quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Aproveitem o sossego. É por pouco tempo!

Quem gosta de futebol não gosta de tranquilidade. Futebol é esporte de gritaria, de socos no ar de bufos, grunhidos e muitos berros. berros não de felicidade, mas de brutalidade mesmo. Como alces no cio. E coincidência ou não, quem gosta de futebol gosta de gandaia, de festas cada vez mais barulhentas, de muita farra e confusão. Campos vazios com sons de passarinhos não são a meta para quem curte futebol.

E chega dezembro e os principais campeonatos se encerram. Jogadores tiram férias e torcedores viajam, certamente para aprontar das suas bem longe de suas casas. É  momento perfeito para quem não curte futebol respirar um pouco e tirar umas boas sonecas. Até porque as noites de quarta desregularam todo o relógio biológico de quem gostaria de dormir mais cedo.

Aproveitem bem o sossego. Ele não passará de um mês. Depois os jogos voltam e os alces retomam o seu festival de grunhidos. Em tempos de burrice e desrespeito humano, para os torcedores não existe quem esteja torcendo pelo sossego. A tranquilidade faz parte de um jogo onde ela sempre perde. Os brutos sempre estão com a força e não cansam de nos mostrar isso. nem que seja através de grunhidos brutais de alces no cio.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O preconceito contra quem não curte futebol

Quando você digita as palavras "preconceito" + "futebol" praticamente só se encontra textos protestando contra os casos de racismo contra os jogadores. Mas esquecem todos que o futebol está envolvido em outra forma de preconceito, tão cruel quando o racismo direcionado aos jogadores: o preconceito contra quem não curte futebol.

Ninguém assume, mas o futebol é uma obrigação cívico/social em nosso país. No Rio de Janeiro é praticamente uma regra de etiqueta. É ofensivo para um carioca tomar conhecimento que alguém não curte futebol. Para quem trata o futebol como obrigação, o ideal é que o mesmo fosse uma unanimidade para justificar a tola ideia de que "está no sangue". Ou seja, faz parte do organismo humano (???!!!) gostar de futebol.

Uma pessoa que assume publicamente que não curte futebol causa uma certa revolta aos torcedores que enxergam no recusante uma pessoa no mínimo antipática, que pode ser virar contra os torcedores, estes que apesar de todo o apoio que possuem de sociedade, mídia e autoridades, acreditam na possibilidade de perda do direito ao seu hobby, por culpa da "ovelha negra" revelada (e rebelada).

Crueldade. Os torcedores deveriam saber que quem não curte futebol só deseja manter distância dessa modalidade esportiva e de tudo que esteja relacionado com ela (incluindo os estrondosos berros de torcedores). Uma pessoa que não curte futebol nunca vai querer perder seu precioso tempo em estragar o prazer alheio, como fazem os hooligans, que amam exageradamente o futebol, mas demonstram sua paixão de forma bastante agressiva.

Temos que acabar com o preconceito contra que não curte futebol, respeitar o seu direito de viver em sociedade e nunca sabotar qualquer coisa para que os não-torcedores se ferrem na vida. O Brasil é o país da diversidade e ficar refém de uma única forma de lazer é um retrocesso. Há muito o que fazer para que os não-torcedores tenham a sua dignidade e os seus direitos respeitados.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Futebol foi criado para ser APENAS uma forma de diversão

Os torcedores vivem reagindo mal às críticas que recebem pelo seu fanatismo acusando os que não curtem de querer eliminar o futebol da face da Terra. Longe disso! O futebol nada tem de errado por si só. O erro está no complexo mundo encantado construído em torno dele, o que faz do futebol ser algo infinitamente melhor do que realmente é.

O problema do futebol é que ele, no Brasil, não é visto como uma distração. É visto como um dever. São Paulo e Rio chegam a dividir a sociedade baseando nos times mais bem sucedidos de seus estados. Pessoas chegam a adiar compromissos sérios por causa de futebol. Brigas e mais brigas acontecem porque torcedores defendem seus times como se fossem a própria vida. Além do péssimo costume de colocar futebol em assuntos alheios a esta modalidade esportiva.

Vendo isso até parece que não estamos falando de uma forma de lazer e sim de um compromisso cívico imposto pelo Governo Federal. Não! É justamente do futebol que estamos falando. Os brasileiros foram "educados" a tratar o futebol como símbolo cívico e como elemento de confraternização social. Gostar de futebol, para muitos é "saber conviver com brasileiros e respeitar a humanidade". Só meio pomposo e inútil, mas é o que acontece. Mas foi para isso que o futebol foi criado? Certamente que não.

Desde que João Havelange entrou para a cúpula da FIFA, na década de 50, um imenso trabalho publicitário tem feito para transformar o futebol em uma mania. Isso foi se consagrando com o tempo e passado por muita gerações até hoje. 

A época em que o futebol era apenas uma forma de lazer, de tão remota, acabou sendo esquecida. É meio difícil imaginar hoje dois brasileiros no seguinte diálogo:
- Hoje estou de folga e nada tenho para fazer. Que tal irmos ao estádio assistir a um joguinho.
- Boa, vamos lá!

Um diálogo omo esse, que se assemelha a uma pessoa convidando outra para ir ao cinema... Ah, como seria sadio. Mas não! Quando as pessoas decidem assistir a jogos de futebol, seja em estádios ou diante de aparelhos de TV, é como se fosse para ir votar nas eleições ou tirar a certeira de identidade. Um compromisso, uma obrigação inadiável.

Mas toda essa superestimação do futebol é postiça, estimulada e consagrada pela mídia, cujos donos e patrocinadores ganham muito dinheiro com o fanatismo futebolístico e por isso nunca desistem de estimulá-lo. A meta de qualquer meio de comunicação é hipnotizar a sociedade para que ela considere o futebol uma prioridade e favoreça a geração desta farta renda aos barões da mídia.

Está muito longe o dia em que o futebol retomará a sua vocação natural de mero lazer. Até agora continua sendo um dever cívico-social. Mas muitos danos serão causados pela tentativa de desviar o futebol de sua vocação original. Os brasileiros que esperam que o futebol nos traga orgulho e dignidade podem continuar esperando. Até nunca. Futebol nunca foi feito para trazer orgulho ou dignidade.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Chloe Moretz seria futebosteira se fosse brasileira

Todo mundo gosta do que quiser, mas celebridades são altamente influentes para a sociedade, chegando a influenciar, mesmo involuntariamente no gosto de seus seguidores. É comum vermos celebridades sendo utilizadas pela publicidade para moldar os gostos das pessoas. Todos sabem que é legal gostar daquilo que as celebridades gostam. 

E no caso do futebol, são pouquíssimas as celebridades que assumem não gostar de futebol. Muitas são até pagas para participar de torcidas e citar o gosto pelo futebol em entrevistas, como forma de proselitismo futebolístico. A grande quantidade de celebridades torcedoras reforça ainda mais o fanatismo do brasileiro ao seu hobby mais amado.

Os EUA são um dos países que não cultuam o futebol. Sua seleção de futebol é tão amada pelos seus compatriotas quanto a seleção brasileira de beisebol é amada pelos brasileiros. Ou seja: desprezo total. Americanos querem beisebol, basquete e aquele troço que eles chamam de "futebol americano", mas que e jogado com as mãos e mais ainda com os ombros.

Algumas celebridades americanas mostram um certo interesse pelos seus esportes favoritos. Umas são ate fanáticas. Mas uma delas deu sinais claros de que se interessaria pelo futebol brasileiro se tivesse oportunidade: a atriz Chloe Grace Moretz.

Moretz chegou a ser associada ao filho de um jogador de futebol inglês, David Beckham, Brooklin, como se fosse a sua namorada. Fontes seguras garantem que o namoro não aconteceu, apesar da atriz ter levado o "suposto-modelo-cujo-pai-jogador-gostaria-que-fosse-seu-herdeiro-no-futebol" para desfilar junto a ela durante tudo quanto é evento na época em que os boatos eram fortes.

Mas isso só alimentou o possível interesse de Moretz, amante dos esportes, pelo futebol brasileiro. Ela chegou a declarar em uma entrevista que o - feioso - Neymar, o homem mais amado pelos brasileiros, era uma "gracinha" (eca!). Como muitas admiradoras do jogador, Moretz só pode estar sonhando... Deve ser por isso que ela passou a usar óculos...

Mas tudo indica que não contaríamos com o apoio da bela atriz para a nossa causa de acabar como fanatismo futebolístico. Moretz, como a maioria da celebridades brasileiras, estaria devida mente ocupada com o dever cívico-social de transformar um supérfluo em maior motivo de rgulho para os brasileiros. Teríamos que achar outra celebridade para aderir a nossa causa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não odiamos o futebol. Odiamos o monopólio

O Brasil é um país grande. Uma imensa diversidade de etnias habita seu vasto território de grandes variações geográficas. Nossa cultura também é variada. O que se come no norte não se come no sul e vice-versa. Nossa vocação é para a diversidade. E reivindicamos respeito a essa diversidade. Então, porque diacho que no gosto pelo esporte temos que ficar reféns de UMA ÚNICA modalidade esportiva: o futebol?

É onde situa a nossa maior contradição. Queremos ser diversificados em tese, mas queremos ter os mesmos gostos na prática. E o futebol nos dá essa falsa homogeneidade que nos faz  pensar sermos "tipicamente brasileiros".

Os que preferem passar longe do futebol não odeiam o futebol. Não há nada de errado com  futebol. O que há de errado está no que os brasileiros fazem com o futebol: um lazer de fato supérfluo e bobo levado extremamente a sério e usado como razão postiça de auto-afirmação do povo brasileiro. E é essa hiper-valorização que é o verdadeiro objeto de nossas críticas.

Hiper-valorizar o futebol é criar preconceitos, é adiar assuntos urgentes, é ser modista, é ser autoritário, é aceitar as coisas como estão e o mais revoltante: é recusar a nossa vocação pela diversidade. Sendo mais clero: é recusar a própria diversidade, achando que todos devemos gostar de uma coisa só. UMA COISA SÓ!

Esse monopólio que coloca o futebol como obrigação nacional cria uma monotonia que só faz entendiar ainda mais os que não curtem o futebol. É triste durante às épocas de copa para os que querem fugir do futebol. Sem amigos, sem diversão fácil, o não-torcedor tem que se virar para ocupar a mente durante o silêncio rompido pelos berros enlouquecidos de torcedores entorpecidos pelo ópio pseudo-cívico.

Sonho com o dia em que o futebol fosse tratado como um lazer comum. Quando uma pessoa diz para outra: "Estou com tempo livre. vamos lá assistir a um joguinho?", como quem diz "Vamos ao cinema?" Mas isso não acontece. Crentes de cumprir um dever cívico, as pessoas decidem assistir aos jogos como se fossem a um cartório para tirar a carteira e identidade. Triste.

Para deixar claro, nada temos contra o futebol. temos contra o monopólio, contra a monotonia e contra toda forma de padronização. Brasil é o país da diversidade e gostaria que essa diversidade fosse ampliada ao gosto pelo esporte. Há tantos esportes! porque devemos ficar nos atrelando a um só, que nem mesmo é o mais divertido?