quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O racismo contra os jogadores e o preconceito contra quem não curte futebol

Não param de acontecer supostas demonstrações de racismo contra jogadores não-brancos. Isso é algo inaceitável, pois por mais defeitos que os jogadores tenham, nenhum deles está relacionado com a sua etnia. Mas as mesmas pessoas que condenam os preconceitos contra jogadores praticam outra forma de preconceito: a rejeição contra os que não curtem futebol.

É ainda uma forma de preconceito que embora muito praticada, é pouco difundida. Não é considerada uma forma de preconceito. O sistema acha que os não-torcedores poderiam negociar com os torcedores e ir assistir ao futebol pois "futebol não machuca, não morde e não mata". 

Mas ninguém gosta de fazer as coisas por obrigação sem nada em troca e o direito dos não-torcedores deve ser respeitado. Se os torcedores exigem mais do farto respeito que recebem pelo direito de gostarem de futebol, porque quem não gosta de futebol pode defender o seu direito de passar longe dessa modalidade esportiva?

Na verdade, o que incomoda os entusiastas do futebol é a ideia de que o seu gosto não é unânime como pensavam. A unanimidade era boa porque além de trazer a falsa ideia de união da humanidade, dava a ilusão de ser algo biológico, "que está no sangue", como se fizesse parte da natureza humana gostar de futebol. E não faz. E não fazer irrita os torcedores.

Por isso que é observado algo similar ao que acontece na guerra religiosos x ateus. Ateus são sempre humilhados de forma cruel pelos religiosos. Na "religião da bola", não gostar de futebol é algo bastante reprovável. Quem não gosta é obrigado a aturar um festival de humilhações.

Uma dessas humilhações é a acusação de que quem não curte futebol quer acabar com o hobby, destruir estádio, matar torcedores. Uma acusação grave e altamente caluniosa. Quem não curte futebol só quer mesmo passar bem longe dele e não ficaria perdendo tempo destruindo a distração alheia. Hooligans adoram futebol, mas manifestam seu prazer excessivo usando a violência, já que desejam defender seus times e ídolos de forma mais agressiva.

As pessoas deveriam parar de exigir que os outros goste de futebol. Infelizmente a ideia do gosto pelo futebol como obrigação cívico-social tem feito com que muitas pessoas fingissem ser torcedores, escolhendo times e ídolos quando na verdade demonstrar estar pouco interessados sobre o que acontece nos gramados. É a necessidade de sociabilização somada ao medo de ousar, de nadar contra a correnteza. Estima-se que o numero de pessoas que realmente gostam de futebol seja infinitamente inferior ao que se sabe.

A culpa disso é da mídia, a reguladora social, que sonha com a suposta unanimidade do prazer futebolístico. Os que gostam se iludem com o que veem na tela e se propõem, como pseudo-legisladores sociais, a cobrar essa unanimidade, fazendo com que os não-torcedores sejam obrigados a no minimo colocar um time na carteira de identidade.

Esperamos que este tipo de preconceito acabe. Não adianta condenar uma forma de preconceito praticando outra. Os que desprezam o futebol têm tanto direito à felicidade quanto os jogadores não-brancos que fazem a alegria das arquibancadas.

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