terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Globo faz mini-documentário sobre torcida do Corinthians para estimular o fanatismo futebolístico

Ontem no Bom Dia Brasil, quando foi falado sobre a vitória do Corinthians na Copa da FIFA, a emissora colocou uma reportagem longuíssima sobre a comemoração da torcida, algo que foge à seriedade e a necessidade de um telejornal. É importante mostrar a comemoração da torcida desta maneira. Uma nota de 10 segundo seria o suficiente para mostrar isso.

A Record foi mais contida e não mostrou a comemoração. Apenas a citou e falou mais de como a conquista foi dada no jogo. Mais sóbrio, menos fanático e menos alienante.

A Globo, reguladora oficial das regras sociais em nosso país nunca perde a oportunidade de estimular o fanatismo futebolístico. Se no Bem Estar, numa reportagem sobre doenças cardíacas, perdeu muito tempo falando sobre a paixão do paciente pelo seu time, imagine em programas mais lúdicos.

Por isso que o fanatismo nunca acaba, fazendo todos pensar que o Brasil vai progredir através do fanatismo futebolístico.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Por obras da Copa, prefeito de Belo Horizonte vai ao STF pedir corte do orçamento de educação

NOSSO COMENTÁRIO: Isso eu já sabia e havia falado há muito tempo. Educação nunca foi e nunca será prioridade para governo nenhum , pois qualquer político e empresário sabe que povo educado é povo indomável, não-submisso, impossível de manobrar. Como o povo livre, autoridades perdem poder e privilégios. Além do mais, a copinha é importante, pois fará o inverso da Educação: emburrecerá ainda mais a sociedade brasileira já tradicionalmente emburrecida.

Por obras da Copa, prefeito de Belo Horizonte vai ao STF pedir corte do orçamento de educação

Carlos Eduardo Cherem - Do UOL, em Belo Horizonte

O prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB), por meio de sua assessoria, confirmou nesta sexta-feira (14) ter recorrido ao STF (Supremo Tribunal Federal) para suspender dispositivo da Lei Orgânica do Município que determina a aplicação de 30% do orçamento municipal em educação.

No projeto 2378/2012, da Lei Orçamentária do município para 2013, enviado por Lacerda à Câmara Municipal de Belo Horizonte, a previsão é de uma receita da ordem de R$ 9,9 bilhões. Assim, caso consiga suspender a aplicação do dispositivo da Lei Orgânica, a Prefeitura da capital mineira deverá deixar de aplicar algo em torno de R$ 500 milhões em educação no próximo ano.

Na ação cautelar, com pedido de liminar, o prefeito alega que, além de prejudicar os investimentos para a Copa do Mundo de 2014, a prefeitura pode ter as contas rejeitadas com a manutenção da regra. O Executivo de Belo Horizonte quer investir somente os 25% do orçamento, exigidos pela Constituição Brasileira.

O processo foi distribuído ao ministro Dias Toffoli, relator de um recurso extraordinário da Prefeitura de Belo Horizonte, que tramita na corte, para tentar suspender a mesma lei.
Histórico

Há mais de duas décadas, 30% do orçamento do município é aplicado em educação na capital mineira. A Lei Orgânica de Belo Horizonte é de 21 de março de 1990.

A Prefeitura de Belo Horizonte já havia entrado com uma ação nesse sentido no TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), no primeiro semestre deste ano, mas teve seu pedido negado.

Na ação no STF, a prefeitura alega que, ao aumentar o percentual de investimento em educação, a Lei Orgânica de Belo Horizonte, além de ferir a Constituição, coloca uma base de cálculo específica para definir o valor anual.

Ainda de acordo com a ação, com a manutenção do percentual de 30% investidos em educação, a cidade ficaria prejudicada. "Obstaculizando execução de projetos relacionados à mobilidade urbana (...) na imperativa agenda nacional para a Copa do Mundo de 2014".

De acordo com a ação, há jurisprudência no Supremo negando mudanças que alteram o critério de apuração da cota. Na avaliação dos advogados da prefeitura, pela Lei Orgânica, a prefeitura seria obrigada a investir valores até 123% superiores aos que seriam o limite constitucional. Segundo a prefeitura, o investimento em educação representa mais do que 51% de sua arrecadação tributária.

ERRATA: Ministro Dias Toffoli é relator de recurso extraordinário da prefeitura de BH

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 5: as mulheres se rendem ao futebol

Ultimamente, as mulheres encafifaram de querer copiar os homens em tudo. Após entrarem no mercado de trabalho e conseguirem delegacias que as protejam, ao invés de lutar verdadeiramente pela aquisição de seus direitos.

Mas a tradicional submissão às regras sociais e ao que é imposto pela mídia, somado à vontade de imitar os homens e de serem incluídas na sociedade brasileira, caracterizada por rígidas regras, as mulheres resolveram aderir ao gosto pelo futebol. Sabe como é, "se não pode vencê-los, junte-se a eles".

Mas esse gosto muitas vezes não é legítimo, pois fica evidente a intenção das mulheres muito maior em se sociabilizar do que apreciar realmente o futebol. Com a imensa multidão imersa na suposta obrigatoriedade, em épocas de copa do mundo, a adesão feminina é quase total.

O ser humano é um ser social. E muitos não tem a coragem de combater as ridículas regras sociais que obrigam a adesão ao que deveria ser apenas uma forma de lazer e divertimento.

Legal que as mulheres parem com essa obrigação, se não apreciarem realmente o futebol. Aderir ao futebol sem gostar de fato é um hábito hipócrita que mostra que as mulheres ainda não estão dispostas a caminhar com as próprias pernas.

Aquela pataquada das feministas pelo jeito, não serviu pra muita coisa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 4

Brasileiro adora uma festa. E o que é o futebol senão uma grande festa?

Gosta tanto que chega a defender com uma certa raiva, quando é criticado pelo seu direito de se divertir. Muitos acham que diversão é muito mais importante do que qualidade de vida. Vide as antenas parabólicas nas janelas dos barracos que estão prestes a desabar.

E esse é outro fator que faz o futebol ser o esporte mais popular do país: ele sempre acaba em festa. Pessoas gritando, vuvuzelas, musicas bregas, bebedeira, uma loucura! Fim de jogo e ainda mais em fins de campeonatos, faz-se uma noitada extra fora de hora para poder levar a população à loucura. Literalmente falando.

Em copas então? Imagine uma monstruosa festa ocorrida no amplo território brasileiro, com mais de 100 milhões de convidados: esse é o fascínio oferecido pelas copas, pois quem gosta de festas gosta ainda mais durante as copas, pois se sente incluído na gigantesca festa na Terra-Brasilis.

Coincidentemente, as pessoas que mais gostam de futebol são aquelas que mais gostam de festas e tem a vida social mais intensa, com grande quantidade de amigos e extrema facilidade de conquistar alguém do sexo oposto. Tudo isso se relaciona e ajuda bastante a entender o fanatismo do futebol e a mania de não-futeboleiros assíduos de se tornarem futeboleiros de ocasião, em épocas de copa. Ninguém quer ficar de fora da grande festa, ainda mais quem já tem o hábito de fazer suas loucuras nos finais de semana.

E com isso, a cada ano, torcedores vibram pelos seus times no brasileirão, mas não pelo jogo em si: e sim pelo fato de que se o time favorito de um grupo de pessoas vencer, os torcedores já sabem que também ganharão um prêmio: uma tremenda festa de arromba.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 3

Para a maioria dos brasileiros, o futebol não é apenas um esporte para se ver no final de semana. É um estilo de vida, algo que une as pessoas. Mesmo que essa "união" se limite a este esporte.

Futebol, principalmente para o público masculino, é um meio de fazer e manter amizades. É um assunto que pode ser comentado com pessoas que nem conhecemos. Chegue para um desconhecido e comente sobre o jogo do dia anterior: bingo! Uma amizade iniciada.

É realmente isso que fascina as pessoas no Brasil, já que, pensando bem, o futebol em si não é tão atraente a ponto de ter essa popularização toda e se tornar absurdamente hegemônico, a ponto de sufocar os outros esportes na preferência das pessoas.

Afinal, como é que uma população exigente e excludente, vai gostar de um esporte caracterizado por ter como ídolos um monte de cidadãos de baixíssima escolaridade e que ganham fortunas sem ter pego em um livro? Só o poder sociabilizador do futebol pode explicar isso.

Como é que de 4 em 4 anos, a população inteira abandona seus afazeres para assumir o papel ridículo de sair nas ruas com uma camiseta amarela e gritando sem motivo justo? Só o poder sociabilizador do futebol pode explicar isso.

O brasileiro já é um Maria-vai-com-as-outras em vários setores da humanidade: pela sociabilização, é capaz inclusive de abrir mão da própria personalidade e do próprio prazer para aderir a algo que tenha aceitação maciça da população. Ideias, gostos, convicções, para o brasileiro, é sempre legal fazer o que a maioria faz, senão fica sozinho. Ou seja, o medo da solidão apavora mais do que qualquer coisa. A sociabilização em si se torna mais importante até do que o prazer em fazer algo. E curtir futebol, gostando ou não, se torna bastante crucial para a sociabilização de qualquer cidadão brasileiro.

Numa enquete na comunidade Odeio Futebol no Orkut, foi feita uma pesquisa sobre pessoas que não curtem futebol, mas atraem outras que curtem. Algumas alternativas se referiam a conquistar pessoas que gostam e outras que naõ gostam de futebol. Advinha qual a alternativa que está disparando? "Não atraio ninguém".

Isso mostra que não gostar de futebol dificulta até avida afetiva, já que tanto os que gostam quanto os que não gostam de futebol tendem quase sempre a atrair os que gostam. É raro casais onde ambos não gostam de futebol: ou ambos gostam ou pelo menos um gosta.

Chato para quem não gosta, que se sente sempre solitário durante os grandes campeonatos e nas copas, já que quem gosta de futebol não vai abandonar seu esporte favorito para dar atenção ao "amado" que não gosta desse esporte, que magoado ou revoltado, se isola até que o evento se encerre.

E isso entra em contradição com a vocação que o nosso gigantesco país tem para a diversidade, para a democracia, já que obrigar os outros a gostarem de futebol e não entender a recusa de alguns em não aderir, é não respeitar as diferenças e assumir uma sociedade padronizada e por isso, monótona, em que milhões fazem absolutamente uma mesma coisa, sem perceber quão entendiante é a ausência de variedade em nossas vidas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 2

Falei na postagem anterior sobre o fato da sociabilização ser o principal motivo para o hegemônico fanatismo futebolístico em nosso país. Que para não se sentir sozinho e obter os benefícios que a vida social traz, muita gente acaba aprendendo - ou se obrigando, em muitos casos - a gostar de futebol, com direito a um time na carteira de identidade.

Mas outra coisa, aliada ao desejo de se sociabilizar, acaba por aumentar ainda mais a adesão ao esporte mais popular do país. Sendo curto e grosso: popularidade atrai popularidade.

Pelo jeito o fato do futebol atrair um imenso número de pessoas exerce um fascínio para as mesmas, já que dá a ilusão de "unanimidade" de "confraternização". É o que une pessoas de características - e gostos - tão diferentes, em nosso país. Isso traz outra ilusão: a de democracia. Mas na verdade é o contrário.

Essa suposta "democracia" futebolística acaba se transformando numa ditadura que não consegue entender quem não adere ao futebol. Justamente por facilitar a vida social das pessoas, o futebol acaba por dificultar a vida social daqueles que não fazem parte dos "200 milhões em ação", cantadas aos pulmões pela monstruosa massa futebolística.

Talvez essa facilidade de sociabilização, somada ao fascínio de ver a população em quase sua totalidade com as atenções voltadas para uma coisa só é que fazem do futebol o mais popular do país, já que suas características peculiares não são suficientes para despertar tamanha adesão.

Isso, por incrível que pareça, não é bom para um país enorme como o nosso, pois essa união de pessoas tão diferentes é falsa e provisória, já que só dura enquanto durar o futebol. Fora dele, as divergências continuam. Ou vocês acham que um fã radical de Iron Maiden, e um fã de Exaltasamba, em que um detesta o ídolo do outro, mas torcem pelo mesmo time no futebol, vão continuar amigos depois do jogo?

A vocação do Brasil é para diversidade. O monopólio do futebol no imaginário popular é nocivo para o desenvolvimento da população. O ideal que houvesse uma melhor distribuição nas preferências esportivas entre a população. É mais honesto.

Essa falsa unanimidade vai acabar mostrando muito mais diferenças do que unindo as pessoas, além de prejudicar seriamente a vida dos que não curtem futebol.

Aproveito para utilizar duas frases do dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues, que ilustram muito bem esta postagem:

- "Brasil, a Pátria de Chuteiras"
- "Toda unanimidade é burra".

Falou, Nelson.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 1

Muitas vezes me ponho a pensar: porque um esporte como o futebol pode ser tão popular se ele não possui características realmente sedutoras, capazes de realmente atrair a atenção das pessoas? Deixando de lado a poderosa e inegável influência da mídia, posso dizer que existe um motivo. E não está no esporte em si.

Na verdade o futebol em si não tem a capacidade de seduzir pessoas que não façam parte da militância deste esporte. É um esporte que só agrada mesmo quem se interessa por ele. Mas porque quase toda a população faz questão de ter um time e torcer em época de copas. Simples: medo da solidão.

O futebol está arraigado no nosso cotidiano. Já faz parte das regras sociais e até mesmo de alguns itens da etiqueta social. Fingir que gosta chega a ser um meio de evitar discussões maiores entre as pessoas.

E assim , cada um vai escolhendo um time para "pôr na carteira de identidade", como se escolhesse uma "tribo" na qual deseja fazer parte. O que subentende que quem não gosta do futebol não faz parte de grupo nenhum, ficando fora da "brincadeira".

E nas copas então? Vestir aquela horrível camiseta amarela, padronizando o visual da população (ditaduras adoram padronizar) se torna um meio de se sentir incluído socialmente, de fazer parte da "raça humana", usufruindo de benefícios e se mantendo acompanhado. mas isso tem um preço.

E qual esse preço? Abrir mão do prazer e da personalidade. Fazer algo que não se gosta para agradar os outros. O fato do futebol ser um lazer e as pessoas não verem - pelo menos em tese - nada de nocivo nele, faz com que muitos achem que "não há nada mal em 'gostar' um pouquinho de futebol a cada 4 anos". Mas isso é gostar?

Pergunte a qualquer um que não costuma gostar de futebol porque passa a "gostar" de vez em quando. A resposta vem como um torpedo, na ponta da língua: se eu não aderir, fico sozinho. E está explicada a questão.

Eu quero é ver gol

Apenas 40% da população gosta realmente do futebol. O resto, misturam-se os que pensam que gostam (os torcedores de ocasião), os "patriotas" de copa, que só "gostam" de 4 em 4 anos (pensando estar cumprindo um "dever cívico") e os que não gostam. Sim, boa parcela assume que não gosta e não é só mulheres. Muitos homens não gostam.

Quem não gosta de fato e pensa que gosta, como os torcedores de ocasião e os "patriotas" de copa, basta decorar o nome dos artilheiros e do goleiro, o hino de um time, suas cores e usar o uniforme para se considerar um "torcedor legítimo".

Mas para estes, termos técnicos são chatos, "cartolas" não existem e auxiliares técnicos só passam a existir quando alguém se machuca. O jogo todo é uma chatice. Assistem apenas o jogo naquela expectativa pelo gol, que sempre dá a oportunidade de um grito, como se naquele momento a pessoa estivesse aproveitando para desabafar. povo que tem medo e preguiça de resolver os seus problemas prefere desabafar gritando "gol!".

É um outro motivo para que o futebol seja tão popular: a catarse. No Brasil atual, a diversão tem se limitado à catarse (explodir sensações) e a satisfação de instintos. Ninguém mais quer se divertir de maneira tranquila e poética.

Culto aos incultos

Deve ser realmente obrigatório o fanatismo futebolístico na sociedade brasileira. Pois muita gente com diploma superior, culta, com referencias culturais boas, decide se ajoelhar diante um bando de analfabetos sem o 4º ano completo, com muitos torcedores idem, gente que não sabe o mínimo da vida e que se arroga por ter subido rapidamente na vida, praticamente sem esforço, fazendo algo que a maioria faz por lazer nos finais de semana. Um total desestimulo à educação, num país onde a população é estimulada a não ler livros e onde intelectuais são tratados como "chatos deprimidos", fazendo com que os conselhos destes, muitas vezes certos, não sejam seguidos.

Futebol em si não está errado, mas o culto a ele é com certeza exagerado. O ideal é que apenas as pessoas que realmente gostam, conhecendo suas regras, detalhes mínimos, bastidores e até mesmo o que os "cartolas" fazem, os processos administrativos e por aí vai.

Porque esse papo de "200 milhões de 'técnicos' " além de ridículo e falso, é anti-democrático, pois ninguém é obrigado a gostar ou desgostar de futebol. Um país enorme como o nosso não pode monopolizar a diversão para uma só coisa, pois a vocação do brasileiro é pela diversidade, pela variedade e pelo respeito às diferenças.

Impor o culto ao futebol a todos é negar a essência do brasileiro, transformando-o em um robô programado pela mídia e regras sociais, sem vontade e sem poder de decisão, querendo a todo o custo ser incluído na sociedade, fazendo algo que normalmente não tem a paciência para fazer normalmente.