terça-feira, 3 de março de 2015

Torcedores pacíficos usam torcedores agressivos para reforçar preconceito contra quem não curte futebol

Embora ninguém assuma, os brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Se isso não fosse verdade, ninguém estranharia o fato de um brasileiro se assumir alheio ao esporte mais popular do país. Toda vez que alguém assume não gostar de futebol, chovem comentários revoltados e pressões para que o cidadão mude de ideia.

Estranho que mesmo amparados por mídia e por regras sociais, sã os torcedores que agem na defensiva, como se a qualquer momento, seu gosto pelo futebol, protegido por toda a sociedade, pudesse ser repentinamente proibido sem o menor aviso.

Mas os torcedores de futebol que se julgam pacíficos encontraram um jeito de, além de proteger seus interesses, condenar quem se atreve a romper a "sagrada" unanimidade do gosto pelo futebol, pois para os torcedores, essa suposta unanimidade lhes dá ilusão de ordem e confraternização.

Andam aparecendo comentários, sejam nas redes sociais, sejam nas conversas de rua, a respeito dos torcedores violentos que vão aos jogos para agredir adversários. Simplesmente os acusam de não gostarem de futebol, reforçando a acusação de anti-social dado a quem não curte futebol.

Fica a impressão de quem não curte futebol é louco, vive de prejudicar os outros e não sabe se comportar na sociedade. Até porque quem não curte futebol, acaba por desobedecer uma valiosa e rígida regra social, "sinônimo" de "respeito mutuo". Por mais estranho que pareça, quem não curte futebol é que é mais pacífico e normalmente mais altruísta, pois os problemas sofridos pelo preconceito e pela falta de sossego (torcedores berram muito) os fazem entender melhor a dor alheia.

Se esquecem esses torcedores pacíficos que os torcedores violentos adoram futebol, bem mais que os pacíficos. Agem desta maneira por fanatismo e por acreditarem que adversários na merecem viver bem. Os torcedores pacíficos não lembram que futebol é uma competição e competições estimulam  egoísmo e o desrespeito aos outros. É mais do que natural que em eventos esportivos, canalizadores de muitas doses de testosterona, queiramos que os outros se ferrem. 

Esse papo de que esporte une as pessoas é conversa para boi dormir e sinal de total ignorância. Se esporte não fosse competitivo, seria compreensível. Mas como estimula a competição, tirando do outro o direito ao beneficio (no caso, os prêmios pelas vitórias), é esperado que haja esse tipo de agressividade, que não está ausente nos torcedores considerados pacíficos, mas é controlada e manifestada através dos grunhidos a cada momento de tensão ou de comemoração durante os jogos.

Esta acusação de que os torcedores violentos não gostam de futebol é uma oportunidade triste para que os não-torcedores sejam jogados no meso balaio dos agressores, aumentando ainda mais o preconceito sofrido por quem não se interessa pelo supérfluo que da mais orgulho aos brasileiros.

Essa agressividade das torcidas agressivas é natural, está relacionada à competitividade e só vai parar se não houver mais competição, com todas as equipes e atletas ganhando só por participar. Mas aí  o esporte deixará de ter sua principal graça:de servir para gorilas humanos, pacíficos ou não, de soltarem seus urros a simbolizar  falso orgulho de ser macho. Macho que não deve ser da espécie humana.

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