terça-feira, 23 de maio de 2023

Vini Jr, Racismo e a hipocrisia da Classe Média brasileira

O assunto desta segunda feira com certeza foi o inaceitável caso de racismo sofrido pelo jogador Vinicius Júnior, o Vini, durante um jogo de futebol na Espanha. Foi descoberto depois que os responsáveis pelo xingamento foram integrantes de um grupo neonazista local. 

Vini sensatamente reagiu aos xingamentos, que pioraram com a reação. Mas a organização do jogo achou melhor expulsar o jogador, o que causou uma revolta nos admiradores do jogador. Nós deste blog concordamos que Vini não deveria ser expulso e sim os torcedores nazistas baderneiros. Vini estava apenas respondendo às ofensas recebidas, direito legítimo dele.

Mas por outro lado, o episódio serviu de um verdadeiro show de hipocrisia nas redes sociais brasileiras e nos portais progressistas brasileiros. Muita gente usou o episódio para posar de gente responsável. Sim, é isso mesmo. A classe média muito bem remunerada, imune a preconceitos e normalmente gananciosa e envaidecida em muitos momentos na vida.

Os mesmos indivíduos capazes de agredir um negro pedinte e que fazem questão de comprar automóvel para evitar transportes públicos para evitar se encostarem em pessoas de cor, manifestaram sua "indignação " com o caso do jogador brasileiro, ocorrido na Espanha.

Essa gente esbranquiçada que faz questão de declarar seu apoio ao jogador Vini, pela grave ofensa recebida, deixou bem escancarada a sua hipocrisia. tanto é que as manifestações foram bastante exageradas e de uma pieguice sem tamanho. 

Ficou parecendo a defesa não de um ser humano, mas de um parente ou amigo íntimo. Como se o fato de Vini ser negro fosse um detalhe. Afinal, Vini era jogador de futebol, um herói para habitantes que enxergam nesta modalidade esportiva, a sua única forma de manifestar amor à pátria.

Será que o fato de Vini ser jogador de futebol, além de rico e famoso, pesou nas histéricas manifestações nas redes sociais? Possivelmente que sim. Vini não é um coitadinho. Não é um pobretão mal vestido. É um herói do futebol, um guerreiro. As esquerdas logo se apressaram em classificá-lo como o "Malcolm X" brasileiro.

Elogios à reação do jogador, apesar de justas, foram bastante exageradas. Típicas de quem não se indigna de fato com o racismo. Nossa classe média é racista. Acha que negros são "ridículos, grotescos e ignorantes", mas relacionam estes supostos defeitos a uma espécie de "pureza", "candura". 

Apesar de discordarem com o fato de Vini ser chamado de "macaco", é isso justamente o que a classe média pensa dos negros, "macaquinhos de realejo" que só servem para jogar futebol e animar churrascada. Pobres e principalmente negros, só servem para fazer a classe média branquela sorrir. Afinal, Vini é jogador de futebol, "está em seu habitat natural". 

Fico perguntando se Vini fosse um advogado, um médico, ou um empresário, se a indignação teria a mesma intensidade. Pois a mesma classe média que em entrevistas de emprego, certamente diria não para um candidato de cor, mesmo que ele fosse um profissional melhor que os brancos que se candidatassem para a mesma vaga, demonstrou revolta com o racismo contra Vini, um negro muito bem remunerado para correr atrás de uma bolinha.

O que se sabe é que infelizmente, não foi o primeiro e nem será o último caso de racismo no futebol e também em qualquer outro lugar. Racismo não se resolve com lacração pela internet e sim por um trabalho intenso e longo de educação que deve se iniciar já no berço. Estimular pessoas a respeitar as diferenças, pois a diversidade de etnias é algo bom, tira a monotonia.

Bom lembrar que o racismo surgiu como forma de eliminar concorrentes na corrida capitalista pela sobrevivência. Era preciso inventar certos defeitos para que os portadores deste suposto defeito fossem eliminados na busca de uma inserção no mercado de trabalho.

Fica aqui nosso respeito ao Vini, mas lamentando que o caso não irá além disto. Brasileiros se esquecem rápido e as manifestações de solidariedade podem não ter passado de mero modismo. Daqui a pouco, as mesmas pessoas estarão ofendendo algum negro na rua, só porque não estão dispostas a abrir mão de seus supérfluos privilégios para que os pobres de cor tenham o mínimo necessário.

Há realmente muita coisa a fazer para que o racismo acabe neste mundo. E vai demorar muito tempo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Empolgação reduzida com a copa. O futebol está perdendo o encanto?

Uma coisa a notar nesta copa de futebol que difere das outras é a pouca empolgação mostrada em relação ao evento. Em outras copas, notava-se uma imensa euforia, quase desesperada, com o surrealismo de enxergar no futebol a única razão de prosperidade de um país que nasceu para ser uma reles república bananeira. Já no começo dos anos de copa, o futebol se tornava assunto predominante.

Ficamos a perguntar p que houve para tanta quietude em relação a esta falta de empolgação. Claro que o futebol de times continua a empolgar, o que leva a crer que a falta de empolgação tem mais a ver com a seleção do que com o futebol em si. Mas o que houve? Temos hipóteses. E são várias.

Seria o bolsonarismo dos jogadores e do técnico Tite? Seria a colocação da copa emendando com os festejos de fim de ano? Seria o cenário ruim da política e da economia brasileiras, tirando qualquer motivo de felicidade? Será que o futebol passou a ser coisa de torcedor, deixando de ser uma obrigação cívica do povo? Ou será que o país organizador é um violador dos direitos humanos, sendo uma ditadura xiita?

Será que a nossa empolgação por futebol se mudou para a política. A política polarizada com eleitores agindo de forma apaixonada e submissa, defendendo seus políticos favoritos mais pelas características deles pelo que eles podem fazer ou não pelo país? 

Não se sabe. Pode ser todos esses motivos juntos. De qualquer forma, sempre haverá os que irão se empolgar com os jogos da seleção. Afinal, é um evento social acima de tudo. Uma desculpa para unir pessoas de pensamentos totalmente diferentes a se confraternizar através de seu único ponto de afinidade: o gosto pelo futebol. Nem que seja um gosto imposto midiaticamente como uma mera obrigação social. Pois ninguém quer ficar sozinho no Brasil.

domingo, 30 de agosto de 2020

Esquerdistas querem preservar valores antigos considerados positivos


Embora assumam o contrário, esquerdistas brasileiros são conservadores. Claro, brasileiros são conservadores e pensam que mudar radicalmente o mundo seria uma forma de destruir inúmeras zonas de conforto que não beneficiam, de tão datadas, mas ainda geram conforto para gigantesca multidão de pessoas (gado?).

Esquerdistas brasileiros tratam bem qualquer coisa que façam brasileiros sorrirem. Não importam se estas coisas geram ou não benefício. Muito menos importam se geram danos a sociedade brasileira, deixando-a mais burra e inerte, fora do mundo real. Se faz sorrir, dá prazer e valoriza a honra e a identidade do portador desta tendência, está válido.

Um exemplo, para dar noção do caráter de ridiculosidade em não querer mudar a sociedade. Se ir a praia de pijama, como se fazia em um passado remoto, fosse um valor positivo para as esquerdas, pode crer que até hoje estaríamos em Ipanema, todos vestidos de pijama, se preparando para um banho de mar sem mostrar boa parte de nossos corpos.

Há valores que dão sinais de obsolescência que ainda são defendidos pelas esquerdas, como religião, cerveja e futebol. Nenhum desses foi capaz de trazer benefícios a seus adeptos. Pelo contrário, geram até danos (futebol: falso civismo, alienação e gritaria; religião: noção errada de bondade e aceitação de contradições lógicas; cerveja: embriaguez, redução do controle mental e certos problemas de saúde). Então, porquê, manter estes, que são as maiores zonas de conforto dos brasileiros.

Há outros valores a mudar, mas estes três foram citados aqui por terem um número monstruoso de adeptos, todos beirando os 90% de adesão. Mas a defesa destes valores, considerados "positivos" pelos esquerdistas despe o enrustido conservadorismo dos esquerdistas brasileiros, que acham que devem manter tudo que faça as pessoas felizes. Mesmo que o prazo de validade tenha se esgotado.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Porque as esquerdas não querem mais saber de Neymar

Para quem enxerga o futebol como dever cívico, enxerga a copa de futebol como uma guerra e cada jogo como uma batalha. Obviamente que, nestas condições, cada jogador é um soldado a lutar em nome de seu país para conseguir uma conquista que... sabe-se lá para que serve, além de fazer multidões berrarem histericamente.

Um desses "soldados", o santista Neymar Júnior, ou apenas Neymar, foi tratado como um herói durante um bom tempo. Era quase uma unanimidade nacional. Pelo menos ele era unanimidade para quem gosta de futebol. Todos adoravam ele a ponto de atpé mesmo o mais machista dos homens sonhar se casar com ele, de tão popular que o jogador era.

A popularidade dele era tanta que arrumaram até uma princesinha encantada, a atriz Bruna Marquezine, frequentemente "shipada" (casamento forjado pelos fãs de duas celebridades) com o jogador. O relacionamento se revelou uma farsa publicitária e Bruna, hoje rompida com o jogador, é mais esclarecida e mais responsável, a ponto de seguir orientação política oposta a de Neymar, este ainda fechado com o "capitão", este o "Mito", o herói dos irresponsáveis.

Mesmo que Neymar tenha virado bolsonarista, este não é um motivo para as esquerdas descartarem um ídolo. Líderes religiosos daquilo que os brasileiros conhecem como "espiritismo" são claramente bolsonaristas e ainda possuem respeito e até admiração de vários esquerdistas. Mesmo assim, Neymar já é oficialmente descartado da idolatria das esquerdas. Porquê?

Provavelmente deve ser o fato de Neymar ter se revelado, na vida real, o oposto que se espera de um "herói". As esquerdas esperavam ver o jogador casado com Bruna Marquezine, aposentado das festas e curtições, cuidando de seu filho ou fazendo outro, e na política, mesmo sendo direitista, assumisse uma postura pelo menos simpática à democracia.

Mas Neymar tem se mostrado um farrista inveterado. A imagem de um garoto que não consegue amadurecer tem preocupado seus admiradores. Até a atuação - que cá para nós, nunca foi brilhante, exceto pela falsa imagem construída pela mídia - caiu bastante, a ponto dele ter sido vaiado durante um jogo em um dos times europeus que atuou.

As esquerdas brasileiras, que caíram com gosto na armadilha do futebol como orgulho nacional, esperam ainda por um herói estereotipado, aos moldes dos melhores filmes de aventura. Porque elas precisam de um herói futebolístico. Pena que o outrora superestimado Neymar não serve mais para este papel...

sábado, 23 de maio de 2020

Esquerdistas e direitistas disputam o amor pela Seleção Brasileira de Futebol

Esquerdistas não cansam de dar bronca pela utilização da camiseta da CBF nas manifestações d e direita. Apesar do futebol ser de fato um esporte desenvolvido pelo Capitalismo, fato recusado pelos esquerdistas, que consideram a possibilidade do futebol manter a sua pompa e o glamour sem o sustento de cartolas e patrocinadores, as forças progressistas querem a patente do futebol.

Na verdade, isso se baseia na eterna confusão entre o futebol e patriotismo. Para os brasileiros que gostam de futebol, esta modalidade esportiva é um dever patriótico que deve ser seguido por todos os brasileiros. A camiseta da CBF tem a mesma importância da bandeira nacional e deve ser imaculada.

Mas não pensem os esquerdistas que somente eles pensam desta forma. A direita concorda plenamente com as esquerdas quanto a crença do futebol ser um orgulho nacional a nível do mais nobre patriotismo. A utilização da camiseta da CBF nos protestos da direita são uma prova de que as duas forças políticas tem a mesma visão em relação ao futebol e à "Seleção".

Os direitistas, ao escolherem a camiseta da CBF como uniforme nos protestos, a usam como símbolo de patriotismo. Brasileiros não costumam ser muito patriotas (amam mais os EUA e países da Europa). Brasileiros sonham com o chamado "primeiro mundo", que consideram onde ficam os melhores exemplos de civilidade, educação e sucesso econômico. 

A única noção de patriotismo que possuem é quando torcem pela "Seleção" em jogos e em campeonatos, principalmente nas copas, onde o país interrompe as suas atividades pelo "dever patriótico" de torcer "pelo Brasil". Para se ter uma ideia, a vitória no futebol e muito mais comemorada do que um sucesso na área econômica ou alguma conquista mais realista.

Isso é reforçado pelo fato do futebol ser um agregador social. Claro, pois sendo um "dever patriótico", muita gente se sente obrigada a aderir, tornando o hobby capaz de reunir o maior número de pessoas em uma só causa. Brasileiros, que gostam de aglomerações sociais (viver isolados em tempo de covid-19 é uma tortura) mais do que os outros povos, amam o futebol por causa disto.

E por isso que esquerdistas e direitistas brigam pela posse da camiseta da CBF. Justamente por serem, acima de qualquer opção de devoção política, brasileiros. Ambos são unânimes em tratar a camiseta da CBF e a simbologia do futebol como partes de uma devoção patriótica ausente nos momentos mais cívicos, pois nem no 7 de setembro se vê tanto amor pelo Brasil como nos jogos da "Seleção".

Enfim, há algo em que esquerdistas e direitistas concordam plenamente. Mesmo que isso ainda acabe em brigas, não raramente bem violentas.

domingo, 10 de maio de 2020

Pais depositam suas frustrações em seus próprios filhos: atitude contribui para que sociedade nunca mude

Adultos imaturos são a pior coisa do mundo. Não sabem educar a si mesmos e ainda são metidos a querer "educar" seus próprios filhos, transferindo para eles os valores equivocados que a sua imaturidade lhes faz acreditar, pensando estar transmitindo maturidade para seus filhos. 

Além disso, fazem de seus filhos cópias em miniatura de si mesmos, como se usassem suas próprias crias para compensar as frustrações pessoais de não realizar o que gostaria. Como se seus filhos fossem bonequinhos feitos para imitar a vida dos adultos.

É muito triste saber que a maioria dos pais não dão aos seus próprios filhos a opção de decidir o que fazer na vida, preferindo embutir os valores de uma sociedade cronicamente falida, fazendo com que seus filhos, ao se tornarem adultos, nunca mudem a sociedade, perpetuando todos os erros, problemas, injustiças e preconceitos que estamos cansados de ver todos os dias e que não estão dando sinais de que irão acabar.

Se esquecem quase todos os pais que as crianças são seres em processo de aperfeiçoamento e que seus tutores na verdade tem a missão de prepará-las para que possam tentar melhorar o mundo. Mas ao invés disso, criam pessoas que serão adultos acomodados, submissos, medrosos e que se contentam com pouco, tratando os problemas como se estes fizessem parte da sociedade adulta, o que é uma mentira.

Colocando em seus próprios filhos as suas preferências e frustrações pessoais, desestimulam seus filhos a pensarem por conta própria, a decidir por si mesmos, na tentativa de pensar diferente apara fazer diferente. Pensando igualmente às gerações anteriores, acabam fazendo tudo igual, impedindo a mudança social brusca que a sociedade tanto precisa para poder se evoluir. Apenas pequenas mudanças, muitas irrelevantes, acontecem, geralmente na aparência. Enquanto na essência, tudo fica na mesma.

Que tal ouvir melhor seus filhos, por menores que eles sejam? Vale a pena impor os valores pessoais de uma vida adulta equivocada e jogar fora a chance de desenvolver um ser que poderia acabar com os problemas sociais? Pense bem nisso, todos os pais e mães e ouçam melhor seus filhos, deem liberdade para que eles aprendam que somente quem é livre de pensamento pode decidir por fazer  algo que realmente possa transformar a sociedade, preparando-a para o futuro.

Transformar filhos em reproduções em miniatura de seus próprios pais é um erro irresponsável e uma boa forma de dizer: "Está tudo bom como está. Eu não quero que nada mude". Então tá. Quando algum problema bater a porta de sua vida, pense como uma boa educação feita numa geração anterior, poderia ter evitado isso.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Falta de opções de lazer e caos organizado podem ter estimulado o fanatismo do futebol no Rio de Janeiro

Brasileiros são fanáticos por futebol, num hábito passado de geração a geração. Para quem vive no Brasil, futebol é dever cívico e social e quem é contra merece o isolamento e quando muito prejuízos e até morte. O medo da solidão faz com que brasileiros em massa se tornem reféns do futebol. Até quem não curte de fato tem que fingir para não ficar sozinho. 

Cariocas são ainda mais fanáticos que os brasileiros. No estado onde sedia os times mais bem sucedidos do país, o futebol não é somente dever como também uma regra de etiqueta. Nossa equipe não cansou de ver cariocas se sentindo ofendidas diante de alguém que assume seu desprezo pelo futebol, mesmo de forma simpática e respeitosa.

Mas a origem disto tudo, sem descartar o mito do dever cívico e social, pode estar escondido na decadência que sofre o Rio de Janeiro há décadas, com uma espécie de caos organizado e falta de lazer impostas por um neo-coronelismo de direita e uma esquerda inerte que só sabe defender a liberação das drogas e a profissionalização da prostituição, se conformando com as injustiças cônicas vistas nas causas trabalhistas.

Estigmatizado como capital cultural e estado mais moderno do Brasil, o Rio de Janeiro vive em uma estagnação resultante desta fama de modernidade consolidada, o que faz com que o estado não progrida e obrigue as pessoas a se virarem para obter lazer e formas de sociabilização. E é aí que entra o futebol para tapar o buraco visto nas outras áreas de lazer mais democráticas.

Sem estímulos para se divertir e sociabilizar, os cariocas - com ajuda da mídia e das regras sociais - se aproveitaram da popularidade do futebol para transformá-lo em algo absoluto a facilitar a sociabilização e tirar os cariocas da ameaça de tédio crônico, mesmo que de forma forçada e artificial.

Para se virarem diante de tanto desestímulo, os cariocas elegeram o futebol como um perfeito agregador social. Numa sociedade que costuma ser insensível (como costuma ser o sul e sudeste brasileiro) e meio acomodada, o futebol tem o poder, mesmo artificial, de unir pessoas com gostos e ideias diferentes, que não se conhecem. Quem não se descontrai diante de uma conversa sobre futebol com desconhecidos? Somente quem não surte futebol, óbvio.

O futebol deu a oportunidade para cariocas obterem amizades e diversão diante da falta de estimulo, já que governos e empresários locais não se esforçam em oferecer aos cariocas meios que favoreçam um lazer mais diversificado e constante. Mesmo as poucas iniciativas que aparecem soam como coisa de sectários (grupos específicos e isolados), sem a capacidade de unir pessoas com pensamentos diferentes ou que simplesmente não se conhecem.

Com isso, o futebol acaba se consagrando o perfeito agregador social e mais opção de lazer para cariocas de todas as classes sociais e mais variados pensamentos. As coisas continuarão assim até que apareça algum gestor no estado do Rio de Janeiro disposto a democratizar o lazer e criar formas mais variadas de diversão e sociabilização.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Jogador Roberto Carlos vai na contramão de colegas e do xará famoso e se põe no lado dos progressistas

Eu sempre fico feliz quando alguém se assume progressista. os progressistas são, além de altruístas, portadores de uma mentalidade mais aberta e desejosos de ver o seu país em constante processo de desenvolvimento, gerando benefícios a um maior número de pessoas, quiçá todos.

Jogadores de futebol não costumam ser progressistas. Com maioria de pouca escolaridade e subindo rapidamente de classe sócio-econômica, muitos acabem perdendo sua consciência de classe, abandonando velhos amigos e os lugares de onde vieram.

Mas há exceções realmente admiráveis como o saudoso jogador Sócrates e o hoje comentarista Juninho Pernambucano, que decidiram se intelectualizar por conta própria, acabando por se revelar homens conscientes preocupados com o mundo real. Mas outro acaba de se juntar a estes: Roberto Carlos, o jogador.

Em entrevista recente, Roberto surpreendeu pela conscientização política, inteligência, franqueza e por ideais que se encaixam ao perfil progressista, raro em sua classe profissional. Houve espaço até para elogios ao de fato melhor presidente do Brasil Luís Inácio Lula da Silva, preso sem motivos por quem está interessado em ver o Brasil falido. Roberto sabiamente reconheceu a boa fase em que o ex-sindicalista comandava o país.

Fica aqui meus parabéns a Roberto Carlos e sempre esclarecendo que não sou contra o futebol nem contra os jogadores. Futebol é sadio como forma de lazer e os jogadores, tendo a iniciativa de se evoluírem como pessoas, podem se tornar homens admiráveis fora do campo. Admiro quem se esforça para sair da zona de conforto e do lugar comum. O jogador Roberto Carlos deu aula de cidadania que deve ser observada atentamente pelos seus colegas de profissão.

Ah! Roberto Carlos ainda teve a ousadia de ir contra o seu xara mais famoso, que infelizmente apoiou o golpe, mesmo de forma discreta, com elogios ao um juiz especialista em desempregar trabalhadores de promissoras indústrias nacionais. Roberto Carlos, o jogador, este sim é brasa, mora?

domingo, 24 de junho de 2018

CBF paga mídia alternativa para exaltar futebol?

Apesar de ser um esquerdista, tenho evitado os portais de esquerda em tempos de copa. Infelizmente as esquerdas tem aderido a onda midiática e fazendo coro com a mídia corporativa em prol da histeria coletiva que predomina durante um mês em épocas de copa. Isso com o Brasil na UTI após o golpe de 2016 feito financiado pelos patrocinadores da copa.

Sinceramente acho estranha esta adesão maciça das esquerdas ao futebol em copas. Isso cria um festival de contradições se lembrarmos que o futebol é uma modalidade de esporte capitalista, patrocinada e administrada por capitalistas, usada pela mídia corporativa e cuja magia é resultante de muito dinheiro investido. Ou alguém enxergaria magia em garotos feios sujos de lama, correndo atrás de uma meia enrolada em cima de uma grama mal cortada?

Que as esquerdas brasileiras nunca foram realmente contra o Capitalismo isso é fato comprovado. A queixa das esquerdas brasileiras não é contra o Capitalismo e sim contra o fato de serem excluídos dos benefícios que este sistema pode oferecer. E entre estes benefícios, obviamente está o de assistir a um jogo de futebol em um luxuoso estádio de futebol diante de jogadores transformados às custas de muito banho de loja e algumas plásticas e alterações estéticas.

Mas mesmo assim, continuo a perguntar: o que faz com que as esquerdas se unam aos direitistas no coro em prol da histeria futebolística? Será para atrair os torcedores para as plataformas alternativas? um será que a CBF está injetando dinheiro nas esquerdas para que elas sobrevivam? Não há motivos para discordar se estas duas hipóteses sejam verdadeiras, desde que as esquerdas assumam. Até porque os meios alternativos carecem de apoio e todo recurso extra que entrar será bem vindo.

É sabido que há forças estranhas patrocinando as esquerdas, para que elas não ousem mais do que já fazem. George Soros, muito criticado pelas esquerdas, patrocina tanto entidades progressistas como conservadores. Ele não é o único, mas é um bom exemplo.

Há interesses ocultos em manter o sistema como está, mesmo abrindo mais o leque para as classes oprimidas. Mas é preciso que essas classes sejam incluídas em um sistema existente, com valores e estruturas tradicionais, para que mesmo com a esquerda no poder, os poderosos não deixem de comandar o sistema. Por isso que muito dinheiro é investido, para que as esquerdas respeitem o sistema como está, mesmo exigindo mudanças significativas, mas nunca totais.

De qualquer forma, é nítido o empenho das mídias alternativas em prol do futebol, abandonando da mesma forma que faz a mídia corporativa, aqueles que preferem estar longe da algazarra futebolística, sem oferecer opções para que os avessos ao futebol possam se divertir e se sociabilizar. Ou seja, quem não curte futebol bom sujeito não é e que se vire se não quiser seguir a manada.

Crescemos acreditando no fanatismo futebolístico estimulado pela mídia corporativa. Pelo jeito até a mídia alternativa resolveu cair feito trouxa no papo furado da mídia corporativa.

sábado, 23 de junho de 2018

Mídia ignora existência de brasileiros que não curtem futebol. E não é só a mídia corporativa


Ligue a televisão, de preferência nos canais abertos. Tente achar algum brasileiro que assume não curtir futebol. Não achou? E nem vai achar! Rejeitar o futebol é uma heresia que nenhuma mídia corporativa está disposta a estimular.

E na mídia alternativa? Bom, apesar de ser um pouquinho mais compreensiva com os que preferem ficar longe da onda futebolística, ainda continua dando um "chega pra lá" nos não-torcedores, preferindo jogá-los no limbo, apesar de admitir a sua existência.

Estranho que a mídia alternativa, não tão gananciosa quanto a corporativa, prefira esconder os avessos ao futebol. Sempre mais democrática que a mídia corporativa, a mídia alternativa deveria se lembrar dos que não curtem futebol e defender os direitos destes de se divertir e de sociabilizar.

Desconheço o motivo que faz com que a mídia alternativa se una ao coro pró-futebol da corporativa. Se não é financeiro - a alternativa aparentemente não ganha dinheiro com o futebol - o motivo deve ser uma isca a pescar torcedores em massa para aumentar a audiência da mídia alternativa, já que no Brasil, o numero de torcedores é drasticamente bem maior que o de não-torcedores por uma questão de senso comum.

Todos percebem que quem gosta de futebol sonha em ver o seu hobby se tornar uma unanimidade. Essa unanimidade serviria para confirmar a lenda sem sentido de que o gosto do brasileiro pelo futebol é biológico. Serviria também para tirar a ridiculosidade de priorizar uma forma inócua de lazer tradicionalmente transformada em urgente e inadiável dever cívico.

Eu mesmo confirmei inúmeras vezes este desejo dos torcedores em ver o gosto pelo futebol convertido em unanimidade nacional. Só o conhecimento da existência de uma pessoa que se recusa a agostar de futebol lhes dá calafrios. É similar ao que acontece com os evangélicos quando conhecem um ateu. "Quem é esse herege a desafiar a sabedoria coletiva?" diria algum torcedor.

Quem controla a mídia sabe muito bem que a divulgação de algum brasileiro que não curta futebol pode ser um risco para a hegemonia futebolística pelo país. Por isso que a mídia se desespera quando vê a falta de empolgação causada pela tristeza com a perda de direitos. Por isso que ela se empanha de forma hipnótica a manter a histeria futebolística de pé.

Isso acontece a ponto da plutocracia que controla a mídia e a CBF lançarem mão de recursos para impedir o desinteresse pelo futebol, que traz muito lucro aos golpistas. Apelam inclusive para o golpista Michel Temer - que segundo dizem, detesta futebol - a pedir para a população a manter seu vício no futebol. Plutocratas sabem que desinteresse pelo futebol significa menos grana entrando em suas polpudas contas nos paraísos fiscais.

Este é o motivo que faz com que os não-torcedores permaneçam invisíveis para o senso comum. A mídia, metida a democrática, nunca irá dar voz a que, não curte futebol. Sabe muito bem que quem despreza o futebol representa uma séria ameaça aos interesses financeiros de quem lucra muito com o futebol.

Melhor forjar uma unanimidade, mesmo falsa, para que a verdadeira unanimidade possa se estabelecer um dia. Fazendo muito dinheiro entrar às custas de cada entrada da bola em um gol.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Futebol é Cavalo de Troia para os brasileiros

Recentemente uma mensagem no perfil oficial do Twitter do golpista Michel Temer pedia, lançando mão de vários clichês, para que os brasileiros esquecessem momentaneamente a crise e torcessem pela "seleção". Só que duas coisas estranhas notam-se na mensagem, além dos clichês: Temer parece não gostar de futebol e o fato de uma autoridade exigir que a população curta futebol. estava na cara que tinha caroço nesse angu.

A revelação do motivo que fez um, ilegítimo, verdade, "presidente" pedir para a população aderir em massa ao futebol, foi revelado depois: Temer pretende usar a copa para acelerar as maldades, como eliminar mais direitos e tentar vender as empresas estratégicas a estrangeiros. É bom lembrar que os patrocinadores da copa são os mesmos do golpe e todos interessados em impedir que o Brasil se desenvolva, ameaçando a hegemonia dos países desenvolvidos no comando mundial.

A mídia corporativa passou muitas décadas enfiando na cabeça do brasileiro que o futebol seria a sua razão de ser. Se tornar o melhor no futebol seria a meta. O resto seria supérfluo. Incluindo q melhoria da qualidade de vida em aspectos necessários à sobrevivência humana. Tudo, mas tudo seria supérfluo diante do prioritário futebol.

A plutocracia descobriu um excelente modo de manobrar as massas no Brasil, fazendo as desviar do mundo real e colocar um supérfluo como uma prioridade nacional. Até mesmo a normalmente esclarecida esquerda caiu como patinho diante do maravilhoso Cavalo de Troia do futebol. nada como transformar um lazer em dever cívico para que o verdadeiro civismo nunca se manifeste.

Ainda mais o brasileiro, acostumado a colocar o lazer como prioridade. Imagine uma professora na escola primária dizendo que seus alunos são obrigados a sair para o recreio para ir brincar. Todo mundo foi automaticamente acatar a ordem da professora para correr pra lá e pra cá no pátio da escola.

Nem é preciso dizer que , mesmo com quase 100% de rejeição, Temer foi imediatamente obedecido. Os ladrões que vem saquear nossos bens e direitos já podem praticar o assalto com a mais absoluta tranquilidade. ninguém estará vendo. Estão todos de olho no Neymar, o arroz de festa.

Foi para isso que Temer pediu para os brasileiros torcerem para a copa. Foi para isso que patrocinadores do golpe patrocinam a copa. Foi para isso que a plutocracia deseja que os brasileiros priorizem o futebol. nada melhor que o futebol para anestesia uma população com problemas que nunca se resolvem. 

O resultado e o mesmo: ganhamos no futebol, perdemos no resto. E a perda é total.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Porque os brasileiros gostam de futebol? Essa ninguém responde

No Brasil, o fato de gostar de futebol está não naturalizado que ninguém se preocupa em entender os motivos que fazem um esporte tão rudimentar ser extremamente popular a ponto de parar um país inteiro e de se tornar uma regra rígida de etiqueta social. 

Tente perguntar a qualquer brasileiro porque as pessoas gostam de futebol? Ou melhor: tente perguntar a um torcedor brasileiro porque ele gosta de futebol. Você vai ouvir todo o tipo de resposta, várias bem surreais. Mas nenhuma com a explicação real: medo da solidão.

A mídia, com valiosa ajuda das regras sociais, consagrou a ideia de que brasileiros são obrigados a gostar de futebol. Quem não gosta é condenado a solidão, ao tédio e perde muitos benefícios apenas adquiridos com bom prestígio social, como emprego e namoro. 

Na verdade, todos sabem disso mas evitam comentar. Assumir esta razão é tornar a admiração pelo futebol como algo não-natural. Não é interesse da maioria desnaturalizar o fanatismo pelo futebol. 

Tanto é que os torcedores fazem mil loucuras, são surreais, enlouquecidos, berram alto, fazem as mil loucuras, mas quem recebe rótulo de "louco" são os pacatos que preferem passar longe da insanidade futebolística. Torcedores chateiam, mas chato é quem não curte futebol.

Essa falta de explicação ajuda bastante a manter o fanatismo futebolístico que chega ao ponto de confundir país com 11 analfabetos enriquecidos vestidos de amarelo. Os coxinhas anti-Dilma (e anti-Brasil) souberam muito bem por em prática esta confusão usando o uniforme da CBF em protestos políticos contra o próprio direito. O golpe agradece muito a esta confusão entre futebol e pátria. E nunca pede explicações para isso.

Até porque, sendo coxinha ou não, tudo que os brasileiros querem é um título no futebol. O resto é supérfluo. Se a coisa não funcionar, jeitinho brasileiro dá um jeito.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

As Gincanas do Colégio Brasil

Havia na cidade um colégio chamado Brasil. Era um colégio grande, mas simples e um tanto precário. Faltava até giz para escrever no quadro negro. Ás vezes dias ficavam sem aulas, seja por falta de condições, seja por protesto de professores quanto a situação do colégio. 

Professores eram ruins e mal remunerados. As carteiras, sempre com algum rachadura ou parte quebrada. O espaço destinado a colocar os livros nas carteiras eram habitados por insetos nem sempre agradáveis. Havia presença de aranhas venenosas. Felizmente ninguém foi picado por estas até o momento. Mas o incômodo com a presença dos insetos era real e atrapalhava o aprendizado.

Faltava água e luz com frequência. Uma vez a porta de uma sala emperrou no final de uma aula e para os alunos saírem, tiveram que quebrar a porta. Havia muitas carteiras abandonadas por falta de uso, por estarem danificadas pela má conservação.

O diretor, desanimado com a falta de recursos, demonstrava um comportamento que foi entendido pelos outros como "malandragem" e foi demitido do cargo de forma injusta. Em seu lugar, entrou outro claramente interessado em destruir ainda mais a escola.

Mas a escola não era de todo ruim. Ela tinha algo de bom para se orgulhar. Apesar da péssima qualidade de ensino e da falta de condições para o seu funcionamento, o Colégio Brasil tinha a melhor gincana de todas as escolas na cidade. E sempre vencia as gincanas, que sempre eram memoráveis, melhorando a cada ano. 

Pais matriculavam seus filhos apenas para poderem participar das gincanas. Vários dos alunos do Colégio Brasil se consagravam após vencer as gincanas. Venciam as gincanas em outros municípios. A fama do colégio de fazer as melhores gincanas e gerar os melhores atletas das gincanas se tornou mundial. 

Nas paradas da cidade, estudantes do Colégio Brasil se destacavam enquanto desfilavam. Todos queriam ver os alunos do colégio nas festividades da cidade. A alegria se instalava só em ver o colégio sendo mencionado nas festividades. Em suas gincanas, o Colégio Brasil era definitivamente imbatível. E não dá sinais de que vai deixar de ser. Certamente ainda ganhará muitas gincanas no futuro.

Enfim, mesmo em falência total, o Colégio Brasil tinha um motivo para se orgulhar.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Supostamente avesso a futebol, Temer convoca brasileiros para torcer na copa

As grandes corporações patrocinaram o golpe. As mesmas grandes corporações patrocinam a copa. Nada mais coerente que as corporações desejem que todos os brasileiros esqueçam tudo em prol da abstrata alegria do futebol. Até porque copa é quando as grandes corporações mais ganham dinheiro, a ser depositado secretamente em longínquos paraísos fiscais.

Para representar a plutocracia que lucra com a copa, foi escalado o corsário que finge ser o presidente do Brasil, o golpista Michel Temer, para implorar a população para que esqueça os problemas e torça pela vitória da "seleção" na copa. Só no Brasil para o sucesso no futebol ser tratado como um assunto de estado. Como se a vitória no futebol pudesse compensar as maldades de ter que eliminar direitos e soberania de um povo.

O curioso é que, segundo rumores, Michel Temer não gosta de futebol. A própria mensagem publicada por ele é cheia de clichês. Esse negócio de "200 milhões de torcedores" e a tradicional confusão entre "seleção" e "país", já surradas durante muitas décadas pela mídia corporativa e reverberadas como eco pela mídia alternativa. O comentário atribuído a Temer é típico de quem não tem a menor intimidade com o assunto. Nem para falar contra.

Mas como ele fala em nome dos patrocinadores da copa - que patrocinaram o golpe - e há o interesse em usar o futebol como cortina de fumaça a esconder as maldades que Temer ainda fará enquanto o povo estiver anestesiado com o rolar da bola no campo, la veio ele agir para impedir o fim da histeria futebolística, ameaçada pela tristeza gerada pela perda de direitos.

Mais estranho ainda é ver que o pedido nobre de manter o fanatismo ilusório do futebol parta de alguém com quase 100% de rejeição. O que significa que se depender de Temer, o tiro sairá pela culatra e os brasileiros passem a torcer pela derrota dos amarelados - liderados pelo também golpista, o tucano Neymar - para ver o vampiroso golpista ficar murcho de tristeza.

Como falei, é triste ver uma forma de lazer tratada como se fosse um assunto urgente de segurança nacional. Crescemos acreditando que uma forma de lazer iria salvar a nossa dignidade. Tenho certeza que se não deixarmos de ser uma Pátria de Chuteiras, estaremos sempre na pior, pois o conto-de-fadas do futebol nunca nos ajudou a ter dignidade, soberania e a ser uma potência econômica. É pura ilusão.

Mas ilusões enchem as contas dos mais ricos. Para isso que o fanatismo do futebol serve.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os brasileiros poderiam ter escolhido uma forma de consenso menos barulhenta

Para os brasileiros, futebol é prioridade máxima. Com apenas 518 anos de idade, o Brasil ainda se encontra dentro da mais tenra infância, diante de nações milenares. normal agir como criança e colocar a brincadeira acima de assuntos mais sérios. Com o tempo amadureceremos. Quando? Eu não sei.

Nada tenho contra o futebol. Quer curtir futebol, curta. Só me incomoda três coisas:
- A colocação do futebol como prioridade;
- O barulho infernal provocado pela torcida;
- Torcedores chatos que só vivem falando de futebol e me obrigam a gostar do mesmo.

Caramba, como o futebol é esporte de gente chata e disposta a chatear os outros. Mas ninguém chama de chato por se tratar de imensa maioria. O senso comum não considera errado o erro cometido pela maioria. Se a maioria erra, ela não erra porque é maioria. Pois seguir a manada é a coisa mais certa a fazer. Mesmo que o destino da manada seja se espatifar no despenhadeiro. Algo tolerável em um país sem soberania onde os brasileiros estão acostumados a sofrer.

Torcedor é gente muito chata. Pior que quando reclamo, o chato sou eu. Não sou eu que vivo fazendo barulho. Não sou eu que converso usando o monotema futebol como assunto. Não sou eu que fico obrigando os outros e entrarem na minha. Eu não chateio ninguém, mas eu que sou o chato? Que chato!

Será que não havia outro tipo de hobby para ser a "paixão nacional"? Um hobby menos barulhento. Música erudita por exemplo? Porque a mídia não estipula como tradição nacional o gosto pela musica erudita? Música erudita não chateia, não estoura os tímpanos e não irrita. Muita gente não gosta, mas eu adoro música erudita (das boas, com orquestras de verdade e não as palhaçadas popularescas regidas pelo Andre Rieu). A verdadeira música erudita é um excelente relaxante.

Outra "paixão nacional" poderia ser as caminhadas pela natureza, conhecidas como trekking. Aí multidões imensas iriam para um lugar meio distante dos centros e iriam fazer as suas farras lá, deixando as cidades bem silenciosas. Todos ganhariam: o adepto do trekking ganharia companhia e segurança e o não adepto ganharia o sossego. Simples assim.

Mas como a realidade não é boa nem linda, vou ter que aguentar a histeria da copa nos jogos do supérfluo futebol. Os brasileiros detestam sossego e tranquilidade e quem gosta de sossego que se vire para ter, pois ninguém está disposto a colaborar para um país mais tranquilo e pacífico.

domingo, 17 de junho de 2018

O novo Presidente do Brasil

Um menino de origem pobre que conquistou a maioria esmagadora dos brasileiros. Sem diploma de nível superior, conseguiu ser o brasileiro mais influente de seu tempo, elogiado por estrangeiros. Amigo de políticos, durante um mês, ele senta na cadeira presidencial e comandará um país inteiro praticamente sem fazer esforço.

Pensou que era aquele outro? Nada disso.

Este será o Presidente do Brasil pelo exato período de um mês. Até mesmo as esquerdas já admitem isso.

Pois desde 2016, o Brasil deixou de ser um país. Brasil, hoje é nome de time de futebol. A bandeira e o hino já representam a CBF. Nada mais justo que elejamos seu maior representante como o mais novo Presidente da República de Chuteiras do Brasil.

Um presidente com nação. Um príncipe com princesa. Um rei com súditos. O Rei Momo do Carnaval futebolístico. Vossa Majestade.

Olhem para a foto abaixo. Este será o seu líder. Independente de ideologias, se ajoelhem diante de seu Presidente. Ele tomou posse hoje e desde já o Brasil se encontra sob o seu comando.

Até o encanto provisório do sonho futebolístico acabar.


sábado, 16 de junho de 2018

Golpe'n'Gol

Uma das maneiras mais eficientes para fazer os brasileiros aceitarem injustiças e atrocidades, é através do futebol. Educado a tratar a modalidade esportiva como sua prioridade máxima e motivo maior de seu orgulho pseudo-cívico, os brasileiros se anestesiam diante de um jogo de futebol. 

O Brasil pode até ser vítima de uma gigantesca hecatombe nuclear que se a "seleção" estiver bem em copas, os brasileiros estarão tranquilos. Isso até morrerem de algum tipo de câncer. Mas nem isso importa. Importa é ver o Brasil campeão no futebol.

O golpe iniciado em 2016 depende do futebol para se fortalecer. Não é coincidência o fato de que os patrocinadores da "seleção" sejam os mesmos que financiaram o golpe. H[a interesses em jogo e capitalistas sabem muito bem que povo distraído é povo incapaz de impedir o saque que enriquece ainda mais os magnatas.

O Brasil se encontra em sua pior fase. Nem mesmo nos primórdios do período colonial e na ditadura militar, o país esteve tão ruim. Mas aí é que o sempre sedutor futebol entra em ação para dopar os brasileiros e fazê-los ficar alheios ao que acontece de sério no mundo real.

Até mesmo quem não se acha tão alienado, se torna uma presa fácil diante da sedução futebolística. Futebol é considerado como algo sério no Brasil e uma grande quantidade de pessoas se empenha de forma dedicada para que o desânimo com o golpe não acabe com a histeria pró-copa.

Autoridades sabem muito bem que é um momento certo para cometer atrocidades. Alheios ao mundo real e preocupados com mais uma desejada vitória da "seleção" em copas, brasileiro ignorariam com imensa facilidade qualquer tipo de medida drástica a ser tomada em prol dos golpistas.

Sabe-se que nos bastidores da política, várias medidas poderão ser tomadas durante a copa, se aproveitando da distração da população. É por isso que os patrocinadores do golpe insistem em estimular o gosto pelo futebol para que a população tenha meios de se anestesiar e fugir do mundo real, enquanto a dignidade da população vai sendo silenciosamente destruída.

Corre grande risco de comemorarmos o hexacampeonato em cima de escombros, diante de um país que não existe mais, reduzido a 11 palhaços vestidos de amarelo, a única coisa que sobrará do Brasil.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O estranho coitadismo dos torcedores de futebol, apoiados por tudo e por todos

Se você procurara a internet, vai encontrar textos em que torcedores de futebol pedem respeito pelo seu hobby, como se eles fossem os excluídos sociais de um esporte ultra-apoiado por tudo e por todos.

Eu não sei o que passa na cabeça de muitos torcedores de futebol que os faz agir na defensiva, como se o hobby deles fosse curtido por uma minoria abandonada. Pelo contrário. O futebol, além de ser amplamente curtido, foi convertido em obrigação social, o que força um aumento de demanda na adesão, além do apoio incondicional da mídia e de autoridades em geral.

Ou seja, quem curte futebol é muito mais do que paparicado. Então porque o coitadismo, o vitimismo dos torcedores? Quem deveria posar de vítima é quem não curte futebol, abandonado socialmente, frequentemente criticado, sofrendo preconceitos e sem opção de lazer.

Quem não curte futebol é que deveria reclamar de falta de respeito e de apoio. Pois quanto aos torcedores, o respeito e o apoio dados para quem curte futebol é muito mais do que abundante.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

De repente o golpe acabou e a democracia se instalou...

A copa é realmente uma coisa mágica. De repente o Brasil vira um paraíso, com prosperidade, igualdade social e muita justiça. De uma hora para outra deixamos de ter inimigos, todo mundo é gente boa e somos todos felizes. Finalmente o golpe acabou e instauramos uma democracia socialista no Brasil. Um verdadeiro paraíso.

Durante a copa, não há mais direitistas, nem corruptos. Somos todos prósperos e subitamente os ricos ficam com imensa vontade de pegar um helicóptero e jogar uma chuva de dinheiro para toda a população. Passamos a ter simpatia por todos que se encaixam na categoria de "seres humanos".

Tudo fica lindo durante a copa. Passamos a nos dar as mãos, principalmente aos que normalmente costumamos xingar e agredir, seja verbalmente, seja fisicamente. Do nada, inimigos tradicionais passam a ser bonzinhos.

Até mesmo aquele locutor chato, que a mídia insiste em escalar para os jogos mais importantes, passa a ser tão agradável quanto um rouxinol fofinho cantando. Tudo fica maravilhoso e até nosso miserável país, prestes a se tornar um misto de Haiti com o Iraque, vira uma potência mundial a atrair as atenções pelo mundo.

Enfim, tudo fica maravilhoso com a copa.Um verdadeiro baile de Cinderela. Só que em agosto, a carruagem vira abóbora. E ficamos todos lambuzados com a melequenta polpa.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Estamos deixando a infância?

Segundo pesquisas, está havendo uma possível queda de popularidade do futebol, já denunciada pelo desânimo dos brasileiros na copa que se inicia. Será que estamos finalmente amadurecendo? Será que o futebol deixará de ser um dever cívico e retomará a sua vocação original de mera diversão? Será que o futebol passará a ser coisa de torcedor e não "coisa de brasileiro"?

Sendo a seleção com mais títulos em campeonatos mundiais, a população começa a perceber que esta vantagem não interfere no mundo real e nem serve de compensação para um país que, após o golpe, retoma a sua triste sina de país sub-desenvolvido, submisso ao Grande Capital das grandes potências.

Tanto as esquerdas ingênuas que defendem o patriotismo de copa quanto a direita que lucra com o futebol em épocas de copa estão desesperados pelo possível desinteresse pelo futebol. Por um motivo ou por outro, há forças que se dão muito bem com o aumento de adesões a uma histeria ilusória que em nada interfere na melhoria da população brasileira.

Durante muitas décadas fomos programados para aceitar o futebol como nosso maior motivo de orgulho. Ao ponto de transformar a modalidade em obrigação social, fazendo com que muitos só "gostassem de futebol" para se sentirem incluídos na sociedade ou terem a oportunidade de berrar feito loucos sem que isso parecesse uma gafe. 

Éramos como crianças, priorizando uma brincadeira para deixar assuntos sérios para segundo plano, enquanto os problemas cresciam como um câncer a ponto de se tornarem quase insolúveis. Isso sempre foi maravilhoso para as classes dominantes que, além de lucrar muito com a copa, usava o futebol para anestesiar literalmente a população, que acabava se conformando com a situação ruim em que se encontrava. Somos ruins em tudo , mas pelo menos melhores no futebol. E isso era tudo.

Mas com o golpe que destrói direitos e soberania, nem mesmo ser "o melhor no futebol" compensa a desgraça. Somado ao fato de que os coxinhas roubaram o uniforme da CBF, obviamente inspirados na insistente confusão entre futebol e pátria, o golpe tirou a nossa capacidade de sorrir diante da diversão. 

Descobrimos finalmente que a vitória no futebol não somente não influi no mundo real como é utilizado de forma perversa pelas forças que nos querem na miséria. Não é coincidência que os financiadores do golpe são os mesmos que patrocinam a Seleção Brasileira de Futebol. Ou seja, vamos dar o osso para o cachorro parar de latir enquanto o sacrificamos. Fazer o brasileiro sorrir da desgraça crônica imposta pelos mesmos que trazem a diversão. Perversidade estranha, essa.

Vamos aguardar os anos que se seguem. Um dia as pessoas saem da infância e passam a largar os brinquedos. Será que os brasileiros estão finalmente entrando na maturidade, desistindo de transformar uma mera brincadeira em dever cívico? 

Será que vamos parar de brincar de patriotas de quatro em quatro anos para sermos de fato patriotas e lutar pelos nossos direitos e nossa soberania, arrancados na marra pelos golpistas? Tomara! Já está mais do que na hora!

Vini Jr, Racismo e a hipocrisia da Classe Média brasileira

O assunto desta segunda feira com certeza foi o inaceitável caso de racismo sofrido pelo jogador Vinicius Júnior, o Vini, durante um jogo de...