domingo, 11 de outubro de 2015

Se ninguém fosse obrigado a gostar de futebol, torcedores não se incomodariam em saber que há gente que não curte a modalidade

Falam tanto que ninguém é obrigado a gostar de futebol, que nossa sociedade é democrática, etc. A lei diz que as autoridades devem respeitar a liberdade do cidadão. Mas é tudo teoria! Tudo teoria! Na prática a coisa acontece bem ao contrário, e por mais que torcedores posem de vítimas, desejando proteger seu direito de gostar de futebol, a corda sempre arrebenta para o lado dos que não curtem.

Não adianta tentar criar uma democracia de fachada. Pessoas que assumem publicamente que não curtem futebol são marginalizadas. Isso quando não são humilhadas ou perdem direitos por isso. Na prática, futebol é sim obrigação por se confundir com o civismo, com as regras sociais e com os direitos fundamentais do cidadão. Mas de fato, futebol não vai além de um lazer supérfluo e como tal nunca deve ser imposto como obrigação.

Mas não venham os torcedores posarem de bonzinhos. Sei que tudo é feito para que a imagem de "normalidade" e de "cordialidade" seja associado a quem gosta de futebol. Normal é quem gosta de futebol. Quem não gosta é desequilibrado, maluco, malvado, uma escória social. Chegam a inventar que os hooligans (torcedores fanáticos que usam a agressividade como meio de demonstrar seu "amor" por um time) detestam futebol, para poder colocar a culpa dos danos nos cidadãos que preferem ter outros hobbies bem diferentes do lazer futebolístico. 

Se não gostamos de futebol, porque ficaríamos perdendo tempo em estragar a diversão alheia? Fiquem tranquilos, torcedores, não somos como os hooligans. Sempre preferimos ficar bem longe daquilo que desprezamos e bem longe continuaremos a ficar.

Estranho que quem age como loucos são os torcedores, berrando fora de hora, estragando o sossego alheio, larga coisas importantes por causa de um joguinho, usa argumentos sem pé nem cabeça para tentar explicar porque o futebol é tao popular, entre outras loucuras. Mas loucura cometida por milhões de loucos vira normalidade. A minoria normal é que é considerada "louca".

E como "loucos" somos excluídos. Pessoas se incomodam como fato de não curtirmos futebol. Mesmo as pessoas que nos querem bem  sempre aproveitam a oportunidade de dar indiretas dando a entender que"não gostar de futebol" é um defeito. Se recusar a seguir a manada submissa incomoda muita gente.

Eu quero dizer a vocês, torcedores, que vocês não são coitados. Não há como tirar de vocês esse vício de cerca de um século. Vocês estão protegidos por autoridades, por toda a mídia e pelas regras sociais. Mesmo que vocês temam as críticas, vocês estarão sempre em vantagem.

Quem tem que exigir respeito não são vocês. O respeito que vocês recebem é farto e vasto. Nós, que não curtimos futebol é que temos que exigir respeito. Sabemos que vivemos em um país que não aceita as diferenças e acha que a submissão social é uma virtude. Mas está mais do que na hora de aceitar que nem todos tem a obrigação de gostar do que a maioria gosta. 

E parem de fingir que vocês respeitam as diferenças! Está mais do que na cara que a ideia de que o futebol não seja uma unanimidade lhes incomoda bem mais do que os problemas cotidianos!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Necessário que abandonemos a infância

A pior derrota sofrida pela "seleção" na última copa, logo em casa, além da derrota de ontem para o Chile (a mesma equipe paga para faltar nas eliminatórias de 2001, favorecendo o fraudulento pentacampeonato dos brasileiros) servem de alerta: a infância dos brasileiros pode estar acabando. Talvez estejamos entrando na adolescência coletiva.

Muitas décadas acreditamos que um supérfluo seria a nossa maior necessidade, por supostamente nos trazer a ilusão da dignidade. Fomos "educados" a acreditar que sermos melhores no futebol nos traria orgulho e serviria como compensação para a realidade problemática que sempre marcou nosso cotidiano. 

Futebol sempre foi o nosso maior ópio e como tal era o melhor narcótico a nos tirar dessa realidade, mesmo momentaneamente. Até porque é muito mais fácil fugir da realidade do que enfrentá-la. Mas a fuga cobra seu preço e a realidade segue com seus problemas intactos sem que a gente perceba, pois sempre estivemos muito concentrados com o balançar das redes.

Agimos sempre como crianças que colocam as brincadeiras acima dos assuntos sérios. Futebol sempre foi a nossa prioridade. Somos o único povo a parar um país todo por causa de um mísero supérfluo que nunca nos trouxe benefício. Cultuamos os jogadores de futebol que não passam de uns pobretões que enriqueceram de uma hora a outra sem pegar em um só livro, servindo de péssimos exemplos de que estudar não vale a pena. Pelo menos não vale para o mercado de trabalho.

Falando neles, eu questiono se eles seriam capazes de resolver a crise que o país se encontra. Seria uma ótima oportunidade deles porem em prática o rótulo insistentemente recebido de "heróis da pátria". Ricos até não poderem mais, os jogadores da "seleção" seriam muito mais heroicos dando uma utilização mais justa ao seu dinheiro ganho sem o esforço escolar do que chutando uma bolinha em uma rede para iludir 200 milhões de otários.

Está mais do que na hora desse longuíssimo baile de Cinderela acabar. Temos que mudar nossos gostos, diversificar nossos interesses. O Brasil é o país da diversidade e qualquer tipo de monopólio ou padronização é nociva para a população. Não dá para milhões e milhões de pessoas com diversas mentalidades ficarem reféns de UMA ÚNICA forma de lazer. Um único supérfluo que só serve para nos iludir, colocando dignidade onde não deveria ter.

Tomara que a "seleção" não vá para esta copa* . Caso perca as eliminatórias, um fato histórico, pois seria a primeira copa sem a participação dos brasileiros. Quem gosta de se iludir está morrendo de medo dessa hipótese. Mas fiquem calmos. A realidade é dura, mas é real. De que adianta 90 minutos de glória quando o tempo restante é de desgraça e sofrimento?

Deveríamos nos amadurecer e largar a nossa maior chupeta. A puberdade intelectual pede passagem. Fiquem com a certeza de que ninguém morrerá se a "seleção" não for para a próxima copa. A não ser que morra se suicidando.

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*NOTA:  A possibilidade de não ir a copa incomoda os poderosos que patrocinam o futebol brasileiro. Sabemos que patrocinadores são capazes de pagar para que alguma fraude favoreça o Brasil, pois muito dinheiro é gerado quando a "seleção" amarelada está em campo. Faltar a uma copa seria uma heresia imperdoável e grande prejuízo financeiro para os donos da grana.

Mas do outro lado, lembremos que os "midas" da CBF, como Marin e Teixeira, estão presos ou sem moral para influenciar decisões. Além disso, patrocinadores tradicionais da "seleção" estão em maus lençóis: a Volkswagen envolvida em escândalo de fraude de tecnologia, a McDonalds praticando escravidão e a Nike mexendo nos resultados dos jogos. Fora o que não se sabe das outras patrocinadoras. 

A derrota sofrida na última copa, a pior desde que a "seleção" foi fundada, pode ter sido um sintoma do enfraquecimento da influência de cartolas e de patrocinadores . O que significa que a "seleção" foi "liberada" para perder honestamente. 

Torcemos que estes escândalos façam a "seleção" perder, acabando com o falso mito de "melhor futebol do mundo", que como poucos sabem, coincidiu com a influência de cartolas brasileiros na FIFA, o que dá margem para uma surpreendente, mas verdadeira, iconoclastia.