segunda-feira, 16 de março de 2015

A corrupção do PT não pode, mas a da CBF/NIKE pode

Uma das coisas mais observadas nos protestos de ontem é o fato de que muita gente foi com a a camiseta da "seleção" para as ruas, certamente com aquele mito de que a "seleção" é o país, o país é a "seleção". Só aí, uma ignorância total.

Mas um protesto contra a corrupção, isso soa contraditório, o que prova que a maioria dos que foram a manifestação são alienados, mesmo pensando que se juntando a ela, se tornaria politizado da noite para o dia.

Dá para perceber o caráter alienado da manifestação, onde muitas frases sem sentido e defesas alucinadas ao conservadorismo mais anti-humanista possível (legal é defender "valores", não defender pessoas). Somado a isso, temos a utilização de camisetas da "seleção".

Pedir o fim da corrupção usando a camiseta da "seleção" é ignorar que a referida "instituição mais valorizada pelo brasileiro" é um verdadeiro gramado para a jogatina corrupta de cartolas, políticos, empresários e até alguns jogadores. Vários destes já viraram cartolas (Ronaldo Fofômeno que estava na passeata que  diga) e outros poderão virar, como o Neymar, que demonstra vocação para dirigente esportivo e segundo indícios, está sendo treinado para isso. Somente as boas relações do jogador arroz-de-festa com os cartolas já serve como um bom sinal.

Quem leu os livros sobre corrupção no futebol teria vergonha de vestir a camisa da "seleção" nos protestos de ontem. Mas a desinformação foi geral. Isso se não bastasse o desconhecimento que a maioria dos manifestantes tem da História do Brasil.

Claro que quem acha que "é só tirar o PT do poder que tudo melhora" vai se contentar com isso, ignorando que não existe corrupção do lado de fora do partido que nasceu dos trabalhadores. Como a maioria das pessoas presentes as manifestações mal saiu da Caverna de Platão, a noção de mundo deles é ainda bastante rasa. Eliminemos não a corrupção, mas eliminemos os corruptos que odiamos. E os outros corruptos, ficarão impunes?

Pelo jeito que sim, já que o objetivo mesmo não é bem acabar a corrupção. O objetivo é ver algum representante das elites abastadas  de volta ao poder. A intervenção militar reivindicada seria apenas para criar meios de algum empresário poderoso ou um representante deste tomasse o poder e governasse o país como que lidera uma empresa. Corruptos que estejam fora de com poderá ficar bem sossegados, pois a mídia colocou um bode expiatório para pagar por eles.

Tudo um festival de alienação nesse carnavalzinho disfarçado de protesto político. as manifestações não acabarão com a corrupção, se imitando a tirar do poder um grupo que se tornou incômodo para a sociedade. E isso será a unica coisa a ser feita, caso o impeachment seja aprovado.

E os corruptos da CBF/NIKE felizes porque a população os ama, utilizando a amista que eles produzem como uniforme de guerra contra os "petistas malvados", supostamente inventores da corrupção. E é isso aí.

Tiremos uns corruptos e coloquemos outros corruptos o lugar. E tudo não passará de mais do mesmo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Torcedores pacíficos usam torcedores agressivos para reforçar preconceito contra quem não curte futebol

Embora ninguém assuma, os brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Se isso não fosse verdade, ninguém estranharia o fato de um brasileiro se assumir alheio ao esporte mais popular do país. Toda vez que alguém assume não gostar de futebol, chovem comentários revoltados e pressões para que o cidadão mude de ideia.

Estranho que mesmo amparados por mídia e por regras sociais, sã os torcedores que agem na defensiva, como se a qualquer momento, seu gosto pelo futebol, protegido por toda a sociedade, pudesse ser repentinamente proibido sem o menor aviso.

Mas os torcedores de futebol que se julgam pacíficos encontraram um jeito de, além de proteger seus interesses, condenar quem se atreve a romper a "sagrada" unanimidade do gosto pelo futebol, pois para os torcedores, essa suposta unanimidade lhes dá ilusão de ordem e confraternização.

Andam aparecendo comentários, sejam nas redes sociais, sejam nas conversas de rua, a respeito dos torcedores violentos que vão aos jogos para agredir adversários. Simplesmente os acusam de não gostarem de futebol, reforçando a acusação de anti-social dado a quem não curte futebol.

Fica a impressão de quem não curte futebol é louco, vive de prejudicar os outros e não sabe se comportar na sociedade. Até porque quem não curte futebol, acaba por desobedecer uma valiosa e rígida regra social, "sinônimo" de "respeito mutuo". Por mais estranho que pareça, quem não curte futebol é que é mais pacífico e normalmente mais altruísta, pois os problemas sofridos pelo preconceito e pela falta de sossego (torcedores berram muito) os fazem entender melhor a dor alheia.

Se esquecem esses torcedores pacíficos que os torcedores violentos adoram futebol, bem mais que os pacíficos. Agem desta maneira por fanatismo e por acreditarem que adversários na merecem viver bem. Os torcedores pacíficos não lembram que futebol é uma competição e competições estimulam  egoísmo e o desrespeito aos outros. É mais do que natural que em eventos esportivos, canalizadores de muitas doses de testosterona, queiramos que os outros se ferrem. 

Esse papo de que esporte une as pessoas é conversa para boi dormir e sinal de total ignorância. Se esporte não fosse competitivo, seria compreensível. Mas como estimula a competição, tirando do outro o direito ao beneficio (no caso, os prêmios pelas vitórias), é esperado que haja esse tipo de agressividade, que não está ausente nos torcedores considerados pacíficos, mas é controlada e manifestada através dos grunhidos a cada momento de tensão ou de comemoração durante os jogos.

Esta acusação de que os torcedores violentos não gostam de futebol é uma oportunidade triste para que os não-torcedores sejam jogados no meso balaio dos agressores, aumentando ainda mais o preconceito sofrido por quem não se interessa pelo supérfluo que da mais orgulho aos brasileiros.

Essa agressividade das torcidas agressivas é natural, está relacionada à competitividade e só vai parar se não houver mais competição, com todas as equipes e atletas ganhando só por participar. Mas aí  o esporte deixará de ter sua principal graça:de servir para gorilas humanos, pacíficos ou não, de soltarem seus urros a simbolizar  falso orgulho de ser macho. Macho que não deve ser da espécie humana.