

É triste ver que uma nação quase inteira considera prioridade as conquistas em um campeonato muito menos importante que uma gincana. Pelo menos na gincana, há a oportunidade de integração social legítima entre os participantes e público, algo que e bastante hipócrita em copas do mundo de futebol.

Considerada prioridade número 1 dos brasileiros, tudo será feito de honesto e também de desonesto para que a "seleção" não deixe de ir a próxima copa. Por ser interesse maior, senão único do povo tupiniquim, é uma excelente fonte de renda para empresários e políticos e uma excelente alavanca de manobra do povo que costuma ficar mais alienado em épocas de copa.

E o povo, em épocas de copa, acaba priorizando um supérfluo, vivendo e pensando em torno dele. Torcedores ficam muito mais interessados na vitória de 11 analfabetos enriquecidos do que com a quantidade de nutrientes que consegue se alimentar diariamente em sua vida cotidiana. A morte é certa, mas uma morte feliz com a alegria supérflua de uma vitória no futebol.

Para muitos foi ótimo ver neste ano o Dia da Pátria ter caído em dia de futebol. Nosso país não passa de um estádio de futebol muito mal construído. O país vai mal, o povo vai mal, estamos numa ditadura, mas se o "deus" Neymar conseguir alimentar nossas tolas ilusões, estaremos felizes. nem que seja de mentirinha. A realidade que recusamos melhorar já não nos interessa mais.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O desprezo pelas Para-Olimpíadas

Uma coisa que pessoalmente me entristece é o tratamento sub-alterno dado aos jogos para-olímpicos, onde competem atletas com algum tipo de limitação física (me recuso a falar em deficiência: deficientes não ganham jogos). Na minha opinião, deveria até ser mais evocado que os jogos olímpicos propriamente ditos. Não tem muita graça ver gente "normal" ganhando competições.

Infelizmente o preconceito contra pessoas com necessidades especiais ainda é gigantesco. As pessoas estão se comportando como se não houvessem mais jogos. Isso faz com que as Para-olimpíadas sejam completamente desprezadas. 

O desinteresse midiático é escancarado. Os ingressos estão sendo vendidos a preços baratos ou doados na tentativa de lotar as arquibancadas. O evento já não causa expectativa, estando fora do assunto corriqueiro das pessoas no cotidiano. Enfim, temos a falsa impressão de que as Para Olimpíadas não irão ocorrer. Negativo.

Não só irão ocorrer como serão ainda mais legais. Criados para tentar elevar a auto-estima de pessoas com limitações físicas, os jogos para-olímpicos costumam dar mais medalhas a brasileiros. Muitos atletas para-olímpicos são grandes campeões em suas modalidades, talvez pela dedicação maior que tem na prática do esporte, algo que não acontece com os "normais", ocupados durante o ano em outras atividades, só se preparando nas proximidades de competições. Isso é uma hipótese.

É muito bom ver pessoas com limitações físicas se superando. Isso serve de estímulo a muitos não-atletas com limitações que ao ver o sucesso de pessoas nas mesmas condições no esporte, se sente valorizado e estimulado a lutar pela vitória na vida cotidiana;

O desprezo que é dado às Para-Olimpíadas é triste e um sinal claro de que ainda temos muito preconceito com as pessoas com necessidades especiais. Ainda precisamos aprender muito para entender que limitação não é defeito e que pessoas com limitações físicas tem condições absolutas de viver plenamente e satisfazer seus direitos. 

Mesmo para os portadores de necessidades especiais, limitação não é sinônimo de limites. A ausência das empolgadas palmas destinadas aos "normais" não os impede de vencer os seus obstáculos e de nos dar importantes lições de vida.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Futebol, Auto-estima e o Comportamento de Manada

Brasileiros nunca gostaram de fato de Olimpíadas. Até estavam tentando, mas as conquistas em outras modalidades não conseguiam os empolgar. Chegaram a alegrar, mas sem empolgação. Mas no sábado a coisa mudou.

Parecia que para a população brasileira, as Olimpíadas tivessem começado só no sábado, para ter terminado cerca de duas horas e meia depois. O futebol, que começou sofrível nas Olimpíadas e que nunca tinha ganho uma medalha de ouro no evento, fez a manada berrar feito doida, com uma alegria nunca demonstrada nas melhores vitórias em outras modalidades. Infelizmente brasileiros nasceram para o futebol e é pelo futebol que pretendem morrer.

Claro que a admiração do brasileiro pelo futebol é resultado de muita manipulação ideológica e lavagem cerebral. Brasileiros cresceram acreditando na falácia de que o futebol é o que nos traz dignidade. Uma ideia repetida ad nauseam e que acabou solidificada no subconsciente da maioria dos brasileiros. Tão solidificada que chega a ditar as regras em outros setores da vida.

Graças a isso, o futebol se tornou uma obrigação social. Quem não curte futebol e quer se manter longe de qualquer evento ligado a ele, é tratado pior do que bandido. Afirmar o desprezo ao futebol, mesmo sem críticas e de forma alegre e simpática, é o suficiente para gerar um clima desagradável que não raramente culmina em uma discussão amarga. Quem curte futebol geralmente sonha com a unanimidade (dá ilusão de "naturalidade") e saber que uma só pessoa não curte é um motivo suficiente para uma revoltada irritação.

Mas essa unanimidade, além de falsa, pode ser menor do que se pode imaginar. Muitas pessoas, que tem uma postura neutra em relação a modalidade esportiva, não curtem futebol de fato. Estas aderem ao gosto por imposição social ou pelo simples medo de ficarem sozinhas. Geralmente não conhecem uma pessoa que não curtam e para obter os benefícios de uma vida social, acabam tendo que fingir a adesão futebolística.

Brasileiros curtem futebol sem saber em quê ele é benéfico

É desagradável ver que a sociedade brasileira enxerga em uma reles forma de diversão o seu maior orgulho a ponto de obrigar todos os brasileiros a curti-lo. Lazer é fonte de prazer e se algo não lhe dá prazer não vale a pena aderir. Se todos são obrigados a gostar de futebol, é porque ele perdeu a sua condição de evento lúdico para ser um dever cívico-social cuja desobediência é passível de punição, no caso a exclusão social.

As pessoas agem como uma verdadeira manada, pois não sabem em quê o futebol será benéfico a elas. Todas as pessoas que são convidadas a justificar porque o futebol "é importante" para os brasileiros gaguejam ou dão justificativas irracionais. Uma prova de que a adesão maciça ao futebol é irracional, mais por uma questão de sobrevivência social do que pela busca da honra ou do prazer.

Também é evidente que a grande mídia colabora muito para que a chama do fanatismo futebolístico seja preservado. Sabe-se que quando a mídia deixa de mencionar algo, a população esquece. E a mídia sempre está ai para estimular a manada a se lembrar do futebol, pois as empresas de comunicação e suas patrocinadoras ganham muito dinheiro com o fanatismo futebolístico. O que significa que os torcedores não apenas agem como manada como também tem um peão a lhes guiar.

Esse fanatismo irracional pelo futebol é mais uma prova entre tantas (talvez a maior comprovação) de que o brasileiro é um povo infantilizado, que coloca uma brincadeira, uma ilusão, acima de interesses mais sérios e necessários. Ainda estamos bem longe da adolescência coletiva. Estamos presos nas ilusões pueris de uma simples entrada de uma bola em uma rede.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O homem que transformou o futebol em dever cívico

Na última terça feira, recebi a notícia da morte de João Havelange, famoso cartola brasileiro que foi presidente da CBF e da FIFA. Uma personalidade controversa que acima de tudo foi o grande responsável por criar o mito do "futebol brasileiro ser o melhor do mundo", o que acabou transformando o que seria uma forma de diversão em um dever cívico. O que justifica a tristeza de muitos com o fracasso de farsa Neymar & CIA, mesmo que o Brasil se saia bem em outras modalidades esportivas e setores fora do esporte.

Foi uma coincidência enorme o mito do "melhor futebol do mundo" ter nascido na gestão de Havelange. Não se sabe como, pois nos livros que li isso não foi detalhado, o futebol brasileiro começou a ser hegemônico graças a visão liberal de Havelange, ex-atleta de natação que se tornou um dos mais poderosos cartolas de futebol. Havelange também era empresário e chegou a ser acionista da Viação Cometa (hoje de propriedade da Auto Viação 1001), por alguns anos.

Havelange também é conhecido por se envolver em esquemas de corrupção (alô, coxinhas! Vamos bater panelas para Havelange?). O próprio mito de "melhor futebol do mundo" foi construído através de compras de resultados ou de subornos a adversários para "jogarem mal" e deixar os brasileiros vencerem.

O povo, ignorante, ficava maravilhado, pois os brasileiros, ruins de bola e bons de ginga só precisavam dançar para enganar a torcida e fingir genialidade e brilhantismo. Até porque o futebol, pelas suas características, não exige nenhuma genialidade. E pronto! O mito foi criado e vale até hoje, embora este ameaçado de acabar, para desespero dos brasileiros mais fanáticos.

Havelange estava com 100 anos, aposentado há um bom tempo de suas funções. Estava doente e faleceu na manhã de terça feira de pneumonia (ele era fumante). Certamente não deixa saudades para quem conhecia seus nojentos, mas eficientes episódios de corrupção, embora fosse graças a ele que os brasileiros preferem um país campeão em futebol do que em setores mais essenciais de nosso cotidiano.

Agradeçamos a Havelange pelo nosso péssimo hábito sermos o único povo a considerar o futebol como dever cívico, obrigação social e prioridade máxima, em detrimento a assuntos muito mais essenciais, onde somos eternos perdedores. Com o "time" político comandado por Michel Temer, tão "honesto" quanto qualquer cartola da CBF e da FIFA, continuaremos perdendo ainda mais.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A sociedade está feliz com Marta. Mas com o Neymar, a alegria seria maior

Os brasileiros são um povo doido. Futebol, uma reles forma de lazer, aqui é tratado como um dever cívico, fonte de dignidade e estímulo de luta. Quase um símbolo cívico postiço. E não é todo time ou seleção de futebol. São os times masculinos da principal categoria mais a "seleção" oficial de futebol. São estes que tem a obrigação de vencer, vencer e vencer!

A "seleção" masculina de futebol, que nunca foi muito forte nas Olimpíadas, pois o relativo desinteresse dos brasileiros pelos jogos olímpicos os desobriga a vencer de qualquer jeito (na copa , maracutaias são feitas para a "seleção" ganhar - e em copas ela praticamente só ganha, com a exceção da histórica derrota de 2014) ganhou este ano o reforço de Neymar, para tentar atrair a atenção de público e criar o clima pseudo-cívico frequente nas copas.

Mas esta Olimpíada mostrou que a seleção feminina é muito melhor que a masculina. Muita gente até ficou feliz com a atuação das meninas e sobretudo da artilheira Marta, que nunca para de surpreender. 

Videogame trocado por carrinho de madeira

Mas pelos comentários que leio na internet, a alegria dos brasileiros com Marta soa meio estranha. Não é uma alegria empolgada. É a alegria típica de uma criança, que esperando ganhar o videogame mais moderno e mais cobiçado, acaba ganhando um simples carrinho de madeira. Foi bom com Marta? "Foi. Mas seria muito melhor com o Neymar".

Os torcedores querem ver Neymar atuando bem. Ele é a meta, ele é o astro, ele é o "herói" da pátria. É ele que a mídia aposta como o popularizador do ultra-massificado futebol. Futebol, como todo esporte, é essencialmente masculino e ver mulheres atuando melhor na modalidade soa inconscientemente vergonhoso. Mesmo que ninguém assuma, Marta soa apenas como uma mera compensação. O público quer mesmo é ver Neymar jogar.

Estranho que mesmo as mulheres preferem Neymar. Mesmo para as mulheres, as jogadoras da seleção feminina soam como estranhas no ninho, mulheres que representariam "melhor" seu gênero em outras ocasiões. Mas não no esporte mais popular do país. Até porque a mídia enfiou no subconsciente brasileiro que a "missão cívica" do futebol é de responsabilidade de Neymar. Como se fosse dele a "missão de salvar o país". E de mais ninguém.

A sociedade machista tem que entender que estamos em uma época de mudança de valores. Não dá para os heróis continuarem sendo os mesmos. Está mais do que na hora de enterrarmos de vez o favoritismo do futebol masculino e valorizar as meninas, que já sofrem preconceito demais por "se meter" em um terreno que"não é o delas". 

Os tempos, e também seus heróis, têm a obrigação de mudar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Olimpíada e o remorso

Seria muito mais digno para as autoridades brasileiras terem recusado a iniciativa de fazer esta Olimpíada. Meio de desvio de verbas através do superfaturamento de obras, estas ainda sem previsão de conclusão total, o evento já começa a causar vergonha nas autoridades e poderá ser motivo de derrota nas urnas, graças a incapacidade de fazer com que o evento desenvolva o país.

O que está se fazendo na verdade é uma maquiagem. A capital fluminense está ficando linda, mas ainda cheia de problemas que não só permanecem, como não param de crescer. E esses problemas poderão ser agravados por decisões do governo federal, agora nas mãos de uma máfia de gananciosos que foi "educada" a beneficiar somente as elites.

Chega a ser patético ver pessoas sorrindo diante da chegada da tocha, como se a mesma representasse "a esperança". Como se uma diversão supérflua como as Olimpíadas pudessem nos preparar para sermos pessoas melhores. Competindo? Se esqueceram que competições estimulam o egoísmo e a ganância?

A maioria das pessoas já admite que a Olimpíada veio na hora errada. Muitos aproveitam a oportunidade para denunciar os erros cometidos pelo governo Temer e outros chegam a vaiar a passagem da tocha. Aliás, as autoridades já admitem a possibilidade de vaias e prometem ficar o menos tempo possível durante a cerimônia de abertura.

O que vai ficar de lição para o Brasil, após o fracasso da Copa e o possível fracasso da Olimpíada é que as autoridades não se envolverão na realização de um evento do porte tão cedo. E o povo aos poucos vão percebendo que pompa não traz qualidade de vida, muito menos a dignidade.

A tocha será muito bem apagada após o encerramento do evento. E não acenderá tão cedo por aqui.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Como a Copa, a Olimpíada será um fracasso

No próximo dia 05 de agosto, vai começar o evento conhecido como "Jogos Olímpicos". Um supérfluo tratado como prioridade máxima baseando no mito de que vai trazer mais dinheiro para circular no país. O que não é verdade, pois os patrocinadores, empresas com sede em outros países abocanharão os lucros que serão enviados às suas matrizes. E esqueçam: o governo receberá pouco dinheiro e o destinará para pagar dívidas.

Mas o povo brasileiro gosta de festa e todos estão animados com inúteis tochas sendo carregadas por incautos que enxergam importância séria num ato que de fato não passa de sua função lúdica. Uma reles brincadeira a entreter desocupados. Um cara tentou devolver a multidão à realidade apagando a tocha olímpica com extintor de incêndio e foi preso por "danos ao patrimônio público". Tocha Olímpica, "patrimônio público"? Ora, pensam que somos trouxas!

A Olimpíada sempre foi menos prestigiada pelos brasileiros que as copas de futebol - brasileiro só gosta de futebol, sua razão de ser, e de mais nada. O que leva a crer que, se a copa de 2014, prioridade máxima e uma monstruosidade quase "cívica", foi uma verdadeira merda, não há nada que faça essa Olimpíada ser melhor, a não ser uma zebra bem grande e gorda.

A desorganização da edução carioca do evento já começa a aparecer. A equipe australiana já reclamou da precariedade dos seus aposentos, que não diferem muito dos prédios abandonados de Chernobyl, na Ucrânia, cidade devastada pelo famoso acidente radioativo. O prefeito Eduardo Paes, especialista em dizer asneiras, falou que os aposentos são melhores que os de Sydney. Vai falar isso justamente para quem veio de lá e sabe como eram as condições na cidade australiana?

Para piorar, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que defendeu traficantes e gostava de mandar a polícia espancar estudantes, simulou uma captura de supostos terroristas (um deles um reles vendedor de galinhas) para criar medo coletivo e mostrar serviço. Isso é coisa que uma autoridade que deveria ser responsável seja capaz de fazer? Se bem que desse governinho temeroso se espera tudo, menos sensatez.

Quando esse carnaval da competitividade se encerrar após o última pessoa com necessidades especiais ir embora do país após as Para-olimpíadas (que considero muito mais interessantes que as Olimpíadas - ali se mostra a verdadeira superação humana), aí sim veremos se o Rio de Janeiro ganhou sua medalha de ouro na organização de um evento desse porte e na oferta de infra-estrutura de acomodação para atletas, turistas e moradores.

Acho pouco provável. Melhor o prefeito pendurar sua medalha de lata, ir embora desta cidade e torcer para o espancador de mulher ou os seus concorrentes mais bizarros não tomarem o seu lugar.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O lado cruel do esporte que todos querem ocultar

No Brasil, o esporte em si é considerado um valor positivo. Para a maioria das pessoas, não há erros, problemas e crueldade no esporte. E fácil tudo ser considerado bom e alegre quando visto de fora e à distância.

Mas tem que haver algo de ruim e danoso em algo que glorifica a competitividade, impõe padrões de beleza e obriga seus praticantes a superarem seus limites lançando mão de muita tortura psicológica e até física. Sobre este último vamos falar agora.

Quando um jovem atleta se propõe a uma carreira, ele deve ter o apoio e a coordenação de um tutor, geralmente um treinador, além de ter um patrocinador para financeira as atividades a serem feitas para preparar o jovem para competir no esporte.

Por haver investimento e interesse, há muita pressão sobre o jovem atleta que é obrigado de forma bastante cruel a apresentar resultados positivos de sua atuação: o famoso "vencer ou vencer". Como o esporte é algo considerado positivo do lado de fora das quadras, ninguém imagina que dentro ocorre manifestações de sadismo por parte de patrocinadores e treinadores que querem a todo o custo ver o seu atleta como um campeão.

Não sã raros os casos em que atletas, após derrotas, serem massacrados, no mínimo psicologicamente - embora agressões físicas não sejam raras - por não ter alcançado pelo menos o resultado esperado. Treinadores e patrocinadores são lideranças e em países cuja educação é falha, lideranças são "educadas" para serem autoritárias, sádicas e exploradoras.

A crueldade não raramente atinge níveis fascistas (há inclusive assédio moral e até mesmo abusos sexuais), transformando o jovem atleta em um ser sem opinião própria cuja razão de existir é a luta para conquistar medalhas e títulos. Conquistas que na verdade servem mais para justificar o investimento feito por empresas interessadas em criar uma imagem positiva da competitividade. Se é "bonito" fazer os outros se ferrarem nas quadras e pistas, deve ser "bonito" também ferrar com os outros na luta pela sobrevivência.

São muitos os casos de exploração de atletas por parte de treinadores e patrocinadores. Não temos nenhum caso confirmado para esta Olimpíada, mas sabe-se que isso é muito mais comum do que se pode imaginar. No passado aconteceram muitos casos, vários indo para o tribunal. Treinadores e empresas patrocinadores com a reputação arranhada por serem denunciados por exploração cruel de seus atletas tutelados.

Gostaria muito de poder dizer que isto não existe mais. Mas não posso. Em um mundo onde estamos desaprendendo a amar, em que somos mais consumistas e interesseiros e onde xingamos e violentamos quem discorda de uma única opinião nossa, é impossível imaginar que dentre quatro paredes de uma quadra as coisas aconteçam às mil maravilhas, nas mais santa harmonia.

Casos de exploração de jovens atletas ocorrem e vão continuar ocorrendo enquanto treinadores e patrocinadores não aprenderem que a humildade e a democracia são essenciais para que o jovem aprenda a ter auto-estima e lute por uma conquista com mais espontaneidade e vontade. Hoje, atletas são meros servos do interesse alheio e agem como verdadeiros escravos, não raramente chorando quando vencem ou perdem. 

O choro dos atletas tem um significado muito maior do que parece ser. E não tem nada a ver com amor a pátria, ao povo e ao esporte. É um choro por si mesmo, pela vontade de querer ser gente, com capacidade de decidir e vencer por si mesmo. E não para lideranças gananciosas e autoritárias.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

A direita, a esquerda e o futebol

Brasileiro é um povo meio esquisito. Para eles, o futebol não é uma simples forma de lazer. É um símbolo nacional, um dever cívico e social e sua negação pode isolar quem o despreza, perdendo inclusive direitos essenciais pela não-sociabilização. O futebol é tão importante que a vitória de um time ou da "seleção" em um campeonato importante é mais desejada que a melhoria da qualidade de vida da população.

Como o futebol é uma obrigação cívica e social, em todas as tribos, raças, credos, sexos e o que quer que seja, há sempre torcedores fanáticos dispostos a morrer pelo futebol. Na política também. A foto que ilustra esta postagem é bem representativa. Tanto o esquerdista Lula quanto o direitista Aécio são futebosteiros fanáticos assumidos.

Tanto os ideólogos de esquerda quanto os de direita brigam para que o futebol esteja do seu lado. Imagine um campo de futebol: 

- Do lado esquerdo do campo, vemos torcedores e intelectuais tentando transformar o sempre capitalista futebol em ativismo social; 

- Do lado direito, vemos pessoas vestidas com a camisa da corrupta CBF pedindo a saída do PT usando o "combate à corrupção" como desculpa. 

Em ambos os lados a incoerência de utilizar uma forma de lazer supérflua para tentar mexer com a política do país. A ânsia de superestimar o futebol faz com que os torcedores enfiem a modalidade esportiva em assuntos que não tem qualquer relação com ela.

É como se não fôssemos brasileiros e sim torcedores de futebol. É como se não vivêssemos em um país e sim em um estádio de futebol. Como se a vitória de um time ou da "seleção" pudesse resolver os problemas que tanto nos incomodam. Como se jogadores de futebol fosse soltados a lutar pela nossa dignidade. Tanto esquerdistas e direitistas estão erradíssimos. 

Façam uma coisa: esquerdistas, usem outros meios para seu ativismo social, até porque ele precisa ser levado a sério e associá-lo a uma mera forma de diversão não parece o melhor meio para isso.

Coxinhas: CBF não é país e rouba muito mais que supostamente qualquer petista. A cúpula que controla a "seleção" brasileira, sozinha, é muita mais corrupta que todos os políticos do Brasil. Há jogadores "admiráveis" envolvidos em corrupção e sonegação de impostos.

O dia que os brasileiros perceber que o futebol não passa de uma reles brincadeira infantil, o Brasil crescerá e a corrupção acabará. Enquanto isso não acontece...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Antes do esporte, ensine as crianças os danos da competitividade

A caridade praticada pelas instituições que se responsabilizam de cuidar de pessoas carentes se utiliza muito do esporte, sob a justificativa que facilita a sociabilização e ocupa o tempo dos jovens, supostamente desviando de más atitudes e maus pensamentos. 

É meio controverso falar sobre usar o esporte para desviar os jovens do erro pois há outros meios de ocupar o tempo das crianças com atividades intelectualmente mais úteis e menos competitivas. Mas é preciso "educar" as crianças para se submeterem as rígidas, exigentes e excludentes regras impostas pelas classes dominantes. Pobres inteligentes e autônomos incomodam as elites. Fazer o quê?

Seria ideal que apenas as atividades físicas fossem ensinadas. Exercícios são muito bons para a saúde. Mas as instituições não conseguem ensinar atividade física sem a prática de esportes. E esportes são competitivos. E através do esporte, aprendemos o falso lado positivo da competitividade, o que se mostra muito perigoso para mentes em desenvolvimento.

Ensinar que competir é bom significa a mesma coisa que ensinar que a felicidade só está reservada a própria pessoa e que não é errado deixar a outra se ferrar. Competir, bom observar com atenção, significa impedir o outro a atingir o bem estar e ensinar a competitividade como algo positivo tem feito muitos estragos por muitos anos em nossa sociedade.

Embora os esportes mais populares do Brasil e os mais ensinados em aulas nessas instituições sejam coletivos, o que dá a ilusão de união, não vamos esquecer que se trata de uma equipe que irá ferrar com a outra equipe. O que é até pior, pois ensina os jovens a criar grupos que destruirão o bem estar de outros grupos ou até de indivíduos.

O que me deixa perplexo é que ninguém - eu disse NINGUÉM - até agora demonstrou a preocupação na utilização do esporte como forma de legitimar a competitividade. Parece que virou natural ensinar jovens a arruinar com a vida alheia, como se isso fizesse parte das relações humanas consideradas saudáveis.

Não existe nenhuma campanha de conscientização sobre isso. Como se o esporte só tivesse seu lado bom. As pessoas jogam seus filhos lá e que se faça o resto. O esporte em si é arraigado como um dos valores que a sociedade considera positivos. Então suas características são também positivas, incluindo a competitividade. Por isso que muita gente está tranquila em viver em um mundo injusto, cujos problemas se perpetuam porque beneficiam os "predadores" que venceram a competição pela vida.

Se continuarmos desprezando o lado ruim do esporte, que é a competitividade, a injustiça será perene e muita gente vai continuar sofrendo só porque acharam linda a ideia de que o bem estar e direitos importantes devem estar não com todos, mas com um pequeno punhado de "vencedores" na cruel luta pela vida. Aquela que acha lindo arruinar com a vida alheia.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A esquerda não cansa de transformar futebol em ativismo social

Sou esquerdista, pois penso que a política e a economia devem sempre lutar pelo bem estar do maior número possível de pessoas. Mas não é porque sou esquerdista que vou aplaudir os erros que os esquerdistas cometem. Critico sim a esquerda quando vejo erros, mas sem a ignorância, histeria e parcialidade vistas nas xingações direitistas.

A esquerda se encasquetou de tentar transformar o futebol em ativismo social. A esquerda brasileira, que comete o grave erro de se prender a estereótipos da antiga União Soviética, ainda acredita na tolice de "Ditadura do Proletariado", chegando a ponto de legitimar os erros que os pobres cometem por causa de seu precário nível educacional. E um desses erros é superestimar o futebol, lhes atribuindo funções nobres que não são suas.

Não sou contra o hábito de gostar de futebol. O que sou contra é estimular o fanatismo que coloca o futebol em um contexto muito acima do que ele realmente faz parte. É tratar um lazer supérfluo como uma obrigação cívico-social capaz de trazer dignidade à população.

Certamente a tentativa da esquerda transformar o futebol em ativismo social faz parte das intenções de perpetuar o fanatismo futebolístico, tentando torná-lo unânime. E logo o futebol, um esporte que só cresceu graças a ganância de cartolas cooptados pela direita, de mentalidade claramente capitalista, num meio onde grande parte dos jogadores ou é alienada, ou pende para a direita, salvo raras exceções como Sócrates e mais recentemente o Cafú.

O futebol poderia continuar existindo muito bem sendo apenas uma mera diversão para mentes ociosas. Foi para essa finalidade que ele foi criado. O esporte, qualquer que seja, não tem a finalidade de melhorar sociedades, pois é competitivo (estimula o egoísmo), impõe padrões de beleza e é refém de cartolas e patrocinadores que exigem uma conduta politicamente passiva de seus atletas, durões quando estão competindo, mas molengas fora da prática esportiva.

Sinceramente não vejo com bons olhos a tentativa de transformar o futebol em ativismo social. Isso está mais com a intenção de salvar o fanatismo futebolístico do que tornar a sociedade mais justa.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

As derrotas da "seleção" e o vindouro desinteresse pelo futebol

Semana passada, a "seleção" sofreu mais uma derrota ao ser eliminado da Copa América. Apesar de não tão importante quanto a Copa do Mundo, serviu de vez para mostrar que o mito de "melhor futebol do mundo" está prestes a desmoronar, após ter sofrido ruínas com a derrota inacreditável na copa passada.

As sucessivas derrotas, somadas a atitude de menininho irresponsável de maior ídolo atual, Neymar, tem feito torcedores se desinteressarem pelo futebol dos amarelos, canalizando o prazer futebolístico para os times locais.

Especialistas já começam a admitir a possibilidade da próxima copa ser a primeira se a "seleção" doa amarelos, já que ela é a única a a estar - até agora - em todas as copas. Mas como o Brasil é o país do jeitinho e futebol atrai muito dinheiro e favorece a venda de muitos produtos, patrocinadores poderão subornar adversários para perderem e garantirem a vaga para os brasileiros. 

Foi assim em 2002, uma copa ganha com sujeira e desonestidade que começou com a estranha desistência do Chile nas eliminatórias e terminou no penta que favoreceu a ultra criticada copa brasileira que agravou a situação brasileira diante da crise mundial.

Ao menos que os patrocinadores entendam que o auge do futebol no Brasil caminha para um fim, fazendo despertar o interesse popular por outras modalidades esportivas e outras formas de lazer. 

Quem leu os livros que denunciam a corrupção no futebol sabe muito bem que a fama dos brasileiros serem "melhor futebol do mundo" coincide muito com a influência de cartolas brasileiros poderosos como João Havelange e Ricardo Teixeira, além da ótima relação entre a cupula da CBF com a cúpula da FIFA. Sem os cartolas, o futebol brasileiro não passa de uma brincadeira de várzea. 

É infantil ignorar que o glamour do futebol se deve a cartolas e patrocinadores. Essa campanha de "devolver o futebol ao povo" é mais do que ingênua. Sem esses cartolas e sem patrocínio das gananciosas empresas que controlam a economia e a política no Brasil, não dá para ter pompa e nem para atrair a atenção quase unânime de gente pouco afeita a futebol, mas que adere graças a necessidade de sociabilização. É triste ficar de fora de algo com adesão tão massiva. 

Os cartolas e patrocinadores sabem disso e se eles ignorarem a fora das redes sociais onde o intenso fanatismo pelo futebol, um lazer supérfluo, é solenemente criticado, arrumarão um jeito de fazer a "seleção" ir a próxima copa. Até que um outro vexame venha de vez matar o falso mito de brilhantismo no futebol, algo que só existiu e existe graças a ganância de cartolas corruptos e de patrocinadores intrometidos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Pausa para mudanças

Vamos fazer algumas mudanças nos blogues principais e por isso teremos que parar por um tempo. Mas em maio voltaremos com grandes novidades. Aguardem e desculpe a espera.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O racismo contra os jogadores e o preconceito contra quem não curte futebol

Não param de acontecer supostas demonstrações de racismo contra jogadores não-brancos. Isso é algo inaceitável, pois por mais defeitos que os jogadores tenham, nenhum deles está relacionado com a sua etnia. Mas as mesmas pessoas que condenam os preconceitos contra jogadores praticam outra forma de preconceito: a rejeição contra os que não curtem futebol.

É ainda uma forma de preconceito que embora muito praticada, é pouco difundida. Não é considerada uma forma de preconceito. O sistema acha que os não-torcedores poderiam negociar com os torcedores e ir assistir ao futebol pois "futebol não machuca, não morde e não mata". 

Mas ninguém gosta de fazer as coisas por obrigação sem nada em troca e o direito dos não-torcedores deve ser respeitado. Se os torcedores exigem mais do farto respeito que recebem pelo direito de gostarem de futebol, porque quem não gosta de futebol pode defender o seu direito de passar longe dessa modalidade esportiva?

Na verdade, o que incomoda os entusiastas do futebol é a ideia de que o seu gosto não é unânime como pensavam. A unanimidade era boa porque além de trazer a falsa ideia de união da humanidade, dava a ilusão de ser algo biológico, "que está no sangue", como se fizesse parte da natureza humana gostar de futebol. E não faz. E não fazer irrita os torcedores.

Por isso que é observado algo similar ao que acontece na guerra religiosos x ateus. Ateus são sempre humilhados de forma cruel pelos religiosos. Na "religião da bola", não gostar de futebol é algo bastante reprovável. Quem não gosta é obrigado a aturar um festival de humilhações.

Uma dessas humilhações é a acusação de que quem não curte futebol quer acabar com o hobby, destruir estádio, matar torcedores. Uma acusação grave e altamente caluniosa. Quem não curte futebol só quer mesmo passar bem longe dele e não ficaria perdendo tempo destruindo a distração alheia. Hooligans adoram futebol, mas manifestam seu prazer excessivo usando a violência, já que desejam defender seus times e ídolos de forma mais agressiva.

As pessoas deveriam parar de exigir que os outros goste de futebol. Infelizmente a ideia do gosto pelo futebol como obrigação cívico-social tem feito com que muitas pessoas fingissem ser torcedores, escolhendo times e ídolos quando na verdade demonstrar estar pouco interessados sobre o que acontece nos gramados. É a necessidade de sociabilização somada ao medo de ousar, de nadar contra a correnteza. Estima-se que o numero de pessoas que realmente gostam de futebol seja infinitamente inferior ao que se sabe.

A culpa disso é da mídia, a reguladora social, que sonha com a suposta unanimidade do prazer futebolístico. Os que gostam se iludem com o que veem na tela e se propõem, como pseudo-legisladores sociais, a cobrar essa unanimidade, fazendo com que os não-torcedores sejam obrigados a no minimo colocar um time na carteira de identidade.

Esperamos que este tipo de preconceito acabe. Não adianta condenar uma forma de preconceito praticando outra. Os que desprezam o futebol têm tanto direito à felicidade quanto os jogadores não-brancos que fazem a alegria das arquibancadas.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Eu tenho o direito de não gostar de futebol

Um aviso aos torcedores: não me imponham o gosto por algo que não me dá prazer. Nunca me obriguem a gostar de futebol. Não há lei que me obrigue a gostar de futebol.

Vivemos em uma democracia. E uma democracia em um país enorme e diversificado. Ninguém pode ser obrigado a agir feito zumbi e imitar a maioria só para se sentir socialmente incluído. 

O fato de eu não gostar de futebol não prejudica ninguém. Não vou acabar com o futebol, não quero explodir estádios e não vou cortar a energia elétrica em épocas de copa. Apenas quero distância do futebol. Quanto mais longe do futebol, mais gosto.

Ah, mas eu vou ficar sozinho? Solidão é a minha penalidade por recusar a seguir o gado futebolístico? Tudo bem. Fico sozinho. Melhor ser solitário do que acompanhado de pessoas chatas que vivem impondo o gosto da maioria aos outros!

Vivo bem sem o futebol. Existem zilhões de atividades e formas de lazer para colocar no lugar do futebol! Viver sem o futebol não mata ninguém, a não ser que cometam suicídio.

Aprendam a respeitar as diferenças. Aprendam a respeitar quem se recusa a seguir a manada. Não faço parte de gado verde-amarelo e ser ovelha negra me orgulha.

Pois o maior objetivo do lazer é extrair prazer. E se futebol não me dá prazer, sinto muito, estou fora!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Neymar, racismo e o poder de influência

Detestamos racismo. Uma pessoa não pode ser julgada por sua etnia, seja lá qual for. Mas o que acontece no futebol tem servido para que ídolos normalmente arrogantes se beneficiassem na posição de vítimas para obter ainda mais popularidade, poder de influência e dinheiro. 

Jogadores de futebol normalmente são muito arrogantes. Vencedores na vida praticamente sem esforço, fazendo o que seres normais fazem por mero lazer, os ídolos do futebol são um péssimo exemplo de como vencer na vida sem o esforço intelectual. 

Muitos, e este é o caso no superestimado Neymar, tem escolaridade baixíssima e um nível cultural dos piores. Isso não é nenhuma calúnia. Basta pesquisar o que Neymar faz fora dos gramados, seus amigos e seus gostos para ver o péssimo padrão intelectual ostentado pelo jogador mais influente do mundo, que infelizmente acabou conquistando o coração de uma famosa atriz (será que um dia vão virar um casal? Espero que não!).

Reprovamos o racismo contra os jogadores. Mas também reprovamos a utilização desses casos de racismo como promoção pessoal dos jogadores vítimas. Muitos jogadores têm se beneficiado desses casos de racismo, pois como vítimas atraem comoção alheia e por consequência, muitos benefícios e favores.

Neymar mesmo, por ser excessivamente rico, famoso, amado até por homens e altamente influente está totalmente blindado contra qualquer caso de racismo. Neymar (que é considerado negro, apesar de ter feições indígenas), o mito, é feito de chumbo. Nada o derruba. Nem mesmo as inúmeras gafes que comete fora do gramado. No caso dele, o racismo até que o beneficia, pois ele como vítima, atrai comoção, e por isso aumenta a popularidade e os lucros financeiros. Um Godzilla midiático indestrutível.

Homens riquíssimos e com poder de opinião, mesmo com intelecto baixíssimo (microcefalia?), os jogadores como Neymar não precisam de pena e muito menos de apoio extra, pois apoio é o que eles mais possuem. Sempre haverá alguém disposto a abrir os braços - e as pernas - para esses homens que unem os estereótipos de riqueza e força física, tudo que a sociedade espera dos machos.

E cá para nós, Neymar estava precisando de um pouco de humilhação. O cara está a cada dia mais arrogante. Ele é o lado prático do ditado "quem nunca comeu melado, quando come se lambuza". Virou magnata da noite para o dia. Feioso, virou o galã da moda e novo padrão de homem desejado. Mesmo ignorante, suas ideias e gostos viraram palavras de ordem. Seu poder de influência ajuda cantores medíocres a vender discos e a serem tão influentes quanto o jogador. 

Neymar, além de causar um imenso estrago na cultura brasileira (e quiçá, mundial), ainda perpetua o fanatismo futebolístico que transforma um supérfluo em artigo de primeiríssima necessidade e até dever cívico e social. Espelhadas no jogador, multidões abandonam seus esforços de intelectualização e descobrem que legal mesmo é ser burro, pois um burro acaba de vencer na vida e virar um "herói mundial".

Mas o estrago está feito. Culpa que não é exclusiva do próprio Neymar, que na verdade se aproveita das vantagens que recebe. Neymar tem todo o direito de ser o que é, desde que não seja levado a sério. Mas os principais culpados são os profissionais que deram oportunidades ao jogador, sem exigir ou estimular que ele se melhorasse como ser humano. Neymar não irá se intelectualizar (não tem vocação, requisitos e muito menos vontade para isso) e é inútil ele tentar pedir para os fãs não o levarem a sério. A raiz da erva daninha já foi plantada. 

O jeito é torcer (sim, torcer!) para que o futebol caia em popularidade (até cai, em ritmo bem lento, pois gradativamente aumente a quantidade de pessoas que assumem seu desprezo pelo futebol) para que Neymar e muitos outros como ele deixem de influenciar a sociedade com o sua deprimente mediocridade cultural. O futebol precisa retomar sua vocação de mero lazer supérfluo e deixar de ser um compromisso pseudo-cívico.

Antes que digam que esta postagem, se não é racista, é anti-analfabetos, esclareço que o objetivo não é fazer com que os jogadores se ferrem. Queremos apenas que eles deixem de ser influentes. Já vivemos num mundo cheio de lideranças burras (e não falo dos petistas, que podem não ter diploma, mas têm sabedoria, mesmo mal utilizada) a colaborar pela mediocrização de todas as coisas. 

Pois todos os setores da sociedade demonstram traços visíveis de mediocrização. E dar poder aos jogadores de influenciar as pessoas, mesmo posando de vítimas, só piora ainda mais as coisas, tornando a mediocrização intelectual um mal irreversível.