quarta-feira, 3 de junho de 2015

Corrupção não espantará torcedores, que arrumarão jeito surreal de manter o fanatismo

A sucessão de denuncias de corrupção na cúpula da FIFA tem revelado um lado bem podre do entretenimento futebolístico. Mas não pensem que essas denúncias, comprovadamente verdadeiras em sua maioria, irão espantar os torcedores, fazendo-os migrar para modalidades esportivas mais honestas.

A natureza não dá saltos. E o povo brasileiro já demonstrou inúmeras vezes que não se dispõe a desistir de fontes de prazer duradouras. Pessoas que foram educadas durante muito tempo a gostar de uma determinada coisa, nunca desejam se livrar dela, pois representa o significado de alegria e bem estar por muitos anos de vida. Sair da zona de conforto não é algo fácil de se fazer da noite para o dia.

Na verdade, para a maioria dos torcedores, a conveniência será a de separar ao futebol de sua administração, o que é surreal. Boa parte dos torcedores ou tem um nível intelectual atrofiado ou simplesmente não está interessado nos bastidores do futebol. Torcedores querem ver bola rolando e entrando na trave. Honestamente ou não. Se o time preferido ganha, isso é o que interessa. Mesmo que o dirigente pague para que tal time ganhe desonestamente.

A prova e que a população gosta de separar bastidores de interesses é o fato de que muitos saíram em protestos contra a corrupção com a camisa de "seleção" com os símbolos das corruptas Nike e CBF bem claros. Obviamente saíram pensando que a camiseta simbolizava o país (para os brasileiros, a "seleção" é símbolo cívico), ignorando o verdadeiro motivo que levou a "seleção" a ser maioral. Que nada tem a ver com a suposta qualidade de seus jogadores, ídolos postiços superestimados pela população.

Fanatismo cresceu com João Havelange

Lendo o livro O Lado sujo do Futebol, soube que a transformação do futebol e da "seleção" em símbolos cívicos coincidiu com o crescimento de poder de João Havelange, brasileiro que presidiu a CBD (atual CBF) e foi o mão de ferro da FIFA. Ela foi o responsável por aumentar o prestígio do futebol para transformá-lo em inadiável compromisso cívico-social.

Altamente corrupto, Havelange viu na publicidade pseudo-cívica uma forma de transformar o futebol em uma obrigação, transformando os lucros financeiros que vinham dele em lucros garantidos, que chegavam pontualmente nas mãos de dirigentes e patrocinadores. 

Afinal, sendo uma obrigação, qualquer brasileiro se sente disposto a largar qualquer gasto importante para torrar dinheiro com o futebol. E é isso que garante os lucros. Afinal "é bom para a pátria". Mesmo que nunca melhore essa mesma pátria. E na prática, é isso mesmo: futebol não melhora o Brasil: é uma mera fuga de problemas que os torcedores, intelectualmente preguiçosos em sua larguíssima maioria, se recusam a resolver.

Mesmo assim, os brasileiros não estão dispostos a abandonar o futebol. Mesmo até com jogadores e ex-jogadores corruptos (Ronaldo está envolvido no escândalo e o giga-popular Neymar dá sinais de que compactua com o esquema e até criou empresa fantasma para isso, com o apoio do próprio pai). 

Mesmo que jogadores estejam envolvidos, para a população, eles são meros soldados a lutar pela pátria. A "seleção" é que é "A Pátria" e sendo institucionalizada, brasileiros nunca irão abandoná-la, mesmo que dirigentes e jogadores a abandonem. 

Futebol é instituição. Povo defenderá apelando para o surreal

Para a maioria a "seleção" e os times são instituições. E o povo vai continuar cultuando-as aconteça o que acontecer. Mesmo que todo o futebol seja uma farsa. Mesmo que apelem para o surrealismo de entregar a administração do futebol para o povo, como muitos ingênuos acreditam ser possível.

As pessoas vão tentar separar os casos de corrupção com o que acontece nos gramados (a mídia já está fazendo este serviço, evitando colocar de maneira consecutiva notícias sobre os escândalos e notícias sobre o que acontece os jogos), como se os jogos nada tivessem relação com o que ocorre nos escritórios das direções dos clubes. Mas têm.

Contos de fadas aprendidos na infância geralmente custam a sair de nossas mentes crédulas. Impossível convencer torcedores a deixar essas ilusões saírem de suas mentes.

domingo, 31 de maio de 2015

Revelações sobre corrupção irão acabar fanatismo futebolístico?

O assunto desta semana foi a prisão de vários dirigentes da FIFA, incluindo integrantes da cúpula da CBF e o ex-presidente da entidade, José Maria Marin, amigo de Paulo Maluf e ex-carrasco da ditadura. 

O fato acabou deixando vazar aquilo que somente os mais informados já sabiam e que foi mencionado em livros como O Lado Sujo do Futebol e Jogo Sujo, O mundo secreto da FIFA (que teve uma continuação, Um Jogo cada vez mais Sujo). A verdadeira sujeira por trás de um esporte que para muitos virou a razão de viver e regra social mais do que obrigatória.

Muito está sendo mencionado sobre este escândalo que é desnecessário falar aqui. Digitem em um site de buscas tipo Google "corrupção + futebol" e vão achar muita coisa. O que quero colocar aqui é até que ponto este escândalo vai influenciar no fanatismo futebolístico da maioria das pessoas.

Futebol, um ópio impossível de se largar

Muita gente deve estar preguntando se vale a pena continuar gostando de futebol sabendo agora das falcatruas que influenciam até os resultados. Só para dar um exemplo, coincidentemente, o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, melhorou muito o seu desempenho quando o corrupto e antipático dirigente Eurico Miranda voltou ao comando do clube.

Há muito tempo se nota a corrupção no futebol. Sobretudo no Brasil. Os dirigentes brasileiros conhecem a tara incontrolável de muitos brasileiros pela modalidade esportiva. Gente que prefere morrer de fome do que ver seu time perder. Gente que ama mais seu time do que a própria mãe. Esse fanatismo favorece para que torcedores se submetam a dirigentes e patrocinadores, fazendo cegamente tudo que estes poderosos senhores querem.

E dinheiro chama dinheiro. Torcedores capazes de pagar tudo pelo vício futebolistico sustentam toda esta farsa de resultados combinados e pura encenação, capaz de transformar um menino medíocre como Neymar (só acha ele genial quem não conhece o futebol em seu auge, muitas décadas atrás) em um "deus" da bola, com direito ao típico fanatismo religioso em torno do jovem santista. E mesmo sendo uma farsa, não há que esteja disposto a largar o futebol por causa dessa decepção.

Acho muito difícil, quase impossível, que torcedores larguem o futebol por causa desses escândalos. A tendência é separar o futebol dos cartolas. Uma separação artificial, já que o futebol não se sustenta sem a cartolagem. Se for como os torcedores imaginam, se baseando na tolice infantil de que o "futebol pertence ao povo", o futebol profissional perderá glamour e se tornará igual aos praticados todos os finais de semana nos campos de várzeas das localidades mais pobres.

E o que restará disso?

Vai tudo continuar na mesma coisa, pois o fanatismo cultivado por décadas de vida não vai acabar assim de uma hora para outra. Melhor dizendo: restará duas opções para os torcedores:

- Largar o futebol e procurar um esporte mais honesto (geralmente menos popular);
- Ou assumirem que são cúmplices de cartolas e aceitar a manipulação de resultados, fingindo honestidade onde realmente não há.

Bem provável que torcedores optem pela segunda alternativa. Futebol é como uma novela, com roteiros prontos e final pré-determinado. Na maioria dos jogos, os jogadores já entram sabendo o que fazer e como terminarão as partidas, conhecendo muito bem o vencedor.

O dinheiro que circula o meio é altíssimo e tudo será feito para manter fanatismo. Não adiantará os torcedores tentarem separar o futebol da corrupção senão a magia acaba. Quem conhece a História sabe muito bem que os melhores resultados coincidem com períodos de maior roubalheira.

Está na hora de procurar outro esporte para curtir. Badminton e curling parecem ser duas boas sugestões.

domingo, 26 de abril de 2015

Rede Globo nunca respeitou quem não curte futebol

A Rede Globo sempre se empenhou em uniformizar o pensamento da sociedade brasileira, se baseando sempre nos interesses e no ponto de vista da Família Marinho, que administra a emissora de televisão.

É interessante que haja uma mídia manipuladora que impeça o pensamento diversificado para que o sistema se mantenha desigual e os privilégios de políticos, empresários e celebridades se mantenham intactos. Por isso mesmo, todo o esforço e válido para que a TV construa os valores que acha que a sociedade deve acreditar e que acaba acreditando. E o futebol é um desses valores.

Durante muitas décadas acreditamos que o futebol era uma unanimidade. Misto de compromisso com paixão, uma lei informal que era cobrada com absoluto rigor. Para muitos ser "brasileiro" é gostar de futebol. A ponto de muitos ainda confundirem o país com o próprio futebol, saindo com a camiseta da corrupta CBF para pedir o fim da corrupção (??!!), achando que a "seleção" e o país são a mesma coisa. Tolos.

Essa ideia de unanimidade compulsória do futebol ainda continua. Mas desde que surgiu a internet, essa ideia deixou de ser absoluta. E isso é o que incomoda aqueles que viviam na falsa concordância do futebol-unanimidade. 

Uma novidade se instalou no país: embora ainda curtido por uma maioria esmagadora, o futebol deixou de ser uma unanimidade. E melhor, a internet questionou a unanimidade que nunca existiu, já que quem não curtia futebol sempre teve o seu "bico" calado, sem direito de se manifestar.

E a Rede Globo, até hoje, ainda prefere fazer vista grossa aos que não curtem futebol. Para a Vênus Platinada, brasileiro e torcedor de futebol são sinônimos e quem não curte futebol não existe. 

Claro que por ser parceira dos cartolas, de escolher horários de jogos, de receber e dar patrocínio a times, é interessante para a Rede Globo forjar a unanimidade do futebol. Quem não curte futebol que se vire para se divertir e para arrumar amigos. Até porque como "desertor social", os não-torcedores acabam sempre abandonados pelas pessoas "normais" nas horas de jogo.

A Rede Globo nunca fez algo que pudesse estimular o respeito para quem não curte futebol. Na contramão, torcedores estranhamente reivindicam respeito com insistência, como se eles é que fossem os excluídos da sociedade. Mesmo tendo o apoio de multidões, da mídia e de autoridades políticas, que só trabalham para quem curte futebol.

Quem não curte é solenemente esquecido. E quando é lembrado, é tratado como louco, como malvado, como bandido, como se quisesse destruir estádios, matar jogadores e rasgar uniformes de time. Nada disso. O não-torcedor é um ser pacifico e seu único desejo é estar alheio à "grande festa da torcida brasileira". E nada além disso.

Mas infelizmente, para a grande mídia o futebol ainda é uma unanimidade. Salvo notas publicadas esporadicamente na Folha de São Paulo e em reportagens na MTV, os não-torcedores ainda continuam solenemente ignorados pela mídia oficial, embora estejam aumentando em quantidade e causem bastante barulho na internet.

O mito da unanimidade do futebol é mais um fator que prova que a ídia não respeita a diversidade de pensamentos, quem impor ideias, manipula e mente. Os supostos paladinos da liberdade de expressão não querem nos dar essa mesma liberdade. Continuemos apensar como a mídia quer, achando que vivemos não em um país, mas em um estádio de futebol, sendo obrigados a transformar esta forma de diversão em prioridade máxima para a sociedade brasileira. 

Neste jogo, o bom senso ainda perde de goleada.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A corrupção do PT não pode, mas a da CBF/NIKE pode

Uma das coisas mais observadas nos protestos de ontem é o fato de que muita gente foi com a a camiseta da "seleção" para as ruas, certamente com aquele mito de que a "seleção" é o país, o país é a "seleção". Só aí, uma ignorância total.

Mas um protesto contra a corrupção, isso soa contraditório, o que prova que a maioria dos que foram a manifestação são alienados, mesmo pensando que se juntando a ela, se tornaria politizado da noite para o dia.

Dá para perceber o caráter alienado da manifestação, onde muitas frases sem sentido e defesas alucinadas ao conservadorismo mais anti-humanista possível (legal é defender "valores", não defender pessoas). Somado a isso, temos a utilização de camisetas da "seleção".

Pedir o fim da corrupção usando a camiseta da "seleção" é ignorar que a referida "instituição mais valorizada pelo brasileiro" é um verdadeiro gramado para a jogatina corrupta de cartolas, políticos, empresários e até alguns jogadores. Vários destes já viraram cartolas (Ronaldo Fofômeno que estava na passeata que  diga) e outros poderão virar, como o Neymar, que demonstra vocação para dirigente esportivo e segundo indícios, está sendo treinado para isso. Somente as boas relações do jogador arroz-de-festa com os cartolas já serve como um bom sinal.

Quem leu os livros sobre corrupção no futebol teria vergonha de vestir a camisa da "seleção" nos protestos de ontem. Mas a desinformação foi geral. Isso se não bastasse o desconhecimento que a maioria dos manifestantes tem da História do Brasil.

Claro que quem acha que "é só tirar o PT do poder que tudo melhora" vai se contentar com isso, ignorando que não existe corrupção do lado de fora do partido que nasceu dos trabalhadores. Como a maioria das pessoas presentes as manifestações mal saiu da Caverna de Platão, a noção de mundo deles é ainda bastante rasa. Eliminemos não a corrupção, mas eliminemos os corruptos que odiamos. E os outros corruptos, ficarão impunes?

Pelo jeito que sim, já que o objetivo mesmo não é bem acabar a corrupção. O objetivo é ver algum representante das elites abastadas  de volta ao poder. A intervenção militar reivindicada seria apenas para criar meios de algum empresário poderoso ou um representante deste tomasse o poder e governasse o país como que lidera uma empresa. Corruptos que estejam fora de com poderá ficar bem sossegados, pois a mídia colocou um bode expiatório para pagar por eles.

Tudo um festival de alienação nesse carnavalzinho disfarçado de protesto político. as manifestações não acabarão com a corrupção, se imitando a tirar do poder um grupo que se tornou incômodo para a sociedade. E isso será a unica coisa a ser feita, caso o impeachment seja aprovado.

E os corruptos da CBF/NIKE felizes porque a população os ama, utilizando a amista que eles produzem como uniforme de guerra contra os "petistas malvados", supostamente inventores da corrupção. E é isso aí.

Tiremos uns corruptos e coloquemos outros corruptos o lugar. E tudo não passará de mais do mesmo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Torcedores pacíficos usam torcedores agressivos para reforçar preconceito contra quem não curte futebol

Embora ninguém assuma, os brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Se isso não fosse verdade, ninguém estranharia o fato de um brasileiro se assumir alheio ao esporte mais popular do país. Toda vez que alguém assume não gostar de futebol, chovem comentários revoltados e pressões para que o cidadão mude de ideia.

Estranho que mesmo amparados por mídia e por regras sociais, sã os torcedores que agem na defensiva, como se a qualquer momento, seu gosto pelo futebol, protegido por toda a sociedade, pudesse ser repentinamente proibido sem o menor aviso.

Mas os torcedores de futebol que se julgam pacíficos encontraram um jeito de, além de proteger seus interesses, condenar quem se atreve a romper a "sagrada" unanimidade do gosto pelo futebol, pois para os torcedores, essa suposta unanimidade lhes dá ilusão de ordem e confraternização.

Andam aparecendo comentários, sejam nas redes sociais, sejam nas conversas de rua, a respeito dos torcedores violentos que vão aos jogos para agredir adversários. Simplesmente os acusam de não gostarem de futebol, reforçando a acusação de anti-social dado a quem não curte futebol.

Fica a impressão de quem não curte futebol é louco, vive de prejudicar os outros e não sabe se comportar na sociedade. Até porque quem não curte futebol, acaba por desobedecer uma valiosa e rígida regra social, "sinônimo" de "respeito mutuo". Por mais estranho que pareça, quem não curte futebol é que é mais pacífico e normalmente mais altruísta, pois os problemas sofridos pelo preconceito e pela falta de sossego (torcedores berram muito) os fazem entender melhor a dor alheia.

Se esquecem esses torcedores pacíficos que os torcedores violentos adoram futebol, bem mais que os pacíficos. Agem desta maneira por fanatismo e por acreditarem que adversários na merecem viver bem. Os torcedores pacíficos não lembram que futebol é uma competição e competições estimulam  egoísmo e o desrespeito aos outros. É mais do que natural que em eventos esportivos, canalizadores de muitas doses de testosterona, queiramos que os outros se ferrem. 

Esse papo de que esporte une as pessoas é conversa para boi dormir e sinal de total ignorância. Se esporte não fosse competitivo, seria compreensível. Mas como estimula a competição, tirando do outro o direito ao beneficio (no caso, os prêmios pelas vitórias), é esperado que haja esse tipo de agressividade, que não está ausente nos torcedores considerados pacíficos, mas é controlada e manifestada através dos grunhidos a cada momento de tensão ou de comemoração durante os jogos.

Esta acusação de que os torcedores violentos não gostam de futebol é uma oportunidade triste para que os não-torcedores sejam jogados no meso balaio dos agressores, aumentando ainda mais o preconceito sofrido por quem não se interessa pelo supérfluo que da mais orgulho aos brasileiros.

Essa agressividade das torcidas agressivas é natural, está relacionada à competitividade e só vai parar se não houver mais competição, com todas as equipes e atletas ganhando só por participar. Mas aí  o esporte deixará de ter sua principal graça:de servir para gorilas humanos, pacíficos ou não, de soltarem seus urros a simbolizar  falso orgulho de ser macho. Macho que não deve ser da espécie humana.

domingo, 21 de dezembro de 2014

O futebol não mudou as nossas vidas

O ano de 2014 está acabando. E do mesmo jeito que começou. Um ano atrás, a população brasileira estava com exagerada expectativa, não apenas por ter a copa em seu país e a possibilidade de vitória na própria casa, mas também pela crença absurda que a copa de futebol iria mudar nossas vidas.

A empolgação poderia ser comparada à expectativa pela chegada do Messias. Há quem falasse que a copa seria um divisor de águas. Religiões inventaram que o Brasil passaria a ser líder mundial  e maior potência econômica do mundo. Mas a badalada da meia noite tocou e a carruagem virou abóbora. E aqui estamos, iguaizinhos como antes do início da superestimada copa.

E não pense que a derrota humilhante, mas coerente da "seleção" foi a pior coisa que aconteceu para os brasileiros. Não foi, não, por incrível que pareça. O pior foi perceber que a copa e o futebol não  foram capazes de mudar as nossas vidas. Torcemos em vão por algo tão real quanto um sapatinho de cristal, que acabou se quebrando antes de chegar às mãos do príncipe. 

E o que é mais engraçado é que o ano que representou a maior derrota do futebol brasileiro de todos os tempos (com uma humilhante derrota em seu próprio lar) a, se encerra com uma inédita vitoria de Gabriel Medina no surfe, um esporte ainda impopular no Brasil, que costuma preferir esportes coletivos (praticados por equipes e não por atletas individualizados). Será que mudaremos o nosso esporte mais popular? Espero que sim, pois gosto de surfe.

Sei que é inútil dizer isso para a maioria dos brasileiros que curtem futebol , pois é bastante arraigado o mito de que o futebol nos traz dignidade e felicidade (mesmo falsa): o futebol é apenas uma diversão e deve ser encarada como tal. Quem não curte futebol, principalmente as mulheres, deve parar com esta coisa de ser obrigado a gostar em época de copa, só para se sentir incluído na sociedade. Futebol não é obrigação... Futebol não é obrigação... Uma sugestão de mantra para tentar gravar no subconsciente.

E encerramos o ano exatamente do mesmo jeito que começamos. Ou talvez pior, pois estamos cada vez mais convencidos de que o Brasil está longe de ser próspero, mesmo que a mitologia difundida pela mídia e por líderes prestigiados diga o contrário. Nossos problemas ou permanecem ou aumentam, o desemprego se estabiliza e nosso cotidiano está cada vez mais complicado para ser tolerado. O Brasil segue completamente incapaz de resolver os mínimos problemas. 

Mas pelo menos estamos tentando aprender que não é a entrada de uma bola em uma trave que irá transformar a sociedade brasileira em um povo próspero e amadurecido. 

Esqueçamos a carruagem do BRT de ouro e fiquemos com a abóbora. Pelo menos ela vai nos ajudar a adoçar o nosso amargo cotidiano.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quem precisa de respeito é quem não curte futebol

Há um grande cacoete dos que amam o futebol de tratarem seu hobby favorito como se fosse seu maior direito, como um artigo de primeira necessidade que lhes garantisse a sobrevivência. 

Quando encontram alguém que não curte futebol, logo partem para a defensiva, antes mesmo que o tal não-torcedor fale alguma coisa sobre o assunto. É uma reação automática que passa a impressão que o torcedor sabe que o fanatismo dele é ridículo e passível de críticas.

Aí sabemos o que acontece: o torcedor, de maneira irritada defende o seu direito de gostar de futebol como alguém que defende a própria vida. Clama por respeito como se avida dele dependesse daquele hobby. Mas é uma atitude tola e desesperada pois mal sabe o próprio torcedor que ele tem o respeito em excesso, já que toda a sociedade, incluindo mídia, autoridades (incluindo presidentes da república) respeita e garante a manutenção de seu "maior direito".

Quem deveria exigir respeito são os que não curtem futebol. Nós que preferem se manter fora da "festa máxima" do povo brasileiro, não contamos sequer com algum apoio sólido. Em épocas de copa nos sentimos isolados e não temos como nos divertir, já que o Brasil todo se fecha para priorizar seu supérfluo favorito.

Se os torcedores querem o respeito dos que não curtem, isso soa como aquele cara que diante de um jogo perfeito que termina em larga vitória para seu time se preocupasse demais com um insignificante pesse errado que não influiu no desempenho de seu time. É o que acontece com os cantores bregas, com altíssimo nível de popularidade que lhe rende milhões de fãs, ao se preocuparem demais com os três universitários que o detestam.

E olha só quem fala! Os torcedores querem respeito mas não respeitam o sossego dos outros, berrando e pulando durante os jogos, incomodando vizinhos que querem um escasso e valioso momento de sossego. As regras sociais estipularam que futebol deve ser comemorado de forma mais histérica e agressiva possível. E mesmo assim, há torcedores que posam de "pacifistas". Hipócritas!

Porque esses torcedores se preocupam com o respeito de poucas "formiguinhas" se eles sabem que milhões de "elefantes" estão do lado dele? Não me sinto na obrigação de respeitar quem curte futebol, embora até respeite, muito mais pelo desinteresse em desrespeitar (não vejo vantagem em trollar torcedor) do que por apoio ao direito dele.

Os torcedores que parem com esse chilique e se preocupem com a multidão de graúdos que o apoiam. Não é o desrespeito de uns poucos excluídos que irá estragar o prazer que os torcedores tem de se sentirem incluídos na grande massa social, imitando seus trejeitos e seus gostos.

Torcedores já são suficientemente respeitados. Falta a eles se auto-respeitarem, deixando de transformar um lazer supérfluo e bobo em patrimônio valioso  a ser guardado como razão de vida.

Vini Jr, Racismo e a hipocrisia da Classe Média brasileira

O assunto desta segunda feira com certeza foi o inaceitável caso de racismo sofrido pelo jogador Vinicius Júnior, o Vini, durante um jogo de...