domingo, 23 de julho de 2017

Se meu desprezo pelo futebol te incomoda, é porque você me obriga a gostar

Dependendo do lugar, certos costumes tidos como positivos em um, podem ser negativos em outro. Existem certos costumes que são inacreditavelmente ofensivos em certos lugares. No Rio de Janeiro é ofensivo assumir o desprezo pelo futebol.

O Brasil considera o futebol como seu dever cívico. Mas no Rio de Janeiro e em estados onde o fanatismo é grande, como São Paulo e Rio Grande do Sul, o gosto pela citada modalidade esportiva é considerada uma regra de etiqueta. Assumir o não-gosto é como uma recusa ao contato social. 

Por isso que muita gente que nem curte futebol se apressa em escolher o seu time, mesmo sem saber o nome do principal craque e sua situação no campeonato local ou nacional. Os mais sociais escolhe entre os times mais populares. Os que não querem se arriscar em conversas infindáveis sobre futebol escolhem times menos famosos como o Bangu e o América, "favoritos" de quem detesta futebol.

Para quem não entende a reação do carioca diante de quem não curte futebol, é similar ao que acontece com evangélicos quando estão diante de um ateu. Por acreditar no absurdo de que o futebol "está no sangue" ou seja, "faz parte" da essência humana, tratam aquele que não curte como se fosse um desequilibrado. Como se o cérebro de quem despreza o futebol não estivesse funcionando direito.

Claro que para dar a impressão de que é democrático, pois ninguém gosta de se assumir autoritário, mesmo que de fato o seja, ninguém assume a intenção de obrigar os outros a gostar de futebol. Mas no cotidiano percebe-se que o conhecimento de alguém que não curte futebol gera um baita incômodo e um longo debate que obriga o não-torcedor a explicar a sua opção.

Não há lei que me obrigue a gostar de futebol. E existem muitos esportes que poderiam atrair público mas são ignorados pelo fanatismo compulsório pelo futebol. Não é porque milhões decidiram de forma SUBJETIVA de que o futebol é dever cívico que tenho que gostar. Tenho mais coisas a fazer do que perder 90 minutos preciosos vendo algo que não me dá prazer.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Porque os coxinhas usam camiseta da CBF?

Esta é uma pergunta que não se viu em lugar nenhum. nem mesmo sites de curiosidade se preocuparam em tentar entender o fato. Como se fosse comum usar um uniforme de time de futebol (sim, time de futebol: a "seleção" nunca passou disto) em manifestações sobre política.

A origem disso está em algo típico de nosso país e resultante de nossa ignorância, nossa noção distorcida de civismo e nosso desinteresse sobre política. É um erro que praticamente só os brasileiros cometem: confundir futebol com patriotismo. O que influi na nossa tolice de acreditar que vitórias no futebol interferem na melhoria da qualidade de vida da população.

Obviamente se os brasileiros não confundissem futebol com patriotismo, não sairiam a protestos supostamente cívicos com o uniforme de um time de futebol. Mas a tradicional confusão resultante da necessidade de impor o futebol como "orgulho nacional" e símbolo de identidade permite que ridiculosidades como usar camiseta de time em protestos políticos ocorram.

O futebol é a nossa unica noção de civismo, infelizmente. Em eventos de futebol é a única oportunidade que temos para cantar o Hino Nacional de forma apaixonada e aparentemente espontânea. Nos empenhamos em desejar a vitória da "seleção" a todo o custo, sem a dedicação que deveríamos ter em assuntos mais sérios. A Lei Áurea acaba de ser revogada e todo mundo fica quieto. E nós traumatizados com um 7 a 1 bobo que não interfere em nosso cotidiano.

É curioso ver camisetas da CBF nos protestos supostamente anti-corrupção (que na verdade eram anti-esquerda, em manifestações secretamente remuneradas por grandes empresários). Toda a CBF é corrupta, o que seria motivo suficiente para que ninguém usasse o uniforme da "seleção" na em protestos alegados contra a corrupção. 

A copa de 2002 foi claramente conquistada com muita trapaça e compra de atuações, ocorridas nos bastidores, longe das câmeras de televisão. Não por coincidência, copas ocorrem em mesmos anos que eleições para presidente, o que sugere que o resultado no futebol pode interferir nas eleições. O que reforça ainda mais a confusão entre futebol e pátria, cacoete exclusivo do povo brasileiro.

Por isso mesmo que os coxinhas saíram nos protestos anti-esquerda e (agora revelado como) pró-corrupção com a camiseta da CBF. Para quem considera o país como "Pátria de Chuteiras" e o futebol o nosso maior bem (Destruam a Petrobrás, mas não acabem com a "seleção"), a camiseta da CBF é o maior símbolo que temos para mostrar o nosso falso civismo.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Futebol e a noção brasileira de civismo

Brasileiro nunca foi um povo patriota. Adora tudo que vem dos países desenvolvidos (mesmo o que é ruim) e não se importa em ver bens e direitos arrancados em nome da exploração feita por esses mesmos países.

A única noção de patriotismo que o brasileiro tem é no esporte, sobretudo no futebol. Criando para ser apenas uma opção de lazer, o futebol se tornou hegemônico graças a uma intensa e repetitiva campanha publicitária que conseguiu transformar a modalidade em falso consenso de um país que deveria ser diversificado.

O resultado disso é o futebol transformado em obrigação cívica e social. Quem assume publicamente não curtir futebol é rapidamente isolado da sociedade. Por isso, muita gente, sobretudo mulheres, sem praticamente gostar do que observam na tela esverdeada, se apressam a escolher o seu time "do coração" sem praticamente saber qual o nome do artilheiro do alegado time, em geral um daqueles nomes ridículos que pessoas de baixa escolaridade adoram colocar em seus filhos.

A decepção com o resultado da última copa - com a realista derrota de 7 a 1 que foi desabafada pela onda de ódio conservadora que tomou o país - mostrou que para os brasileiros, o importante é ser bom no futebol. Até penso que se o Brasil todo for destruído e somente o Maracanã ficar de pé, os brasileiros respirarão aliviados, mesmo sem ter onde morar e sem ter o que comer.

Com a proximidade da Copa, os brasileiros já começam a agir para que o Brasil volte a ser a pátria de chuteiras. Esquerdistas e direitistas, brancos e pretos, ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças, nerds e pit-boys, todos trabalham para que sua única - e equivocada - noção de civismo seja preservada. 

A meta em ganhar mais uma copa irá se sobrepor ao desejo de melhorar a qualidade de vida e lá estaremos todos nós berrando feito alces no cio diante de um aparelho de televisão ligado na GLOBO (quem odeia a Globo? Parem de me enganar: TODOS AMAM A GLOBO).

E como tem sido desde que um brasileiro sentou no comando da FIFA: mais uma vitória no futebol, temperada com derrotas incessantes na vida cotidiana. Brasileiro, povo infantil, sempre priorizou a brincadeira acima da seriedade. Por isso, golpes ocorrem e  nunca deixamos de ser uma República das Bananas.

Então, paremos de hipocrisia e elegemos Neymar presidente o mais rápido possível. Se o Brasil é uma pátria de chuteiras, não há nada que o "melhor jogador do país" não saiba fazer para governá-lo.

domingo, 4 de junho de 2017

Futebol, um esporte conservador

Antes de falar sobre o assunto, é bom entender o que significa "obrigação social". Seres humanos são animais sociais e muitos dos benefícios que conseguimos na vida dependem de aprovação alheia. O que significa que parecer simpático diante dos outros facilita muito a aquisição de benefícios e a vitória na vida. Esqueça essa palhaçada de Meritocracia: ninguém vence sozinho.

Para a pessoa parecer agradável diante dos outros, é necessário cumprir algumas exigências consagradas pelo senso comum. A sociedade não possui uma liderança que cobre por regras não escritas, mas qualquer um pode agir como "fiscal" e verificar se fulano ou sicrano está seguindo as regras impostas pela sociedade. E o gosto pelo futebol é uma dessas regras.

No Brasil, o futebol não é tratado como uma forma de lazer. Futebol é tratado como um dever cívico. Talvez seja o nosso único dever cívico, já que tradicionalmente desprezamos o verdadeiro civismo (o nosso silêncio diante do fim da soberania nacional imposta pelo golpe comprova isso). E por ser um "dever cívico", é consequentemente uma obrigação social. Ninguém sente simpatia por um desertor da pátria, mesmo que isso signifique apenas alguém que não se diverte com futebol.

Isso explica a (falsa) unanimidade do futebol, onde muita gente, principalmente as mulheres, finge o gosto pela modalidade esportiva para que não seja mal vista pela sociedade e perca os direitos que dependam das decisões de outras pessoas. Mesmo que digam que "ninguém é obrigado a gostar de futebol", assumir o desprezo por esta modalidade esportiva incomoda muita gente que sonha em vê-lo como uma atividade unânime. Algo biológico, que faça parte da espécie humana.

O conservadorismo das forças progressistas

O parágrafo anterior foi colocado para explicar o verdadeiro assunto desta postagem: o futebol como força conservadora brasileira. Esperneiem a vontade, torcedores esquerdistas : futebol é um esporte conservador. É o traço conservador que os progressistas se recusam a admitir.

Bom lembrar que todo o povo brasileiro é conservador e até mesmo esquerdistas são avessos a mudanças mais radicais na sociedade. Certas coisas como bebidas alcoólicas, religiões e o futebol, integrantes tradicionais do cotidiano de forças retrógradas, devem ser preservadas. O conservadorismo do povo brasileiro não permite que certos costumes sejam mudados, inclusive para progressistas.

O problema é que o futebol, lazer simplório criado apenas para entreter, criou meios de se manter numa excessiva popularidade. Como o futebol em si é sem graça, foi preciso criar próteses que desse "magia" a modalidade. Essas próteses cheias de valores "nobres" atribuídas ao futebol é que atraem o público e justificam a sua (falsa) unanimidade. Pergunte a qualquer um que assuma gosta de futebol porque gosta dele e vai ouvir alguma dessas próteses usada como justificativa.

Popularidade do futebol e a sua confusão com a própria pátria

Interessante o apoio de personalidade progressistas ao esporte. É compreensível pelo fato de viverem numa sociedade onde o gosto pelo esporte é uma imposição social, quase como uma regra de etiqueta. mas não deixa de ser surreal, pois o futebol é o esporte oficial das forças conservadoras.

Há direitistas que amam futebol ponto de o confundirem com a própria pátria, como também fazem muitos progressistas. Ou acham que os entusiastas do golpe sairiam as ruas vestidos com a camisa da CBF se não confundissem futebol com o Brasil?

O próprio futebol da CBF depende do Capitalismo e da mídia para sobreviver. O recente rompimento da CBF com a Globo, fato comemorado precocemente pelos progressistas é algo a observar atentamente, pois a magia do futebol tem muito de influência midiática.

Sem a influência da grande mídia, pessoas que fingem gostar de futebol por motivos sociais poderão sair do armário e abandonar o suposto hobby, diminuindo drasticamente a quantidade de pessoas que assumem gostar de futebol, fazendo aos poucos com que a falsa magia embutida no futebol desapareça e a modalidade deixe de ser um dever cívico para retornar a sua função original e inerente de simples entretenimento.

Apoio de forças progressistas a um esporte com praticantes conservadores

O mais curioso é que o futebol, talvez por ser o nosso mais tradicional esporte, envolve muitos conservadores entre jogadores, equipe técnica, "cartolas" e jornalistas. O único jogador que sei que é assumidamente progressista, Sócrates, esta morto. De jornalistas ligados à modalidade, apenas Juca Kfouri e José Trajano assumem de fato a opção pelos ideais progressistas. Não progressistas entre os empresários e especuladores do futebol por razões óbvias.

Há muitos jogadores conservadores, vários iludidos com a falácia da meritocracia. Um deles, integrante da seleção, assumiu ser fascista, com declarações reprováveis. Neymar, extremamente popular e influente, tem amigos entre conservadores. Bolsonaro, recentemente se comparou com Neymar em uma declaração. Como vê, jogadores em geral tendem para a direita, pois a maneira rápida como vencem na vida os coloca do lado oposto ao dos progressistas, por se tornarem magnatas "sem preparo", portadores de uma forma mais alienada de elitismo.

Mas como existem roqueiros que adoram um esporte cujos maiores atletas odeiam este gênero musical, não parece estranho que progressistas gostem de um esporte praticado por conservadores. O fato do Brasil ser um país que permite contradições permite estas aberrações: ver progressistas aplaudindo toda a magia permitida pelos mais retrógrados "cartolas" de futebol. Gostem ou não, o futebol, sem os "cartolas" voltaria à várzea, perdendo boa parte da falsa magia a que lhe é atribuída.

Não estou dizendo para que progressistas deixem de gostar de futebol. Mas largassem a boa fé que aumenta a importância daquilo que deveria ser encarado como mera diversão. É enxergar o futebol como instrumento utilizado pelo Capitalismo para manipulação mental dos adeptos e desvio de foco de assuntos mais importantes.

Pois para quem acha que futebol é patriotismo, acha também que somente a citada mobilidade trará dignidade para a sociedade brasileira, senão resolvendo os problemas, mas servindo de compensação para um país que insiste em recusar a progredir.

domingo, 21 de maio de 2017

Maioria dos brasileiros se sente obrigada a gostar de futebol

Interessante. Duas das frases consagradas pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, que gostava (mesmo!) de futebol e por isso foi também cronista esportivo, podem servir de comentários sobre o fanatismo do brasileiro pelo futebol:

"O Brasil é uma pátria de chuteiras".
"Toda unanimidade é burra".

O Brasil é conhecido pelo intenso e maciço fanatismo pelo futebol. Mas é estranho para um país conhecido pela sua diversidade, com um imensidão territorial e uma gigantesca quantidade de pessoas de várias etnias, origens e personalidades, ter apenas um, eu disse UM único hobby esportivo. Isso só é possível se o futebol for considerado uma obrigação social. Uma situação onde as pessoas são obrigadas a gostar de futebol para serem aceitas socialmente.

Na verdade, o futebol é o que se pode conhecer como falso consenso. É quando o senso comum combina com grande maioria das pessoas, através da mídia e de regras sociais, o que todos devem fazer. Pega-se uma atitude, agrega-se a ele valores positivos ou até mesmo nobres e estimula quase toda a sociedade a tomá-la, como se fosse a sua "honra".

Somente uma minoria de brasileiros gosta de fato de futebol

Cerca de 80% (pensavam que o numero era maior?) das pessoas, segundo uma pesquisa que eu vi em redes sociais, poucos anos atrás, admitem publicamente que gostam de futebol. Desses 80%, somente 40/80 gostam de fato e 20/80 demonstram algum conhecimento técnico sobre o esporte.

Se pararmos para pensar, somente uma reduzidíssima quantidade de pessoas gosta de fato de futebol. Grande maioria finge gostar por motivos sociais. O futebol é o maior agregador social para o brasileiro, seguido das religiões e das drogas (lícitas e ilícitas) em geral. 

Para a grande maioria, ficar diante da TV berrando a cada entrada de bola em uma rede, é o suficiente para admitir o gosto e assim obter a aceitação social de quem pensa que gostar de futebol é sinônimo de "simpatia".

O futebol em si não possui características que estimulem a sua imensa popularidade. Boa parte da magia atribuída ao futebol é postiça. Pergunte a quem se assume gostar de futebol: os argumentos de defesa mais comuns que você ouvirá sã os seguintes:

"É prazeroso ver a torcida unida em torno de um ideal".
"Gritar quando acontece um gol é a oportunidade para extravasar"
"Ver o nome do país se destacando diante do mundo através do esporte é o máximo".

Reparou que nenhum dos argumentos de defesa fala do futebol em si mas dos valores que são agregados artificialmente à modalidade? Uma prova que o que atrai as pessoas ao futebol é, além dos motivos sociais, das próteses enobrecedoras colocadas em torno de um esporte sem graça, praticado por atletas de baixíssimo nível intelectual e que envolve muito dinheiro sujo e compras de resultados para favorecer dirigentes e alguns jogadores.

Futebol como falso consenso para uma sociedade diversificada

Outra coisa: foi comprovado através de estudos que seguir a maioria é instinto de sobrevivência. Pessoas sabem que obedecer regras sociais traz vários benefícios, principalmente nas relações amorosas e profissionais, que dependem de decisão de outras pessoas para serem adquiridos. 

Por isso que mesmo com vocação à diversidade, os brasileiros tentam desesperadamente criar um falso consenso para forjar harmonia e concordância. E para isso que existe o futebol, supostamente cultuado por pessoas de todos os tipos, raças, crenças, tribos: ricos e pobres, capitalistas e socialistas, homens e mulheres, negros e brancos, gordos e magros, nerds e atletas, bregas e alternativos, cristãos e ateus, bandidos e benfeitores, etc. Juntar pessoas totalmente diferentes e até mesmo em pé de guerra entre si é objetivo do  falso consenso.

O futebol é a nossa maior regra social e enquanto ele for considerado como tal, as pessoas irão colocar as suas camisetas de times e berrar muito. Mesmo que o resultado de um jogo nada signifique para as suas vidas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Se depender da Globo, brasileiros não dormirão cedo nas noites de quarta

Não é só na política que a Globo é contra a população. A Globo, que decide pelo horário dos jogos por razões de faturamento por publicidade, sempre foi criticada por estipular as noites de quarta-feira para a ocorrência de jogos. Isso prejudica tanto quem assiste aos jogos nos estádios, devido às naturais dificuldades de retornar para casa, quanto quem deseja dormir cedo, incomodado com vizinhos irresponsáveis que berram muito durante os jogos.

A Globo bateu o pé e garantiu que manterá o horário de 21:45 nos jogos de quarta, argumentando que é mais lucrativo. Especialista em lucrar muito com o prejuízo alheio, a emissora responsável pelo golpe político de 2016, através do diretor de eventos esportivos, mandou a seguinte nota:

“Esse é um bom ponto, debate sempre válido, saudável quando você concilia as necessidades de todos os players envolvidos. A Globo não exibe o futebol às 21h45, aliás, exibia às 22h e antecipou, e sempre trabalhou muito firme pela pontualidade nas transmissões por um capricho. Isso está relacionado a um modelo de cobertura televisiva e até mesmo impacta na remuneração desses direitos”.

Será que é preciso arruinar com o cotidiano dos brasileiros para obter lucros financeiros? Porque não arrumam outro jeito de ganhar muito dinheiro? Não é anti-ético lucrar com o prejuízo de brasileiros que acordarão cedo no dia seguinte para trocar um esforço duro por um mísero salário que mal dá para comida?

Eu mesmo estou com a saúde debilitada por noites mal dormidas por uma vizinhança que insiste em transformar o bairro onde eu moro em um estádio de futebol, berrando a altos níveis de decibéis. Hoje, meu horário normal de dormir passou a ser 1:15 da manhã e no dia seguinte trabalho com o desempenho bastante reduzido. 

Só isso já serve para conhecer o mal caratismo dos dirigentes da Globo, que se escondem atrás da religiosidade para fingir o bom mocismo, enquanto arruína com as vidas de milhões de brasileiros.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ex-primeiro ministro português mostra a verdadeira importância do futebol

Quando eu critico o futebol não é a modalidade em si que critico e sim a importância dada a modalidade esportiva, que no Brasil é mais do que frequentemente confundida com dever cívico e obrigação social. 

No Rio de Janeiro, a coisa é ainda mais radical, pois o gosto pelo futebol é tratado como uma etiqueta social, obrigando todo carioca a escolher um time para torcer (de preferência um dos quatro principais), sob pena de ser excluído do convivo social. Falam que o gosto pelo futebol não é obrigatório, mas assumir desprezo pelo futebol causa desconforto nos cariocas, que quase sempre reagem mal.

Tenho absoluta certeza do fato de que Charles Miller não estava com intenções de criar um símbolo cívico quando trouxe o futebol - sim, ele é esporte gringo: nosso "maior símbolo" é importado! - para o país. E pelo que se observa neste vídeo, o ex-primeiro ministro português, do contrário que imensas multidões no Brasil, também não enxerga no futebol um dever cívico.

Santana Lopes foi convidado por um telejornal português para dar uma entrevista importante sobre a crise mundial e os efeitos dela sobre a economia portuguesa. Durante a entrevista, ele é interrompido para uma espécie de "plantão" onde mostrava a chegada no aeroporto de um técnico de futebol, uma informação banal e que poderia ter sido facilmente ignorada ou no máximo, mostrada mais tarde, sem necessidade de plantão e de interromper uma entrevista.

Santana Lopes, sensatamente, se sentiu ofendido com a interrupção e reconheceu a futilidade do futebol, que na verdade nunca passou de mera forma de diversão, sendo totalmente supérfluo para a melhoria do bem estar da sociedade. Lopes se recusou a continuar a entrevista, falando de forma firme, mas gentil e agradeceu a participação. A jornalista insistiu com a continuação da entrevista e Lopes, alegando desrespeito, insistiu em encerrar a entrevista.

Concordo plenamente com Danta Lopes e aplaudo de pé. Eu mesmo já falei a amigos, que não gostaram muito do que eu disse: se uma namorada minha se recusar a sair comigo para um passeio romântico, por causa de um "importante" jogo de futebol, encerro o namoro na hora, pois mesmo que ela ame tanto o time quanto eu, não gosto de ser igualado a algo ao mesmo tempo abstrato e fútil e que nunca conseguiu melhorar a sociedade como um todo.

É como eu digo, o Brasil só vai se evoluir quando tratar o futebol como mero lazer. Enquanto ele for confundido com dever cívico, coxinhas vão continuar saindo para as ruas para combater a corrupção usando a camiseta da CBF e esquerdistas vão continuar insistindo na conversa fiada de que o futebol vai mudar o mundo e conscientizar as pessoas.

O povinho infantil este, o brasileiro, que coloca uma mera brincadeira acima de tudo. Estamos nessa desgraça de sub-desenvolvimento porque ainda continuamos muito imaturos. Cresçam, brasileiros, cresçam!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Atlético PR e Coritiba vão sim transmitir seu jogo pela internet

Não curto futebol mas respeito como forma de diversão (embora não respeite como dever cívico). Eu fiquei muito feliz com a decisão, ao mesmo tempo inédita e histórica de transmitir um jogo ao vivo pelas redes sociais usando o YouTube como plataforma. 

Será um ótimo meio de se assistir a um jogo e ao mesmo tempo dar um soco na gananciosa e manipuladora Globo, que a cada dia que passa, se mostra alinhada com as forças estranhas do poder. 

Para quem gosta de futebol, eu recomendo prestigiar, para que este tipo de transmissão se torne rotina, criando outra forma de curtir futebol sem a narração e comentários de pseudo-jornalistas parciais que parecem mais cheerleaders, contratados por uma rede acostumada a impor gostos, ideias e costumes para a população brasileira.

Será hoje, a partir das 20h, no YouTube, com transmissão ao vivo, no exato momento do jogo.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Principais times curitibanos de futebol protestam contra a Globo

O assunto do dia foi o fato de dois times de futebol do Paraná (logo do Paraná, Sérgio Moro e Dallagnol!), O Atlético Paranaense e o Coritiba terem enfrentado a Globo, que ofereceu aos dirigentes uma quantia inferior a merecida na hora de negociar a transmissão pela televisão.

Numa atitude inédita, os times, que não conseguiram entrar em acordo com a Globo, acertaram com o YouTube a transmissão do jogo. A justiça, sempre do lado da Globo (não é, Sérgio Moro e Dallagnol!) decidiu proibir a transmissão da partida, que acabou não acontecendo por decisão dos próprios jogadores. Mais informações sobre o ocorrido, neste link.

Jogadores de ambos os times, que na ocasião ignoraram a rivalidade se unindo contra o abuso da Globo, junto com a torcida, se deram as mãos, torcida e jogadores se aplaudiram mutuamente uns aos outros e vaiaram juntos as Organizações Globo. Uma atitude inédita que já é considerado um marco.

Atitude louvável que pode tirar a "magia" do futebol

Apesar da atitude ser louvável, sabe se que a mitologia do futebol como dever cívico e social foi criado e consagrado pela mídia, com apoio das convenções sociais. O rompimento dos times de futebol com a mídia e a diminuição do poder de cartolas pode tornar o futebol um esporte apenas para torcedores.

Com isso, o futebol passaria a ser curtido apenas por quem realmente gosta e acompanha a trajetória dos times, fazendo desaparecer a sua condição de obrigação social, que tem feito muitos leigos a se unirem a multidões para berrar junto a cada entrada da bola na rede, só para se sentirem incluídos na sociedade e se beneficiar das prerrogativas oferecidas pelas regras de etiqueta social.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Esquerdas ignoram que gosto pelo futebol é manipulação da mídia

Os esquerdistas criticam, com sensatez e sabedoria, a capacidade da mídia de manipular mentes para que a sociedade passe a pensar e agir de acordo com as convicções e interesses dos empresários que mandam na política brasileira e mundial. Que a mídia oficial é manipuladora, sobretudo a televisão, isto é um fato.

Mas as esquerdas inocentemente ignoram que o fanatismo futebolístico, acreditado que a suposta unanimidade - esquerdistas passam longe do debate sobre o direito de gostar ou não de futebol - que caracteriza a "Pátria de Chuteiras" é natural, sendo programada no cérebro "sadio" de qualquer cidadão brasileiro. 

Mas como diz o mesmo criador do termo citado entre aspas, o dramaturgo e cronista esportivo Nelson Rodrigues, toda a unanimidade e burra. Na verdade unanimidade não combina com um país diversificado como o Brasil. Alguém haveria de não gostar de futebol.

Estranho os intelectuais de esquerda ignorarem este fato. Quando falam em política, economia e Direito, os esquerdistas são bem sensatos, mas quando falam em cultura e esportes, costumam pisar em cocô. Ignoram que justamente na cultura e nos esportes que está o sucesso da manipulação ideológica que prepara as mentes humanas para serem hipnotizadas diante de outros assuntos. 

Através da novelização dos fatos e de metafóricas comparações futebolísticas, as pessoas passam a entender de firma errada como funciona a política, a economia e as forças que as controlam. Travar as mentes humanas através do lazer, que é o tempo que qualquer pessoa se encontra livre para decidir, já que no emprego, ela está submetida a vontade alheia, é o principal ponto de partida para a alienação mental que irá fazer com que as pessoas tenham dificuldade de entender a realidade.

Futebol como instrumento de manipulação mental

O futebol é um excelente meio de manipulação mental. Insosso por suas características próprias, sua magia que fascina a quase todos não está na modalidade em si, mas na mitologia que é construída ao redor. Uma prova disso pode ser adquirida se proibirmos os torcedores de berrar durante os gols. Rapidinho, o futebol passará a perder a graça, pois é a única situação onde a pessoa pode agir de forma histérica sem que isto possa ser considerado uma gafe.

A magia do futebol está na sua capacidade de sociabilização. Sua suposta (e mitológica) unanimidade dá a ilusão de que o futebol é um elemento que favorece a união entre as pessoas. Um falso consenso que consegue unir pessoas de pensamentos bem diferentes, muitas vezes opostos. Não por acaso, esquerdistas e direitistas tem opiniões muito parecidas sobre o fanatismo pelo futebol, apesar de tratarem a modalidade, sobretudo quanto a aspectos administrativos, de formas diferentes.

Como eu falei, o debate sobre o direito ou não de gostar de futebol é solenemente ignorado pelas esquerdas. A direita estranhamente já tocou no assunto, mas de uma forma elitista - futebol é esporte "de pobre" - o que além de preconceituoso, desvia o foco da verdadeira discussão que é o direito de não gostar de uma forma de lazer excessivamente popular. Para direitistas, fica a impressão de que o problema do futebol é ter jogadores e torcedores das classes pobres e não a sua capacidade de manipular mentes e de estimular a alienação.

Três coisas que as esquerdas creem sobre o futebol é que 1) é um dever cívico que deve ser tratado e preservado como tal; 2) de que não é instrumento de manipulação; 3) deve se separar o futebol em si da influência de cartolas corruptos, como se o futebol pudesse manter a sua magia sem a gestão econômica dos donos e patrocinadores dos times de futebol.

É preciso estar atento pois a influência do futebol na manipulação mental das pessoas é explícita e inegável. Ignorar isto é contribuir para que o futebol continue sendo um instrumento de manipulação ideológica, quando deveria nunca passar de mera forma supérflua de diversão para quem nada tem de importante para fazer.