terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O futebol e o poder de sociabilização - Parte 2

Falei na postagem anterior sobre o fato da sociabilização ser o principal motivo para o hegemônico fanatismo futebolístico em nosso país. Que para não se sentir sozinho e obter os benefícios que a vida social traz, muita gente acaba aprendendo - ou se obrigando, em muitos casos - a gostar de futebol, com direito a um time na carteira de identidade.

Mas outra coisa, aliada ao desejo de se sociabilizar, acaba por aumentar ainda mais a adesão ao esporte mais popular do país. Sendo curto e grosso: popularidade atrai popularidade.

Pelo jeito o fato do futebol atrair um imenso número de pessoas exerce um fascínio para as mesmas, já que dá a ilusão de "unanimidade" de "confraternização". É o que une pessoas de características - e gostos - tão diferentes, em nosso país. Isso traz outra ilusão: a de democracia. Mas na verdade é o contrário.

Essa suposta "democracia" futebolística acaba se transformando numa ditadura que não consegue entender quem não adere ao futebol. Justamente por facilitar a vida social das pessoas, o futebol acaba por dificultar a vida social daqueles que não fazem parte dos "200 milhões em ação", cantadas aos pulmões pela monstruosa massa futebolística.

Talvez essa facilidade de sociabilização, somada ao fascínio de ver a população em quase sua totalidade com as atenções voltadas para uma coisa só é que fazem do futebol o mais popular do país, já que suas características peculiares não são suficientes para despertar tamanha adesão.

Isso, por incrível que pareça, não é bom para um país enorme como o nosso, pois essa união de pessoas tão diferentes é falsa e provisória, já que só dura enquanto durar o futebol. Fora dele, as divergências continuam. Ou vocês acham que um fã radical de Iron Maiden, e um fã de Exaltasamba, em que um detesta o ídolo do outro, mas torcem pelo mesmo time no futebol, vão continuar amigos depois do jogo?

A vocação do Brasil é para diversidade. O monopólio do futebol no imaginário popular é nocivo para o desenvolvimento da população. O ideal que houvesse uma melhor distribuição nas preferências esportivas entre a população. É mais honesto.

Essa falsa unanimidade vai acabar mostrando muito mais diferenças do que unindo as pessoas, além de prejudicar seriamente a vida dos que não curtem futebol.

Aproveito para utilizar duas frases do dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues, que ilustram muito bem esta postagem:

- "Brasil, a Pátria de Chuteiras"
- "Toda unanimidade é burra".

Falou, Nelson.

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