segunda-feira, 28 de abril de 2014

Só os jogadores de futebol merecem ser protegidos de manifestações de racismo?

Uma gigantesca campanha contra o racismo no futebol tem sido feita. Nada mais justo, pois por mais cretinos que sejam os jogadores, nunca se deve usar a etnia para justificar isso. Até porque jogadores de qualquer raça são cretinos do mesmo jeito. E fora do futebol, muitos negros, índios e mestiços (olha eu aí - eu sou mestiço!) tem contribuído e muito para colocar inteligência em nossa sociedade.

Mas porque só no futebol, as campanhas anti-racismo tem uma adesão tão grande da sociedade? A intenção na verdade é defender os n~]ao-brancos ou é mesmo defender os jogadores de futebol? Do jeito que a campanha está sendo feita, a impressão é que a segunda alternativa que está correta, pois não se vê algo com a mesma intensidade em outras manifestações não só anti-racismo, mas anti-preconceito.

E a campanha contra o preconceito contra quem não curte futebol? Alguém já parou para pensar que quem assume que detesta futebol esbarra em limites sociais? Que não somente é obrigado a aguentar berros de multidões bem do lado de suas residências como corre o risco de perder empregos, demitidos por chefes ignorantes que acham que gostar de futebol é "saber trabalhar em equipe"? Contra esse tipo de preconceito ninguém até agora teve a iniciativa de lutar.

Não defendo que jogadores de futebol sofram preconceitos. Eu já falei no início desta postagem que a vulgaridade e a futilidade dos jogadores nada tem a ver com suas etnias. Mas é evidente que todo o foco das campanhas anti-preconceito está sendo direcionada a eles, como se somente eles, tidos como "heróis máximos da humanidade" só porque chutam uma bolinha, tenham direito a esse respeito.

Como se eles ganhassem um tipo de "imunidade parlamentar" por causa da suposta autoridade que lhes é atribuída por terem zilhões de "súditos" alienados que pensam que o futebol melhora as vidas de seus admiradores. Não é, pois jogadores são tão úteis à sociedade quanto palhaços de circo. E essa declaração nunca é preconceituosa, se prestarmos atenção ao caráter exclusivamente lúdico do futebol. Até porque a função deles é somente divertir. 

Somos contra qualquer tipo de preconceito. Não vamos usar a etnia para criticar jogadores. Talvez a péssima escolaridade que possuem mereça ser criticada, mas junto com o estimulo à escolarização. Que jogadores possam estudar e se lembrar de que, sendo excessivamente influentes para a sociedade, tem a obrigação de estimular o intelecto, mesmo que isso nada tenha a ver coma profissão que atuam. Ser influente acrescenta novas responsabilidades que possam ser úteis à humanidade, não é, Neymar?

E lembremos dos não-brancos também fora do futebol. Conheço inclusive negros que detestam futebol e que, mesmo apoiando esta campanha, se sentem um pouco abandonados pelo foco que é direcionado apenas aos jogadores. Os não-brancos fora do futebol também merecem ser respeitados. Talvez ainda mais que os lúdicos jogadores, pois muitos estão em setores ainda mais úteis da sociedade.

E que o preconceito contra quem não curte futebol possa ser lembrado. Pois condenar o racismo no futebol e manter o preconceito contra quem não curte futebol, através do desprezo, xingamento e até medidas violentas como agressão física e demissões injustas, é certamente uma contradição que anula qualquer campanha anti-racista. Alguém que se declara anti-racista mas pratica outros tipos de preconceito, certamente anula qualquer tipo de militância. Certamente deve estar mentindo.

domingo, 27 de abril de 2014

Postagens anti-futebol no Facebook fazem publicitários moderarem em propagandas futebolísticas

Nos anos das copas anteriores, era muito comum nos primeiros seis meses a TV ser invadida por uma avalanche de propagandas onde o futebol era o principal assunto, mesmo que o produto a ser vendido nada tenha a ver com a famosa modalidade esportiva. Era um pesadelo ligar a TV para quem não curte futebol: uma overdose de irritar o mais tranquilo dos monges.

Mas este ano, nota-se que o intervalo televisivo se tornou mais equilibrado. Ainda há propagandas que mencionam o futebol, de maneira bem fanática e persuasiva. Mas elas se tornaram minoria nos intervalos. Os publicitários preferiram moderar na persuasão futebolística dos anos de copa. O que houve para que os publicitários freassem na sua capacidade de alienar a população?

Quem não usa internet deve ter estranhado, pois desconhece o possível motivo que fez com que as propagandas pró-copa se minguassem. Mas quem usa internet, sobretudo quem lê blogues e frequenta redes sociais, percebeu o motivo dessa contenção publicitária.

A internet se mostrou o único meio de comunicação realmente democrático que existe. Aqui, pessoas como eu e você podem escrever sobre o que pensa, sem esperar que aquele jornalista ou celebridade fale a ideia que só você defende, algo que na verdade nunca acontece, principalmente na TV aberta.

E é justamente na internet que estão aparecendo debates e textos que tentam devolver o caráter puramente lúdico ao futebol, difundido na grande mídia durante muitas décadas como se fosse um dever cívico, algo que nada tem a ver com a modalidade esportiva.

A publicidade sempre defendeu esse ponto de vista equivocado por acreditar que transformando em "dever cívico", estariam obrigando a população a comprar os produtos relacionados com o futebol, transformando a modalidade em fonte garantida de lucro. Uma grande galinha dos ovos de ouro cuja importância deveria, segundo os publicitários, ser aumentada sem qualquer tipo  de limitação.

Mas o plano deles caiu por terra, graças a descoberta de que o Brasil, além de possuir uma grande número de pessoas que não curtem futebol, esse número cresce cada vez mais, para a surpresa dos que dependem dos lucros futebolísticos.

E a campanha doentia que tenta insistir com a associação entre futebol e patriotismo, parece repelir cada vez mais as pessoas, pois além da associação entre uma forma de lazer e civismo ser evidentemente ridícula, toda a campanha feita para promover essa associação é ainda mais patética e surreal, transformando meros divertidores em "heróis da pátria". Como se a vitória da "seleção" pudesse trazer dignidade para o país (o que fatos reais provam justamente ser o oposto).

Com medo de estar se agarrando a algo claramente ridículo, os publicitários optaram por moderar suas propagandas pró-copa.  Ainda não há campanha pedindo respeito a quem não curte futebol. Mas só em eliminar a avalanche chata das propagandas futebolísticas já é um bom avanço. Sinal de que o Brasil demonstra sinais de que um dia irá acordar.