quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Brasil não é um país. É um estadio de futebol. Ame o futebol, ou deixe-o


Triste é o povo que confunde nação com uma brincadeira. Uma brincadeira tão útil para a dignidade humana quanto um reles jogo de Amarelinha. Mas para muitos o jogo da camisa amarela é superior à Amarelinha. Para uma grande fatia da população, futebol traz dignidade sim.

Não sei de onde tiraram essa ideia de que futebol traz dignidade. O futebol, além de ser mera forma de lazer, é das mais simplórias. É até sensato que algo tão simplório seja a diversão favorita de um povo tradicionalmente simplório. Não há nada de genial, brilhante e mágico no futebol em si. Boa parte da "magia" é prótese embutida pela mídia e consagrada pelo senso comum.

Vejam só: 11 caras vestidos com a mesma camisa correndo atrás de uma bola para chutá-la a uma rede. Ao chutá-la, uma multidão sentada em cardeiras começa a berrar histericamente. O que há de mágico nisso? Berrar traz dignidade? Se me dissessem que o futebol seria uma forma de desabafo, eu acreditaria.

Mas o futebol não somente é sinônimo de dignidade para muitos como é considerado símbolo pátrio, um dever cívico-social inadiável e irrefutável. Não raramente considerado como substituto da qualidade de vida. Falta comida, casa, dignidade, mas se "meu time" ou a "seleção" vencerem, eu sou feliz, eu vivo bem. É este o pensamento dos que confundem futebol com pátria.

É triste ver que uma nação quase inteira considera prioridade as conquistas em um campeonato muito menos importante que uma gincana. Pelo menos na gincana, há a oportunidade de integração social legítima entre os participantes e público, algo que e bastante hipócrita em copas do mundo de futebol.

Considerada prioridade número 1 dos brasileiros, tudo será feito de honesto e também de desonesto para que a "seleção" não deixe de ir a próxima copa. Por ser interesse maior, senão único do povo tupiniquim, é uma excelente fonte de renda para empresários e políticos e uma excelente alavanca de manobra do povo que costuma ficar mais alienado em épocas de copa.

E o povo, em épocas de copa, acaba priorizando um supérfluo, vivendo e pensando em torno dele. Torcedores ficam muito mais interessados na vitória de 11 analfabetos enriquecidos do que com a quantidade de nutrientes que consegue se alimentar diariamente em sua vida cotidiana. A morte é certa, mas uma morte feliz com a alegria supérflua de uma vitória no futebol.

Para muitos foi ótimo ver neste ano o Dia da Pátria ter caído em dia de futebol. Nosso país não passa de um estádio de futebol muito mal construído. O país vai mal, o povo vai mal, estamos numa ditadura, mas se o "deus" Neymar conseguir alimentar nossas tolas ilusões, estaremos felizes. nem que seja de mentirinha. A realidade que recusamos melhorar já não nos interessa mais.

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