quarta-feira, 29 de junho de 2016

A esquerda não cansa de transformar futebol em ativismo social

Sou esquerdista, pois penso que a política e a economia devem sempre lutar pelo bem estar do maior número possível de pessoas. Mas não é porque sou esquerdista que vou aplaudir os erros que os esquerdistas cometem. Critico sim a esquerda quando vejo erros, mas sem a ignorância, histeria e parcialidade vistas nas xingações direitistas.

A esquerda se encasquetou de tentar transformar o futebol em ativismo social. A esquerda brasileira, que comete o grave erro de se prender a estereótipos da antiga União Soviética, ainda acredita na tolice de "Ditadura do Proletariado", chegando a ponto de legitimar os erros que os pobres cometem por causa de seu precário nível educacional. E um desses erros é superestimar o futebol, lhes atribuindo funções nobres que não são suas.

Não sou contra o hábito de gostar de futebol. O que sou contra é estimular o fanatismo que coloca o futebol em um contexto muito acima do que ele realmente faz parte. É tratar um lazer supérfluo como uma obrigação cívico-social capaz de trazer dignidade à população.

Certamente a tentativa da esquerda transformar o futebol em ativismo social faz parte das intenções de perpetuar o fanatismo futebolístico, tentando torná-lo unânime. E logo o futebol, um esporte que só cresceu graças a ganância de cartolas cooptados pela direita, de mentalidade claramente capitalista, num meio onde grande parte dos jogadores ou é alienada, ou pende para a direita, salvo raras exceções como Sócrates e mais recentemente o Cafú.

O futebol poderia continuar existindo muito bem sendo apenas uma mera diversão para mentes ociosas. Foi para essa finalidade que ele foi criado. O esporte, qualquer que seja, não tem a finalidade de melhorar sociedades, pois é competitivo (estimula o egoísmo), impõe padrões de beleza e é refém de cartolas e patrocinadores que exigem uma conduta politicamente passiva de seus atletas, durões quando estão competindo, mas molengas fora da prática esportiva.

Sinceramente não vejo com bons olhos a tentativa de transformar o futebol em ativismo social. Isso está mais com a intenção de salvar o fanatismo futebolístico do que tornar a sociedade mais justa.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

As derrotas da "seleção" e o vindouro desinteresse pelo futebol

Semana passada, a "seleção" sofreu mais uma derrota ao ser eliminado da Copa América. Apesar de não tão importante quanto a Copa do Mundo, serviu de vez para mostrar que o mito de "melhor futebol do mundo" está prestes a desmoronar, após ter sofrido ruínas com a derrota inacreditável na copa passada.

As sucessivas derrotas, somadas a atitude de menininho irresponsável de maior ídolo atual, Neymar, tem feito torcedores se desinteressarem pelo futebol dos amarelos, canalizando o prazer futebolístico para os times locais.

Especialistas já começam a admitir a possibilidade da próxima copa ser a primeira se a "seleção" doa amarelos, já que ela é a única a a estar - até agora - em todas as copas. Mas como o Brasil é o país do jeitinho e futebol atrai muito dinheiro e favorece a venda de muitos produtos, patrocinadores poderão subornar adversários para perderem e garantirem a vaga para os brasileiros. 

Foi assim em 2002, uma copa ganha com sujeira e desonestidade que começou com a estranha desistência do Chile nas eliminatórias e terminou no penta que favoreceu a ultra criticada copa brasileira que agravou a situação brasileira diante da crise mundial.

Ao menos que os patrocinadores entendam que o auge do futebol no Brasil caminha para um fim, fazendo despertar o interesse popular por outras modalidades esportivas e outras formas de lazer. 

Quem leu os livros que denunciam a corrupção no futebol sabe muito bem que a fama dos brasileiros serem "melhor futebol do mundo" coincide muito com a influência de cartolas brasileiros poderosos como João Havelange e Ricardo Teixeira, além da ótima relação entre a cupula da CBF com a cúpula da FIFA. Sem os cartolas, o futebol brasileiro não passa de uma brincadeira de várzea. 

É infantil ignorar que o glamour do futebol se deve a cartolas e patrocinadores. Essa campanha de "devolver o futebol ao povo" é mais do que ingênua. Sem esses cartolas e sem patrocínio das gananciosas empresas que controlam a economia e a política no Brasil, não dá para ter pompa e nem para atrair a atenção quase unânime de gente pouco afeita a futebol, mas que adere graças a necessidade de sociabilização. É triste ficar de fora de algo com adesão tão massiva. 

Os cartolas e patrocinadores sabem disso e se eles ignorarem a fora das redes sociais onde o intenso fanatismo pelo futebol, um lazer supérfluo, é solenemente criticado, arrumarão um jeito de fazer a "seleção" ir a próxima copa. Até que um outro vexame venha de vez matar o falso mito de brilhantismo no futebol, algo que só existiu e existe graças a ganância de cartolas corruptos e de patrocinadores intrometidos.