domingo, 31 de maio de 2015

Revelações sobre corrupção irão acabar fanatismo futebolístico?

O assunto desta semana foi a prisão de vários dirigentes da FIFA, incluindo integrantes da cúpula da CBF e o ex-presidente da entidade, José Maria Marin, amigo de Paulo Maluf e ex-carrasco da ditadura. 

O fato acabou deixando vazar aquilo que somente os mais informados já sabiam e que foi mencionado em livros como O Lado Sujo do Futebol e Jogo Sujo, O mundo secreto da FIFA (que teve uma continuação, Um Jogo cada vez mais Sujo). A verdadeira sujeira por trás de um esporte que para muitos virou a razão de viver e regra social mais do que obrigatória.

Muito está sendo mencionado sobre este escândalo que é desnecessário falar aqui. Digitem em um site de buscas tipo Google "corrupção + futebol" e vão achar muita coisa. O que quero colocar aqui é até que ponto este escândalo vai influenciar no fanatismo futebolístico da maioria das pessoas.

Futebol, um ópio impossível de se largar

Muita gente deve estar preguntando se vale a pena continuar gostando de futebol sabendo agora das falcatruas que influenciam até os resultados. Só para dar um exemplo, coincidentemente, o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, melhorou muito o seu desempenho quando o corrupto e antipático dirigente Eurico Miranda voltou ao comando do clube.

Há muito tempo se nota a corrupção no futebol. Sobretudo no Brasil. Os dirigentes brasileiros conhecem a tara incontrolável de muitos brasileiros pela modalidade esportiva. Gente que prefere morrer de fome do que ver seu time perder. Gente que ama mais seu time do que a própria mãe. Esse fanatismo favorece para que torcedores se submetam a dirigentes e patrocinadores, fazendo cegamente tudo que estes poderosos senhores querem.

E dinheiro chama dinheiro. Torcedores capazes de pagar tudo pelo vício futebolistico sustentam toda esta farsa de resultados combinados e pura encenação, capaz de transformar um menino medíocre como Neymar (só acha ele genial quem não conhece o futebol em seu auge, muitas décadas atrás) em um "deus" da bola, com direito ao típico fanatismo religioso em torno do jovem santista. E mesmo sendo uma farsa, não há que esteja disposto a largar o futebol por causa dessa decepção.

Acho muito difícil, quase impossível, que torcedores larguem o futebol por causa desses escândalos. A tendência é separar o futebol dos cartolas. Uma separação artificial, já que o futebol não se sustenta sem a cartolagem. Se for como os torcedores imaginam, se baseando na tolice infantil de que o "futebol pertence ao povo", o futebol profissional perderá glamour e se tornará igual aos praticados todos os finais de semana nos campos de várzeas das localidades mais pobres.

E o que restará disso?

Vai tudo continuar na mesma coisa, pois o fanatismo cultivado por décadas de vida não vai acabar assim de uma hora para outra. Melhor dizendo: restará duas opções para os torcedores:

- Largar o futebol e procurar um esporte mais honesto (geralmente menos popular);
- Ou assumirem que são cúmplices de cartolas e aceitar a manipulação de resultados, fingindo honestidade onde realmente não há.

Bem provável que torcedores optem pela segunda alternativa. Futebol é como uma novela, com roteiros prontos e final pré-determinado. Na maioria dos jogos, os jogadores já entram sabendo o que fazer e como terminarão as partidas, conhecendo muito bem o vencedor.

O dinheiro que circula o meio é altíssimo e tudo será feito para manter fanatismo. Não adiantará os torcedores tentarem separar o futebol da corrupção senão a magia acaba. Quem conhece a História sabe muito bem que os melhores resultados coincidem com períodos de maior roubalheira.

Está na hora de procurar outro esporte para curtir. Badminton e curling parecem ser duas boas sugestões.

domingo, 26 de abril de 2015

Rede Globo nunca respeitou quem não curte futebol

A Rede Globo sempre se empenhou em uniformizar o pensamento da sociedade brasileira, se baseando sempre nos interesses e no ponto de vista da Família Marinho, que administra a emissora de televisão.

É interessante que haja uma mídia manipuladora que impeça o pensamento diversificado para que o sistema se mantenha desigual e os privilégios de políticos, empresários e celebridades se mantenham intactos. Por isso mesmo, todo o esforço e válido para que a TV construa os valores que acha que a sociedade deve acreditar e que acaba acreditando. E o futebol é um desses valores.

Durante muitas décadas acreditamos que o futebol era uma unanimidade. Misto de compromisso com paixão, uma lei informal que era cobrada com absoluto rigor. Para muitos ser "brasileiro" é gostar de futebol. A ponto de muitos ainda confundirem o país com o próprio futebol, saindo com a camiseta da corrupta CBF para pedir o fim da corrupção (??!!), achando que a "seleção" e o país são a mesma coisa. Tolos.

Essa ideia de unanimidade compulsória do futebol ainda continua. Mas desde que surgiu a internet, essa ideia deixou de ser absoluta. E isso é o que incomoda aqueles que viviam na falsa concordância do futebol-unanimidade. 

Uma novidade se instalou no país: embora ainda curtido por uma maioria esmagadora, o futebol deixou de ser uma unanimidade. E melhor, a internet questionou a unanimidade que nunca existiu, já que quem não curtia futebol sempre teve o seu "bico" calado, sem direito de se manifestar.

E a Rede Globo, até hoje, ainda prefere fazer vista grossa aos que não curtem futebol. Para a Vênus Platinada, brasileiro e torcedor de futebol são sinônimos e quem não curte futebol não existe. 

Claro que por ser parceira dos cartolas, de escolher horários de jogos, de receber e dar patrocínio a times, é interessante para a Rede Globo forjar a unanimidade do futebol. Quem não curte futebol que se vire para se divertir e para arrumar amigos. Até porque como "desertor social", os não-torcedores acabam sempre abandonados pelas pessoas "normais" nas horas de jogo.

A Rede Globo nunca fez algo que pudesse estimular o respeito para quem não curte futebol. Na contramão, torcedores estranhamente reivindicam respeito com insistência, como se eles é que fossem os excluídos da sociedade. Mesmo tendo o apoio de multidões, da mídia e de autoridades políticas, que só trabalham para quem curte futebol.

Quem não curte é solenemente esquecido. E quando é lembrado, é tratado como louco, como malvado, como bandido, como se quisesse destruir estádios, matar jogadores e rasgar uniformes de time. Nada disso. O não-torcedor é um ser pacifico e seu único desejo é estar alheio à "grande festa da torcida brasileira". E nada além disso.

Mas infelizmente, para a grande mídia o futebol ainda é uma unanimidade. Salvo notas publicadas esporadicamente na Folha de São Paulo e em reportagens na MTV, os não-torcedores ainda continuam solenemente ignorados pela mídia oficial, embora estejam aumentando em quantidade e causem bastante barulho na internet.

O mito da unanimidade do futebol é mais um fator que prova que a ídia não respeita a diversidade de pensamentos, quem impor ideias, manipula e mente. Os supostos paladinos da liberdade de expressão não querem nos dar essa mesma liberdade. Continuemos apensar como a mídia quer, achando que vivemos não em um país, mas em um estádio de futebol, sendo obrigados a transformar esta forma de diversão em prioridade máxima para a sociedade brasileira. 

Neste jogo, o bom senso ainda perde de goleada.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A corrupção do PT não pode, mas a da CBF/NIKE pode

Uma das coisas mais observadas nos protestos de ontem é o fato de que muita gente foi com a a camiseta da "seleção" para as ruas, certamente com aquele mito de que a "seleção" é o país, o país é a "seleção". Só aí, uma ignorância total.

Mas um protesto contra a corrupção, isso soa contraditório, o que prova que a maioria dos que foram a manifestação são alienados, mesmo pensando que se juntando a ela, se tornaria politizado da noite para o dia.

Dá para perceber o caráter alienado da manifestação, onde muitas frases sem sentido e defesas alucinadas ao conservadorismo mais anti-humanista possível (legal é defender "valores", não defender pessoas). Somado a isso, temos a utilização de camisetas da "seleção".

Pedir o fim da corrupção usando a camiseta da "seleção" é ignorar que a referida "instituição mais valorizada pelo brasileiro" é um verdadeiro gramado para a jogatina corrupta de cartolas, políticos, empresários e até alguns jogadores. Vários destes já viraram cartolas (Ronaldo Fofômeno que estava na passeata que  diga) e outros poderão virar, como o Neymar, que demonstra vocação para dirigente esportivo e segundo indícios, está sendo treinado para isso. Somente as boas relações do jogador arroz-de-festa com os cartolas já serve como um bom sinal.

Quem leu os livros sobre corrupção no futebol teria vergonha de vestir a camisa da "seleção" nos protestos de ontem. Mas a desinformação foi geral. Isso se não bastasse o desconhecimento que a maioria dos manifestantes tem da História do Brasil.

Claro que quem acha que "é só tirar o PT do poder que tudo melhora" vai se contentar com isso, ignorando que não existe corrupção do lado de fora do partido que nasceu dos trabalhadores. Como a maioria das pessoas presentes as manifestações mal saiu da Caverna de Platão, a noção de mundo deles é ainda bastante rasa. Eliminemos não a corrupção, mas eliminemos os corruptos que odiamos. E os outros corruptos, ficarão impunes?

Pelo jeito que sim, já que o objetivo mesmo não é bem acabar a corrupção. O objetivo é ver algum representante das elites abastadas  de volta ao poder. A intervenção militar reivindicada seria apenas para criar meios de algum empresário poderoso ou um representante deste tomasse o poder e governasse o país como que lidera uma empresa. Corruptos que estejam fora de com poderá ficar bem sossegados, pois a mídia colocou um bode expiatório para pagar por eles.

Tudo um festival de alienação nesse carnavalzinho disfarçado de protesto político. as manifestações não acabarão com a corrupção, se imitando a tirar do poder um grupo que se tornou incômodo para a sociedade. E isso será a unica coisa a ser feita, caso o impeachment seja aprovado.

E os corruptos da CBF/NIKE felizes porque a população os ama, utilizando a amista que eles produzem como uniforme de guerra contra os "petistas malvados", supostamente inventores da corrupção. E é isso aí.

Tiremos uns corruptos e coloquemos outros corruptos o lugar. E tudo não passará de mais do mesmo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Torcedores pacíficos usam torcedores agressivos para reforçar preconceito contra quem não curte futebol

Embora ninguém assuma, os brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Se isso não fosse verdade, ninguém estranharia o fato de um brasileiro se assumir alheio ao esporte mais popular do país. Toda vez que alguém assume não gostar de futebol, chovem comentários revoltados e pressões para que o cidadão mude de ideia.

Estranho que mesmo amparados por mídia e por regras sociais, sã os torcedores que agem na defensiva, como se a qualquer momento, seu gosto pelo futebol, protegido por toda a sociedade, pudesse ser repentinamente proibido sem o menor aviso.

Mas os torcedores de futebol que se julgam pacíficos encontraram um jeito de, além de proteger seus interesses, condenar quem se atreve a romper a "sagrada" unanimidade do gosto pelo futebol, pois para os torcedores, essa suposta unanimidade lhes dá ilusão de ordem e confraternização.

Andam aparecendo comentários, sejam nas redes sociais, sejam nas conversas de rua, a respeito dos torcedores violentos que vão aos jogos para agredir adversários. Simplesmente os acusam de não gostarem de futebol, reforçando a acusação de anti-social dado a quem não curte futebol.

Fica a impressão de quem não curte futebol é louco, vive de prejudicar os outros e não sabe se comportar na sociedade. Até porque quem não curte futebol, acaba por desobedecer uma valiosa e rígida regra social, "sinônimo" de "respeito mutuo". Por mais estranho que pareça, quem não curte futebol é que é mais pacífico e normalmente mais altruísta, pois os problemas sofridos pelo preconceito e pela falta de sossego (torcedores berram muito) os fazem entender melhor a dor alheia.

Se esquecem esses torcedores pacíficos que os torcedores violentos adoram futebol, bem mais que os pacíficos. Agem desta maneira por fanatismo e por acreditarem que adversários na merecem viver bem. Os torcedores pacíficos não lembram que futebol é uma competição e competições estimulam  egoísmo e o desrespeito aos outros. É mais do que natural que em eventos esportivos, canalizadores de muitas doses de testosterona, queiramos que os outros se ferrem. 

Esse papo de que esporte une as pessoas é conversa para boi dormir e sinal de total ignorância. Se esporte não fosse competitivo, seria compreensível. Mas como estimula a competição, tirando do outro o direito ao beneficio (no caso, os prêmios pelas vitórias), é esperado que haja esse tipo de agressividade, que não está ausente nos torcedores considerados pacíficos, mas é controlada e manifestada através dos grunhidos a cada momento de tensão ou de comemoração durante os jogos.

Esta acusação de que os torcedores violentos não gostam de futebol é uma oportunidade triste para que os não-torcedores sejam jogados no meso balaio dos agressores, aumentando ainda mais o preconceito sofrido por quem não se interessa pelo supérfluo que da mais orgulho aos brasileiros.

Essa agressividade das torcidas agressivas é natural, está relacionada à competitividade e só vai parar se não houver mais competição, com todas as equipes e atletas ganhando só por participar. Mas aí  o esporte deixará de ter sua principal graça:de servir para gorilas humanos, pacíficos ou não, de soltarem seus urros a simbolizar  falso orgulho de ser macho. Macho que não deve ser da espécie humana.

domingo, 21 de dezembro de 2014

O futebol não mudou as nossas vidas

O ano de 2014 está acabando. E do mesmo jeito que começou. Um ano atrás, a população brasileira estava com exagerada expectativa, não apenas por ter a copa em seu país e a possibilidade de vitória na própria casa, mas também pela crença absurda que a copa de futebol iria mudar nossas vidas.

A empolgação poderia ser comparada à expectativa pela chegada do Messias. Há quem falasse que a copa seria um divisor de águas. Religiões inventaram que o Brasil passaria a ser líder mundial  e maior potência econômica do mundo. Mas a badalada da meia noite tocou e a carruagem virou abóbora. E aqui estamos, iguaizinhos como antes do início da superestimada copa.

E não pense que a derrota humilhante, mas coerente da "seleção" foi a pior coisa que aconteceu para os brasileiros. Não foi, não, por incrível que pareça. O pior foi perceber que a copa e o futebol não  foram capazes de mudar as nossas vidas. Torcemos em vão por algo tão real quanto um sapatinho de cristal, que acabou se quebrando antes de chegar às mãos do príncipe. 

E o que é mais engraçado é que o ano que representou a maior derrota do futebol brasileiro de todos os tempos (com uma humilhante derrota em seu próprio lar) a, se encerra com uma inédita vitoria de Gabriel Medina no surfe, um esporte ainda impopular no Brasil, que costuma preferir esportes coletivos (praticados por equipes e não por atletas individualizados). Será que mudaremos o nosso esporte mais popular? Espero que sim, pois gosto de surfe.

Sei que é inútil dizer isso para a maioria dos brasileiros que curtem futebol , pois é bastante arraigado o mito de que o futebol nos traz dignidade e felicidade (mesmo falsa): o futebol é apenas uma diversão e deve ser encarada como tal. Quem não curte futebol, principalmente as mulheres, deve parar com esta coisa de ser obrigado a gostar em época de copa, só para se sentir incluído na sociedade. Futebol não é obrigação... Futebol não é obrigação... Uma sugestão de mantra para tentar gravar no subconsciente.

E encerramos o ano exatamente do mesmo jeito que começamos. Ou talvez pior, pois estamos cada vez mais convencidos de que o Brasil está longe de ser próspero, mesmo que a mitologia difundida pela mídia e por líderes prestigiados diga o contrário. Nossos problemas ou permanecem ou aumentam, o desemprego se estabiliza e nosso cotidiano está cada vez mais complicado para ser tolerado. O Brasil segue completamente incapaz de resolver os mínimos problemas. 

Mas pelo menos estamos tentando aprender que não é a entrada de uma bola em uma trave que irá transformar a sociedade brasileira em um povo próspero e amadurecido. 

Esqueçamos a carruagem do BRT de ouro e fiquemos com a abóbora. Pelo menos ela vai nos ajudar a adoçar o nosso amargo cotidiano.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quem precisa de respeito é quem não curte futebol

Há um grande cacoete dos que amam o futebol de tratarem seu hobby favorito como se fosse seu maior direito, como um artigo de primeira necessidade que lhes garantisse a sobrevivência. 

Quando encontram alguém que não curte futebol, logo partem para a defensiva, antes mesmo que o tal não-torcedor fale alguma coisa sobre o assunto. É uma reação automática que passa a impressão que o torcedor sabe que o fanatismo dele é ridículo e passível de críticas.

Aí sabemos o que acontece: o torcedor, de maneira irritada defende o seu direito de gostar de futebol como alguém que defende a própria vida. Clama por respeito como se avida dele dependesse daquele hobby. Mas é uma atitude tola e desesperada pois mal sabe o próprio torcedor que ele tem o respeito em excesso, já que toda a sociedade, incluindo mídia, autoridades (incluindo presidentes da república) respeita e garante a manutenção de seu "maior direito".

Quem deveria exigir respeito são os que não curtem futebol. Nós que preferem se manter fora da "festa máxima" do povo brasileiro, não contamos sequer com algum apoio sólido. Em épocas de copa nos sentimos isolados e não temos como nos divertir, já que o Brasil todo se fecha para priorizar seu supérfluo favorito.

Se os torcedores querem o respeito dos que não curtem, isso soa como aquele cara que diante de um jogo perfeito que termina em larga vitória para seu time se preocupasse demais com um insignificante pesse errado que não influiu no desempenho de seu time. É o que acontece com os cantores bregas, com altíssimo nível de popularidade que lhe rende milhões de fãs, ao se preocuparem demais com os três universitários que o detestam.

E olha só quem fala! Os torcedores querem respeito mas não respeitam o sossego dos outros, berrando e pulando durante os jogos, incomodando vizinhos que querem um escasso e valioso momento de sossego. As regras sociais estipularam que futebol deve ser comemorado de forma mais histérica e agressiva possível. E mesmo assim, há torcedores que posam de "pacifistas". Hipócritas!

Porque esses torcedores se preocupam com o respeito de poucas "formiguinhas" se eles sabem que milhões de "elefantes" estão do lado dele? Não me sinto na obrigação de respeitar quem curte futebol, embora até respeite, muito mais pelo desinteresse em desrespeitar (não vejo vantagem em trollar torcedor) do que por apoio ao direito dele.

Os torcedores que parem com esse chilique e se preocupem com a multidão de graúdos que o apoiam. Não é o desrespeito de uns poucos excluídos que irá estragar o prazer que os torcedores tem de se sentirem incluídos na grande massa social, imitando seus trejeitos e seus gostos.

Torcedores já são suficientemente respeitados. Falta a eles se auto-respeitarem, deixando de transformar um lazer supérfluo e bobo em patrimônio valioso  a ser guardado como razão de vida.

sábado, 26 de julho de 2014

Justificativas mais comuns para tentar classificar o futebol como "importante"

O brasileiro é fanático por futebol. Fanático no PIOR sentido da palavra. A sua adoração doentia por futebol é infantil, irresponsável e extremamente ridícula. Nesta época do ano, os brasileiros passam a agir feito imbecis e se acham no direito de ser imbecis, desde que não sejam chamados de imbecis.

E entre as imbecilidades do brasileiro em épocas de copa é associar futebol a patriotismo, como se a dignidade do brasileiro dependesse da vitória em um supérfluo e inócuo campeonato de futebol. E não faltam pessoas que saem a procura de argumentos e justificativas para a excessiva importância dada ao futebol.

Sendo extremamente popular, mas ao mesmo tempo ridículo, para muitos é menos trabalhoso tentar inventar uma importância ao futebol do que assumir a sua ridiculosidade e abandonar o hobby que garante o bem estar social para a maioria dos brasileiros.

Bom lembrar que antes de tudo, o ato de gostar de futebol, mais ainda em épocas de copa, é uma obrigação social, quase uma regra de etiqueta. E brasileiros, sendo seres sociais como todo ser humano, sabem muito bem que abrir mão do futebol é abrir mão de direitos que somente o adequado convívio social pode oferecer.

Por isso mesmo, para tentar tirar o título de "ridículo" daquilo que eles não querem ou não podem largar, arrumam argumentos mais ou menos nobres para que o futebol possa ser visto como "importante" e que justifique a sua dedicação quase exclusiva em épocas de copa. Vamos a algumas delas:

1) Futebol traz dignidade ao país

Futebol nada tem a ver com dignidade. É uma forma de lazer. Sermos considerados o melhor no futebol não traz nenhum tipo de ganho para o cotidiano dos brasileiros. E isso já é comprovado através das 5 vitórias que tivemos. Influiu em alguma melhoria? Claro que não! Mas ainda tem muita gente que ainda acredita que a vitória no futebol ainda vai eliminar os nossos problemas...

2) Futebol é oportunidade para o povo pobre

Em termos. O futebol serve como uma loteria onde apenas uma esmagada minoria de garotos pobres, portadores de muita sorte, consegue ganhar dinheiro e mudar de vida, abandonando a miséria. Além disso, por desestimular a educação, mesmo o garoto pobre que vira magnata só por chutar umas bolinhas, continua tão "sábio" quanto era antes, demonstrando muitas vezes uma vida irresponsável, passiva, submissa e extremamente alienada, provando que o enriquecimento financeiro não ajudou no enriquecimento intelectual do ex-pobretão.

3) Futebol dá alegria ao povo

Alegria? Que alegria? Ao menos que você não saiba o que é alegria, não dá para concordar com este argumento. A alegria que o futebol proporciona é ficcional, é ilusória. Não é uma alegria concreta. O futebol não traz benefícios aos seus torcedores, apenas os entretêm. É mais fácil classificar o futebol como uma fuga dos problemas do que um gerador de felicidade. 

E observando melhor, sabe-se que pelo menos 90% dos que curtem futebol tem uma personalidade passiva, submissa, piegas e demonstram total desprezo a mudanças radicais e também adoram seguir regras e obedecer líderes. Como uma pessoa assim pode desejar a verdadeira felicidade através de uma mera ilusão?

E outra coisa: comediantes também dão alegria ao povo e ninguém fica dizendo que nomes como Fábio Porchat e Paulo Gustavo são heróis só porque fazem as pessoas sorrirem. Não se vê no humor os mesmos tipos de comentário que se veem no futebol, mesmo que o tipo de alegria adquirida seja o mesmo.

4) Futebol une pessoas de diferentes classes, credos, raças e ideologias

Pura hipocrisia acreditar que pessoas que em outras situações vivem se digladiando, possam se unir durante duas horinhas para curtir um prazer em comum. É um forçamento de barra para transformar o futebol em ativismo social. 

E será que temos que depender de um mero lazerzinho para fazer a humanidade aprender a se unir? Sinceramente, conheço formas muito mais nobres para ensinar as pessoas a amar e se respeitar do que o futebol. 

Lembrando que o mesmo futebol que une pessoas diferentes pode separar relações de afeto onde uma das pessoas, ou mais, não curte futebol.

5) Futebol nos ensina a ser patriotas

Que absurdo! Quer dizer que o Brasil não é um país, é um time de 11 jogadores? Na verdade, quanto a isso, o futebol faz justamente o contrário: dá uma noção erradíssima do que é patriotismo, banaliza símbolos cívicos e mantém os torcedores bem longe do verdadeiro patriotismo, aquele que luta bravamente (sem medo de ser morto por policiais submissos a governos e empresários) pela melhoria de nossa sociedade. 

O país é a população, não o futebol. O Brasil continuará existindo se o futebol for extinto.

6) Futebol favorece  a nossa economia

O Brasil tem inúmeros produtos que fazem a economia funcionar. O futebol não passa de uma delas e das mais pífias. Embora muito dinheiro role pelos gramados, temos muitos outros motivos para que o sistema de produção de mercadorias e serviços e de geração de renda seja mantido em intensa movimentação. O futebol ajuda, mas sem ele continuamos a crescer, graças a imensa diversidade de produtos e serviços que temos condições de oferecer.

7) Futebol nos dá orgulho

Se fôssemos um país pequeno e sem diversidade, esse argumento até que faria algum sentido. mas essa declaração soa ofensiva se lembrarmos que somos parte de um país imenso e totalmente diversificado. 

Somente a baixa auto-estima (complexo de vira-lata) pode fazer que uma reles brincadeirinha seja vista como motivo maior de orgulho. E a nossa cultura? E as nossas belezas naturais? E a nossa culinária?  E a nossa ciência?  E a nossa gente? E as outras modalidades esportivas? Isso tudo não nos dá orgulho? 

Querer que o futebol seja única fonte de orgulho é pensar pequeno.

8) O futebol nos representa lá fora

Como se não tivéssemos outro motivo para nos fazer conhecidos no exterior. É até chato para um brasileiro ser famoso por uma coisa só. Parece gafe de autista: lá vem os estrangeiros rirem de nossa cara porque superestimamos uma forma de lazer. 

Até mesmo sociedades fanáticas por futebol, como a Alemanha, a Inglaterra e a Argentina, sabem colocar as coisas no lugar e acham muita graça do nosso "patriotismo de copa" onde país e time de futebol são embaralhados e inversamente idolatrados. Lembrando que nossa diversidade oferece muitas coisas muito melhores do que o reles futebol, para sermos conhecidos no exterior.

9) Futebol tira os jovens das drogas

Essa é a falácia mais cara de pau defendida por quem curte futebol. Como se tirar os jovens das drogas estivesse incluído entre as regras de prática desta modalidade esportiva. A lógica mostra que o futebol nada tem a ver com sua capacidade de desviar o jovem das drogas e que é faz isso é um bom trabalho educacional, que pode ser feito até com quem odeia futebol (ou seja, não é preciso futebol para tirar jovens das drogas). Por outro lado, em alguns casos, o futebol pode até apresentar os jovens às drogas: 

a) jogadores famosos se envolvem com celebridades, meio onde circula muitas drogas; 
b) por ser uma atividade competitiva, esteroides, anabolizantes ou qualquer substância pode ser usada para o aumento de desempenho. Muitas dessas substâncias podem até viciar e gerar graves danos ao organismo.
c) Um jogador de futebol que entrar em depressão em uma atividade que envolve muita cobrança ode encontrar nas drogas a perfeita fuga para o fracasso.

Como veem, a falácia de que futebol é necessário para afastar os jovens das drogas é uma crendice tola que não faz sentido e que na passa de uma desculpa para justificar a suposta importância do futebol.

10) Futebol é a maior paixão do povo brasileiro

Paixão? Coisa nenhuma! Uma observação detalhada pode derrubar violentamente este argumento, se lembrarmos que brasileiros são muito vulneráveis a modismos, acreditando que o que a maioria faz está sempre correto. Pesquisas comprovam que quem gosta REALMENTE de futebol é uma pequena minoria. O futebol é bom para os brasileiros PORQUE É POPULAR e é esse o verdadeiro motivo de tanta adesão. A maioria adota o suposto hobby como uma espécie de modismo duradouro, para se sentir incluído na sociedade. 

O próprio comportamento da maior parte dos torcedores durante os jogos (assistindo como se o jogo em si fosse uma preliminar para o grito de "GOL!", verdadeiro objetivo dos que assistem aos jogos) e o desinteresse pela parte técnica e pelos bastidores (incluindo a corrupção feita para favorecer equipes) mostra que brasileiro não gosta de futebol coisa nenhuma: simplesmente está de olho na festa que vem após a vitória da "seleção" ou de seu time favorito. A festa que servirá para se sentir incluído na coletividade, num estranho hábito de legitimação da histeria.

E tenho a absoluta certeza de que, se o futebol fosse impopular, boa parte desses "patriotas de copa" estariam bem longe do futebol, tratando Neymar & CIA como um bando de desconhecidos.

Vini Jr, Racismo e a hipocrisia da Classe Média brasileira

O assunto desta segunda feira com certeza foi o inaceitável caso de racismo sofrido pelo jogador Vinicius Júnior, o Vini, durante um jogo de...